O post Projeto Agroecologia na Borborema revitaliza a paisagem do Agreste paraibano apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>Buscando reverter esse quadro de pouca visibilidade e consolidar práticas adotadas isoladamente, surge o projeto Agroecologia na Borborema – conversão ecológica da agricultura no Agreste da Paraíba, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Ambiental. O objetivo é construir uma agenda socioambiental assumida por organizações da agricultura familiar de 15 municípios do Agreste da Paraíba para a implementação e divulgação de iniciativas demonstrativas de recuperação de áreas degradadas, reconversão produtiva de estabelecimentos familiares e uso ecoeficiente de lenha. O projeto também prevê ações de sensibilização ambiental junto a crianças e jovens rurais.
Para tanto, foram traçados os seguintes objetivos específicos:
A ideia é propiciar maior segurança produtiva frente às instabilidades climáticas e a melhoria das rendas agrícolas, além de promover, simultaneamente, a prestação de serviços ambientais, no âmbito local e global, por meio da fixação e retenção de carbono atmosférico nos agroecossistemas em volumes bastante superiores aos atuais. As famílias agricultoras contarão com mudas e equipamentos para implementarem as inovações e participarão de oficinas, intercâmbios e seminários, seguindo a metodologia já aplicada com sucesso pela AS-PTA e parceiros envolvidos no projeto, a exemplo do Pólo da Borborema, da ONG Arribaçã, da Embrapa Algodão e da Universidade Federal da Paraíba (Campus de Bananeiras).
A primeira atividade desse plano de capacitação aconteceu nos dias 15 e 16 de Abril, no município de Solânea, com 30 participantes das comunidades de Palma, Bom Sucesso e Goiana, que estão à margem do Rio Bom Sucesso. A oficina abordou a importância da intensificação dos processos de arborização dos sistemas agrícolas para revitalizar a paisagem da região, tão degradada pelos ciclos econômicos que ali se sucederam: algodão, sisal e pecuária. Essa reconstituição histórica da ocupação da região, inclusive no que se refere à questão fundiária, é primordial para que se compreendam os mecanismos de produção e reprodução da condição de degradação atual. Como bem expressou João Macedo, da AS-PTA: Achei fundamental entender o processo de desarborização associado à concentração de terra e aos ciclos econômicos da agricultura no local.
Em seus depoimentos, os agricultores declararam ter percebido que o desmatamento causava desequilíbrios na natureza, tais como aumento de pragas e doenças, empobrecimento dos solos, inclusive com muitos sinais de erosão por toda comunidade, e alterações no clima e no regime das chuvas.
O grupo em seguida se dedicou a levantar o repertório das plantas nativas que ainda permanecem na região e suas funções: a macambira e o cumaru, muito usados como cerca-vida; a aroeira, remédio natural e melífera; o juazeiro e a baraúna, ótimos para criar sombras; o jucá e o marmeleiro, bons para lenha; o pereiro, usado como estaca; o Frei Jorge, serve como cabo de ferramenta; a imburana, o feijão brabo e o cardeiro, como forragens. Também foram ressaltadas as experiências de muitos agricultores que já cultivam diversas plantas forrageiras, como leucena, nim e gliricídia, e plantam o sabiá e até o pau d’arco.
No dia seguinte, os participantes foram convidados a visitar a propriedade da família de Zé de Pedro e Maria do Carmo. Em pequenos grupos, percorreram a área analisando como a família vem valorizando a árvore em seu sistema de produção, quais são as espécies usadas, em quais espaços foram plantadas, quais as funções que cumprem no sistema. Após a visita, os participantes trocaram suas impressões com a família, reconhecidamente a melhor forma de aprendizado.
À luz da visita e das discussões do dia anterior, cada família decidiu planejar seu processo de experimentação particular, mas também a comunidade priorizou o desenvolvimento de um projeto piloto de rearborização da mata ciliar em um trecho crítico do Rio Bom Sucesso.
Ainda para o mês de maio, estão previstas oficinas em outros municípios: Remígio (Assentamento Queimadas, Assentamento Doroth e Comunidade Caiana); Casserengue (Assentamento Santa Paula); Queimadas (Comunidades Catolé I e II) e Areial.
Com o aumento da abrangência do uso social das tecnologias inovadoras, o projeto Agroecologia na Borborema espera atingir a escala necessária para ampliar a capacidade demonstrativa das experiências para outras famílias agricultoras e para formuladores e executores de políticas públicas, mostrando como realmente o conhecimento local pode contribuir para o global.
O post Projeto Agroecologia na Borborema revitaliza a paisagem do Agreste paraibano apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>O post Mulheres agricultoras em busca de sua autonomia apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>Hoje, a continuidade da peça é a vida de cada mulher que deu a volta por cima. Em Remígio, muitas mulheres que participaram do encontro municipal falaram de sua realidade. Descobrimos que existem muitos Bius [personagem da peça], mas também deu muita força para tudo mudar.
No mês seguinte (22/4), lideranças dos municípios do Polo da Borborema se encontraram para avaliar todo o processo. Os depoimentos de diversas agricultoras podem dar uma boa ideia das reflexões que as diversas atividades suscitam:
Todo o processo de mobilização trouxe à tona a autonomia e a capacidade das mulheres de mudarem sua realidade. Isso foi muito importante para mim, como liderança, para as agricultoras do meu município e para todas as mulheres do Polo, afirma Maria do Céu, diretora do STR de Solânea. Agora temos que dar continuidade a esse processo de mobilização e envolver cada vez mais mulheres, completa.
Conseguimos este ano fazer uma discussão comum na região do Polo e isso foi um grande passo para fortalecermos o debate. Vejo dois caminhos a seguir: fortalecer a experimentação tocada pela Comissão de Saúde e Alimentação do Polo e continuar alimentando o debate sobre as desigualdades dentro do Polo, explica Gizelda, diretora do STR de Remígio e membro da coordenação do Polo da Borborema.
A partir dessa reunião, as mulheres decidiram colocar no papel encaminhamentos para prosseguir em sua luta:
1) Dar continuidade aos eventos municipais de debate sobre as desigualdades de gênero.
No dia 28 de abril, foi realizado um evento em Lagoa Seca com a participação de 50 mulheres. Outros já estão agendados: dia 31 de maio, em Matinhas, dia 22 de junho, em Casserengue e Queimadas.
2) Intensificação das visitas de intercâmbio.
Essa prática tem ganho cada vez mais importância por favorecer a troca de saberes e a valorização do trabalho que as mulheres desenvolvem. Ao oferecer a oportunidade para conhecer as diferentes experiências conduzidas pelas agricultoras, os intercâmbios contribuem para o fortalecimento de uma identidade comum e da autoestima das mulheres, tanto quando visitam ou quando são visitadas. A família passa então a reconhecer a importância do papel da mulher como experimentadora, sua capacidade de gerar renda e seu novo papel político.
3) Qualificar o trabalho com plantas medicinais
Participar das oficinas de plantas medicinais foi como ter “portas abertas” para muitas mulheres. A Comissão de Saúde e Alimentação, assessorada pela AS-PTA está organizando um trabalho em parceria com o Movimento Agroecológico (MAE) da UFPB (Campus Areia). A ideia é fazer um levantamento etnobotânico das plantas mais usadas pelas agricultoras da Borborema e construir um material pedagógico valorizando o conhecimento acumulado por elas.
4) Dar continuidade ao processo de sistematização de experiências
A sistematização de experiências é uma metodologia que busca organizar os conhecimentos e as práticas de inovação para fornecer conteúdos que subsidiem a elaboração e a implementação de políticas de desenvolvimento rural mais adequadas às condições locais. A primeira visita para coleta de dados foi realizada na propriedade de dona Irene, agricultora-experimentadora do município de Solânea.
5) Fortalecer o trabalho sobre o arredor de casa
Serão promovidas três oficinas regionais de formação de multiplicadoras para o trabalho com os quintais. Cada oficina será dividida em quatro grandes temáticas: diagnóstico dos arredores (construção de suas partes, funções para a família e os problemas enfrentados); avaliar o papel da mulher na condução das experiências desse espaço e entender quais as disputas que emergem (roçado x quintal); valorizar o caráter produtivo do subsistema (reorganização do espaço, que pode ser distribuído para comportar hortas medicinais, pequenas criações, árvores frutíferas, etc.); e, por fim, debater sobre o manejo da água resgatando experiências como canteiros econômicos, reutilização da água e outras formas alternativas de irrigação, incluindo a cisterna calçadão.
6) Fortalecer os Fundos Rotativos Solidário (FRS) para o reordenamento dos quintais
A importância dos FRS é viabilizar a disseminação e a implementação dos conhecimentos adquiridos nas visitas de intercâmbio. A re-estruturação dos quintais possibilita a diversificação das atividades, o que gera mais autonomia para os sistemas familiares. Além disso, por ser tradicionalmente um espaço de domínio das mulheres, o quintal contribui para aumentar a participação e a valorização do trabalho das mesmas. Diante da sua importância para o financiamento desse reordenamento do espaço das propriedades, os FRS serão tema de um evento regional, que terá como base a análise da situação de cada fundo solidário.
Com a realização das atividades previstas nos encaminhamentos, a ideia é sensibilizar e reunir cada vez mais mulheres e, assim, viabilizar a construção verdadeiramente coletiva de um novo meio rural para todos e todas.
O post Mulheres agricultoras em busca de sua autonomia apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>O post Semente da Paixão é tema de pesquisa participativa apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>A política se concretizou em diversos estados do Nordeste por meio da distribuição em larga escala da variedade de milho caatingueiro, considerada pelos órgãos oficiais como a mais indicada para o clima semiárido por ter um ciclo produtivo menor, que se completa durante o curto período de chuvas. No entanto, trata-se de uma variedade de baixo porte, o que não favorece a estratégia tradicional de consórcio com a fava, que cresce se enroscando na planta do milho. Ou seja, quanto maior o porte do milho, melhor o desenvolvimento da fava. O milho caatingueiro também não produz muita palha. Já as variedades locais fornecem um volume considerável, que é convertido em forragem para os animais. Somente esses dois aspectos mostram que, para as famílias agricultoras, a variadade ideal não é aquela que apenas produz mais grãos, mas a que também desempenha outras funções no sistema, como alimento para as criações e suporte para o consórcio com outros cultivos.
Em reação aos impactos negatidos da distribuição do milho caatingueiro em larga escala nos últimos anos, a Articulação do Semi-Árido da Paraíba (ASA-PB) buscou se mobilizar e definir estratégias para restaurar os objetivos originais do referido programa. Uma das estratégias foi estabelecer parceria com o meio científico para a análise e o reconhecimento das qualidades das sementes tradiconais. Em 2009, foi então implementado o Projeto Semente da Paixão, parceria entre a ASA-PB e a Embrapa Tabuleiros Costeiros (SE), através do CNPq, com o apoio da UFPB (Campus Bananeiras) e Embrapa Algodão. A proposta é conduzir ensaios de competição de desempenho entre as variedades melhoradas e as nativas, a partir dos métodos oficiais de pesquisa e sob o acompanhamento de representantes do governo, da sociedade civil e, sobretudo, das famílias agricultoras. A partir dessa pesquisa, será possível colocar em evidência o potencial das sementes tradicionais e sua adaptação às condições biofísicas locais.
Segundo Luciano Silveira, da AS-PTA: Com essa pesquisa comparativa, será possível desconstruir o discurso dominante que desqualifica as sementes locais como grãos e não reconhece seu potencial agrícola.
Já foram estabelecidos campos de ensaio na Comunidade Mendonça e na Comunidade Sussuarana, no município de Juazeirinho, no Assentamento Santa Paula, município de Casserengue, e na UFPB (Campus Bananeiras), todos no estado da Paraíba.
De lá para cá, as sementes da paixão ganharam outra oportunidade para comprovar seu valor agronômico. Em 2010, a delegacia do MDA da Paraíba, em parceira com a Embrapa Algodão, lançou um projeto de constituição de 20 campos de multiplicação de variedades de milho, feijão, fava e gergelim, visando garantir a oferta a agricultores da Paraíba. Por ocasião da Festa Estadual da Semente da Paixão, por meio da mobilização de agricultores e organizações da ASA-PB, pactuou-se com o governo o compromisso de destinar alguns desses campos à multiplicação de sementes crioulas, que serão distribuídas a famílias agricultoras paraibanas em 2011. Esse é um movimento de reversão da orientação da política que vem aos poucos recompondo sua concepção original.
A expectativa é que os resultados dos ensaios e a implantação dos campos de multiplicação de sementes crioulas sirvam de subsídio para os ajustes necessários ao Programa de Sementes para a Agricultura Familiar que, a partir de então, deverá ser conduzido de forma a considerar não só os aspectos agronômicos, mas também a preferência que os agricultores têm por suas sementes da paixão.
A atual conjuntura aponta para o restabelecimento do diálogo entre o governo e sociedade. É como diz seu Joaquim Santana, do Polo da Borborema: Esse clima também favorece a semente humana boa. Porque, antigamente, quando a gente se juntava, era pra brigar [MDA, Embrapa, Universidade, famílias agricultoras]. O caminho é a semente humana se misturar com boas condições de parcerias, um respeitando o outro.
E completa com os seguintes versos:
Tem até semente humana; que é a semente de gente
Tem que ser selecionadas; de pessoas competentes
Essa é capaz de zelar; mais também pode acabar
Todos os tipos de sementes (Joaquim Santana)
O post Semente da Paixão é tema de pesquisa participativa apareceu primeiro em AS-PTA.
]]>