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O Brasil soma 13,9 milhões de jovens ocupados entre 14 e 24 anos no primeiro trimestre de 2026 — número que supera o nível pré-pandemia em 569 mil pessoas, segundo o Diagnóstico da Juventude Brasileira, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Do total, 57,8% têm carteira assinada e a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos caiu para 13,8%. Mas o avanço vem acompanhado de um desafio importante: entre adolescentes de 14 a 17 anos, 52% deixam o emprego antes de completar um ano, evidenciando alta rotatividade logo no início da trajetória profissional.

O levantamento do MTE cruzou dados da PNAD Contínua (IBGE), da RAIS e do eSocial para retratar a situação de 32,9 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos — 15,4% da população do país. Desse total, 13,9 milhões estão ocupados, 12,8 milhões se dedicam exclusivamente aos estudos, 4,3 milhões conciliam trabalho e estudo, e 6,2 milhões não estudam nem trabalham — o grupo conhecido como “nem-nem”.
A formalização também avançou: a informalidade caiu de 80% para 72,8% entre adolescentes de 14 a 17 anos, e de 44,3% para 39,4% entre jovens de 18 a 24 anos. Ainda assim, a taxa de desemprego juvenil segue mais que o dobro da média nacional (5,8%) — 25,1% entre adolescentes de 14 a 17 anos e 13,8% entre jovens de 18 a 24.
O dado mais chamativo do diagnóstico é a rotatividade: mais da metade dos adolescentes de 14 a 17 anos que conseguem uma vaga não permanece nela por 12 meses. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice é de 38,2% — também alto, mas menor. Parte da explicação está na natureza das ocupações disponíveis para quem está entrando agora no mercado: a maior parte dos jovens ocupados está concentrada em funções generalistas de comércio e serviços — balconista, vendedor, caixa, recepcionista, auxiliar administrativo —, muitas delas com tarefas repetitivas, remuneração baixa (a maioria recebe até 1,5 salário mínimo) e pouca perspectiva de crescimento interno.
O primeiro emprego é uma escola, não um destino
Para a maioria dos adolescentes, o primeiro emprego não vai ser a carreira definitiva — e não precisa ser. O valor está em aprender rotinas, responsabilidade, comunicação e o funcionamento básico do mundo do trabalho. Sair de uma vaga antes de um ano não é necessariamente fracasso; muitas vezes reflete busca por melhores condições, mais aprendizado ou compatibilidade com os estudos.
Formalização importa desde o início
O próprio MTE destaca que ter carteira assinada logo no início da trajetória profissional ajuda o adolescente a entender direitos e deveres trabalhistas — um aprendizado que protege em situações futuras de negociação, demissão ou mudança de emprego. Vale conferir se a vaga oferecida é formal antes de aceitar, especialmente em programas de aprendizagem e estágio, que têm regras específicas de carga horária e remuneração.
Conciliar trabalho e estudo exige planejamento — e apoio da família
O MTE reforça que a credencial mínima exigida pelo mercado é cada vez mais o ensino médio completo. Para adolescentes que começam a trabalhar cedo, o maior risco não é o emprego em si — é ele acabar comprometendo a permanência na escola. Famílias podem ajudar acompanhando de perto a carga horária combinada entre trabalho e estudo, para que uma coisa não inviabilize a outra.
Apesar do avanço no emprego juvenil, 6,2 milhões de jovens brasileiros de 14 a 24 anos não estudam nem trabalham. Segundo o MTE, a maior parte desse grupo é formada por meninas com filhos pequenos, que enfrentam falta de estrutura de creche para retomar os estudos ou o mercado de trabalho. É um lembrete de que os números positivos do mercado de trabalho juvenil não alcançam igualmente todos os adolescentes — e que políticas de apoio à maternidade adolescente seguem sendo peça central para reduzir essa desigualdade.
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]]>O post Violência nas Escolas Brasileiras em Alta — Casos Graves Acendem Alerta em São Paulo apareceu primeiro em .
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A violência no ambiente escolar voltou ao centro do debate no Brasil depois de dois episódios graves ocorridos em São Paulo em poucos dias. Em Santo André, um homem foi morto a tiros em frente a uma escola estadual após intervir numa briga entre estudantes. Em São José dos Campos, uma professora sofreu um colapso nervoso ao descobrir que alunos haviam colocado um pedaço de vidro em seu copo de água durante uma aula. Especialistas apontam que o aumento da violência na sociedade em geral tem se refletido, de forma cada vez mais visível, dentro das escolas — especialmente nos grandes centros urbanos.

Um homem de 36 anos foi morto a tiros na porta da Escola Estadual Padre Aristides Greve, em Santo André, na Grande São Paulo. Segundo a Polícia Civil, ele havia ido à escola acompanhar a esposa, que buscava a sobrinha da família — uma adolescente que temia ser agredida por duas colegas de classe, de 11 e 13 anos, após já ter sofrido lesões físicas provocadas por elas dias antes.
No local, o encontro com uma das famílias envolvidas escalou para uma briga generalizada. Um motociclista que passava pelo local interveio de forma violenta, afirmando depois, em depoimento, ter agido por acreditar estar presenciando uma injustiça. Após uma troca de socos, ele deixou o local, retornou armado e efetuou disparos contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos. O suspeito foi preso menos de 24 horas depois.
Em uma escola municipal de São José dos Campos, uma professora de 37 anos preparava lâminas para uma aula prática de Ciências com uma turma do 8º ano quando, segundo o relato dela, um dos alunos colocou um fragmento de vidro dentro do copo de água que estava sobre a mesa. Ao perceber um comportamento incomum entre os estudantes antes de beber, a professora questionou a turma e foi alertada por colegas a não tomar a água — só então soube o que havia sido colocado no copo.
A professora não chegou a ingerir o líquido, mas teve um forte abalo emocional e precisou de atendimento médico e acompanhamento psicológico. A escola identificou os envolvidos por meio de câmeras de monitoramento; três estudantes foram suspensos até o fim do semestre letivo, e dois deles serão transferidos para outra unidade da rede. O caso foi registrado como lesão corporal tentada e é tratado como ato infracional, com acompanhamento do Conselho Tutelar.
A escola como espelho da sociedade
Especialistas em educação e segurança pública apontam que a escola não é um ambiente isolado do restante da sociedade — ela reflete, com atraso mas com fidelidade, os níveis de violência, intolerância e naturalização do conflito presentes fora dos seus muros. Em contextos urbanos onde a exposição à violência é maior — seja na vizinhança, na mídia ou nas redes sociais —, esse padrão tende a se manifestar também dentro da sala de aula.
Conflitos entre estudantes que extrapolam os muros da escola
O caso de Santo André ilustra um padrão preocupante: um conflito entre adolescentes que começou dentro da escola, envolveu agressão física entre colegas, e terminou com a intervenção de familiares e um desfecho fatal. Quando desentendimentos entre estudantes não são mediados a tempo pela escola, o risco é que as famílias — muitas vezes com razão de estarem preocupadas — acabem resolvendo o conflito por conta própria, num ambiente onde tensões já estão em alta.
Agressões contra professores
O caso de São José dos Campos se soma a um número crescente de relatos de violência — física, psicológica ou simbólica — direcionada a professores em salas de aula brasileiras. Educadores relatam sentir-se cada vez mais desamparados diante de comportamentos agressivos de estudantes, com poucos protocolos claros de apoio psicológico imediato quando episódios graves acontecem.
Casos como esses reforçam que a resposta não pode ser apenas disciplinar, aplicada depois que o dano já ocorreu. Escolas precisam de protocolos claros de mediação de conflitos, canais de escuta para estudantes e professores, e planos de ação estruturados para situações de crise — incluindo suporte psicológico imediato para vítimas, sejam elas alunos ou funcionários.
Para as famílias, o alerta é duplo: acompanhar de perto sinais de conflito relatados pelos filhos — tanto quando eles são alvo quanto quando são autores de agressões — e buscar o diálogo com a escola antes que a situação escale, em vez de tentar resolver o conflito por conta própria no ambiente escolar.
Para o poder público, os casos reforçam a urgência de políticas efetivas de segurança escolar e de saúde mental nas redes de ensino — não apenas como resposta pontual a episódios que ganham repercussão nacional, mas como estrutura permanente de prevenção.
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]]>O post Lista sexual com adolescentes gera investigação policial – violência de gênero digital apareceu primeiro em .
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O Colégio Cruzeiro, tradicional escola particular do Rio de Janeiro, acionou a Polícia Civil após a descoberta de uma lista online criada por estudantes que classificava colegas adolescentes em categorias de cunho sexual. O material, publicado em uma plataforma no formato “tier list” — comum para rankings de temas diversos, mas aqui usado para expor e humilhar colegas —, gerou grande repercussão nacional e reacendeu um debate urgente: o papel de escolas e famílias no combate à violência de gênero entre adolescentes no ambiente digital.

Segundo a cobertura jornalística do caso, estudantes da unidade de Jacarepaguá do Colégio Cruzeiro criaram, em uma plataforma online, uma lista que classificava dezenas de alunas em categorias de conotação sexual — algumas delas humilhantes e degradantes. A escola, ao tomar conhecimento do conteúdo, registrou boletim de ocorrência, denunciou o material à plataforma — que já retirou o conteúdo do ar — e afirmou estar prestando apoio às alunas e às famílias envolvidas.
A investigação está a cargo da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), órgão especializado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Segundo a corporação, a plataforma onde a lista foi criada será notificada, testemunhas e envolvidos deverão prestar depoimento, e outras diligências seguem em andamento para esclarecer os fatos e eventuais responsabilizações.
O impacto psicológico é real e pode ser duradouro
Ser exposta publicamente, avaliada e reduzida a uma categoria sexual por colegas de escola pode gerar vergonha intensa, ansiedade, queda no desempenho escolar, isolamento social e, em casos mais graves, sintomas depressivos. Para uma adolescente, cuja identidade e autoestima ainda estão em formação, esse tipo de exposição pode deixar marcas que ultrapassam o episódio isolado.
Não é “coisa de adolescente” — é violência de gênero
Especialistas em violência de gênero apontam que esse tipo de conduta reproduz, entre adolescentes, uma lógica de objetificação do corpo feminino e de julgamento público da sexualidade das meninas — enquanto os meninos que criam ou compartilham esse tipo de conteúdo raramente são expostos ou avaliados da mesma forma. É esse desequilíbrio que caracteriza o fenômeno como uma expressão de violência de gênero, e não como uma brincadeira sem consequência.
O ambiente digital amplia o alcance e a permanência do dano
Diferente de um comentário isolado no corredor da escola, um conteúdo publicado online pode ser compartilhado, salvo e replicado indefinidamente, mesmo depois de removido da plataforma original. Isso amplia tanto o alcance da exposição quanto a dificuldade de reverter o dano causado.
A resposta institucional do Colégio Cruzeiro — boletim de ocorrência, denúncia à plataforma e apoio às famílias — segue o que especialistas em educação recomendam como primeiro passo diante de casos assim. Mas o desafio maior é preventivo: escolas têm papel central na construção de uma cultura de respeito e consentimento entre estudantes, com educação sobre gênero, sexualidade e cidadania digital trabalhada de forma contínua, e não apenas como reação a um episódio já ocorrido.
Para pais de meninos, o momento pede uma conversa direta: participar, curtir ou compartilhar conteúdo que expõe colegas — mesmo sem ter sido quem criou a lista — também é uma forma de violência, com consequências legais possíveis. Para pais de meninas, o cuidado principal é garantir que a filha se sinta segura para contar o que está acontecendo, sem culpa e sem minimização, e buscar apoio psicológico se sinais de sofrimento emocional surgirem nas semanas seguintes.
Em ambos os casos, o diálogo sobre consentimento, respeito e os limites entre humor e humilhação precisa acontecer antes que um episódio como esse se repita — não apenas depois.
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]]>O post Maioridade Penal — 70% dos Brasileiros Apoiam Punição de Adolescentes Infratores como Adultos apareceu primeiro em .
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Uma pesquisa Datafolha divulgada em julho de 2026 mostra que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes infratores sejam julgados e punidos como adultos — alta de 5 pontos percentuais em relação a 2022, quando o índice era de 65%. No mesmo período, o apoio à reeducação como resposta prioritária caiu de 34% para 27%. O tema, historicamente polarizador, ganha novo fôlego num ano eleitoral, com um projeto de lei sobre o assunto voltando a tramitar no Congresso Nacional.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros, entre os dias 17 e 18 de junho de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O apoio à punição equivalente à de adultos aparece de forma majoritária em praticamente todos os recortes analisados, variando principalmente em intensidade: é mais alto entre evangélicos (75%) e eleitores mais à direita no espectro político, e mais baixo — ainda que também majoritário — entre eleitores mais à esquerda.
A tendência de crescimento não é um fenômeno isolado de 2026: o apoio ao endurecimento penal para adolescentes já vinha subindo em levantamentos anteriores do próprio instituto, acompanhando um movimento mais amplo de preocupação da população com segurança pública.
A Constituição Federal fixa a maioridade penal em 18 anos. Abaixo dessa idade, adolescentes que cometem atos infracionais respondem por meio de medidas socioeducativas — que vão de advertência e prestação de serviços comunitários até a internação em unidades específicas, com prazo máximo de três anos, prevista para os casos mais graves. O sistema foi desenhado com foco declarado na responsabilização combinada à reintegração social, e não apenas na punição.
Quem defende punições equivalentes às de adultos costuma sustentar que o sistema socioeducativo atual não seria suficientemente dissuasório diante de atos infracionais graves, especialmente os cometidos com violência. Argumenta-se também que adolescentes de 16 e 17 anos têm maturidade suficiente para compreender a gravidade de seus atos — inclusive porque já podem votar a partir dos 16 anos — e que a sensação de impunidade incentivaria o recrutamento de menores por organizações criminosas, que os utilizariam justamente por saberem que a punição será mais branda.
Quem defende a manutenção do modelo socioeducativo argumenta que a adolescência é, do ponto de vista do desenvolvimento neurológico e psicológico, uma fase de maturação ainda incompleta — o córtex pré-frontal, ligado a julgamento de consequências e controle de impulsos, segue em desenvolvimento até por volta dos 25 anos. Também é comum o argumento de que o sistema prisional adulto brasileiro, já superlotado e criticado internacionalmente, tenderia a agravar a reincidência em vez de reduzi-la, e que a maior parte dos atos infracionais registrados não envolve crimes graves ou violência. Defensores da reeducação apontam ainda para experiências internacionais em que investimento em socioeducação, e não endurecimento penal, esteve associado a quedas na reincidência juvenil.
Diferente de temas com maior consenso técnico, a discussão sobre maioridade penal segue dividindo não apenas a opinião pública, mas também juristas, criminologistas e especialistas em desenvolvimento adolescente — cada lado citando estudos e experiências internacionais distintas para sustentar sua posição. Em ano eleitoral, é esperado que o tema continue ganhando espaço no debate político, com discursos que tendem a simplificar uma questão que, na prática, envolve segurança pública, direito constitucional, ciência do desenvolvimento humano e a realidade concreta do sistema socioeducativo brasileiro.
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]]>O post ECA Digital em vigor – novas regras protegem adolescentes no ambiente online apareceu primeiro em .
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Desde 17 de março de 2026, o Brasil conta com um marco regulatório inédito para a proteção de crianças e adolescentes na internet: o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), instituído pela Lei nº 15.211/2025. A norma amplia para o ambiente online princípios que já existiam no ECA de 1990, criando obrigações diretas para redes sociais, aplicativos e jogos eletrônicos — e devolvendo aos pais ferramentas de supervisão que, até então, dependiam de aplicativos externos ou configurações difíceis de encontrar.

Sancionada em setembro de 2025, a Lei nº 15.211/2025 entrou em vigor seis meses depois, em 17 de março de 2026. Ela se aplica a qualquer produto ou serviço de tecnologia da informação direcionado a crianças e adolescentes — ou com probabilidade real de acesso por esse público — no Brasil, incluindo redes sociais como Instagram, TikTok e WhatsApp, plataformas de streaming, jogos eletrônicos e lojas de aplicativos, mesmo quando a empresa responsável está sediada fora do país.
A lei não substitui o ECA original, de 1990 — ela o complementa, estendendo ao ambiente digital a mesma lógica de proteção integral e prioridade absoluta já garantida no mundo físico às pessoas menores de 18 anos.
Fim da autodeclaração de idade
Até então, bastava o usuário digitar a própria data de nascimento para acessar uma plataforma — mecanismo que qualquer criança conseguia burlar em segundos. O ECA Digital proíbe essa prática e exige que as empresas adotem mecanismos confiáveis de verificação de idade, sem depender apenas do que o usuário informa.
Contas de menores de 16 anos vinculadas a um responsável
Usuários com até 16 anos passam a precisar de conta vinculada à de um responsável legal. As plataformas são obrigadas a oferecer ferramentas de supervisão parental acessíveis, que permitem limitar tempo de uso, restringir contato com adultos não autorizados, controlar sistemas de recomendação de conteúdo, restringir o compartilhamento de localização e acompanhar gastos dentro de aplicativos e jogos.
Privacidade máxima por padrão
Contas de crianças e adolescentes devem vir configuradas, desde o início, com o nível mais alto de proteção — perfil privado, geolocalização restrita, sem exigir que a família configure nada manualmente. A lógica se inverte: o padrão passa a ser o mais protetivo, e não o mais permissivo.
Remoção rápida de conteúdo de risco
Conteúdos ligados a exploração sexual, incentivo à automutilação ou ao suicídio, uso de drogas, violência ou bullying devem ser removidos rapidamente, com notificação obrigatória à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e, em casos de abuso ou exploração, também às autoridades policiais.
Restrições a publicidade e mecanismos predatórios
A lei veda a criação de perfis comportamentais de crianças e adolescentes para direcionar publicidade, proíbe a monetização de conteúdo que os sexualize e barra o uso de loot boxes — caixas de recompensa com resultado aleatório — em jogos acessados por esse público, mecânica associada a padrões de comportamento compulsivo.
A fiscalização do ECA Digital é responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que já iniciou processos de monitoramento das empresas do setor e atua em conjunto com outras instituições, como o Ministério Público, o Conanda e a Anatel. O governo também criou o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, operado pela Polícia Federal, para centralizar denúncias de crimes digitais encaminhadas pelas próprias plataformas.
Empresas que descumprirem as obrigações da lei estão sujeitas a advertência, suspensão temporária, proibição de atividades no país e multas de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil. Quando não há faturamento a ser considerado, a multa pode variar entre R$ 10 e R$ 1 mil por usuário cadastrado, com limite de R$ 50 milhões por infração.
Na prática, o ECA Digital entrega às famílias recursos de controle que antes exigiam aplicativos de terceiros ou conhecimento técnico avançado para configurar. Mas é importante ter clareza sobre um ponto: a lei cria ferramentas — ela não substitui a mediação do dia a dia. O comportamento online de um adolescente continua sendo moldado, em grande parte, pelo que acontece dentro de casa e na escola, e não apenas por configurações de privacidade.
Vale conferir se as plataformas que seu filho já usa notificaram a atualização das configurações de conta e supervisão parental, e aproveitar o momento para retomar a conversa sobre uso saudável de tecnologia — não como vigilância, mas como cuidado compartilhado.
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]]>O post Saúde Mental de Adolescentes em Crise — Redes Sociais Ampliam Ansiedade e Depressão apareceu primeiro em .
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Três em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos relatam sentir-se tristes sempre ou na maior parte do tempo, segundo dados do IBGE. O número, isolado, já preocuparia qualquer pai ou educador — mas ele ganha outra dimensão quando cruzado com um segundo dado: o uso excessivo de plataformas como Instagram e TikTok tem sido apontado, de forma cada vez mais consistente, como fator agravante de ansiedade, depressão e baixa autoestima entre adolescentes.

A pesquisa do IBGE indica que cerca de 30% dos estudantes entre 13 e 17 anos relatam se sentir tristes na maior parte do tempo ou o tempo todo. Não se trata de uma tristeza pontual, ligada a um evento específico, mas de um estado emocional persistente — exatamente o tipo de sinal que costuma anteceder quadros de ansiedade e depressão quando não é identificado e acompanhado.
O Relatório Mundial da Felicidade 2026, divulgado pela ONU, reforça essa relação numa escala global: o relatório aponta que o consumo passivo de conteúdo guiado por algoritmos — aquele em que o usuário apenas rola o feed, sem produzir ou interagir de forma ativa — está associado a piora do bem-estar entre adolescentes, com impacto mais acentuado sobre meninas.
Nem toda hora de tela tem o mesmo efeito
Uma hora conversando por vídeo com amigos e uma hora rolando feed sem interagir não têm o mesmo impacto emocional, mesmo somando o mesmo tempo de tela. O consumo passivo — assistir, comparar, rolar — tende a alimentar comparação social constante, enquanto o uso ativo e social da tecnologia tem efeito bem menos associado a sintomas depressivos.
O algoritmo não escolhe o que é bom para o adolescente
Plataformas como Instagram e TikTok são otimizadas para manter o usuário na tela pelo maior tempo possível — não para proteger seu bem-estar emocional. Isso significa que o conteúdo entregue tende a ser o que gera mais engajamento, o que nem sempre coincide com o que é saudável de se consumir repetidamente: corpos idealizados, vidas aparentemente perfeitas, validação social medida em curtidas e comentários.
Por que o impacto é maior em meninas
O impacto mais acentuado sobre meninas, apontado pelo relatório da ONU, é consistente com outros estudos internacionais sobre o tema. Parte da explicação está em como o conteúdo voltado a esse público costuma girar em torno de aparência física e comparação corporal — um terreno particularmente sensível durante a puberdade, período em que a relação com o próprio corpo já está em transformação e mais vulnerável a influências externas.
Nem todo adolescente vai verbalizar que está mal — muitas vezes, o comportamento fala antes das palavras. Alguns sinais que merecem atenção redobrada:
Trocar quantidade por qualidade de uso
Em vez de focar apenas em reduzir o número de horas de tela — o que costuma gerar resistência e conflito —, vale conversar sobre o tipo de uso: incentivar interações ativas (conversar, criar, compartilhar com propósito) e questionar juntos o consumo passivo prolongado, sem transformar isso em vigilância constante.
Manter a conversa aberta, sem julgamento
Perguntar “como você se sente depois de passar um tempo no Instagram?” costuma abrir mais espaço de reflexão do que “você fica muito tempo no celular”. A diferença está em investigar o efeito emocional junto com o adolescente, em vez de apenas cobrar o comportamento.
Buscar apoio profissional diante de sinais persistentes
Quando a tristeza, a ansiedade ou o isolamento persistem por semanas — e não apenas em dias ruins pontuais —, é hora de procurar avaliação com pediatra, hebiatra ou profissional de saúde mental. Diagnóstico e acompanhamento precoces fazem diferença real no percurso do adolescente, e buscar ajuda não é sinal de fracasso da família — é cuidado.
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]]>O post ENEM 2026 Bate Recorde com Mais de 5 Milhões de Inscritos apareceu primeiro em .
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O Exame Nacional do Ensino Médio começou 2026 batendo um recorde que não se via desde 2022: 5.055.818 inscrições confirmadas, um salto de 47,1% em relação ao ano anterior. Por trás do número está uma mudança estrutural na forma como o exame passou a ser oferecido — e, por trás de cada inscrição, um adolescente real enfrentando uma das etapas mais decisivas (e mais ansiogênicas) da vida escolar.

Foram 5.055.818 inscrições confirmadas para o ENEM 2026 — o maior volume de candidatos desde 2022, quando o exame também registrou alta procura no período pós-pandemia. Em relação a 2025, o crescimento foi de 47,1%, um dos aumentos mais expressivos já registrados de um ano para o outro.
As provas serão aplicadas em dois domingos: 8 e 15 de novembro de 2026, em todo o território nacional, no mesmo formato de sempre — dois dias de exame, com redação e questões objetivas de linguagens, ciências humanas, ciências da natureza e matemática.
A principal novidade de 2026 foi a inscrição automática de todos os estudantes concluintes do ensino médio da rede pública. Na prática, esses adolescentes deixaram de precisar preencher formulário, escolher data de prova ou lidar com prazos — a inscrição passou a acontecer de forma automática, a partir dos dados já registrados pela própria escola.
Durante anos, uma parte significativa dos estudantes da rede pública simplesmente não se inscrevia no ENEM — não por falta de interesse em cursar uma faculdade, mas por barreiras que nada tinham a ver com capacidade: desconhecimento do prazo, dificuldade de acesso à internet no momento exato da inscrição, ausência de orientação na escola, ou a sensação de que o exame “não era para eles”. A inscrição automática retira do adolescente esse obstáculo inicial e devolve a ele apenas a decisão que realmente importa: comparecer ou não no dia da prova.
Mais concorrência, mais pressão percebida
Saber que está entre milhões de candidatos pode intensificar a ansiedade de um adolescente que já lida com insegurança acadêmica, comparação social ou expectativa familiar. É importante lembrar — e reforçar isso com ele — que o número recorde reflete acesso, não dificuldade adicional na prova em si.
Sono e rotina na reta final
Nas semanas que antecedem o exame, é comum que o adolescente troque sono por horas de estudo, na tentativa de “aproveitar melhor o tempo”. O efeito costuma ser o oposto: o cérebro adolescente consolida aprendizado durante o sono, e noites maldormidas comprometem justamente a memória e a atenção que a prova vai exigir.
O peso simbólico da primeira oportunidade
Para muitos estudantes da rede pública que agora chegam ao exame graças à inscrição automática, essa pode ser a primeira vez em que concorrem, de fato, a uma vaga em universidade pública. Esse peso simbólico pode ser mobilizador — mas também pode se transformar em autocobrança excessiva, especialmente quando o adolescente sente que carrega, sozinho, uma expectativa de mudança de vida.
Cobrar menos, sustentar mais
O papel da família nas últimas semanas antes da prova não é fiscalizar horas de estudo, e sim garantir as condições mínimas para que o adolescente consiga estudar com estabilidade emocional: previsibilidade na rotina, alimentação regular e um ambiente onde ele possa falar sobre o medo de “não dar conta” sem ouvir que esse medo é exagerado.
Observar sinais de ansiedade excessiva
Irritabilidade fora do padrão, insônia persistente, queixas físicas recorrentes (dor de estômago, dor de cabeça) ou isolamento repentino podem ser sinais de que a ansiedade em relação à prova ultrapassou o esperado para o período. Nesses casos, vale conversar abertamente e, se necessário, buscar orientação profissional — o hebiatra ou pediatra que acompanha o adolescente pode ajudar a diferenciar o nervosismo típico da reta final de algo que precisa de mais atenção.
Lembrar as datas com antecedência
Com as provas marcadas para 8 e 15 de novembro, ainda há tempo para organizar calendário de estudos, consulta ao local de prova e logística do dia — reduzindo, assim, imprevistos de última hora que costumam ser uma fonte extra e evitável de ansiedade.
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Sexting — o envio de mensagens, fotos ou vídeos de conteúdo sexual por dispositivos digitais — é uma realidade entre adolescentes. Pesquisas mostram que uma parcela significativa dos jovens já enviou ou recebeu esse tipo de conteúdo. Para muitos deles, parece uma troca privada e inofensiva entre duas pessoas que confiam uma na outra. O problema é que nada enviado digitalmente é verdadeiramente privado — e as consequências podem ser sérias e duradouras.

Entender as motivações ajuda a ter uma conversa mais eficaz com seu filho — sem julgamento, mas com clareza sobre os riscos. Adolescentes fazem sexting por diversas razões:
Mensagens, fotos e vídeos enviados por dispositivos digitais nunca são verdadeiramente privados ou anônimos. Em segundos, podem ser compartilhados com qualquer pessoa — e uma vez que saem do controle do remetente, é praticamente impossível apagá-los da internet.
Consequências emocionais e sociais
Quando uma imagem íntima se torna pública — ou circula entre colegas — o impacto emocional pode ser devastador. Humilhação, vergonha, ridicularização pública, danos à reputação e ao relacionamento com família e amigos. Em casos mais graves, pode levar a depressão, ansiedade intensa e comportamentos de risco. Adolescentes que tiveram imagens expostas sem consentimento relatam efeitos que persistem por anos.
Consequências legais
No Brasil, as consequências legais são sérias e muitas vezes subestimadas:
É importante que seu filho entenda que a lei se aplica mesmo quando as imagens foram enviadas com consentimento inicial — compartilhá-las sem consentimento já é crime. E a lei se aplica também a adolescentes.
A conversa precisa acontecer antes que seu filho enfrente uma situação real — não depois. Algumas orientações práticas:
Aborde sem julgamento, com curiosidade genuína
Pergunte o que ele sabe sobre o assunto, o que os amigos falam, o que ele já viu acontecer. Ouvir antes de falar é mais eficaz do que iniciar com uma lista de proibições.
Explique por que nada é permanentemente privado
Fale sobre como imagens e textos que parecem temporários podem existir para sempre na internet — e que uma vez que saem do controle, não voltam. Uma boa pergunta para provocar reflexão: “Você ficaria bem se essa imagem aparecesse para toda a escola — ou para seus professores, ou para seus avós?”
Ensine a resistir à pressão
Prepare-o para situações em que alguém pedir uma foto ou vídeo. Pratique com ele respostas diretas: “Não mando, não é algo que quero fazer.” E ajude-o a entender que qualquer pessoa que o pressione a enviar imagens íntimas não está demonstrando respeito — está violando um limite.
Deixe a porta aberta
Garanta que seu filho saiba que pode vir até você se estiver numa situação difícil envolvendo imagens — seja porque recebeu algo que não queria, porque está sendo pressionado, ou porque uma imagem dele foi compartilhada sem consentimento. A vergonha não pode ser maior do que a possibilidade de pedir ajuda.
O sexting é um tema difícil de abordar — mas não abordá-lo deixa seu filho sem as ferramentas para navegar situações que ele inevitavelmente vai encontrar. Uma conversa desconfortável agora pode evitar consequências muito mais sérias depois.
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Conversar com os filhos sobre sexualidade é uma das tarefas que mais gera desconforto nos pais. A maioria preferiria que a escola cuidasse disso — ou que o assunto simplesmente não precisasse ser abordado em casa. Mas a realidade é que os pais têm papel insubstituível nessa conversa. E quanto mais tarde ela começa, mais terreno a escola, os colegas e a internet já ocuparam.

A escola pode ensinar anatomia, fisiologia reprodutiva e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. O que ela raramente consegue ensinar é o contexto — os valores, as relações, o que significa respeito, consentimento e afeto em situações reais. Isso vem de casa.
Pesquisas mostram de forma consistente que adolescentes cujos pais conversam abertamente sobre sexualidade têm relações sexuais mais tarde, usam mais métodos contraceptivos quando iniciam a vida sexual e têm menor risco de gravidez não planejada e infecções sexualmente transmissíveis. A conversa não acelera — ela protege.
Mesmo quando seu filho parece não estar prestando atenção, está ouvindo. Mesmo quando parece constrangido, está aprendendo sobre seus valores e sua postura em relação ao tema. O silêncio também comunica — e comunica que o assunto é proibido, vergonhoso ou perigoso demais para ser falado em casa.
Até 5 anos — nomes corretos e noção de privacidade
Use os nomes corretos para as partes do corpo desde cedo — pênis, vagina, vulva. Crianças que conhecem os nomes corretos de suas partes íntimas têm mais facilidade de comunicar situações de abuso e de desenvolver uma relação saudável com o próprio corpo. Introduza também a noção de privacidade corporal: algumas partes do corpo são suas e só você decide quem pode tocá-las.
6 a 8 anos — de onde vêm os bebês
Quando a criança perguntar de onde vêm os bebês, responda de forma simples e honesta: um bebê cresce a partir de um óvulo no útero da mãe. O espermatozoide do pai se une ao óvulo da mãe, e então o bebê começa a crescer. Muitas crianças nessa faixa ficam satisfeitas com essa explicação e não perguntam mais por enquanto. Responda o que foi perguntado — sem dar mais informação do que a criança pediu.
9 a 12 anos — puberdade e o que vai mudar
Antes da puberdade começar — idealmente por volta dos 8 ou 9 anos — converse sobre o que vai acontecer com o corpo. Meninos e meninas precisam entender as mudanças físicas que vão vivenciar, e precisam saber antes que elas aconteçam para não se assustar. Converse também sobre menstruação (com meninos e meninas), sobre ejaculação e sobre as mudanças emocionais que acompanham a puberdade.
13 anos em diante — relações, consentimento e proteção
Com adolescentes, a conversa se aprofunda. Aborde relações afetivas e sexuais, o que é consentimento (e que ele pode ser retirado a qualquer momento), pressão dos pares, ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), contracepção e gravidez. Pergunte o que ele já sabe — e corrija o que estiver errado. Compartilhe seus valores — mas sem transformar a conversa em sermão.
Responda o que foi perguntado — sem mais nem menos
Quando uma criança faz uma pergunta sobre sexo, ela geralmente quer uma resposta simples e direta — não uma palestra completa. Responda o que foi perguntado, de forma clara e honesta, adequada à idade. Se precisar pensar antes de responder, diga: “Boa pergunta. Deixa eu pensar como explicar melhor.”
Não espere pela “grande conversa”
A ideia de uma única conversa formal e definitiva sobre sexo é um equívoco. Na prática, o mais eficaz é uma série de conversas pequenas, naturais, que acontecem ao longo dos anos — em momentos que surgem organicamente, como durante uma série que aparece na TV, uma pergunta que surgiu depois da escola, ou um comentário que escutaram de um amigo.
Use oportunidades do cotidiano
Notícias, séries, músicas e conteúdo nas redes sociais frequentemente oferecem aberturas naturais para o assunto. “O que você acha disso que aconteceu nessa série?” é uma entrada muito menos ameaçadora do que sentar o filho num sofá e começar uma palestra formal. Use essas oportunidades para conversar sobre o que ele viu, o que entendeu e o que pensa.
Mantenha a calma — mesmo quando a pergunta te surpreende
Se você reagir com susto, embaraço ou reprovação quando seu filho faz uma pergunta sobre sexo, ele aprende que esse assunto não pode ser trazido para você. Mantenha o tom calmo e neutro — mesmo que por dentro esteja surpreso. Isso garante que ele continue vindo até você quando tiver dúvidas — inclusive nas situações em que mais precisar.
Se você tem dúvidas sobre como abordar o tema com seu filho, o pediatra ou hebiatra é um recurso valioso. Eles podem orientar os pais sobre o que conversar em cada fase — e também conversar diretamente com o adolescente, especialmente nas consultas anuais.
É boa prática garantir que adolescentes tenham alguns minutos a sós com o médico na consulta — sem os pais na sala. Esse espaço privado permite que eles façam perguntas que talvez não façam na frente de você, e que o médico avalie saúde sexual e comportamental sem a presença dos pais como filtro.
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As anfetaminas estão mais presentes na vida dos adolescentes do que a maioria dos pais imagina — não apenas como drogas ilícitas, mas também como medicamentos de uso legítimo que podem ser desviados e usados de formas perigosas. Entender o que são, como agem e quais são os sinais de uso indevido é uma parte essencial de proteger seu filho.

Anfetaminas são estimulantes do sistema nervoso central altamente viciantes. Elas aceleram as funções cerebrais e corporais — aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a respiração, e provocando uma sensação intensa de alerta, energia e poder. Essa sensação é o que as torna atraentes para o uso recreativo — e perigosas.
Apresentam-se sob várias formas: comprimidos e cápsulas (incluindo medicamentos prescritos para TDAH), pó (para inalar), cristais (para fumar ou injetar) e líquido. Podem ser ingeridas, inaladas, fumadas ou injetadas. Independentemente da via de administração, o efeito chega rápido e é intenso.
A família das anfetaminas inclui substâncias com diferentes nomes nas ruas — speed, ice, cristal — e também medicamentos de uso controlado como metilfenidato (Ritalina), anfetamina e lisdexanfetamina (Venvanse), prescritos legitimamente para TDAH e narcolepsia, mas frequentemente desviados para uso recreativo ou para melhorar o desempenho em estudos.
O uso de anfetaminas entre adolescentes frequentemente começa de formas que não parecem “drogas” para quem está de fora:
As anfetaminas agem principalmente aumentando a liberação de dopamina e noradrenalina no cérebro — neurotransmissores associados ao prazer, ao alerta e à motivação. O resultado imediato é uma sensação de energia, foco intenso, euforia e confiança. Mas os efeitos colaterais aparecem junto:
Com o uso prolongado ou em doses altas, os efeitos ficam muito mais graves: alucinações visuais e auditivas, paranoia intensa, psicose anfetamínica — um estado que pode ser indistinguível de um episódio psicótico agudo — e colapso cardiovascular.
As anfetaminas têm alto potencial de causar dependência física e psicológica. O cérebro se adapta à presença da substância e passa a precisar dela para funcionar normalmente. Quando o uso é interrompido, a abstinência pode ser intensa:
Mesmo após a interrupção do uso, esses sintomas podem persistir por semanas ou meses — o que torna a recuperação um processo lento que exige acompanhamento profissional.
Os sinais de uso de anfetaminas podem variar dependendo da substância específica, da dose e da frequência de uso. Alguns indicadores a observar:
A primeira coisa é não reagir com confronto e acusação — isso geralmente fecha o canal de comunicação. Aborde com preocupação genuína, não com julgamento. A conversa deve ser sobre saúde, não sobre punição.
O segundo passo é buscar avaliação profissional — com o pediatra, hebiatra ou médico de família, que pode avaliar a situação clinicamente e orientar sobre os próximos passos. Se houver dependência estabelecida, o encaminhamento para um centro especializado em dependência química é o caminho.
O CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial — Álcool e Drogas) oferece atendimento gratuito pelo SUS para adolescentes com transtorno por uso de substâncias — incluindo anfetaminas. Você pode localizar o CAPS AD mais próximo pelo site do Ministério da Saúde ou pela Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade.
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