Advertise with Googlier.com 50-50 SEL Solutions https://50-50sel.com Wed, 09 Aug 2023 18:04:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.2 https://50-50sel.com/wp-content/uploads/2023/04/cropped-android-chrome-512x512-1-32x32.png 50-50 SEL Solutions https://50-50sel.com 32 32 De quem é a culpa pelo fracasso escolar? https://50-50sel.com/de-quem-e-a-culpa-pelo-fracasso-escolar/ Wed, 09 Aug 2023 18:04:25 +0000 https://50-50sel.com/?p=7280 É comum que as discussões sobre o “fracasso escolar” girem em torno de procurar culpados, tornando-se uma espécie de caça às bruxas. Por que a educação vai mal? Ora culpam-se os alunos por serem, por exemplo, “desatentos e indisciplinados”;  ora culpa-se a família, por ser “desinteressada” e delegar à escola toda a responsabilidade pela educação dos alunos. Mas também pode-se culpar os professores, por serem “despreparados” e não “se atualizarem”; os métodos de ensino, por serem obsoletos e ultrapassados; ou até mesmo a tecnologia, que tem mudado a forma como nos relacionamos, comunicamos e aprendemos. A verdade é que podemos engrossar a lista de culpados indefinidamente, mas se não formos capazes de lançar um olhar que dê conta da complexidade (dos muitos lados!) da situação, não iremos muito longe.

Sendo assim, como se pode culpar os alunos por estarem se desenvolvendo na época mais estimulante da história, sendo bombardeados por informação e entretenimento a cada instante? Alguém lhes ensinou como se acalmar e prestar atenção, filtrar estímulos? Como se pode culpar as famílias, que têm passado por profundas transformações e lidado com cargas de trabalho cada vez maiores? Como podem pais e mães aprenderem estilos parentais mais saudáveis? E os professores, podem ser culpados quando lidam com dificílimas condições de trabalho e têm de ser os mediadores do conhecimento em meio a todas essas mudanças?

É um preceito da educação socioemocional falar mais sobre responsabilidades do que sobre culpas. Falar sobre culpas pode cristalizar os conflitos, sedimentar imagens hostis e bloquear entendimentos e cooperações importantes. Mas quando falamos de responsabilidades, nos movemos por territórios onde há mais possibilidades e recursos.

Há um provérbio africano que diz que “é preciso haver toda uma aldeia para educar uma criança”. Ele ressalta o caráter coletivo, comunitário e colaborativo da aprendizagem em todas as suas formas. Pais, mães e cuidadores têm que se envolver; professores devem se atualizar; alunos, se esforçar; e a ciência e a tecnologia precisam compilar o vasto conhecimento já produzido e transmiti-lo de maneira acessível, prática e útil para a realidade das escolas, comunidades e organizações. Não se trata de apontar culpados, mas todos serem responsáveis.

 

“A educação (…), principalmente na escola, envolve uma meticulosa adesão a tudo que possa liberar as pessoas da violência e ensiná-las a ter amor pelo conhecimento e paciência para compreender. É também oferecer a elas meios para escapar de todas as formas de violência – social ou intelectual – que possam ser usadas contra elas, mesmo que por parte da instituição educacional que as instrui; e também meios para escapar de tudo quanto as convida a serem violentas com os outros.”

– Philippe Meirieu

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Precisamos falar sobre violência escolar: por que os casos de ataques a escolas têm aumentado no Brasil? https://50-50sel.com/precisamos-falar-sobre-violencia-escolar-por-que-os-casos-de-ataques-a-escolas-tem-aumentado-no-brasil/ Fri, 04 Aug 2023 19:44:41 +0000 https://50-50sel.com/?p=7269 Há alguns anos, as notícias sobre “school shootings”, ou tiroteios em escolas, nos chocavam, porém a certa distância, pois pareciam realidades inconcebíveis, restritas a outros países. Nos EUA, por exemplo, só no último ano letivo foram contabilizados 193 incidentes com armas de fogo em escolas.Já no Brasil foram ao menos 16 ataques armados a escolas nos últimos 20 anos – e ao menos cinco ataques desde 2019, segundo levantamento do Instituto Sou da Paz. O número de atentados é o mesmo do que foi registrado nos oito anos anteriores – entre 2011 e 2019. O que pode ajudar a explicar essa realidade tão difícil de entender?

Segundo os dados americanos, em 60% dos casos o atirador é aluno ou ex-aluno da escola. Esse dado vai ao encontro das perguntas levantadas por Luciene Tognetta, professora do departamento de psicologia da educação da UNESP: por que esses indivíduos, ao fazer seus atentados, escolhem a escola? Por que não bancos, ou supermercados? Porque, segundo Luciene, o fenômeno está intimamente ligado a casos de bullying e outras formas de violência infligida por grandes períodos de tempo – sem uma intervenção efetiva da escola. Assim, o desejo de atacar e destruir fica vinculado, também, à escola.

Entre os fatores que podem ajudar a entender essa realidade assustadora, há ainda o maior acesso a armas por civis, assim como os estilos parentais dos cuidadores – que podem ser mais distantes, negligentes ou mesmo violentos – e o uso indiscriminado e desassistido de redes sociais (entre elas fóruns secretos, em que jovens com as mesmas intenções trocam informações e se encorajam mutuamente).

Diante disso, podemos nos organizar de duas formas. Há quem defenda a criação de estratégias para que as escolas se tornem mais seguras a partir da vigilância e da fiscalização. Isso é importante – obviamente, armas brancas e de fogo não deveriam fazer parte do ambiente escolar sob nenhum pretexto, nem mesmo para “proteger” a comunidade escolar. Porém, observando os casos de sucesso no enfrentamento dessa questão em outros lugares, como os países nNórdicos, o investimento maciço em educação atua nas causas do problema, não em seus efeitos. Desenvolvem programas de treinamento de professores para estarem atentos à saúde mental dos alunos e aos possíveis sinais que comumente precedem os atentados, . Dessa forma os educadores podem a apoiar os alunos na resolução de conflitos de forma não violenta.

Se o ódio pode ser aprendido e imitado, alastrando-se pelas redes, o mesmo pode acontecer com a compreensão, a fraternidade e o amor. Podemos ensinar e aprender como aperfeiçoar as relações humanas, como lidar com emoções desconfortáveis como a raiva, a tristeza e o medo. Precisamos urgentemente fazer frente a esses fenômenos com programas de educação socioemocional preventivos e permanentes. A escola sempre foi o seio da criação do futuro e uma das frentes de resistência à barbárie. É nela que aprendemos, além de idiomas, matemática e ciências, a ser e a conviver. Devemos olhar para esse espaço de relações com atenção, cuidado e compaixão se queremos que as novas gerações sejam mais bondosas, felizes e sábias do que somos hoje.

 

FONTES:

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-teve-ao-menos-16-ataques-em-escolas-nos-ultimos-20-anos-relembre-casos/

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2022/11/26/por-que-ataques-a-escolas-tem-se-repetido-no-brasil.htm

https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/08/19/numero-de-tiroteios-em-escolas-nos-eua-e-o-maior-em-10-anos.ghtml

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Competências socioemocionais no topo da lista de desejos de gestores https://50-50sel.com/competencias-socioemocionais-no-topo-da-lista-de-desejos-de-gestores/ Wed, 26 Jul 2023 17:56:14 +0000 https://50-50sel.com/?p=7231 O que vem à mente quando você pensa em alguém profissionalmente competente? Geralmente pensamos em qualidades como agilidade, proatividade, envolvimento, confiabilidade, qualificação técnica e muitas outras. Sem dúvida, essas são características importantes para um bom desempenho no trabalho. E os tomadores de decisão nas contratações de gestores e lideranças? Se eles pudessem escolher, o que mais desejariam de um candidato?

Uma reportagem da VocêRH identificou, a partir de um levantamento feito pelo site de empregos Indeed, as 12 competências mais valorizadas para os gestores. Para surpresa de alguns, ser especialista na área que gerencia figura somente em nono lugar. Antes disso foram mencionadas habilidades e competências que não estão diretamente ligadas ao conhecimento técnico: as chamadas soft skills ou competências socioemocionais.

Incentivar e apoiar funcionários no crescimento pessoal e no desenvolvimento de carreira, manifestar interesse e preocupação com o bem-estar dos funcionários, promover um ambiente de trabalho diversificado e inclusivo, saber se comunicar e compartilhar informações, transmitir conhecimento, manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e respeitar essa harmonia na vida dos colaboradores são algumas habilidades, competências e atitudes que estão no topo da lista.

E, ainda, dados de outro levantamento feito pelo Indeed em agosto do ano passado apontam para a mesma direção: mais da metade (55%) dos trabalhadores disseram que se demitiriam de seus empregos se considerassem o “ambiente tóxico” ou não se sentissem suficientemente valorizados por seu trabalho, enquanto 38%  gostariam que gestores e líderes demonstrassem mais interesse e cuidado com seu bem-estar.

FONTE.

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Brasil: campeão mundial de ansiedade – por quê? https://50-50sel.com/brasil-campeao-mundial-de-ansiedade-por-que/ Wed, 19 Jul 2023 17:03:32 +0000 https://50-50sel.com/?p=7215 Há vários motivos pelos quais a OMS (Organização Mundial da Saúde) colocou o Brasil no topo da lista mundial de ansiedade, embora ainda não haja um consenso que explique definitivamente esse fenômeno. Embora cerca de 9,3% da população sofra com sintomas de ansiedade severa ou patológica (aproximadamente 18,6 milhões de pessoas), os próprios brasileiros se surpreendem com esses dados, visto que nosso país sempre foi associado a descontração, cordialidade e cultura festiva.

Vale ressaltar que a ansiedade patológica não se refere a um simples nervosismo ou a uma intensidade administrável de ansiedade, como um leve suor nas mãos, o coração levemente acelerado, um friozinho na barriga. Quando a ansiedade atinge um nível patológico, ela pode chegar a modificar a vida em seus aspectos mais essenciais, comprometendo o trabalho, os estudos, os relacionamentos sociais e até mesmo os momentos de prazer e descanso. Quando não se busca ajuda, o quadro de ansiedade patológica pode evoluir e se associar a outros transtornos, como o depressivo, em que a pessoa perde a vontade de se engajar na grande maioria das atividades.

Alguns especialistas atribuem as altas taxas de transtorno de ansiedade no Brasil a uma espécie de “ressaca” do que vivemos durante a pandemia de Covid e o isolamento social. Nesse período tivemos, por um lado, o medo agudo e objetivo de contaminação e, por outro, a solidão e as mudanças na rotina de trabalho e convívio.

Outros especialistas explicam a epidemia de transtornos de ansiedade no Brasil a partir de questões estruturais: mudanças constantes nos rumos da economia, precariedade dos serviços de saúde e assistência social, violência urbana e outros fatores socioeconômicos que afetam negativamente a saúde mental da população. Contudo, é importante ressaltar que países mais desenvolvidos economicamente (e com sistemas de assistência social mais robustos), como Noruega, Nova Zelândia e Austrália, estão no  terceiro, no quarto e no quinto lugar, respectivamente, da lista mundial de Ansiedade. Ou seja, boas condições socioeconômicos são definitivamente necessárias para a boa saúde mental da população, mas, sozinhas, não são suficientes.

Por fim, há uma terceira hipótese, que alerta sobre a mudança de hábitos entre os brasileiros, devido ao uso de novas tecnologias, em especial smartphones e redes sociais. Segundo um relatório do Canadian Journal os Psychiatry, quanto maior o uso de telas, maior a incidência e a intensidade dos transtornos de ansiedade. E o Brasil, dentre os 17 países avaliados pelo estudo, é o país com a maior média de horas de uso de telas: cerca de 5,5 horas por dia.

Sejam quais forem as causas do avanço da ansiedade patológica no Brasil, precisamos aprender a lidar melhor com seus efeitos. Mesmo que o uso de telas esteja associado à ansiedade, vale considerar que dificilmente as pessoas abdicam de novas tecnologias – seria algo como tentar colocar um gênio de volta na lâmpada. O fato é que elas existem e, hoje, tomaram tamanha proporção que grande parte do funcionamento do mundo como o conhecemos depende delas. Se não podemos deixar de usar redes sociais e smartphones, será que podemos aprender a ter uma relação diferente com eles? E se, em vez de gerar ansiedade, os aplicativos desenvolvessem competências socioemocionais e ajudassem a proteger nossa saúde mental? Se gostou da ideia, conheça o BeNow!

FONTE.

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A arte como potencializadora da vida https://50-50sel.com/a-arte-como-potencializadora-da-vida/ Mon, 10 Jul 2023 19:04:22 +0000 https://50-50sel.com/?p=7202 Antonio Candido (1918-2017) foi um grande intelectual brasileiro nas áreas de Sociologia e Crítica Literária. Aliás, sua originalidade foi justamente interseccionar esses saberes para produzir uma obra profunda.

O pensador argumentava que a literatura – e, de modo mais amplo, a arte – é tão essencial à vida quanto a comida ou a moradia. Não há povo que conseguiu sobreviver sem a capacidade de fabulação. A arte humaniza o ser humano, sendo ao mesmo tempo um exercício de reflexão, de cultivo das emoções, o de mergulho nos problemas da vida e da percepção do belo.

Relacionando arte e tempo, Candido afirmou: “Acho que uma das coisas mais sinistras da civilização ocidental é o famoso dito de Benjamim Franklin: ‘tempo é dinheiro’. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo”.

Candido era leitor de Nietzsche e em suas obras é possível perceber a ressonância do filósofo alemão. Pensemos em duas frases especificamente: “Temos a arte para não perecer diante da verdade” e “Apenas a arte é capaz de transformar os aspectos horríveis e absurdos da existência em representações com as quais é possível sobreviver”.  Em um possível diálogo entre Nietzsche e Candido  é provável que ambos, ao som de Wagner e com vinho tinto sobre a mesa, chegassem à concordância de que a arte é a grande potencializadora da vida.

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EPICURO NOS ENSINA QUE SER FELIZ ESTÁ AO ALCANCE DE TODOS https://50-50sel.com/epicuro-nos-ensina-que-ser-feliz-esta-ao-alcance-de-todos/ Fri, 30 Jun 2023 17:01:53 +0000 https://50-50sel.com/?p=7194 Você já se perguntou o que significa ser feliz?

Existe um tipo de felicidade que, digamos, está na moda. Basta acessar as redes sociais para ver gente feliz por todo lado.  Mas será que a felicidade é isso mesmo?

Não para Epicuro, filósofo da Antiguidade grega. Para ele, felicidade é sinônimo de hedonismo: aproximar-se do que é prazeroso e fugir do que é doloroso. Todavia, engana-se quem acredita que o prazer está ligado aos exageros e excessos.

Na verdade, é justamente aí que reside uma das fontes de dor: quanto mais se quer, mais se sofre. O prazer pleno não se realiza na satisfação dos desejos, mas na remoção dos desejos não-naturais e não-necessários (riqueza, status, poder).

Epicuro nos ensina que é preciso pouco para ser feliz. Para ele, a felicidade está alicerçada em três palavras gregas: aponia, ataraxia e philia.

Aponia é estar bem fisicamente, sem dores, com o corpo em perfeito funcionamento. Ataraxia é a ausência de perturbações na alma, ou seja, estar bem mentalmente. E philia diz respeito a ter laços autênticos e profundos de amizade.

Se você tem o necessário (comida, bebida, moradia), se está com o corpo saudável e está em paz mental, você atingiu o hedonismo.

Mas convenhamos que não é fácil estar livre de aflições mentais. Aí entra a Filosofia, que nos ensina a moderar os desejos utilizando a racionalidade.

“Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.”

Desse modo, para Epicuro, seria possível viver a imortalidade nesta vida, no aqui e agora.

“Medita todas estas coisas e nunca mais te sentirás perturbado, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha a um mortal, o homem que vive entre bens imortais.”

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Hannah Arendt: uma pensadora para compreender o século XX https://50-50sel.com/hannah-arendt-uma-pensadora-para-compreender-o-seculo-xx/ Fri, 23 Jun 2023 17:40:16 +0000 https://50-50sel.com/?p=7055 De origem judaica, Hannah Arendt nasceu na Alemanha em 1906 e faleceu nos EUA em 1975. Dentre seus vários textos, suas principais obras são: Origens do Totalitarismo (1951); A condição humana (1958); Eichmann em Jerusalém (1963).

Na primeira obra, a pensadora afirma que o totalitarismo só foi possível porque transformou o humano em algo supérfluo e descartável, porque diluiu as fronteiras entre o espaço público e o espaço privado, cerceando a liberdade e a ação individual, aproveitando-se da solidão organizada das massas.
É nesse livro que emerge sua célebre noção de cidadania: o “direito a ter direitos”, não importando a nacionalidade, a orientação sexual, a etnia ou a classe social. Todos os seres humanos têm o direito a ter direitos.

Já na obra A condição humana, Arendt traz duas noções importantes: “natalidade” e “amor mundi”. Para escapar dos autoritarismos de todas as vertentes, é necessário “nascer novamente” em cada discurso de resistência, cada reflexão profunda, cada ação no mundo. Sobre o segundo conceito, ela afirma que todos nós temos que amar o mundo para que os horrores dos campos de concentração não se repitam. Amar o mundo significa fazer política, na acepção mais profunda desse termo. Significa colocar o bem público acima do individual e enxergar cada ser humano como parte do todo. Para a filósofa, é possível cada pessoa agir para criar um novo mundo: mais humano, mais harmonioso, mais justo.

Por fim, na terceira obra, Hannah Arendt elabora sua noção mais conhecida: a banalidade do mal. Cobrindo como repórter o julgamento de Adolf Eichmann, soldado nazista, ela chega à conclusão de que aquele homem não é um monstro, alguém que parece detestável logo à primeira vista. Eichmann é um homem comum, que não enxerga a gravidade dos crimes que cometeu. Alguém que prezava pela eficiência e cumpria à risca as ordens que recebia. Eis a banalidade do mal: o indivíduo não tem consciência do que faz porque está “alienado” da sua humanidade. O mais assustador, segundo a pensadora, é constatar que esse caso não é isolado, pois o mal banal está socialmente enraizado de tal modo que muitas pessoas cometem crimes ou atos imorais sem sentirem-se responsáveis por isso.

 

 

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Autoconhecimento: o caminho para a liberdade https://50-50sel.com/autoconhecimento-o-caminho-para-a-liberdade/ Mon, 05 Jun 2023 17:39:57 +0000 https://50-50sel.com/?p=6894 Jiddu Krishnamurti é um célebre pensador indiano do século XX. Em seus discursos, destacou a importância do autoconhecimento e da meditação. Antes de haver qualquer revolução social ou política, é preciso uma revolução interna do ser humano.

É inegável que nossa mente é influenciada pelo meio em que estamos inseridos, por tudo o que nos afeta: os livros que lemos, os alimentos que ingerimos, o clima, a tradição e inumeráveis desafios e reações. Contudo, a mente é capaz de minimizar as influências negativas, tanto as conscientes como as inconscientes.

Como?

Segundo Krishnamurti, a mente tem a capacidade de observar seu próprio funcionar entre passado-presente-futuro e, com isso, perceber as frestas, as oscilações entre os tempos. É nesse intervalo entre os pensamentos, nesse período de silêncio, que está a força da meditação.

Experienciar esse silêncio pode nos libertar dos condicionamentos. Nas palavras do autor: “Quando a mente não está dando continuidade ao pensamento, quando está num estado de quietude que não é induzido, que não é causado por coisa alguma, só então pode vir a liberdade”.

Neste sentido, não é exagero afirmar que a liberdade não está relacionada a conquistas ou objetos. Ela não está fora da gente, mas dentro. E a única maneira de alcançá-la de modo verdadeiro é mergulhando profundamente em nosso interior.

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O que há por trás dos ataques a escolas? https://50-50sel.com/o-que-ha-por-tras-dos-ataques-a-escolas/ Thu, 13 Apr 2023 18:43:33 +0000 https://50-50sel.com/blog// Diante de tragédias como estas, o medo e o nervosismo podem prejudicar nossa compreensão e empobrecer nossas respostas. À primeira vista, explicações superficiais podem nos ajudar a elaborar sentidos para o que parece absolutamente incompreensível. O que há por trás dos ataques a escolas? Pode ser tentador responder a essa inquietação localizando os problemas “dentro” das pessoas ou instituições, responsabilizando-as individualmente. Assim, o bullying ou a negligência parental podem despontar como respostas mais imediatas. E, certamente, não deixam de fazer parte da equação.

Contudo, outros fenômenos sociais como as ideologias extremistas que glorificam a violência e sua livre circulação nas redes sociais, o aumento ao acesso a armas de fogo, a disseminação de discursos de ódio e a espetacularização midiática também são fatores que não podem ser ignorados. Pessoas, famílias e instituições carregam responsabilidades individuais, mas exibem sintomas que dizem respeito a realidades coletivas, isto é, ao que produzimos juntos quando nos relacionamos. Sentimos e agimos, em grande parte, a partir do que está socialmente disponível.

 

O SER HUMANO NÃO NASCE VIOLENTO

Sabemos que os seres humanos não nascem violentos. Se existe uma “natureza humana”, ela é mais cooperativa que destruidora. Dentre os animais, os seres humanos têm o mais longo período de “maturação”, em que precisam receber cuidados e integrar uma comunidade para se tornar adultos “autônomos”. Na realidade, o que se observa é que nós “aprendemos” a ser violentos.

A cultura dominante de nossas sociedades ostenta uma retórica que condena a violência, é verdade. No entanto, ao mesmo tempo, existe uma cultura de violência que constantemente sussurra aos indivíduos que, quando diante de um conflito, há apenas duas alternativas: covardia ou violência.

 

SER PACÍFICO TAMBÉM SE APRENDE

Se aprendemos a ser violentos, também podemos aprender a ser não violentos. A violência é fruto de um profundo sentimento de impotência: de ver-se sem futuro, inútil ou inapto para o mundo. Sentem-se nulos, por isso destroem para dizer que existem. Ensinar a não violência, então, passa por ensinar a sentir-se alguém sem ter que agredir ninguém. Não violência significa agir sem violência contra a violência. Trata-se de servir-se da vida para preservá-la; enquanto a violência sempre ameaça o outro com a morte.

Se partirmos da premissa de que todos querem estar ligados uns aos outros de modo positivo, sendo vistos, ouvidos e valorizados, daremos melhores respostas às muitas manifestações da violência escolar e na sociedade como um todo. O investimento nos relacionamentos tem lastro no respeito, na responsabilidade mútua e nas amizades formadas dentro de uma comunidade amistosa. Se o trabalho básico de formação de um senso de comunidade não for feito, a criança não tem o que preservar ou do que se nutrir, portanto, não tem nada a perder pelo mau comportamento, pelos enfrentamentos ou pela violência. Tem pouca motivação para mudar.

 

URGÊNCIA: A REFORMA DOS VALORES QUE ORIENTAM A CULTURA E A EDUCAÇÃO

As escolas possuem regras e normas para oferecer um lugar seguro para todos. Mas a verdadeira segurança vem do cultivo e manutenção de relacionamentos de cuidado mútuo. Todos saem perdendo quando, diante de uma ação socialmente nociva, nos filiamos apenas à vigilância, regras e normas em vez de nos relacionamentos uns com os outros de modo mais humano e habilidoso. Mais do que nunca, é hora de priorizar o ensino e aprendizagem de habilidades e competências que possam configurar espaços de convivência seguros para todos. Precisamos investir na reforma dos valores que orientam a cultura e a educação. Certamente a complexidade da condição humana pode não eliminar a violência, mas seguramente, as crianças e jovens de hoje, serão adultos mais aptos para enfrentamento dos conflitos e construção da paz.

 

FONTE:

SÉMELIN, Jacques. A não violência explicada às minhas filhas. Via Lettera Editora, São Paulo, 2001
MULLER, Jaean-Marie. Não-violência na educação. Palas Athena, São Paulo, 2006
AMSTUTZ, Lorraine Stutzman e Mullet, Judy H. Disciplina restaurativa para escolas. Palas Athena, São Paulo, 2012

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Como anda a saúde mental dos trabalhadores? https://50-50sel.com/como-anda-a-saude-mental-dos-trabalhadores/ Thu, 09 Mar 2023 21:26:21 +0000 https://50-50sel.com/pt/?p=3210 A maioria das pessoas adultas passa mais tempo trabalhando, ou em busca de trabalho, do que qualquer outra coisa. Ainda assim, muitas delas têem uma relação neutra, ou seja, nem boa, nem ruim com o trabalho, encarando-o como um simples meio de sobrevivência ou uma obrigação.

Nem sempre as pessoas conseguem encontrar alegria e realização com o trabalho, disso todos sabemos. Mas, o que dizer quando parte expressiva dos adultos têm exibido sintomas de transtornos mentais em decorrência de suas relações com o trabalho?

Segundo uma recente reportagem da Veja Saúde, estima-se que o gasto com transtornos mentais no mundo é de 3 trilhões de dólares (o PIB do Brasil gira em torno de 1.6 trilhões ao ano), atribuídos à perda de produtividade, assim como à sintomas depressivos, ansiedade, síndrome de burnout e uso abusivo de álcool.

Ainda segundo a pesquisa, entre as categorias profissionais pesquisadas no Brasil, a dos professores chamou atenção. Após a pandemia, 48% sentem-se mais cansados, 60% reportaram piora na ansiedade e 33% pensaram em se afastar do trabalho devido a problemas emocionais.

O cuidado com a saúde mental no ambiente de trabalho precisa ser levado a sério. Faz-se necessário aperfeiçoar a forma de nos comunicar, de lidar com conflitos e com o estresse das demandas, de impor limites e de apreciar o fruir e o descanso. Assim, talvez, o trabalho possa vir a ser mais inspirador. A saúde mental dos trabalhadores não deve ser pauta somente pelos efeitos nos balanços das empresas, mas, acima de tudo ,pelo bem-estar dos colaboradores e pela própria sobrevivência das organizações.

 

Fonte
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