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Por Najar Tubino, para ASPTA
Remígio (PB) – Polo da Borborema – Foi a primeira marcha de jovens do campo ocorrida no Brasil e reuniu cerca de mil jovens. Um trabalho, que na verdade é consequência de 20 anos de organização sindical, pois o Polo conta com 14 sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais, além de 150 associações comunitárias, distribuídas em 14 municípios. A Marcha percorreu o centro da cidade, que tem em torno de 25 mil habitantes, iniciando com uma confraternização ao lado da Igreja Matriz, que é de 1893 e encerrado do outro lado da cidade, onde havia outro palco e uma feira da agricultura familiar. Trata-se de um evento de protesto, porém, feito com alegria, criatividade e muito bom humor.
“- Querido amigo, querida amiga! Meu nome é Marcelania. Sou filha de Rosália e Itamir e moro no sítio Serra Alta, em Queimadas-PB. Tenho dois irmãos que moram no Rio de Janeiro. Eu escolhi ficar por aqui mesmo, pois adoro o lugar onde nasci e cresci. Tenho muito orgulho do que sou e agradeço a meus pais por isso, pois sei que eles sofreram muito para que eu e meus irmãos chegássemos onde estamos hoje. Não tenho muitas coisas materiais, mas tenho fé, amor, solidariedade, conhecimento, etc., valores que meus pais me ensinaram a ter e carregar sempre comigo”, trecho do depoimento publicado nas Cartas da Juventude do Campo, da ASPTA.
Aqui está a minha vida
Mais um trecho:
“- Aqui na Serra Alta, faço de tudo um pouco, crio alguns animais como ovelhas, gado e galinhas; planto feijão, milho, fava e etc. No período da colheita o que mais gosto de colher é feijão, mas também gosto de virar o milho, embora eu tenha que fazer de tudo. Quando chega o fim da colheita, geralmente, o meu pai vende uma parte e guarda a outra parte para o nosso consumo e o consumo dos animais, e para o plantio do próximo ano. O meu dia a dia não é só na agricultura, também ensino os jovens e adultos, mas não pretendo deixar o meu lugar. Aqui está a minha vida, onde vivi e vi muita coisa, pois quando era criança a minha vida não foi nada fácil. Só o meu pai trabalhava e não tinha carteira assinada. Naquele tempo recebia 7,00 reais por dia. Nós morávamos na casa que foi da minha avó.”
No Polo da Borborema o povo trabalha em cima de alguns assuntos estratégicos: recursos hídrico, agrobiodiversidade, criação animal, saúde, alimentação, cultivos ecológicos e comercialização. É um sistema fechado ponta a ponta, executado com intercâmbios, capacitação e visitas de campo. A teoria se discute dentro do sítio ou do lote no assentamento. E em 20 anos de atuação da rede do Polo da Borborema produziu mudanças na paisagem e na vida das pessoas. Certamente o Polo da Borborema é um dos territórios mais avançado do Brasil, em termos de políticas públicas que deram resultado, na organização social, política e cultura e na criatividade.
Uma enxurrada de gargalhadas

Já estava um tanto quanto cansado e resolvi escutar os depoimentos do Bar do Saulo, bem ao lado da Praça da Matriz. Tomando uma gelada, é claro. O Bar do Saulo é o ponto de referência no Centro de Remígio. E tem banheiro que todo mundo usa. Tem coco espalhado por todo lado, umas mesas de PVC e uma televisão ligada quase no último volume. Ele usa óculos escuros e não tem um dedo da mão. Todas as pessoas que passavam pela calçada, não interessa se criança, jovem, mulher, adulto, idosos, todos paravam para conversar com Saulo. Claro, depois descobri que ele quer ser candidato a vereador, depende da concordância da família. Uma moça encontra o tio, pede benção e beija a mão dele. Velhas camionetes da Chevrolet, tipo Furgão, numeradas, não param de correr, porque a avenida que corta Remígio também é a estrada intermunicipal. Os furgões fazem o transporte entre os municípios, a passagem mais barata é R$2,50 e a mais cara R$9.
Alex é um jovem agricultor de 16 anos, terceiro filho de Gerusa e José, em uma família de mais quatro irmãos, Kátia de 8 anos, Fernanda de 18 anos, Artur de 20 anos e Alisson de 11. Todos vivem na propriedade de 2,5ha no sítio Cachoeira de Pedra D’Água, município de Massaranduba-PB:
“- Alex conta, que através do seu envolvimento no grupo de jovens no Sindicato já participou de atividades como oficinas de enxertia, sal mineral, mudas e canteiros econômicos e também já foi a muitas visitas de intercâmbio e encontros em outros municípios e estados. O jovem também recebe constantemente visitas de outros jovens para falar de sua experiência.”, da publicação Folha Agroecológica, da ASPTA.
A luta dos jovens do Polo da Borborema que é um exemplo de sucesso para todo o Brasil também enfrentou as barreiras da família, daquela do tipo que o pai não deixam o filho executar uma mudança na propriedade, uma planta nova ou um biodigestor, como escutei no seminário. O filho chega com a ideia, cava um buraco grande, quase dois metros, depois compra o material de alvenaria e surge algo como uma cisterna. O pai e a mãe estão curiosos. “Vai ser uma cisterna”, para armazenar água. Ele diz, não, vai ser um biodigestor. E aí, eles não sabem o que é um biodigestor, que armazena bosta de animais, e na fermentação armazena o metano, que é o gás de cozinha.
Depois de pronto e funcionando, o pai e a mãe todos sorridentes, levam os vizinhos para conhecer. Olha o que nós fizemos, e a acende a boca do fogão. Tem gente que não acredita que o fogo da bosta queima. A Cida, lá em Porto da Folha, Sergipe, me contou que tem vizinho que bota a mão na chama para acreditar que ela queima.
Os brasileiros do nordeste, na minha modesta opinião são os brasileiros mais criativos que existem nesse país. É sempre um prazer vir trabalhar no semiárido. E a consciência não é apenas de aplicar tecnologias que convivam com o semiárido, não, eles querem terra para quem não tem, porque sabem o sofrimento que significa alguém no campo não ter terra para produzir. Um adendo: conta uma lenda, que o nome Remígio veio da bronca de um padre que xingava os mal educados que insistiam em mixar na rua. Dizia ele: esse povo mija e remija na rua, não tem educação.
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Mais de mil jovens estiveram presentes na “I Marcha da Juventude do Polo da Borborema – na luta pela agroecologia” realizada nesta quinta-feira (28) na cidade de Remígio, no Agreste da Paraíba. Os jovens vieram dos 14 municípios da região da Borborema onde o Polo da Borborema, uma rede de 14 sindicatos rurais, atua pelo fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica, com a assessoria da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.
A concentração teve início às 8h em um palco montado no centro da cidade, onde houve a animação promovida pelas lideranças e o som da banda “Juventude Camponesa”, de Remígio, para a acolhida às caravanas. Além dos jovens dos municípios do Polo, estiveram presentes ainda representantes da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), estudantes dos cursos de ciências agrárias da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus Bananeiras e Areia, do Núcleo de Extensão Rural em Agroecologia da Universidade Estadual da Paraíba, Núcleo de Estudos em Agroecologia do Instituto de Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) Campus Picuí, do GT de Juventude do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar e da Secretaria de Juventude da Central única dos Trabalhadores da Paraíba (CUT-PB).
Jéssica Naiara Sobrinho, de 19 anos, veio do Sítio Escurinho, município de Juazeirinho, no Cariri Paraibano, ela integra o GT de Juventude do Coletivo e o Fundo Rotativo de Jovens da sua comunidade. A jovem gostou muito da marcha e que vê muitas semelhanças entre a realidade dos jovens da sua região e a dos jovens que conheceu na marcha: “Pra mim o desafio comum a todos é a seca. Eu acho muito importante um momento como esse, onde a gente se conhece, troca conhecimento e sai fortalecido”, avaliou.

Os jovens Marilene Isidoro Porto, de 22 anos, do Sítio Mucuim, Areial-PB e Mateus Manassés, de 20 anos, do Sítio Soares, em Queimadas-PB deram o seu depoimento, compartilhando a sua história de vida na agricultura. “Comecei na agricultura aos quatro anos de idade, já criava galinhas, não sou diferente de muitos de vocês, sou um jovem do campo e posso estar diante da pessoa mais importante do mundo que não vou ter vergonha de dizer que sou agricultor. Posso até ainda ter outra profissão na vida, mas abandonar a agricultura, jamais. Para mim não tem nada que impeça de você ser agricultor e de também estudar. Não é para a gente abandonar os estudos por causa da agricultura e nem deixar a agricultura para poder estudar, dá pra conciliar as duas coisas, eu estudo à tarde e cuido das minhas coisas pela manhã. Acho a agricultura uma das profissões mais importantes, quem que está aqui hoje que não já se alimentou? A gente já começa o dia precisando do agricultor”, disse Mateus em sua fala.

De acordo com os jovens do Polo, entre as bandeiras de luta elencadas durante os encontros de formação e o processo de preparação para a marcha estão: a necessidade de uma educação que considere a realidade do campo, políticas públicas de apoio à juventude rural, a exemplo das de crédito e de acesso à terra e o enfrentamento às várias formas de violência no campo, incluindo o machismo, a homofobia e a violência simbólica que é preconceito contra o jovem rural.
Durante o seu trajeto, a marcha fez duas paradas, nas escolas estaduais Dr. Cunha Lima e José Bronzeado Sobrinho, onde recitaram um poema e um cordel que tratam sobre temas como a educação contextualizada no campo e a valorização da juventude camponesa.
Retornando ao Centro da cidade, na rua onde tradicionalmente acontece a feira agroecológica do município, foi montado um segundo palco e a II Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa, onde em 16 barracas, os jovens puderam comercializar e expor os seus produtos e experiências. Jéssica Rakel Pereira dos Santos, de 23 anos, do assentamento Queimadas, Remígio, foi uma delas. Ela trouxe para vender mudas de plantas, alface, coentro, beterraba, bolo de batata doce, beiju, tapioca e fava dos tipos cara larga e eucalipto. Produtos produzidos por ela, que já é feirante na feira do município, que por sua vez integra uma rede de 12 feiras agroecológicas da Ecoborborema, associação de feirantes do Polo. “A gente já recebeu aqui em Remígio a primeira marcha das mulheres em 2009 e agora recebemos a primeira marcha da juventude, é um orgulho pra nós fazer parte desse trabalho, que está fortalecendo muito a juventude do meu município”, disse se referindo a “Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia” que o Polo realiza há sete anos na região.

O encerramento da marcha ocorreu por volta do meio dia com uma mística que trouxe uma reflexão sobre a conjuntura atual de crise política e ataques à democracia que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff, contra quem não pesam acusações de crimes, e na ascensão de um governo interino ilegítimo que está promovendo a retirada de uma série de direitos historicamente conquistados. Na encenação, os jovens apareceram segurando placas com os nomes das principais políticas públicas conquistadas nos últimos anos, frutos de uma luta histórica dos movimentos sociais a exemplo dos programas de cisternas (P1MC e P1+2), o SUS público, universal e gratuito, os Programas Sociais, Bolsa Famílias, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, Caminhos da Escola e ProUni, o salário maternidade e a aposentadoria rural entre outros, que se encontram atualmente ameaçados pelo corte drástico de recursos ou extinção e ameaças de privatização. Um a um os jovens que seguram as placas são derrubados pela figura de um ceifador representado pelo governante interino e golpista Michel Temer (PMDB). Aos gritos de “Fora Temer!”, “Nenhum Direito a Menos”, “Juventude que ousa lutar, constrói o poder popular!” e “Juventude e Agroecologia: a luta é todo dia!” e em clima de muita animação e disposição para seguir animando este processo em cada município, os jovens encerraram oficialmente a marcha. “Essa marcha foi pra mostrar que isso de dizer que o jovem não quer nada é uma mentira, estamos aqui na luta pelos nossos direitos e para que as nossas conquistas não sejam ameaçadas. Aqui hoje foi só um primeiro passo, ainda temos muito pela frente e da próxima vez eu espero que tenha muito mais gente reunida e organizada, que a gente siga com esse trabalho”, finalizou a jovem Sidinéia Camilo, do Sítio Caiana, em Remígio.
Assista ao vídeo da I Marcha:
Veja a Carta Política da Marcha
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Por Najar Tubino, para AS-PTA
Areia (PB) – Esse é um dos 14 municípios do Polo da Borborema, que nesse ano está completando 20 anos de organização social, sindical, incentivando a convivência com o semiárido, a agroecologia e, agora, organizando a juventude do campo. Na década de 1980 os nordestinos ficaram conhecidos no Brasil pela paisagem tétrica do semiárido, com gente morrendo de fome e fugindo em busca de emprego no sudeste e sul do país. O evento que a AS-PTA promoveu no dia 27 de julho é um encontro de parceiros, de representantes da juventude de vários municípios, de lideranças do Polo da Borborema e dos apoiadores do Projeto Sementes do Saber, que foi cofinanciado pela União Europeia, com participação da CCFD – uma entidade de católicos franceses-, da ActionAid, do Polo da Borborema, mais a Embrapa e a Universidade Federal da Paraíba, que tem um campus em Areia.
O projeto envolveu a formação de 300 jovens, que foram incentivados a ficar nos sítios ou nos lotes, onde a família mora, e a trabalhar com agroecologia, criação de animais – cabras e ovelhas -, produção de hortigranjeiros, apicultura e mudas de plantas silvestres. O evento termina no dia 28 de julho com a I Marcha da Juventude Camponesa na Luta pela Agroecologia. No dia 8 de março, há sete anos, o Polo da Borborema promove a marcha das mulheres em defesa da vida e da agroecologia, com a participação de mais de cinco mil pessoas.

Usaram uma metodologia chamada de carrossel, onde os participantes giravam em torno do salão e iam apresentando os resultados. Alan, Paula, Mônica, Erivan e Marcelania, Adailma, Jessica, Danilo, Delfino, Alexandre, todos eles ressaltaram os resultados positivos e as modificações ocorridas dentro das propriedades. Isso inclui produção de mel, compra de cabras e ovelhas, viveiros de mudas, participação em feiras agroecológicas, muitos intercâmbios entre os participantes e uma vontade danada de seguir na luta.
Um exemplo: Alex, de 16 anos, terceiro filho de Gerusa e José, em uma família de mais quatro irmãos, Kátia de 8 anos, Fernanda, de 18 anos, Artur, de 20 anos e Alisson de 11. Todos vivem na propriedade de 2,5 hectares, no sítio Cachoeira de Pedra D’água, município de Massaranduba-PB.

O final da história desses 300 jovens que participaram do Projeto Sementes do Saber é de incremento social, econômico e cultural. Todos eles mudaram o curso das suas vidas para melhor. Todos ganham dinheiro com os resultados do seu trabalho no campo e nem querem saber de ir para cidade, trabalhar como empregado de supermercado, ou na construção civil. Querem autonomia, independência, querem mais políticas públicas que fortaleçam as suas ações. E, querem, acima de tudo, curtir a juventude com dinheiro no bolso, muitas ideias para compartilhar e a consciência de que permanecer na terra é fundamental e que a reforma agrária é a essência desse processo.
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A Comissão de Sementes do Polo da Borborema realizou nesta quarta-feira (20), o lançamento e planejamento da Campanha “Não Planto Transgênicos para Não Apagar a Minha História”, promovida pelo Polo da Borborema e pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.
O encontro teve início com os participantes da reunião fazendo a colheita das seis variedades de feijão macassar que fizeram parte de um ensaio comparativo no Centro Agroecológico São Miguel (CASM), onde também funcionam as sedes do Polo da Borborema e da AS-PTA. O ensaio de variedades faz parte do conjunto de pesquisas participativas com as “Sementes da Paixão”, como são chamadas as sementes crioulas, cultivadas e conservadas pelas famílias agricultoras há várias gerações, livres de transgênicos e agrotóxicos, em bancos de sementes comunitários.
Após a colheita, foram apresentados aos membros da comissão os materiais da Campanha, começando com a exibição do vídeo “Não Planto Transgênicos para Não Apagar a Minha História”, que traz depoimentos de guardiões e guardiãs das sementes da paixão, suas razões e estratégias para a conservação das sementes. Após um rápido debate acerca do vídeo, foram apresentados os outros materiais como o cartaz e o banner da campanha, que traz orientações sobre como evitar a contaminação, sobretudo das sementes de milho, que por seu tipo de polinização (aberta), são mais facilmente contaminados. Foi apresentado ainda o cordel “Vou proteger a minha Semente da Paixão”, de autoria de Euzébio Cavalcante, liderança do Sindicato Rural de Remígio-PB, que estava presente na reunião e fez a leitura da publicação para os presentes.
Após esse momento, foi feita uma rodada para levantar estratégias e espaços para divulgação da campanha, como difusão dos materiais nos programas de rádio dos municípios e do programa regional do Polo da Borborema; nas missas e outros momentos das igrejas; nas reuniões dos conselhos municipais; nas assembleias dos sindicatos, inaugurações de bancos de sementes e escolas rurais, entre outros espaços. Durante as atividades de formação com as famílias para discutir a campanha, assim como outras atividades animadas pela comissão serão realizados novos testes de transgênica com as variedades de milho colhidas pelas famílias na safra de 2016. E nas próximas reuniões da Comissão de Sementes serão oportunidades para socialização dos resultados da campanha no conjunto das comunidades.

Seu Joaquim Santana, liderança do Sindicato de Montadas-PB reforçou a preocupação com a reserva das sementes para o próximo plantio: “Você só pode pedir para uma pessoa que está com uma camisa rasgada se você tiver uma nova para dar para ele vestir. Então eu tenho essa preocupação com a dificuldade de semente que vamos ter”.
Os agricultores e agricultoras fizeram um levantamento sobre a produção de sementes nos municípios para pensarem coletivamente em estratégias de fortalecimento dos estoques dos mais de 60 bancos comunitários de sementes existentes no território, houve ainda a apresentação dos esforços realizados até o momento neste sentido, como a implantação de campos de multiplicação de sementes e ensaios comparativos. Nos municípios onde as chuvas foram irregulares e a produção de sementes for muita baixa, as famílias estão mobilizando recursos próprios e dos fundos rotativos solidários para adquirir sementes onde vai ter alguma produção de sementes, garantindo assim os estoques de sementes nos bancos comunitários.
Essa atividade foi realizada com apoio do Projeto Ecoforte Rede de Agroecologia da Borborema, com recursos da Fundação Branco do Brasil. A Campanha “Não Planto Sementes Transgênicas para não apagar minha história” é uma ação do Projeto Sementes do Saber, co-financiado pela União Europeia.
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No ano em que o Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema, completa 20 anos de existência, sua Comissão de Jovens e a AS-PTA realizarão, na quinta-feira, 28 de julho, em Remígio-PB, a partir das 8h, a “I Marcha da Juventude Camponesa na Luta pela Agroecologia”.
A Marcha reunirá cerca de mil jovens agricultores vindos dos 14 municípios de atuação do Polo. Será um momento de fortalecimento da identidade camponesa da juventude, além de dar visibilidade ao trabalho dos jovens agricultores, suas potencialidades e desafios e promover a agroecologia enquanto modo de vida e modelo de produção de alimentos.
“A gente nunca vai ter a vida igual, mas a gente tem que ter o mesmo direito. Quem for a marcha, cada qual tem sua diferença, mora num lugar diferente, tem casa diferente, tem suas opiniões, mas quando a gente está junto, somos todos iguais, lutando por melhoria para gente. O que eu mais estou falando ultimamente é que não podemos ter nenhum direito a menos. Diante da luta desse território, a juventude tem que dar continuidade. A gente tem que dar continuidade, mas não só a gente, temos que puxar nossos irmãos, nossos amigos, afirma Sidinéia Camilo, jovem agricultora de Remígio.
A concentração do público da Marcha acontecerá em um palco montado na Rua Bento Vitório, ao lado da Igreja Católica, no Centro da cidade. A partir das 8h, terá início com a acolhida às caravanas e às 9h, abertura oficial do evento. Em seguida haverá depoimentos de jovens camponeses falando sobre a sua experiência na agricultura.
As 9h30 os jovens sairão em marcha pelas ruas centrais da cidade acompanhados de carro de som, faixas, bandeiras e estandartes até a Rua Joaquim Cavalcante de Morais, também no Centro da cidade. No local onde tradicionalmente acontece a Feira Agroecológica do município, além de um segundo palco, acontecerá a II Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa, onde estarão montadas 16 barracas para venda e exposição de produtos e experiências dos jovens.

“Um dos papéis do movimento sindical é se renovar. E se renova com pessoas novas. Acho que o papel do movimento sindical, do Polo da Borborema é isso. O Polo está no caminho certo quando tenta se renovar e favorecer com que as pessoas novas passem a contribuir com nosso projeto, um projeto de um sindicalismo diferenciado, o caminho é esse, é a juventude, afirma Manoel de Oliveira, conhecido por Nequinho, da Coordenação do Polo da Borborema.
A Marcha é uma realização da AS-PTA e do Polo da Borborema com apoio da Prefeitura Municipal de Remígio e das agências de cooperação internacional Comitê Católico Contra a Fome e a Favor do Desenvolvimento (CCFD), ActionAid, terre des hommes schweiz e Cofinanciamento da União Europeia.
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A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) recebeu, no dia 11 de julho, as cores, sabores e aromas dos alimentos agroecológicos trazidos por agricultores familiares que participaram do Seminário de Avaliação da Campanha Produtos da Gente.
A Campanha nasceu no âmbito do projeto “Alimentos Saudáveis em Mercados Locais: aproximando consumidores e agricultores familiares na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”, lançado pela AS-PTA, em 2013. Seu principal objetivo é aproximar produtores familiares e consumidores, mostrando para a sociedade que existe agricultura agroecológica urbana e periurbana, que seus produtos são acessíveis e possibilitam uma alimentação mais saudável.
Realizado no Instituto de Nutrição da UERJ (INU), o Seminário de Avaliação contou com a participação de cerca de 60 pessoas, representando 12 grupos de agricultores agroecológicos urbanos e diferentes instituições ligadas ao tema. Entre elas, estavam representantes do Campus Fiocruz Mata Atlântica, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Associação da Feira da Roça de Nova Iguaçu (Aferni), da Rede Carioca de Agricultura Urbana, da Rede Ecológica e das Feiras Agroecológicas de Campo Grande, Freguesia, Vargem Grande, Olaria, Rio da Prata e Nova Iguaçu. Os participantes receberam as boas vindas da diretora do Instituto de Nutrição, Roberta Fontanive, e de professores do INU.
O objetivo do Seminário era analisar os resultados e os desafios da Campanha Produtos da Gente, além de lançar propostas para seu aperfeiçoamento. Para que essa reflexão desse frutos concretos, os participantes foram divididos em grupos de trabalho e apresentaram suas conclusões e contribuições para a continuidade da Campanha ao final da jornada.
Após a introdução feita por Claudemar Mattos, assessor técnico do Programa de Agricultura Urbana da AS-PTA, contextualizando como surgiu a Campanha, alguns participantes fizeram uso da palavra. Pedro Paulo Bello, agricultor e feirante da Feira Agroecológica de Campo Grande, lembrou a campanha “Xô, saco plástico”, que visa a reduzir o uso de bolsas plásticas: “Desde então, incentivamos o uso de sacolas de pano e não trabalhamos mais com as de plástico na nossa feira”. Já Alfredo Mager, do Ministério da Agricultura, ressaltou a importância de iniciativas como a da Campanha Produtos da Gente: “Acreditamos ser importante que existam diferentes experiências de produção agroecológica, que sejam certificadas ou não, de maneira que possamos ter uma maior oferta de alimentos saudáveis e sem agrotóxicos”.
Avanços e conquistas

Os resultados não param por aí. Marcio resaltou ainda a importância da Escolinha de Agroecologia de Nova Iguaçu; a criação das identidades visuais que valorizam os produtos da agricultura familiar da Região Metropolitana; a organização de novos canais de comercialização, em parceria com grupos de consumidores; a elaboração de Planos de Negócios de cinco empreendimentos solidários da agricultura familiar e de duas propostas de políticas públicas de apoio aos empreendimentos solidários de agricultura familiar, formuladas e negociadas com gestores públicos.
O desafio de sair da “invisibilidade”
Se, por um lado, o Seminário mostrou que o saldo da Campanha Produtos da Gente tem sido muito positivo, por outro, não deixou de assinalar as dificuldades, de diferentes naturezas – econômicas, sociais, institucionais, culturais etc. –, que os agricultores agroecológicos urbanos e perirubanos enfrentam na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
“Um dos nossos grandes desafios tem sido a invisibilidade da agricultura urbana e periurbana, o que, dentre outros problemas, resulta na sua desvalorização como atividade econômica e no baixo acesso às políticas públicas destinadas à agricultura familiar”, assinalou Marcio Mendonça. Apesar desse contexto desfavorável, acrescentou, “ainda encontramos muitas hortas domésticas, quintais produtivos e sítios voltados para uma produção agroecológica”.
Outro desafio é ampliar o raio de distribuição e comercialização dos produtos agroecológicos, levando-os a novas comunidades e públicos. “Até agora, a Campanha alcançou, basicamente, quem já tinha algum interesse pelo assunto e, por isso, já busca produtos agroecológicos. A questão é como chegar nas pessoas que ainda não estão sensibilizadas para a importância de uma alimentação mais saudável e, por isso, não buscam as feiras agroecológicas”, questionou.
Por último, Marcio Mendonça enfatizou que a Campanha Produtos da Gente “não deve mais ser vista como uma ação da AS-PTA, mas ser totalmente ´abraçada` pelos parceiros, instituições e pessoas dedicadas à agroecologia urbana”.
Novo projeto: arranjos locais
O projeto a partir do qual nasceu a Campanha foi finalizado, mas um novo já está em andamento: “Arranjos locais no Rio de Janeiro e Nova Iguaçu”, reunindo redes locais de agricultores agroecológicos em comunidades urbanas.
Como explicou Claudemar Mattos, há hoje oito arranjos: em Guaratiba, Vargem Grande, Penha, Complexo do Alemão, Engenho da Rainha, Campo Grande, Realengo, Jacarepaguá (Colônia Juliano Moreira), além de Geneciano, em Nova Iguaçu.
A partir da articulação de grupos locais de agricultores, pastorais sociais, iniciativas culturais, escolas, unidades de saúde e atendimento social, são elaborados planos de ação locais, que fortalecem e implementam ações de agricultura urbana relacionadas à produção, beneficiamento, geração de saúde, alimentação e criação de ambientes saudáveis. A Campanha Produtos da Gente se insere nesse projeto como fator de mobilização e diálogo com as comunidades.
Agroecologia: uma filosofia de vida
Resumindo o espírito da Campanha Produtos da Gente, Marcio Mendonça destacou que “a agricultura, para nós, deve ser promovida a partir de uma abordagem participativa e com um enfoque agroecológico. Não estamos falando de produtos agroecológicos como ´nicho de mercado´, de maneira descolada da origem e do território. É fundamental sabermos a origem do produto e conhecer o agricultor, assim como aproximar produtores e consumidores”.

E foi com uma confraternização entre pessoas com histórias de vida dedicadas à construção de um mundo melhor, onde os alimentos saudáveis sejam mais acessíveis a toda população, que o Seminário foi encerrado, em meio a uma Feira Agroecológica, com os Produtos da Gente, e um lanche servido pelas Mulheres do Sertão Carioca.
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Cerca de 70 mulheres lideranças, presidentes de sindicatos rurais, de associações comunitárias, de fundos rotativos solidários e de conselhos municipais, participaram no dia 7 de julho, no Convento Ipuarana em Lagoa Seca-PB, do Debate Mulheres na Política, realizado pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e pelo Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos rurais da região da Borborema na Paraíba.
Abrindo a manhã, houve uma rodada de apresentação das participantes, que se apresentaram e informaram os espaços em que estavam atuando e se eram pré-candidatas a algum cargo nas próximas eleições. O debate teve início com três depoimentos de mulheres sobre as suas experiências em espaços de poder na política. A primeira a falar foi Maria Celina, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Casserengue-PB e integrante da coordenação do Polo da Borborema.
Atualmente em seu terceiro mandato à frente do STR, Maria foi vereadora do município por um mandato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e conta que se desapontou um pouco com o cargo e suas limitações: “Não quero aqui desanimar ninguém, não. Mas isso é uma coisa de mim. Eu achava que ia poder fazer o que eu pensava quando chegasse naquele espaço, mas lá você não pode, não. Os desafios são muitos, eu era a única vereadora mulher, e quase não permitiam nem que eu falasse. Ainda assim, eu acho importante a mulher ocupar estes espaços, porque isso tudo que a gente vê errado acontecendo aí, começa no nosso município, então a gente precisa participar e saber votar”, avalia.

O terceiro e último depoimento foi o de Lucileide Alves Gertrudes, conhecida como “Leda”, assessora técnica da AS-PTA, que tem uma história como liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca-PB, um dos percussores do Polo da Borborema. Leda iniciou sua militância muito cedo, em grupos de jovens ligados à igreja católica, que mais tarde venceram a eleição para o STR. Ela falou sobre a experiência como candidata a vereadora no início da década de 90 pelo PT e como primeira secretária mulher de agricultura do município, nos anos de 2005 a 2006: “Para mim foi um desafio muito grande. Diversas vezes fui chamada a atenção por ter colocado um número grande de mulheres dentro da secretaria, por abrir a secretaria para as pessoas. Diziam que eu falava demais, e ainda tem aquele machismo de questionar: ‘e mulher entende de plantio, de máquinas?’. Também me frustrei um pouco, porque você vai para estes espaços com muita vontade de fortalecer aquela luta, aquela história que você já conhece, mas é muito desafiador quando você chega lá”, afirmou.

Após as falas, foi aberta uma rodada de debates em que várias participantes se colocaram, duas mulheres do Polo da Borborema e pré-candidatas, estiveram entre elas: Maria Leônia Soares, acaba de se afastar da presidência do sindicato dos trabalhadores rurais de Massaranduba-PB para concorrer ao cargo de vice-prefeita. Ana Paula Cândido, se afastou da direção do STR Queimadas-PB para disputar uma vaga de vereadora em seu município. Ambas são filiadas ao PT.
Leônia, ou “Léia”, como é mais conhecida, destacou o grande número de mulheres da base do Polo concorrendo a mandatos: “Esse aumento é um resultado do trabalho que vimos fazendo, do debate sobre a violência contra a mulher e sobre o papel das mulheres camponesas”, ressaltou. “No meu município o poder econômico é muito forte nas eleições, além da história de famílias tradicionais se envolverem na política. Eu enquanto mulher, pobre e negra, sei que tenho um desafio muito grande pela frente. Mas é importante ocupar estes espaços para fortalecer o debate sobre o nosso projeto político”.
Ana Paula disse que a luta das mulheres do Polo serve de exemplo e encorajamento para ela: “Me senti comtemplada nos depoimentos das três mulheres e me inspirei em cada uma das mulheres do Polo para colocar o meu nome para contribuir com a mudança no meu município. Assim como a deputada e todas as outras que tiveram essa experiência, quero fazer a diferença na câmara”, finalizou.
As agricultoras do Polo da Borborema concluíram que é necessário que as mulheres ocupem espaços políticos para levarem as suas pautas, mas também perceberam que o aprendizado do voto é fundamental para a defesa de um projeto político que contemple as pautas dos trabalhadores do campo e, sobretudo, das mulheres do campo. “Debates como esses precisam ser multiplicados em nossos municípios, precisamos refletir sobre o papel das mulheres e também refletir sobre os projetos em disputa. Precisamos fortalecer nosso projeto para saber votar”, afirma Maria do Céu Silva, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Solânea. “Temos que sair daqui para ser formigueiro em nosso lugar”, conclui Gizelda Beserra.
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Os agricultores e as agricultoras que integram a Comissão de Sementes do Polo da Borborema têm um motivo a mais para sentirem orgulho das suas sementes crioulas, na Paraíba, conhecidas como “Sementes da Paixão”. A Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias – Embrapa lançou no mês de maio deste ano o Comunicado Técnico número 186, intitulado: “Desempenho de Variedades Crioulas e Comerciais de Feijão-Macassar ou Feijão-Caupi no Agreste Paraibano”, resultado de uma pesquisa participativa realizada nos municípios de Remígio e Areial, que fez um diagnóstico de 67 variedades de feijão em seis comunidades estudadas.
Foram realizados ensaios comparativos com 10 variedades de sementes de feijão macassar, sendo sete de sementes crioulas (Verde ligeiro, Costela de vaca, Corujinha, Cariri, Sedinha, Azul e Sempre verde) e três variedades comerciais da Embrapa de Petrolina-PE (Pajeú, Guaribas e Nova Era). Essas variedades comerciais são as distribuídas por meio da política de sementes para as famílias agricultoras do semiárido, e tem sido uma constante a compra de poucas variedades comerciais, mesmo diante da diversidade climática e de ambientes observadas no Semiárido Brasileiro. A pesquisa foi realizada em parceria com a Embrapa Tabuleiros Costeiros de Sergipe, a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e os agricultores da Comissão de Sementes do Polo da Borborema e da Rede de Sementes da Articulação do Semiárido Paraibano.
Os ensaios comparativos aconteceram na região da Borborema no Centro Agroecológico São Miguel, em Esperança-PB, no Assentamento Lagoa do Jogo em Remígio-PB e no Sítio Arara, município de Areial, que contaram com a participação de agricultores e agricultoras guardiões de sementes ligados à dinâmica da Comissão de Sementes do Polo da Borborema.
Os experimentos comprovaram a superioridade das sementes dos agricultores em detrimento das variedades comerciais, estando submetidas a condições climáticas desfavoráveis. Todas as variedades crioulas dos bancos comunitários de sementes apresentaram produção de grãos acima das variedades comerciais. A semente dos agricultores que mais se destacou foi a Costela de vaca, produzindo 760 kg por hectare em comparação com a variedade comercial Nova Era, que produziu 210 kg por hectare. Já o melhor tratamento foi o uso de composto orgânico com esterco produzido nas esterqueiras e restos vegetais.
O Comunicado foi lançado durante a realização do Encontro Nacional de Agricultoras e Agricultores Experimentadores, realizado entre os dias 06 e 09 de junho, em Aracaju-SE, na oficina de gestão de Bancos de Sementes Comunitários. Seu Joaquim Santana, agricultor experimentador do município de Montadas-PB, esteve presente e avaliou o resultado: “Essa pesquisa mostra o que nós agricultores já sabemos, mas ela é muito importante para os governos saibam que a nossa semente é de qualidade. A partir de agora acabou essa história de dizer que não compram as sementes dos agricultores porque não temos uma boa semente pra oferecer, se não comprarem agora é porque não querem”, disse.
O engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Amaury Santos, um dos responsáveis pelo estudo, avalia que as pesquisas participativas contribuem para o fortalecimento da agroecologia e para a mudança positiva na vida das pessoas: “Ainda existe no ambiente acadêmico uma visão de que a agroecologia não é ciência. Então, no momento em que a Embrapa publica um estudo como este, o tema se fortalece. Mas o mais importante é que esse conhecimento não é só mais um pedaço de papel, os agricultores participantes da pesquisa se apropriaram dele, e tanto conseguem ver o seu conhecimento sendo valorizado, como somam novas informações à sua experiência, aperfeiçoando-a”.
Para Emanoel Dias, do Núcleo de Sementes da AS-PTA, os resultados obtidos ajudam a fortalecer as políticas de sementes no Semiárido: “Aqui o que a gente quer afirmar não é que as variedades comerciais são pobres, e sim que existem nos bancos de sementes comunitários variedades que produzem igual ou melhor que as variedades que estão sendo compradas para os programas de distribuição de sementes, pois elas já estão adaptadas àquela região. Um política de sementes pensada com poucas variedades para todo o Semiárido é uma política fadada ao fracasso, porque gera dependência”, afirmou.
Clique aqui e leia o Comunicado Técnico 186 – Desempenho de Variedades Crioulas e Comerciais de Feijão-Macassar ou Feijão-Caupi no Agreste Paraibano
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A Comissão de Saúde e Alimentação do Polo da Borborema, articulação de 14 sindicatos rurais da região da Borborema na Paraíba, realizou, no Convento Ipuarana, em Lagoa Seca-PB, nos dias 05 e 06 de julho, o III Seminário Regional de Beneficiamento. A Comissão é formada por mulheres agricultoras da região de atuação do Polo e é acompanhada pelo Núcleo de Saúde e Alimentação da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, que assessora o trabalho do Polo há cerca de 20 anos.
O Seminário foi aberto com uma mística que trouxe os instrumentos ou utensílios símbolos do trabalho que vem sendo feito de melhoramento das cozinhas ou unidades de beneficiamento, seja de agricultoras, seja de grupos de mulheres. As mulheres de cada município foram trazendo os objetos e os colocando para compor um altar com símbolos como: caixas organizadoras, colheres de pau, panelas e formas, cerâmica ou colher de pedreiro, entre outros. Estiveram presentes cerca de 60 agricultoras integrantes da Comissão de Saúde e Alimentação, que de alguma forma, beneficiam seus produtos para consumo da família ou para a comercialização, na comunidade, em feiras agroecológicas e para programas governamentais de compra direta de alimentos.
Gizelda Beserra, liderança do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remígio-PB e da coordenação do Polo da Borborema, apresentou a programação e falou sobre os objetivos do evento, que teve como foco as boas práticas na manipulação dos alimentos da agricultura familiar. “Precisamos aprender mais sobre quais são os cuidados que devemos observar para ter a garantia de que estamos consumindo e comercializando um produto não só saudável, mas de qualidade”, disse.

Anilda Batista é integrante do Grupo de Mulheres, “As Margaridas” do Assentamento Oziel Pereira, em Remígio-PB, que fornece alimentos para a merenda escolar da zona rural do município. A agricultora contou como a aquisição de um equipamento ajudou a aumentar a produção e a reduzir o esforço: “Antes de termos a moenda, a gente tinha que pegar emprestado a forrageira do sindicato para triturar a macaxeira para o bolo, ir buscar e levar toda semana. Hoje não, a gente não trabalha tanto, tem bem menos esforço, trabalha mais sentada e consegue produzir mais”, contou.

Já para Marlene Pereira, do Sítio Floriano, e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca, a mini-reforma na sua cozinha acabou estimulando a família a melhorar outras partes da casa: “Quando a gente viu a cozinha pronta, pensamos: ‘e a gente vai deixar o resto sem fazer?’ Acabamos colocando a cerâmica e forro na casa toda, só falta um quarto para terminar. Uma coisa vai puxando a outra, não melhorou só a cozinha, melhorou a casa inteira e trouxe qualidade de vida para toda a família”, avaliou.

A tarde do primeiro dia foi reservada para a troca de receitas. Cinco delas foram preparadas e degustadas durante este momento pelas agricultoras participantes do seminário: a de cocorote, um biscoito feito de trigo e coco; sorda, um bolo de trigo, rapadura preta e especiarias como erva doce, cravo e canela; doce de leite, pastel e bolo de batata doce. Todas as receitas já integram um livro com outras tantas praticadas pelas agricultoras da Comissão de Saúde e Alimentação que deve ser lançado em breve.

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Aconteceu em Massaranduba na última quinta-feira(30), durante a I Feira Agroecológica e Cultural da Juventude Camponesa do Polo da Borborema, o lançamento da Campanha “Não planto transgênicos para não apagar a minha história!”. Idealizada pelos jovens com o apoio da Comissão de Sementes do Polo da Borborema e do Núcleo de Sementes da AS-PTA, a Campanha traz, em diversos formatos de materiais, informações sobre os riscos das sementes transgênicas e como evitar a contaminação, diante da ameaça da entrada dos transgênicos no território agroecológico do Polo.
Idealizada durante seminário com todos os Bancos de Sementes do Polo, a Campanha traz como slogan frase do agricultor José Alves de Luna, o Seu Zé Pequeno. Morador da comunidade São Tomé II, município de Alagoa Nova, Zé Pequeno é Guardião das Sementes da Paixão a mais de 50 anos. Como ele, muitos guardiões e guardiãs sentem a ameaça que os transgênicos trazem ao patrimônio genético e cultural que são suas Sementes da Paixão.
Segundo Emanoel Dias, assessor técnico da AS-PTA, a partir do projeto Sementes do Semiárido e o levantamento das Sementes Crioulas da região de atuação do Polo, foram encontradas algumas variedades de milho transgênico. A maior parte do material contaminado não vinha dos bancos de sementes, mas sim adquirido por meio da compra. “A semente do mercado é uma porta aberta para contaminar a Semente da Paixão”, afirma Emanoel.

Apesar do avanço dos transgênicos no território, as famílias agricultoras estão lutando para evitar a contaminação, assim como a juventude camponesa se mostra mobilizada nessa luta, preocupada com o seu futuro. Para a jovem agricultora Ana Joaquina, para além dos malefícios a saúde, o combate aos transgênicos é necessário para conservação da sua história. “Lutamos para proteger nossa semente da paixão para que nós possamos continuar passando essa semente de geração em geração, como nossos avós passaram para nós”, diz Aninha, que tem como Semente da Paixão o milho jabatão.
O combate aos transgênicos, assim como a luta por segurança alimentar, continuidade no campo e autonomia, também é uma das bandeiras de luta dessa juventude. Para além disso, a história de várias famílias agricultoras contidas em cada Semente da Paixão, é reconhecida e reafirmada pelos jovens que exibem com 
A Campanha “Não Planto Transgênicos para não Apagar Minha História” é parte do Projeto Sementes do Saber, e tem apoio do Comitê Católico Contra a Fome a Favor do Desenvolvimento (CCFD) da França, e co-financiamento da União Europeia.
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