Em capítulos curtos, o autor vai-nos desvendando a história de uma família que herda uma quinta à beira da falência. Jay, o mais novo de três irmãos, conhece Chuan, o filho do caseiro, e ambos desenvolvem uma relação cada vez mais íntima. Os pais de Jay, Lina e Yin, não têm as melhores relações, em parte, devido á diferença de idade e de temperamento e, a pouco e pouco, a família vai-se desagregando.
A acção da história decorre na Malásia, com a sombra da Singapura por perto e os protagonistas descendem de migrantes provenientes da China, que falam cantonês.
Um livro curioso.
]]>“A Insubmissa” é um romance autobiográfico muito interessante. Peri Rossi recorda a sua infância de modo divertido; viveu durante algum tempo com uns tios, no campo, porque sofria de uma infecção tuberculose e o ar do campo far-lhe-ia bem.
Pelos cinco anos, comi muito mal e a tia decidiu perceber por que razão ela se recusava a comer determinados alimentos.
“Carne, porque tem sangue e nervos.
Ovos, porque têm clara.
Leite, porque tem nata.
Laranjas, porque têm fios brancos.
Bananas, porque têm fios amarelos.
Maçarocas, porque têm barbas.
Gofio, porque me engasgo.
Manteiga, porque tem gordura.
Frangos e galinhas, porque são meus amigos, o que se aplicava, além disso, aos coelhos, aos porcos, às perdizes e aos borregos.
Peixe, porque não fecham os olhos e estão sempre a olhar para mim.”
Peri Rossi não gostava do seu pai, que era violento e tratava mal a sua mãe, e adorava um tio, que tinha muitos livros. Capítulo a capítulo, a escritora vai contando diversos episódios curiosos: a paixão que desenvolveu com uma colega mais velha, a sua relação com os mendigos, a operação ao apêndice, etc.
Um livro muito curioso e que li com muito agrado.
]]>Luís Neves, como se sabe, é um perigoso traficante, ou, no mínimo, faz-se transportar num carro que pertencia a um traficante que – quem sabe? – era seu cúmplice. Toda a droga roubada pela PJ a este traficante, foi parar – diz-se – à propriedade que o Neves tem em Odemira, aquela em que ele mandou construir uma piscina no lugar de um tanque, com a ajuda de um empreiteiro de Barcelos que também levou, lá para a terra dele, um atrelado carregado de cocaína que o Neves apreendeu, às escondidas.
Tudo isto está ligado ao assalto ao gabinete do Ventura. Quem terá lá entrado naquela madrugada e roubado os documentos que o glorioso líder do Cehga tinha acumulado na sua secretária e que mostrariam, sem margem para dúvidas, que o Neves é o cabecilha de uma rede de traficantes, com braços que vão até Ceuta e que estarão relacionados com todos aqueles marroquinos que queriam invadir a Europa através do protectorado espanhol, com a cumplicidade do socialista Sanchez.
Não acham estranho ainda não sabermos nada sobre o assalto ao gabinete do Ventura?
Está-se mesmo a ver que não interessa saber a verdade toda, porque as câmaras de vigilância mostram claramente dois agentes amigos do Neves a roubar os documentos comprometedores.
O Ventura, impoluto, aguarda, tranquilamente que o Presidente Seguro, na sua imensa cinzentidade decida não decidir coisa nenhuma, para que se chegue à frente e diga, vociferando, aqui estou eu, para salvar Portugal – eu que nunca prevariquei, que nunca menti, que sou católico até aos ossos púbicos, aqui estou para limpar este país da corrupção, expulsar o Neves e mostrar como é que se governa um país!
Que fodidos estamos!Já vai havendo quem se queixe da sua performance…
]]>Como estávamos a ver a série colombiana da adaptação do excelente “Cem Anos de Solidão”, não consegui deixar de encontrar semelhanças com a escrita de Gabriel Garcia Marquez, embora, sejamos francos, com enorme vantagem para o autor sul-americano.
Este livro também aborda a realidade com as técnicas do chamado realismo fantástico, tendo como pano de fundo a guerra civil espanhola. A narrativa avança, tendo como base a família de Odisto, mas diverge para muitas direcções, baseando-se em crendices populares e em realidades fantásticas que não passam de excessos de narrativa.
“O médico da vila, Fernando, verificara antes que ambos os sangues eram compatíveis. Se os líquidos tivessem a mesma cor, o dador podia ligar-se ao paciente. Havia oito tons diferentes: almagre, carmim, vermelhão, lacre, castanho-avermelhado, escarlate, carmesim e grená. Acontece que os sangues eram almagre. Leo ganhou mais alguns meses de vida”.
O livro está cheio de citações, algumas muitos impressivas, como esta, de Gonzalo de Aguilera, assessor de imprensa de Franco>:
“Há que matar, matar e matar todos os vermelhos; exterminar um terço da população masculina e limpar o país de proletários”
Às tantas, Uclés adopta a ideia de Saramago e a península começa a afastar-se do resto da Europa, transformando-se, no fundo, em uma jangada de pedra, mas Uclés inventas uns agrafos que continuam a ligar a península a França. Talvez seja demasiado realismo fantástico.
Para o fim, a história arrasta-se um pouco. A guerra civil termina, Franco e os nacionalistas vencem, mas ficamos sem saber muito bem qual é a posição do autor perante aquilo. O povo ficou satisfeito? E o autor?
Penso que faltou aqui qualquer coisa…
]]>O livro fala-nos das coisas esquisitas que acontecem pelo mundo animal, desde pénis com espinhos a vaginas em forma de elipse. Desde o canguru e a dama com três vaginas à libélula e o pénis-colher, dos bonobos e o sexo hippie ao polvo e o pénis amovível, passando pelo cão e o nó copulatório ou pelo pato e os labirintos da vagina, o livro exemplifica o que de mais estranho se passa na vida sexual de alguns animais – texto acompanhado de desenhos a propósito.
Divertido.
]]>Mas esta série de contos é de uma pobreza confrangedora. Depois dos dois primeiros, que ainda papei, seguem-se coisas banais e sem interesse. Há “contos” armados em poemas, ou serão “haiku” (?), como este, chamado Memórias do Amor e que reza assim:
“A realidade é uma mentira. Eu sei que estavas nesta fotografia em que não apareces. Recordo perfeitamente o que me dizias ao ouvido no momento do flash”
Depois, há “Um Exame no Liceu de Chaves”, que podia ser uma espécie de redacção de um aluno do 12º ano, e há, também, “O Riso de Mireiya Carvajal”, que nos conta odisseia, em Cuba, de um treinador de futebol com o nome muito parecido com José Mourinho.
Senti-me enganado…
]]>Sim, é possível acabar com a guerra, se todos formos bonzinhos!
Sim, é possível acabar com a fome no Mundo se todos não desperdiçarmos comida!
Sim, é possível acabar com os microplásticos nos oceanos se todos deixaram de deitar lixo para o mar
Sim, é possível ser muito estúpido para acreditar nestas tretas!
]]>Nascida em 1979 na Albânia escreveu este que foi considerado o livro do ano pelo Financial Times, Sunday Times e Washington Post, entre outros.
A ideia para este livro nasceu de uma foto que a autora encontrou nas redes sociais e que mostrava a sua avó Leman Ypi e o seu avô, nos Alpes, em 1941, durante a lua de mel. Ora, Lea Ypi pensava que todos os arquivos referentes à sua avó tinham sido destruídos na altura da ditadura comunista de Enver Hoxha na Albânia. Ora, se aquela foto existia, poderiam existir mais documentos sobre Leman.
A autora vasculhou, então, os arquivos de vários países (a sua avó nascera na Grécia) e descobriu muitas coisas, acabando por escrever esta obra que é um misto de biografia e romance.
Para quem, como nós, esteve recentemente na Albânia e nos países vizinhos, foi muito curioso ler este livro e recordar parte da História daquela região conturbada da Europa balcânica.
]]>Montenegro não vai tirar férias.
Já avisou os jornalistas de que vai ser difícil acompanhar o Governo durante estes verão! Espero que tenham a nossa pedalada, disse.
Correr atrás do ministro da Educação, com toda aquela trapalhada dos exames, já vai ser difícil – mas mais difícil vai ser apanhar o Ministro dos Incêndios e dos Reboques.
Depois da época dos Antónios – estamos mesmo na época dos Luíses!…
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