Documento nascido no 20º Encontro propõe trégua na mobilização pela votação durante período eleitoral em contrapartida ao apensamento das matérias
A mobilização histórica promovida pelo Instituto Mosap durante o 20º Encontro Nacional de Aposentados e Pensionistas do Serviço Público resultou em um dos mais importantes documentos políticos produzidos pelas entidades representativas do funcionalismo nos últimos anos. A Carta de Brasília, construída a partir dos debates realizados na quarta-feira (12/8), no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, consolidou em um documento único a principal reivindicação do movimento: o apensamento da PEC nº 6/2024 à PEC nº 555/2006.
A Carta é resultado direto do 20º Encontro e representa muito mais do que a transcrição do sentimento manifestado pelos aposentados, pensionistas e dirigentes que estiveram em Brasília. O documento formaliza uma proposta política dirigida ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e ao Colégio de Líderes. Mais de 110 entidades representativas subscrevem o pedido objetivo e urgente para que a PEC 6/2024 passe a tramitar conjuntamente com a PEC 555/2006.
O ponto central da Carta está justamente no compromisso público assumido pelas entidades. Cientes das particularidades do calendário eleitoral de 2026, as organizações signatárias registraram expressamente que não pressionarão pela votação do mérito da PEC 6/2024 até o encerramento do período eleitoral, desde que o apensamento seja deferido. Na prática, o movimento oferece uma importante sinalização política à Presidência da Câmara: neste momento, pede-se o apensamento, e não a imediata votação do mérito.
Trata-se de um gesto de responsabilidade e disposição para o diálogo. As entidades aceitam abrandar a mobilização pela votação durante o período eleitoral e transferir essa etapa da luta para momento posterior. Em contrapartida, esperam da Presidência da Câmara a providência que consideram indispensável para preservar o caminho legislativo construído ao longo de duas décadas. A PEC 555/2006 já concluiu sua tramitação nas comissões e está pronta para o Plenário, enquanto o apensamento evitaria que a discussão tivesse de recomeçar do zero.
A urgência também decorre do calendário legislativo. Conforme registra a Carta de Brasília, a PEC 6/2024 aguarda desde março de 2024 a definição de seu caminho de tramitação, enquanto 322 parlamentares, até a presente data, já apresentaram requerimentos pelo apensamento. Com o encerramento da legislatura se aproximando, existe ainda a preocupação de que a PEC 555/2006 seja arquivada, desperdiçando aproximadamente vinte anos de tramitação e de mobilização dos servidores públicos.
Depois do encerramento do 20º Encontro, da caminhada realizada pelos aposentados e pensionistas até o Palácio do Planalto e da formalização das assinaturas, o Mosap retornou à Câmara dos Deputados para dar à Carta seu primeiro encaminhamento institucional. O documento foi entregue à chefe de gabinete do presidente Hugo Motta na Presidência da Câmara, Dra. Sabá Cordeiro Filha, que recebeu a manifestação e se comprometeu a despachar o pleito com o presidente da Casa.

A entrega tem especial significado porque leva diretamente à Presidência da Câmara não apenas uma reivindicação, mas uma proposta concreta de entendimento. O movimento organizado dos servidores apresenta sua parte do compromisso: aceita reduzir a pressão política pela votação imediata, respeitando o período eleitoral, desde que seja garantido o apensamento. Agora, espera que o outro lado também ofereça uma resposta. O pedido formal constante da Carta é precisamente para que a Presidência e as lideranças da Casa autorizem a tramitação conjunta das propostas.
Há também uma dimensão humana que não pode ser ignorada. A Carta sustenta que aposentados e pensionistas já contribuíram durante décadas para assegurar o direito à aposentadoria e que a manutenção da cobrança sobre os proventos penaliza novamente quem dedicou a vida ao serviço público. O documento alerta ainda que essa cobrança pode alcançar os dependentes por meio das pensões, prolongando seus efeitos para além da própria vida do servidor. É contra essa realidade, frequentemente definida pelos aposentados como confisco previdenciário, que o Mosap mantém sua principal mobilização.
A Carta de Brasília coloca, portanto, uma proposta clara sobre a mesa. As entidades fizeram um gesto concreto de conciliação e assumiram publicamente um compromisso diante de seus representados: deferido o apensamento, a mobilização pela votação será abrandada durante o período eleitoral e retomada posteriormente. Não se pede, neste momento, que a Presidência da Câmara determine o resultado do debate nem que imponha uma votação em meio ao calendário eleitoral. Pede-se que permita que duas propostas que tratam da mesma luta caminhem juntas e que vinte anos de trabalho parlamentar não sejam perdidos.
Ao presidente Hugo Motta , fica agora o apelo de milhares de aposentados e pensionistas e de mais de uma centena de entidades que assinaram a Carta de Brasília. O movimento apresentou uma solução, demonstrou capacidade de diálogo e assumiu sua parcela de responsabilidade no entendimento. Cabe à Presidência da Câmara responder a esse gesto.
Presidente Hugo Motta, apense a PEC 6/2024 à PEC 555/2006. Preserve vinte anos de luta, abra o caminho para que o Congresso enfrente essa injustiça e dê aos aposentados e pensionistas do serviço público brasileiro a resposta que eles aguardam há tanto tempo.
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A ação coletiva que reconheceu o direito discutido foi patrocinada exclusivamente pelo Torreão Braz Advogados, que obteve o respectivo título judicial em favor dos filiados da ASDNER. O escritório permanece responsável pela condução da demanda e atua em conjunto com a Associação na orientação dos beneficiários e na adoção das providências relacionadas à execução do título judicial em favor dos filiados abrangidos pela ação.
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E-mail: torreaobraz@torreaobraz.com.br
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A Associação dos Servidores Federais em Transportes – ASDNER, por intermédio da sua Presidente, e no uso das atribuições que lhe confere o Estatuto, convoca todos os associados que estejam em pleno gozo de seus direitos estatutários para participarem do processo eleitoral destinado à eleição dos Diretores e Vice-Diretores Regionais da ASDNER.
As inscrições, prazos, data, horário, locais de votação e demais procedimentos relativos ao pleito, obedecerão ao cronograma e às disposições constantes no EDITAL de CONVOCAÇÃO e demais documentos que seguem abaixo:
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]]>Bonjour!
Gostaríamos de compartilhar uma novidade: estão abertas as inscrições para as novas turmas iniciantes de francês da Aliança Francesa do Rio, com início em setembro.
Para quem ainda não começou a estudar francês, este é o último momento do ano para iniciar uma turma do zero e dar os primeiros passos no idioma ainda em 2026.
Convidamos vocês a compartilharem essa oportunidade com seus beneficiários, para que eles possam aproveitar o benefício de aprender francês na AF Rio com desconto exclusivo!
As novas turmas contam com diferentes opções de horário e modalidade (presencial, online ou flex). Mais informações no site: ALIANÇA FRANCESA – RIO
Atenciosamente,
As pousadas da Casa do Inspetor (vinculadas à União do Policial Rodoviário do Brasil) incluem opções como a Pousada Quitandinha em Petrópolis e Unidades de Atendimento Associativo.
Unidades e Localização
Pousada Quitandinha: Localizada em Petrópolis (RJ), próxima ao famoso Hotel Quitandinha.
Outras localidades: A associação também lista opções em regiões como Araruama
A partir do dia 19/5 os Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passaram a contar com as novas regras para contratação de crédito consignado. Uma das principais mudanças foi o aumento do prazo máximo de pagamento das dívidas. Agora, os aposentados e pensionistas podem parcelar empréstimos em até 108 meses (nove anos). Antes o prazo máximo era de 96 vezes (oito anos).
Uma alteração semelhante tbm aconteceu com os servidores públicos federais, que desde o dia 20/5 passaram a ter um prazo de parcelamento máximo de pagamento de crédito consignado ampliado – era de 96 meses e passou para 120 meses (10 anos).
Com essas mudanças, é essencial que os servidores entendam como ficam os valores das parcelas e o custo total do empréstimo. Embora os descontos das parcelas possam ser menores, o aumento da quantidade de meses da dívida afeta diretamente o valor final pago pelos benefícios.
Um aposentado que contratar um empréstimo de R$ 10 mil e parcelar em 108 meses, por exemplo, pagará R$ 202,85 por mês. Embora a prestação seja menor do que no prazo anterior de 96 meses, que era de R$ 212,03, o valor total pago ao final do contrato subirá de R$ 20.355,19 para R$ 21.907,57, um acréscimo de 7,62%.
— Muitas pessoas acabam olhando apenas para a prestação menor e deixam de perceber que permanecerão endividadas por praticamente uma década. Em vários casos, o valor total pago em juros pode superar o próprio valor originalmente contratado — adverte o advogado João Badari, sócio do ABL Advogados.
Para o especialista, é necessário ter cautela na contratação do consignado.
— É importante comparar taxas entre instituições financeiras, desconfiar de ofertas excessivamente agressivas e jamais contratar empréstimos para custear despesas permanentes do dia a dia, pois isso pode gerar um efeito bola de neve — recomenda.
Simulações de valores de empréstimos consignados
O advogado João Badari realizou uma simulação dos valores das parcelas e o custo total de empréstimos consignados feitos a servidor público federal. Confira o resultado nas planilhas abaixo.
Diferença dos valores finais pagos no crédito consignado de servidor federal (com taxa média de 1,8% ao mês).
| Valor do empréstimo | Valor total pago com 96 meses | Valor total pago ao final de 96 meses | Valor total pago com 120 meses | Valor total pago ao final de 120 meses | Diferença do valor pago ao final |
| R$ 5 mil | R$ 109,81 | R$ 10.541,60 | R$ 101,99 | R$ 12.238,82 | R$ 1.697,22 |
| R$ 10 mil | R$ 219,62 | R$ 21.083,21 | R$ 203,98 | R$ 24.477,64 | R$ 3.394,43 |
| R$ 20 mil | R$ 439,23 | R$ 42.166,41 | R$ 407,96 | R$ 48.955,28 | R$ 6.788,87 |

O PL 2.332/2022, de autoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), altera o Estatuto dos Servidores Públicos Federais (Lei 8.112/1990) para permitir que servidores civis da União atuem como Microempreendedores Individuais (MEI). O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e seguiu para análise na Câmara dos Deputados.
No dia 01/08/2026 a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o projeto de lei que permite ao servidor público federal atuar como microempreendedor individual (MEI). A decisão foi dada em caráter terminativo, ou seja, não há necessidade de ser votada no plenário — o colegiado tem a palavra final. A proposta foi relatada pelo senador Irajá (PSD-TO).
O Projeto de Lei (PL) 2.332/2022 permite que o servidor atue como MEI, exceto se ocupar cargo em comissão ou de confiança, e observados os conflitos de interesses. O MEI tem teto de faturamento de até R$ 81 mil por ano (R$ 6.750 ao mês) e inclui mais de 400 tipos de atividades.
O relator argumenta que o PL é “fortalecedor da economia brasileira, pois amplia a oferta de bens e serviços no mercado privado”. Ainda segundo ele, a mudança “não prejudicará a administração pública”, pois “já existem situações em que servidores acumulam cargos ou mantêm empregos privados”.
O que muda com a proposta?
Hoje, a legislação proíbe o servidor federal de trabalhar no comércio, na gerência ou na administração de empresa privada, o que poderá ocorrer, caso seja aprovada a proposta, explica Marcos Jorge, coordenador jurídico especialista em direito administrativo do escritório Wilton Gomes Advogados. Permanecerá o veto em casos abordados pela lei sobre atividades conflitantes e de dedicação exclusiva.
Os servidores, porém, já podem exercer outras atividades remuneradas, como a possibilidade de acumulação de cargos públicos ou mesmo no setor privado, sem que haja conflito de interesse.
Dessa forma, o que muda com a proposta é apenas a possibilidade de exercer comércio, gerência ou administração de empresa privada enquanto MEI — permanecendo o veto em casos abordados pela lei sobre atividades conflitantes e de dedicação exclusiva.
— O servidor não pode exercer uma atividade de empresário ou comerciante e ao mesmo tempo (ter seu serviço) contratado pela administração pública — exemplifica o advogado.
A permissão ou não para que o servidor possa atuar como MEI varia de acordo com os estatutos de cada ente federativo. No caso do Estado do Rio seus servidores estaduais podem empreender desde fevereiro de 2024, a partir de um parecer da Controladoria-Geral do Estado (CGE-RJ). O mesmo acontece com os servidores municipais de Campos dos Goytacazes, por exemplo.
Mesmo projeto, visões diferentes
O senador Irajá também foi o relator da proposta na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), com parecer favorável em março de 2024.
— Convém registrar que não há qualquer irregularidade (no texto), pois, nos termos do projeto de lei proposto, o servidor só poderá exercer a atividade como MEI caso haja compatibilidade de horário com a função pública — diz o advogado Marcos Jorge, especialista em Direito Administrativo.
Na visão de David Lobão, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica da Paraíba (Sintef-PB), no entanto, o “direito” a ter um outro trabalho, na verdade, “é uma exploração”.
— Quero é executar a minha função ao qual fui concursado e ganhar bem por ela. Eu não quero trabalhar mais. O meu querido [Pepe] Mujica fala que o homem não trabalha porque ele é um trabalhador, mas por necessidade — afirma, citando o ex-presidente do Uruguai, que morreu em maio deste ano. — Acho que nós temos que focar a luta nas nossas carreiras, tornando-as mais fortes, atraentes, competitivas com o mercado e que nos dê condição de viver bem com o trabalho que exercemos.
G1,EXTRA RJ
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]]>Pai é quem acompanha, orienta, acolhe e permanece presente, independentemente do tempo ou da idade dos filhos.
A paternidade não se resume a uma data no calendário, mas se renova diariamente por meio do amor, do exemplo e da dedicação.
Neste Dia dos Pais, a ASDNER homenageia todos aqueles que fazem da presença o seu maior legado, lembrando que o maior presente que um pai pode oferecer é estar presente.
Porque, no coração de um filho, todos os dias são Dia dos Pais.
Parabéns!


A Aliança Francesa é uma instituição sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é a difusão da língua francesa e das culturas francesa e francófonas. Para isto, ela promove o ensino do idioma francês e oferece atividades culturais francófonas. Ela concede certificados específicos de proficiência e conhecimento linguísticos. No Brasil, ela oferece também cursos de português para estrangeiros.
A rede das Alianças Francesas possui escolas na França para estudantes estrangeiros e mais de 830 unidades em 132 países, onde estudam cerca de 491.000 pessoas.
Cada centro possui autonomia, porém, todos eles funcionam em estreita relação com a matriz parisiense – a Fondation Alliance française.
ASDNER/Aliança Francesa
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Você sabia que o SouGov.br oferece 68 serviços, documentos e funcionalidades gratuitas para ativos, aposentados, pensionistas, gestores, anistiados políticos civis e até ex-servidores? Isso sem contar as 25 solicitações que podem ser feitas diretamente por meio da plataforma, além de consultas a temas como férias, previdência, empréstimos consignados, entre outros.
Lançado em 2021, o SouGov.br visa a reunir em um único lugar serviços e informações relativos à vida funcional dos servidores públicos federais do Executivo, tudo de forma digital. Hoje, conta com 1.289.115 agentes inscritos, segundo informou o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Além das funções já conhecidas, como autorização de acesso a declaração do Imposto de Renda, carteira funcional e prévias do contracheque e do 13º salário, os ativos podem consultar dados de dependentes e comprovantes de pensão alimentícia, configurar biometria e acessar a ficha financeira anual.
Na aba de “Currículo e Oportunidades”, é possível conferir diferentes ações, como programas de intercâmbio. Um deles é o Global Fellowship Program, fruto de um acordo entre a Gestão e o Grupo Banco Mundial (WBG, em inglês).
Ferramentas para gestores
Gestores, por sua vez, podem acompanhar férias da equipe, solicitações de autorização e configurações gerais da ficha de frequência de funcionários. Também podem consultar a situação da validação cadastral, além de incluir e alterar registro de ponto, fazendo ainda gerenciamento de equipe.
Quanto a inativos e pensionistas, além de funções similares às dos ativos, é possível fazer declaração de aposentadoria, prova de vida (bem como consultar a situação e o comprovante do processo) e verificação de inconsistências cadastrais.
O SouGov.br também permite que ativos e inativos autorizem empréstimos consignados, além de consultarem margem de consignação, contratos ativos e encerrados e anuências de operações. Em relação às férias, é possível acessar a programação e até alterá-la.
Consulta a banco de horas e previdência
Exclusivamente para ativos, o app permite consultar banco de horas, registro de ponto e atestados, solicitar adesão à Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) e migrar para o Regime de Previdência Complementar.
Algumas ferramentas foram pensadas até para quem (ainda) não integra o funcionalismo. O site hospeda uma interface para crianças, adolescentes e pessoas legalmente incapazes, restringindo funções, como empréstimos e prova de vida.
O uso do SouGov.br, aliás, fica condicionado à autorização dos servidores para conferir mais segurança aos dados. E para aprovados em concursos, há o Ingresso Digital, que concentra o trâmite da nomeação à posse.
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Popularizado a partir da pandemia de Covid-19, o home office segue em crescimento no governo federal após o Executivo estabelecer regras para o chamado teletrabalho. Hoje, 24% dos 445 mil servidores elegíveis a esse modelo atuam sob o regime, seja híbrido ou integral. Quando se considera o universo de servidores ativos, a proporção é de 20%, ou seja, um em cada cinco. Os trabalhadores em regime remoto têm dispensa do registro eletrônico de ponto, e o desempenho é medido por metas e resultados.
No total, são 107,8 mil servidores públicos federais em algum tipo de home office, segundo dados de maio do Ministério da Gestão e Inovação (MGI). A maioria, 73,6 mil (68,4%), está no modelo híbrido, enquanto 33,5 mil (31,1%) atuam em regime integral remoto. Outros 527 trabalham no exterior (0,5%).
Em outubro de 2024, eram 84,2 mil servidores trabalhando à distância algum dia da semana, o equivalente a 16,6% do total do funcionalismo federal que poderia atuar dessa forma na época. Ou seja, houve um crescimento de aproximadamente 28% no número de servidores em trabalho remoto até maio deste ano.
Esse aumento aconteceu principalmente no modelo híbrido, que reunia 49,8 mil trabalhadores em outubro de 2024.
O home office no serviço público ganhou força após a pandemia, principalmente após a instituição do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que substitui o controle de ponto por um acompanhamento do trabalho baseado na produtividade.
“No serviço público, a eficiência não pode ser medida apenas por conveniência interna, mas pelo resultado para o cidadão”, Asafe Silva, advogado especializado em relações governamentais e gestão pública.
Um dos pontos centrais do programa é justamente o home office, no qual o servidor pode trabalhar em local definido por ele, em comum acordo com a chefia da unidade. Atualmente, 147,8 mil servidores participam do PGD. Destes, 39,6 mil estão trabalhando presencialmente. Instituído em 2022, o programa entrou em fase completa de implementação em novembro de 2024 e as avaliações realizadas pelos órgãos deverão ser publicadas a partir deste ano.
Gestão por metas
O advogado especializado em relações governamentais e gestão pública Asafe Silva avalia que o home office deve se manter em níveis estáveis pelos próximos anos. Segundo ele, porém, é necessário haver definição clara em sistemas de metas neste modelo.
— O risco do controle tradicional do ponto é criar uma aparência de gestão. O servidor está presente, mas isso não significa necessariamente que está entregando bem. O risco da gestão por metas, por outro lado, é transformar tudo em número e perder a qualidade, complexidade ou atendimento ao cidadão. No serviço público, a eficiência não pode ser medida apenas por conveniência interna, mas pelo resultado para o cidadão — afirma.
Em nota, o MGI destacou uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) em cinco órgãos federais. Na ocasião, o tribunal concluiu que os órgãos aprimoraram os mecanismos de controle e acompanhamento de metas, fortalecendo a gestão por desempenho.
“A dinâmica do PGD reduz a pressão por expansão imediata de áreas físicas, locação de novos imóveis e aquisição adicional de mobiliário e equipamentos, especialmente em contextos de ampliação da força de trabalho”, afirma.
Segundo as regras do PGD, só podem trabalhar em home office os servidores que tenham completado um ano de estágio probatório. No caso de servidores que mudaram de órgão, é preciso ter atuado por pelo menos seis meses na modalidade presencial para ingressar no teletrabalho.
Entre os órgãos com mais de cinco mil vínculos, proporcionalmente, o MGI é a pasta com maior percentual de servidores em teletrabalho, cerca de 67%, seguido pelo Ministério da Fazenda (56%), pela Advocacia-Geral da União (53%) e pelo INSS (49%).
Mesmo o IBGE, que vem tentando endurecer as regras do teletrabalho desde 2024, tem 27% de seus servidores em algum regime de home office. Neste mês, a presidência do instituto decidiu restringir a modalidade para novos servidores aprovados pelo Concurso Nacional Unificado (CNU).
Para a professora de Gestão de Carreiras da FGV Gabriela Nunes, o home office estabelece autonomia e senso de responsabilidade para os funcionários, o que tende a aumentar a produtividade. No entanto, ela destaca desafios para a gestão:
— Fazer uma comunicação adequada tanto para quem está no presencial, híbrido e teletrabalho é difícil. Outro desafio é o engajamento, que é mais difícil de se manter com as pessoas trabalhando à distância, mantendo uma cultura organizacional. Tem aí a questão da equidade, tanto no reconhecimento quanto na distribuição de trabalhos entre esses funcionários.
Debate no exterior
No ano passado, uma proposta de Reforma Administrativa apresentada no Congresso Nacional previa novas regras para o trabalho remoto de servidores públicos, limitando o regime a até 20% da força de trabalho de cada órgão e restringindo-o a um dia por semana.
“Outro desafio é o engajamento, que é mais difícil de se manter com as pessoas trabalhando à distância, mantendo uma cultura organizacional”, Gabriela Nunes, professora de Gestão de Carreiras da FGV
Pela lógica do texto, a cada dia, no máximo dois de cada dez servidores trabalharão de casa. Exceções seriam permitidas, mediante justificativa da necessidade.
A proposta definiu que o trabalho presencial seria obrigatório para servidores em cargos de comissão e funções de confiança estratégicos. O “primeiro escalão” (ministros, secretários estaduais e municipais, e equivalentes nos três Poderes e órgãos autônomos) ficou de fora da regra. O texto, porém, não avançou no Congresso.
No cenário internacional, os exemplos são diversos. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump determinou a volta aos escritórios para todos os funcionários públicos federais — com exceções, como servidores com deficiência motora — no primeiro dia de volta à Casa Branca em 2025.
O Canadá seguiu na mesma direção e anunciou ampliação significativa do trabalho presencial no serviço público. Desde maio, os servidores em cargos de chefia passaram a ser obrigados a trabalhar presencialmente cinco dias por semana. Para os demais funcionários, a exigência de quatro dias de trabalho no escritório entrou em vigor na semana passada.
Em 2022, após a pandemia, o governo da Irlanda lançou programa para ampliar o trabalho híbrido no serviço público. A iniciativa formalizou regras para que funcionários públicos possam trabalhar ao menos 20% do tempo remotamente. Como acontece aqui, o regime híbrido precisa ser aprovado pelos gestores.
No Reino Unido, em outubro de 2024 o governo manteve orientação que prevê que a maioria dos funcionários públicos federais deve passar ao menos 60% da jornada em trabalho presencial. A meta, no entanto, enfrenta resistência de sindicatos.
24% dos aptos
Esta é a proporção de servidores federais elegíveis que fazem algum tipo de home office, que pode ser integral mente remoto ou híbrido
147,8 mil
Número de servidores no Programa de Gestão de Desempenho (PGD), que substitui o ponto pelo acompanhamento baseado na produtividade
67% em teletrabalho
Este é o percentual de servidores do Ministério da Gestão e Inovação em home office. A segunda pasta com maior proporção é a Fazenda, com 56%
20% de limite
Proporção máxima de servidores em home office na proposta de Reforma Administrativa, que restringia modelo a um dia por semana. Texto não avançou