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A postura mais defensiva dos vendedores segue trazendo relativa sustentação às cotações, especialmente diante da persistência de margens negativas, contribuindo para um mercado mais equilibrado do que aquele observado imediatamente após a colheita. A constatação é do analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira.
Mesmo com essa redução da pressão de venda, a rentabilidade da atividade permanece comprometida. “Os preços continuam abaixo dos custos de produção e inferiores ao preço mínimo oficial, mantendo a relação de troca desfavorável e comprimindo as margens da produção”, exemplifica Oliveira
Esse cenário prolongado de baixa rentabilidade intensifica o desestímulo econômico à orizicultura e passa a influenciar de forma mais significativa o planejamento da próxima safra. “Como consequência, ganham força os indicativos de migração de áreas de arroz para soja e outras culturas no Rio Grande do Sul”, frisa o consultor.
A busca por maior previsibilidade financeira, aliada ao menor carregamento de estoques, torna outras alternativas mais atrativas para parte dos produtores. “Caso esse movimento se consolide, o setor poderá registrar uma das maiores reduções estruturais de área cultivada dos últimos anos”, prevê.
As projeções iniciais para a safra 2026/27 convergem para uma retração de área de pelo menos 5%, com estimativas variando entre 830 mil e 850 mil hectares no Rio Grande do Sul. “Sob a hipótese de redução de área e de recuo mínimo de 5% na produtividade média nacional, a produção brasileira poderá se aproximar ou até ficar abaixo de 10 milhões de toneladas”, pondera.
Ainda assim, os estoques de passagem, projetados próximos de 2 milhões de toneladas novamente, tendem a amortecer parte dos impactos de uma redução da produção, evitando um aperto imediato na disponibilidade interna.
Nesse contexto, as projeções de oferta e demanda para 2027 indicam uma oferta total próxima de 13,3 milhões de toneladas, inferior às cerca de 14,2 milhões de toneladas estimadas para 2026, representando uma redução potencial de quase 1 milhão de toneladas.
Em relação aos preços, a média da saca de 50 quilos de arroz no Rio Grande do Sul (58/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a quinta-feira (25) cotada a R$ 59,45, alta de 1,40% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, o recuo era de 0,21%. Ante 2025, a desvalorização atingia 10,39%.
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(Por Planeta Arroz) Apesar da recente reação dos preços, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue com baixa liquidez, em um ambiente marcado por custos elevados e margens negativas ao produtor. Dificuldades logísticas – agravadas pela alta do diesel e pelo encarecimento dos fretes – e incertezas em relação a medidas de apoio ao setor reforçam a cautela dos agentes. Entre 13 e 20 de março, muitos compradores concentraram as aquisições em arroz já disponível nas unidades de beneficiamento, o que resultou em negociações de menor escala e em ritmo moderado no mercado físico.
Dados de custos da Equipe de Custos Agrícolas do Cepea/Esalq ajudam a explicar a retração da oferta. Considerando a aquisição integral de insumos e a comercialização em fevereiro de 2026, o custo total foi estimado em R$ 16.938,55/ha em Uruguaiana e em R$ 14.998,12/ha em Camaquã, ainda que com recuos frente a 2025. Em equivalência de produto, porém, os números seguem desfavoráveis: em Uruguaiana, os gastos totais correspondem a 307,97 sc/ha para uma produtividade média de 182,11 sc/ha; em Camaquã, 264,24 sc/ha diante de 175,2 sc/ha. Assim, as margens permanecem negativas há mais de um ano, com preços de equilíbrio (R$ 85,61/sc e R$ 93,01/sc) bem acima das médias observadas em fevereiro no Indicador CEPEA/IRGA-RS (em torno de R$ 55,00/sc e R$ 56,76/sc).
Nesse contexto, entidades como Federarroz e Farsul intensificam a articulação por mudanças no crédito rural, em especial no cronograma de pagamento do custeio da safra 2025/26. Hoje, a primeira parcela vence no período de maior oferta, o que pressiona o produtor a vender em condições menos favoráveis e tende a adicionar volatilidade às cotações. A proposta de alongar o parcelamento para oito meses busca reduzir vendas forçadas na colheita, distribuindo melhor a oferta ao longo do ano e contribuindo para um ajuste gradual dos preços em direção a níveis mais compatíveis com os custos de produção.
Do lado da demanda, a indústria dá sinais de recuperação de ritmo. Dados do IRGA indicam que o beneficiamento atingiu 640,92 mil toneladas em fevereiro, maior volume desde agosto de 2025, com altas de 20,51% frente a janeiro e de 16,55% na comparação anual. Nas cotações, o Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) avançou 2,64% entre 13 e 20 de março, para R$ 60,00/sc de 50 kg, com valorizações em praticamente todas as microrregiões produtoras. Em paralelo, a colheita nacional atingiu 27,2% da área até 14 de março, segundo a Conab, com o RS ainda avançando na retirada da safra.
No curto prazo, a combinação de oferta ainda contida no Sul, margens comprimidas e aumento do beneficiamento tende a sustentar as cotações, ainda que sem, por ora, eliminar o descompasso em relação aos custos. À medida que a colheita avança e se define o desenho das eventuais medidas de apoio, o mercado deve seguir monitorando o comportamento de venda dos produtores gaúchos e a evolução da demanda interna e externa. Em um ambiente de custos altos e crédito apertado, a capacidade de escoar o excedente e de evitar concentração de vendas no pico da safra será determinante para o rumo dos preços ao longo dos próximos meses.
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As indústrias, cooperativas e produtores de arroz do Rio Grande do Sul alertam para a crescente perda de competitividade do setor no abastecimento do mercado brasileiro.
Reconhecido por sua qualidade e por sua importância estratégica para a segurança alimentar nacional, o arroz produzido no Estado vem perdendo espaço no abastecimento dos principais centros consumidores para origens mais competitivas, em razão de custos logísticos elevados e assimetrias tributárias. Indústrias de Minas Gerais e São Paulo, por exemplo, se abastecem prioritariamente do arroz produzido nos países vizinhos, sem a incidência de Funrural, Taxa CDO, não está sujeito a legislação da Tabela de Frete e recebe desoneração do ICM’s. Esse movimento ameaça a viabilidade de uma cadeia produtiva essencial para a economia gaúcha e para o abastecimento do país.
Sensível às dificuldades apresentadas, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 58.296, de 28 de julho de 2025, concedendo crédito presumido de ICMS de 2% nas vendas destinadas a São Paulo e de 3% para Minas Gerais. A medida foi correta e necessária ao melhorar as condições de competitividade nesses mercados.
Entretanto, a vigência de apenas sete meses mostrou-se insuficiente para produzir efeitos consistentes sobre o escoamento da produção. A conquista e a manutenção de mercados exigem previsibilidade e continuidade.
Diante disso, é indispensável a prorrogação do decreto por, no mínimo, doze meses adicionais, permitindo que a medida cumpra plenamente seu objetivo de recuperar a presença do produto gaúcho nos principais mercados consumidores do país.
A continuidade da política é fundamental para a sustentabilidade de uma cadeia produtiva que sustenta emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento regional no Rio Grande do Sul, além de contribuir para a estabilidade do abastecimento nacional.
O setor reafirma seu compromisso com o desenvolvimento econômico do Estado e espera a manutenção de condições mínimas de competitividade para seguir produzindo, investindo e gerando empregos no Estado.
FEARROZ, FEDERARROZ, SINDAPEL e SINDARROZ
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(Por AgroDados/Planeta Arroz) O mercado de arroz em casca do Rio Grande do Sul registrou nesta terça-feira (7) um ritmo ainda mais lento de negociações, refletindo os efeitos imediatos das novas medidas de fiscalização eletrônica da tabela de fretes implementadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), segundo informações do Cepea/Esalq.
Isso porque a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passou a fiscalizar automaticamente o valor dos fretes em todo o país, por meio do cruzamento das informações declaradas no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) com a tabela de frete mínimo vigente. A nova metodologia, prevista na Nota Técnica 2025.001, entrou oficialmente em vigor nesta segunda-feira (6) e representa uma das maiores mudanças recentes na Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPMTRC) — a chamada “tabela de fretes”.
Com a atualização, pagamentos de fretes abaixo do piso mínimo passam a ser automaticamente identificados pelo sistema, sem necessidade de denúncia ou fiscalização presencial. A medida atende a uma antiga reivindicação dos caminhoneiros por maior efetividade na aplicação da lei. “Essa atualização representa um marco no uso da tecnologia para garantir os direitos dos transportadores. Estamos usando inteligência regulatória para assegurar que o frete contratado seja justo e dentro da legalidade”, destacou a Superintendência da ANTT em nota.
A Agência orienta transportadores e caminhoneiros autônomos a conferirem os valores declarados em seus documentos fiscais, especialmente no MDF-e, e alerta embarcadores e contratantes de frete sobre a necessidade de observar rigorosamente os valores vigentes e as regras de preenchimento. De acordo com a Resolução nº 6.059, publicada em 2 de janeiro de 2025, infrações administrativas relacionadas à declaração incorreta do frete — como omitir o valor, declarar “zero” ou inserir montante abaixo do piso mínimo — serão punidas com multa de R$ 550,00 por ocorrência.
Segundo agentes do setor orizícola, a mudança na forma de fiscalização da ANTT gerou incerteza quanto à aplicação automática dessas penalidades, levando parte das unidades de beneficiamento a se retirar temporariamente do mercado spot. Outras preferiram manter as cotações da semana anterior, enquanto algumas ajustaram levemente suas ofertas para baixo, em um movimento de maior cautela. Do lado dos produtores, o cenário também é de espera. Muitos optaram por adiar novas vendas até que o mercado apresente sinais mais claros de estabilidade logística e de preços.
Com isso, o Indicador CEPEA/IRGA-RS do arroz em casca (58% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou a terça-feira, dia 7 de outubro, cotado a R$ 59,35 por saca de 50 quilos, o que representa queda de 0,64% em relação à véspera, e um acumulado de 1,13% no mês. Em dólar, pelo câmbio de ontem, equivale a US$ 11,10. Os preços são cerca de 50% inferiores ao ano passado e voltaram ao nível de maio de 2020, logo após a declaração oficial da pandemia de Covid-19 no Brasil.
Este momento evidencia o impacto das questões regulatórias sobre a comercialização do cereal, em um período já marcado por margens apertadas e negociações moderadas no setor orizícola gaúcho. Com agentes distantes do spot, preços seguem em queda.
Entre 26 de setembro e 3 de outubro, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul manteve o viés de baixa, em meio à retração de compradores e produtores. Com grande parte dos orizicultores concentrada na semeadura da safra 2025/26 e diante das fortes chuvas que atrasaram o plantio em diversas microrregiões, a oferta do grão seguiu limitada.
Indústrias relataram dificuldade nas vendas do arroz beneficiado, o que reduziu o espaço para reajustes na matéria-prima. Em meio à “queda de braço” entre oferta e demanda, algumas unidades de beneficiamento chegaram a realizar dois cortes de preços na mesma semana, e os volumes negociados não atingiram metade do habitual.
Segundo o Irga, o preço médio do fardo de 30 kg em setembro foi de R$ 124,16, queda de 3,3% frente a agosto e 22,4% abaixo de setembro de 2024. Já o Indicador CEPEA/IRGA-RS recuou 2,11% no período, fechando a R$ 59,68/sc de 50 kg no dia 3. No acumulado do mês, a média foi de R$ 63,63/sc, retração de 6,99% em relação a agosto e de 46,46% ante o mesmo mês do ano passado.
As quedas se espalharam por quase todas as regiões acompanhadas: Fronteira Oeste (-0,87%), Zona Sul (-3,05%), Planície Costeira Interna (-3,3%) e Depressão Central (-3,71%), enquanto a Campanha registrou leve alta de 0,91%.
No campo, a semeadura da nova safra avançava até 2 de outubro sobre 93,2 mil hectares, o equivalente a 10,13% da área estimada, segundo o Irga. A Zona Sul liderava os trabalhos com mais de 61 mil hectares, seguida pela Planície Costeira Interna e Região Central. As chuvas intensas, porém, atrasaram o plantio na Fronteira Oeste, onde apenas 5,4 mil hectares haviam sido cultivados.As chuvas continuaram atrapalhando o avanço e projeta-se pouco mais de 15% na projeção desta semana.
Em nível nacional, dados da Conab indicavam que até 27 de setembro a média de semeadura chegava a 7,2% da área total, com destaque para Santa Catarina (54%), Goiás (5%) e Maranhão (4,9%).
Na indústria, o cenário também é de retração: o IBGE apontou queda de 3,43% no beneficiamento de arroz e na fabricação de derivados entre julho e agosto, além de recuos de 4,3% em relação ao ano anterior e de 7% no acumulado de 12 meses — um reflexo direto do menor ritmo de comercialização e da pressão de custos sobre as margens do setor, embora a Conab tenha encontrado um avanço de 550 mil toneladas no consumo nacional em seus levantamentos mensais da produção.
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(Por Correio do Povo, RS) O mês de setembro terminou sem motivos para comemoração no mercado brasileiro de arroz. Segundo o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o setor enfrenta um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos, com preços em forte queda, liquidez mínima e apreensão em toda a cadeia produtiva.
Conforme o analista, a saca gaúcha acumulou retração de 7,63% no mês, atingindo valores 50% inferiores aos de setembro de 2024 e registrando o menor nível desde maio de 2020. Na Fronteira Oeste, a queda chegou a 6,68%, em linha com o movimento de baixa em todas as regiões produtoras.
“O mercado vive um derretimento das cotações que não se via há anos. A indústria está com margens cada vez mais estreitas e algumas unidades relatam queda de até 50% no faturamento, operando com apenas 50% a 60% da capacidade”, destacou.
“Valor insustentável”
No varejo, a pressão se intensificou com promoções agressivas. “Encontramos pacotes de 5 quilos de arroz entre R$ 11,99 e R$ 12,00. Esse valor é insustentável para a indústria e para o produtor”, afirmou Oliveira.
Do lado da oferta, os estoques elevados, estimados em mais de 2,3 milhões de toneladas (base casca), seguem como principal entrave à recuperação.
“Temos um bloqueio natural de preços criado por estoques altos e pela dificuldade de escoamento. Parte das indústrias e cooperativas ainda resiste a atuar de forma agressiva no mercado externo, e isso reforça o gargalo interno”, explicou.
Na safra 2025/26, os sinais também são de atraso e incerteza. Até o fim de setembro, apenas 10% da área prevista no Rio Grande do Sul havia sido semeada, contra 30% no mesmo período do ano passado. No país, o plantio alcançou 7,2%, abaixo da média histórica de 10,6%.
“A descapitalização dos produtores e o aumento do risco têm levado muitos a arrendar terras ou migrar para soja, milho e pecuária. O arroz vai perdendo área e importância”, avaliou Oliveira.
Mundo
No cenário internacional, o Brasil perde espaço para os Estados Unidos, que reduziram seus preços de exportação do arroz em casca de US$ 300 para US$ 275/t durante a colheita. “Hoje, para recuperar mercados da América Central e do Caribe, precisaríamos de uma diferença de pelo menos US$ 100/t em relação aos americanos. Isso é inviável com os atuais custos e câmbio”, disse o analista. No porto de Rio Grande, o arroz é cotado entre US$ 260 e US$ 270/t, mas sem atratividade para novos embarques.
Os números de comércio exterior reforçam a leitura de perda de competitividade. Até a 4ª semana de setembro, o Brasil exportou 926 mil toneladas (base casca), ligeiramente acima do ciclo anterior, mas já apresenta reversão: no mês, foram 87 mil t exportadas contra 128,1 mil t importadas. “O câmbio ao redor de R$ 5,30 encarece nosso produto e favorece importações, piorando ainda mais o quadro”, acrescentou Oliveira.
Para ele, setembro deixou evidente a urgência de mudanças estruturais. “Se quisermos evitar crises cíclicas, o setor precisa assumir a exportação como prática obrigatória. Pelo menos 20% da produção deveria ser destinada ao mercado externo logo após a colheita. Isso significaria algo em torno de 2 milhões de toneladas por ano, desafogando o mercado interno e garantindo previsibilidade”, defendeu.
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(Por João Nakamura, CNN) Mesmo com o preço dos alimentos retraindo, o tradicional feijão com arroz vem perdendo espaço no prato do brasileiro, segundo levantamento da Scanntech cedido com exclusividade à rede de comunicação CNN.
No primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do anterior, o consumo de arroz caiu 4,7%, enquanto o de feijão recuou 4,2%. O leite registrou uma queda ainda maior, mas a diferença é que este encareceu de um ano para cá, enquanto aqueles baratearam.
A pesquisa da Scanntech apurou uma alta de 8,5% nos preços do Leite UHT, enquanto o arroz ficou 14,2% mais barato e o feijão, 17,5%.
Nos 12 meses até junho, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) registrou baixa de 16,77% no arroz e, entre os diversos tipos de feijão, quedas que vão de 3,44% (mulatinho) a 21,37% (preto). Enquanto isso, o grupo de leites e derivados subiu 3,45% de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do mês.
Demais itens nos quais a Scanntech observou uma queda no consumo – massa alimentícia, massa instantânea, café, óleo e sal – também registraram alta de preços no período.
Quanto à perda de preferência pelo básico do prato brasileiro, o levantamento destaca dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) que indicam que o consumo de arroz caiu de 40 kg per capita por ano em 1985 para 28,2 kg em 2023. Enquanto isso, o feijão recuou de 19 kg para 12,8 kg.
Mudanças nos hábitos, na dieta, questões econômicas e até a constituição dos lares são elencadas como os fatores por trás da queda no consumo destes itens, segundo a Scanntech.
“O arroz e o feijão são a definição do povo brasileiro, mas mudanças como a urbanização da população e a redução do tamanho das famílias e a redução na construção das casas muda também a maneira com que a gente se alimenta. Quando temos uma grande família, faz sentido fazer arroz e feijão para todos, mas quando estamos sozinhos, ou somente 2 pessoas, o arroz e feijão vira um alimento muito trabalhoso para se preparar e estocar”, observa à CNN Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech e responsável pelas análises e estudos de mercado.
“Além do tamanho das famílias e lares, a urbanização também muda a nossa disponibilidade de tempo para o cozinhar e, consequentemente, muda como nos alimentamos. Sendo assim estamos frente à uma mudança gradual mas consistente que está transformando a identidade alimentar do povo brasileiro.”
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O governo federal vai estudar mecanismos possíveis para adquirir o excedente de arroz da safra atual, formar estoques mínimos e conter a queda de preços do produto. A promessa foi feita por representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Ministério da Agricultura e do Ministério da Fazenda em reunião com o setor arrozeiro na quarta-feira (11/06). Produtores pedem ajuda ao governo, alegando que os preços praticados no mercado se aproximam dos níveis mínimos. A expectativa do governo é apresentar a resposta ao setor nas próximas semanas até o anúncio do Plano Safra 2025/2026. O instrumento ainda será estudado internamente pelo governo. Até o momento, a alternativa que concentra atenção é o Contrato de Opção de Venda (COV), pedido pelo setor arrozeiro e visto como único mecanismo viável para a cobertura dos Preços Mínimos. A dúvida do governo é quanto à viabilidade de realizar contratos de opção de venda com preços superiores aos praticados no mercado para a safra em curso.
O usual é a adoção do mecanismo para a temporada seguinte. No ano passado, o governo lançou contratos de opção de venda com preços 20% superiores aos preços estimados para a safra. Entretanto, do R$ 1 bilhão ofertado para os mecanismos, apenas R$ 164 milhões foram empenhados com pouco apetite dos produtores pelo instrumento. Segundo o diretor presidente da Conab, Edegar Pretto, a previsão já no ano passado era de que haveria oferta maior de produto e, consequentemente, queda dos preços ao produtor. A prioridade é incentivar a produção de arroz e garantir preço justo ao consumidor e produtor. O governo reconhece que há maior oferta, que não há interesse na exportação e que os preços estão baixos. Uma das medidas já adotadas pela empresa pública será a antecipação dos contratos de opção de venda de agosto para este mês, alcançando 91 mil toneladas de arroz. A solução buscada pelo governo agora visa comprar um maior volume do cereal para formação de estoques mínimos. A intenção é ter estoque de arroz como opção aos consumidores na entressafra, ao mesmo tempo que o governo quer apoiar o setor.
Portanto, o diálogo sobre o modelo para efetivar compras de volumes maiores seguirá. A Conab precisa estudar se há viabilidade de relançar contratos de opção de venda para a safra em andamento, já colhida, conforme pleiteado pelo setor. Contudo, a disponibilidade orçamentária não é a mesma em relação ao R$ 1 bilhão empenhado anteriormente com recursos especiais que retornaram ao Tesouro. Entre os mecanismos que serão estudados pelo governo, a possibilidade de realização de leilões de Prêmio da Escoamento de Produto (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) é praticamente descartada, já que o desejo do Executivo é formar estoques. A opção de realizar as compras via aquisição do governo federal (AGF) também é considerada limitada, já que o instrumento é restrito ao pagamento do Preço Mínimo. O debate visa alcançar o melhor desenho para que setor siga produzindo, e que seja possível garantir arroz a preços acessíveis aos consumidores.
Neste momento, estão em estudo AGF, contratos de opção e outras alternativas. O que interessa ao governo é a menor volatilidade de preços de alimentos e o estímulo aos produtores para seguirem plantando. A safra será recorde e os preços estão mais equilibrados. O governo está disposto a comprar o excedente de arroz, porque será importante para a entressafra. Será estudado qual instrumento será utilizado para dar essa resposta brevemente ao setor. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), os preços de mercado atuais não viabilizam a produção. Ora preço alto, ora preço baixo não interessa à cadeia. É uma oportunidade boa para o governo fazer estoque e enxugar estoque de passagem deste ano. O setor produtivo justifica o pleito pelos preços baixos do arroz, que se aproximam dos patamares mínimos. Para a safra atual, de fevereiro de 2025 a janeiro de 2024, o valor mínimo pago ao produtor estipulado pela Conab é de R$ 63,64 por saco de 50 Kg para arroz longo fino, base no Rio Grande do Sul.
Segundo a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), atualmente os preços no Estado, que concentra 70% da produção nacional, giram em torno de R$ 65,00 por saco de 50 Kg, chegando a R$ 60,00 por saco de 50 Kg na fronteira oeste do Estado. Nestes níveis, a situação de hoje é impraticável, o que é reconhecido pelo governo. Não é possível produzir arroz a esse nível. O setor espera uma resposta breve do governo para tirar o excedente do mercado. A aquisição pelo Preço Mínimo traria ainda mais mal-estar ao mercado. O setor defende o relançamento dos contratos de opção de venda. A estimativa da Conab é de que a safra atual gerará aproximadamente 1 milhão de toneladas excedentes de arroz, considerando a produção de 12 milhões de toneladas e consumo de 11 milhões de toneladas. Fonte: Broadcast Agro.
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]]>The post Ministro da Casa Civil descarta securitização e agricultores seguem com protestos no RS appeared first on CORIPIL.
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(Por Deni Zolin, Diário de Santa Maria) Apesar de inúmeros pontos de protestos de produtores rurais em rodovias da região e do Estado, que ocorrem há um mês, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou na terça, à Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, que o projeto de securitização das dívidas não terá aval do governo. Costa ressaltou que essa pauta não está na agenda. A securitização inclui, entre outras medidas, um prazo de 20 anos para pagar as dívidas para evitar a quebradeira de agricultores e pecuaristas.
– Dívidas de agricultores e crises de secas, de estiagem, de enchente, nós temos há vários anos e em diferentes lugares do país. Estamos fazendo um debate grande sobre responsabilidade fiscal. Eu sei que todas as pessoas gostariam de ver todos os agricultores do Brasil com dívida paga com recursos públicos, mas isso não é possível porque a conta precisa ser rateada com todos os brasileiros. Quando você vai analisar, tem de analisar os pleitos do Brasil inteiro, não casos isolados. Ano passado tivemos estiagem no Centro-Oeste, temos secas recorrentes no Nordeste – afirmou o ministro, em entrevista à Rádio Gaúcha.
Apesar disso, nesta quarta-feira (11), seguiam ocorrendo protestos de agricultores em cidades como São Gabriel, São Pedro do Sul e Venâncio Aires. O presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, Pedro Brenner, diz que, a princípio, as manifestações irão seguir, com bloqueios temporários de Pare e Siga, de ao menos 10 minutos, em pontos como a BR-290.
– É um banho de água fria (a declaração do ministro), pois vamos seguir porque vemos que a única solução é via política, e hoje estamos nas mãos de políticos do Norte e Nordeste. O ministro é baiano, os presidentes do Senado e da Câmara são do Norte e Nordeste, e eles não veem a dificuldade dos agricultores gaúchos. Não há outra forma de chamar atenção deles a não ser que seja assim. Talvez mais para a frente o protesto vai esmorecer, pois todo mundo tem seus afazeres. A gente está agora no período de entressafra, mas logo ali, em julho ou agosto, quem puder começar a preparar o solo para a próxima safra, terá muito trabalho. Se bem que muita gente vai sair do mercado, pois está sem dinheiro e sem crédito, com quatro safras frustradas. Pessoal da Emater diz que temos prejuízo acumulado em São Gabriel de quase R$ 2 bilhões.
Brenner admite que bloqueios parciais de rodovias causam críticas de parte da população, mas pediu compreensão para a grave situação dos produtores, que pode impactar muito na economia inclusive de quem vive nas cidades.
– Há 4 anos, a gente não vem fazendo colheita. O que gostaria de salientar, principalmente ao pessoal da cidade: aqui, não estamos negando conta nenhuma. Todos querem pagar suas dívidas, só queremos saber como, porque quatro anos sem colheita, é desastroso para todos nós. É como uma loja de roupas na cidade, que fica quatro anos sem vender uma peça, como ela vai se sustentar? Então, o povo da cidade tem de se conscientizar de que esse movimento não é só nosso, é de todos os cidadãos. A grande maioria de nós, produtores, está sem crédito, sem dinheiro e sem produto, sem safra. O destino de quem está nessa situação é muito complicado. Não haverá uma safra posterior em 2025 e 2026 se não houver renegociação dessas dívidas, e isso reflete depois no comércio, porque a renda de cidades como São Gabriel está no campo – diz Brenner.
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Conjuntura global e superoferta do Mercosul cobram o preço nas cotações do arroz
Após registrar quatro safras de ótima rentabilidade, a lavoura de arroz está vivendo uma realidade completamente diferente das últimas temporadas. A expectativa de uma superoferta na colheita dos quatro países do Mercosul e na Ásia, aonde está 90% da produção e 88% do consumo global, com a volta da Índia ao mercado de exportação, estão comprimindo os preços mundiais. A boa safra estadunidense, apesar de qualidade inferior, na colheita do terceiro quadrimestre de 2024, ajudou a colocar pressão nas cotações globais.
Argentina, Paraguai e Uruguai deverão colher quase 5 milhões de toneladas de arroz, enquanto que o Brasil deverá colher cerca de 12,1 milhões de toneladas. Será um dos maiores quadros de suprimento dos últimos 10 anos na soma dos quatro países, que têm um consumo total de 11,450 milhões de toneladas. O excedente será de 5,5 milhões de toneladas, dois milhões a mais que nos anos anteriores, sem contar os estoques de passagem, apenas o volume colhido nos três países. Essa expectativa de volume de oferta explica, em boa parte, o quadro de preços despencando que estamos acompanhando desde o final de fevereiro e, com maior velocidade, em março.
A Conab estima que a safra brasileira 2024/25 de arroz será 14,3% maior que a safra 2023/24, projetada em 12,1 milhões de toneladas. Esse resultado é reflexo, principalmente, da estimativa de significativa expansão de área em meio à atual excelente rentabilidade do setor. Ademais, em meio a um cenário climático positivo nas regiões produtoras, a perspectiva é de boa produtividade da cultura.
Divulgado ontem, sobre o quadro de oferta e demanda do arroz, este sexto levantamento mantém os valores estimados para consumo nacional nas safras 2023/24 e 2024/25, projetados próximos da média dos últimos cinco anos do setor orizícola. Ainda sobre o consumo, ressalta-se que este é calculado como variável de ajuste do quadro de suprimento após a utilização do número de estoques de passagem levantado pelo IBGE, do dado de balança comercial consolidado pela Secex/MDIC e do volume nacional produzido estimado pela Conab.
Com a proximidade do fechamento desses dados, ao final de fevereiro, o quadro de suprimento aponta para o consumo de 10,5 milhões de toneladas, na safra 2023/24, e projeta-se uma estabilidade de consumo para a safra 2024/25.
Mais especificamente sobre a balança comercial, para a safra 2023/24, com os preços internos operando acima das paridades de exportação, na maior parte do período de comercialização, com a atual menor disponibilidade interna e com a recomposição produtiva norte-americana, a projeção é de redução dos volumes exportados para 1,5 milhão de toneladas pelo Brasil.
Para a safra 2024/25, em meio à projeção de recuperação produtiva e de arrefecimento dos preços internos ao longo de 2025, estima-se um aumento das exportações de arroz brasileiro para 2 milhões de toneladas. Sobre as importações, para a safra 2023/24 e 2024/25, projeta-se um volume importado de 1,4 milhão.
Com isso, em meio aos números apresentados e, principalmente, com a perspectiva de significativo incremento produtivo nacional, a projeção é de estoque de passagem maior ao final da safra 2024/25, com um volume estimado de 1,4 milhão de toneladas ao final de fevereiro de 2026.
Na maioria das praças gaúchas, a comercialização nesta semana é fraca. A indústria cumpre o papel que o produtor cumpria em outubro e novembro, havia preços a R$ 120/125 por saca, e não vendia. Agora, há oferta a R$ 80,00 em algumas praças, e a indústria não compra. Na semana que vem, a maior parte das indústrias de Santa Catarina deverá abrir o mercado a R$ 75,00. Na Depressão Central gaúcha e na Fronteira Oeste, a terça-feira abriu com mercado abaixo dos R$ 80,00. Houve negócios de exportação, mas apenas para fechar carga de navio, de arroz “novo” a R$ 84,00 no porto, com origem na Região Central, ou seja, líquidos em torno de R$ 78,00 ao produtor. O indicador de preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, Cepea/Irga-RS, fechou a R$ 83,70 ontem, com desvalorização de 6,9% acumulada em 14 dias e em valores equivalentes a US$ 14,43 pelo câmbio de ontem. Pouca gente acreditava que o arroz poderia baixar dos R$ 80,00 nesta temporada, mesmo com a expectativa de uma grande safra. Agora, muita gente aposta que poderá chegar próximo dos R$ 70,00.
Se é que há uma boa lição a tirar de tudo isso, é que poderemos ter preços mais competitivos para voltar ao mercado externo, aonde poderemos eliminar parte dos excedentes. A outra, é que com estes preços, o governo federal deverá retirar o arroz do radar de suas medidas – como liberação das taxas de importação de terceiros países – e, por fim, as esperanças dos arrozeiros brasileiros está no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que com a fixação em colocar taxas sobre os produtos canadenses (quarto maior importador de arroz dos EUA) e do México (maior importador de arroz estadunidense), poderá gerar o aumento da demanda no Mercosul. Isso também ajudaria a equilibrar preços internamente.
Com os preços da soja pouco remuneradores – e mais as fortes quebras no RS por seca ou excesso de chuvas nos últimos anos, o milho pouco valorizado e a carne praticamente trocando seis por meia-dúzia, o arroz que era a tábua de salvação parece estar com o seu mercado desestruturado quanto ao equilíbrio dos preços – e da oferta x demanda. Mas, é o que acontece quando se aumenta área muito além da necessidade. Aqui e nos vizinhos do Mercosul. Fonte: Análise de Cleiton Evandro, AgroDados/Planeta Arroz.
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O mercado de arroz passou por expressivas oscilações e turbulências ao longo de 2024. No primeiro trimestre, os preços caíram fortemente, refletindo a expectativa de crescimento da oferta. A catástrofe climática no Rio Grande do Sul, no final de abril, porém, trouxe incertezas quanto ao impacto sobre as áreas que ainda precisavam ser colhidas, assim como sobre perdas de produto estocado, impulsionando as cotações rapidamente.
Notícias sobre leilões públicos para importação de arroz beneficiado acentuaram o cenário turbulento no setor. Os valores seguiram firmes até meados de novembro, voltando a se enfraquecer no encerramento do ano. Na safra 2023/2024, o Brasil cultivou 1,61 milhão de hectares com arroz, 8,6% a mais que na temporada anterior. A produtividade foi estimada em 6,59 toneladas por hectare, 2,8% menor que a de 2023. Com isso, a produção somou 10,59 milhões de toneladas, aumento de 5,52% sobre a safra anterior, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Somada aos estoques iniciais de 2,02 milhão de toneladas em fevereiro/2024 e às importações de 1,7 milhão de toneladas, a disponibilidade interna ficaria em 14,3 milhões de toneladas. Desse total, a previsão é que 11 milhões de toneladas sejam consumidas internamente e 1,3 milhão de toneladas, exportadas. Assim, o estoque final está estimado em 2 milhões toneladas em fevereiro/2025, gerando uma relação estoque/consumo de 18,2%, a menor desde a temporada 2018/2019. Fonte: Cepea.
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