
A exposição audiovisual Atlas de um Mundo Observado apresenta uma seleção do arquivo fotográfico de Ludwig Wagner (1900–1977), engenheiro alemão radicado no Porto e apaixonado pela fotografia.
Ao longo de várias décadas, Wagner percorreu Portugal, a Europa e África, registando paisagens, património, fauna, flora e modos de vida. Entre os seus registos destacam-se as fotografias realizadas, na década de 1960, no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, e em Angola.
Através desta seleção de imagens, o vídeo propõe uma viagem pelo olhar de Ludwig Wagner, revelando a fotografia como instrumento de descoberta, documentação e preservação da memória. Conservado pelo Centro Português de Fotografia desde 2016, o Fundo Ludwig Wagner constitui um importante testemunho visual de um mundo em transformação.
Entrada gratuita.

60% é a percentagem de sobreviventes de cancro ao fim de cinco anos — um dado estatístico que serve de ponto de partida para a exposição autobiográfica de Nuno Pinheiro.
Reunindo 60 imagens produzidas desde o final da década de 1970 até à atualidade, esta mostra propõe um percurso visual sobre a construção da identidade e o crescimento pessoal. Através da fotografia, o autor revisita experiências de sobrevivência, questiona as diferenças na educação de meninas e meninos, reflete sobre o papel dos livros, da religião e da sociedade de desperdício, e explora as marcas deixadas pelo tempo e pela memória.
A exposição destaca-se pela diversidade de técnicas e linguagens utilizadas, que vão da reportagem à fotografia de arquitetura e ao grande formato de estúdio, do preto e branco tradicional a várias técnicas Polaroid.
Entrada gratuita.

CARGO é um projeto fotográfico desenvolvido no espaço portuário de Algeciras, que aprofunda conceitos relacionados com a necessidade constante de produção, transporte e consumo em que assenta a estrutura da sociedade atual, comprometendo a sua viabilidade e questionando a sua própria sobrevivência.
Ao mesmo tempo, o artista intervém nas fotografias, transformando logótipos e inscrições comerciais em novas mensagens de crítica social, carregadas de ironia e sarcasmo. CARGO propõe uma reflexão sobre as relações entre consumo, poder e degradação ambiental, convidando o público a questionar os mecanismos invisíveis que sustentam o estilo de vida contemporâneo e os seus custos ecológicos e sociais.
Entrada gratuita.

“Vindimas e música popular por Teófilo Rego”
Vindimas são a colheita das uvas, marcando o início do processo de produção do vinho e uma tradição cultural importante em regiões vinícolas.
6.5€ (Iva incluído)

“Bahia, Safa e Misticismo – de Marcelo Buainain”
Reúne as fotografias de Marcelo Buainain, executadas por encomenda do CPF no quadro das comemorações do V centenário do achamento do Brasil e textos de especialistas de vários campos sobre o estado da Baía, uma perspetiva que é fundamentalmente antropológica.
30€ (Iva incluído)

Embora inventado em meados do século XIX, o ferrótipo persistiu nas primeiras décadas do século XX, atendendo a que era um processo fotográfico bastante mais económico que os demais existente à época, para além da vantagem de apresentar um suporte resistente e duradouro.
Este exemplar, datado do período imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial, destaca-se pelo seu carácter experimental. A imagem capta a projeção circular da luz através de uma objetiva simples, revelando uma silhueta em contraluz. Os característicos cantos lascados e as manchas acastanhadas nas extremidades da folha de ferro resultam da oxidação natural do metal e do desgaste do verniz protetor ao longo do tempo.
Although invented in the mid-nineteenth century, the ferrotype remained in use during the early decades of the twentieth century, as it was considerably less expensive than other photographic processes available at the time. It also offered the advantage of a durable and resilient support.
Dating from the period immediately preceding the First World War, this example is notable for its experimental character. The image captures the circular projection of light through a simple lens, revealing a silhouetted figure in backlight. The characteristic chipped corners and brownish stains along the edges of the iron plate are the result of the natural oxidation of the metal and the gradual deterioration of the protective varnish over time.
Unknown author
Untitled, ca. 1912
Tintype
PT-CPF-APV-2644-7551

Sabia que a Société française de photographie (SFP) é a mais antiga sociedade fotográfica ainda em atividade?
A publicação apresentada integra a coleção do historiador António Pedro Vicente (1938–2024) e corresponde a uma edição de um certame de referência dedicado à divulgação da fotografia artística no século XX. Para compreender o seu enquadramento, importa recuar à década de 1840, quando a fotografia atravessava uma fase inicial de intensa experimentação, impulsionada pelo daguerreótipo (1839) e pelo calótipo (1841), que aceleraram os avanços na captação, fixação e reprodução da imagem. Neste contexto, em 1854, surge a Société française de photographie (SFP), criada na continuidade da Société héliographique. Nos primeiros anos, a sua atividade assumiu um carácter quase laboratorial, apoiado pela publicação do Bulletin de la SFP, fundamental para a partilha de experiências e a consolidação de práticas fotográficas. Já no século XX, a SFP reforçou a sua projeção internacional através da organização de edições do Salon International d’Art Photographique de Paris. Foi neste âmbito que, em 1930, o fotógrafo dinamarquês Aage Remfeldt (1889-1983) apresentou um retrato que evidencia o domínio da iluminação de estúdio e a procura de soluções inovadoras capazes de garantir uma luz uniforme, ideal para realçar a expressão e a textura dos rostos retratados.
Did you know that the Société française de photographie (SFP) is the oldest photographic society still active today?
The publication presented here forms part of the collection of historian António Pedro Vicente (1938–2024) and corresponds to an edition of a landmark event dedicated to the dissemination of artistic photography in the twentieth century. To understand its context, it is necessary to look back to the 1840s, when photography was in an early phase of intense experimentation, driven by the daguerreotype (1839) and the calotype (1841), which accelerated advances in capturing, fixing, and reproducing images. It was in this environment that, in 1854, the Société française de photographie (SFP) emerged, created as a continuation of the Société héliographique. In its first years, its activity took on an almost laboratory-like character, supported by the publication of the Bulletin de la SFP, essential for sharing experiences and consolidating photographic practices.
SALON INTERNATIONAL D’ART PHOTOGRAPHIQUE, 25, Paris, 1930 – XXVe Salon international d’art photographique de Paris 1930. Paris: Société française de photographie (SFP); Braun & Cª, 1930.
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Webster’s Dictionary Book 110, ca. 1965
Shutter Chance, China
Coleção de Câmaras e Equipamento Fotográfico, Coleção António Pedro Vicente
PT/CPF/CCEF/APV/00849
Ao longo da história da fotografia, surgiram equipamentos interessantes concebidos para se disfarçarem de livros – exemplos notáveis são a Optimus Book Camera, produzida em 1886 pela inglesa Perken Son & Rayment; a Dr. Krügener Taschenbuch, patenteada em 1888 pelo Dr. Rudolf Krügener; ou a alemã Reporter, lançada pela C. P. Goerz em 1889.
Seguindo essa tradição de engenho e dissimulação, surge na década de 1970 esta singular câmara fotográfica de fabrico chinês que, à primeira vista, poderia facilmente passar por um simples dicionário de bolso. Equipada com uma objetiva de menisco de foco fixo e um obturador de velocidade única, utilizava filme 110, permitindo captar discretas imagens de 13×14 mm.
Mais do que uma curiosidade técnica, esta peça ilustra o fascínio duradouro pela fotografia secreta e pelos dispositivos camuflados. Hoje, integra o núcleo de câmaras de espionagem da Coleção António Pedro Vicente, preservada no Centro Português de Fotografia, testemunhando o engenho e a criatividade que marcaram a história da miniaturização fotográfica.
Throughout the history of photography, intriguing devices were created to disguise themselves as books — notable examples include the Optimus Book Camera, produced in 1886 by the English firm Perken Son & Rayment; the Dr. Krügener Taschenbuch, patented in 1888 by Dr. Rudolf Krügener; and the German Reporter, launched by C. P. Goerz in 1889.
Following this tradition of ingenuity and disguise, this distinctive Chinese-made camera emerged in the 1970s, which at first glance could easily be mistaken for a simple pocket dictionary. Equipped with a fixed-focus meniscus lens and a single-speed shutter, it used 110 film, allowing the capture of discreet 13×14 mm images.
More than a technical curiosity, this piece reflects the enduring fascination with secret photography and concealed devices. Today, it forms part of the spy camera section of the António Pedro Vicente Collection, preserved at the Portuguese Centre of Photography, bearing witness to the ingenuity and creativity that shaped the history of photographic miniaturization.
Webster’s Dictionary Book 110, ca. 1965
Shutter Chance, China
Camera and Photographic Equipment Collection, António Pedro Vicente Collection, PT/CPF/CCEF/APV/00849

Emília das Neves, artisticamente conhecida como “Linda Emília”, foi uma das maiores atrizes do teatro português oitocentista. O seu busto encontra-se no átrio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Com uma carreira de mais de 40 anos em palco, acompanhou um período marcante da história do teatro português, desde a reforma de Almeida Garrett, em 1836, até ao início dos anos 80, um momento em que a Lisboa romântica começa a dar lugar a uma cidade urbanisticamente mais moderna.
Reconhecida pela intensidade das suas interpretações e pela forte personalidade, destacou-se também pela forma determinada como defendia os seus interesses no meio teatral da época.
Emília das Neves foi idolatrada pelo público e pelos intelectuais, tornando-se a atriz mais bem paga do teatro português no século XIX. Conhecida tanto pela sua beleza como pelo seu espírito insubmisso, manteve uma relação com um deputado do Reino e recusou sempre o casamento, afirmando uma independência rara para a época.
Emília das Neves, artistically known as “Linda Emília,” was one of the greatest actresses of nineteenth-century Portuguese theatre. Her bust stands in the entrance hall of the Teatro Nacional D. Maria II, in Lisbon.
With a stage career spanning more than forty years, she witnessed a remarkable period in the history of Portuguese theatre, from the reform led by Almeida Garrett in 1836 to the early 1880s, when romantic Lisbon was beginning to give way to a more modern urban landscape.
Renowned for the intensity of her performances and her strong personality, she also stood out for the determined way in which she defended her interests within the theatrical world of her time.
Emília das Neves was adored by both audiences and intellectuals, becoming the highest-paid actress in nineteenth-century Portuguese theatre. Known as much for her beauty as for her rebellious spirit, she maintained a relationship with a member of parliament and consistently refused marriage, asserting an independence that was rare for a woman of her time.
Francisco Augusto Gomes [photographer], Lisbon
Portrait of Emília das Neves, c.1860
Digital print from albumen in carte-de-visite format
PT-CPF-APV-1556

Sabia que, entre 1888 e 1914, Portugal tinha mais de 250 casas fotográficas?
No âmbito da VI Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira (1999), o historiador António Pedro Vicente (1938–2024) apresenta uma síntese da afirmação da fotografia em Portugal ao longo do século XIX. Inicia com a divulgação do daguerreótipo em Paris, em 1839, e com a rápida difusão da invenção na imprensa portuguesa, noticiada por O Panorama a 25 de janeiro de 1840. Refere os primeiros daguerreótipos realizados no país, datados de 1841, bem como experiências que revelam o interesse pela pioneira técnica fotográfica.
A partir de 1844, assinala a chegada de fotógrafos estrangeiros que instalaram estúdios em Lisboa e no Porto, introduzindo a prática comercial da fotografia.
Na segunda metade do século XIX, descreve uma fase de expansão, em que a atividade se estende a outras regiões, com estúdios e casas fotográficas em Aveiro e na Madeira. Entre os fotógrafos mais relevantes deste período destacam-se Wenceslau Cifka, Alfredo Fillon, Augusto Bobone, Vicente Gomes da Silva, João Francisco Camacho, Carlos Relvas e Emílio Biel. Entre 1888 e 1914, existiam em Portugal mais de 250 casas fotográficas, demonstrando a consolidação da profissão.
Did you know that between 1888 and 1914 Portugal had more than 250 photographic studios?
As part of the 6th Vila Franca de Xira Photography Biennial (1999), historian António Pedro Vicente (1938–2024) presents an overview of the establishment of photography in Portugal throughout the nineteenth century. He begins with the announcement of the daguerreotype in Paris in 1839 and with the rapid dissemination of the invention in the Portuguese press, reported by O Panorama on 25 January 1840. He notes the first daguerreotypes made in the country, dated to 1841, as well as early experiments revealing interest in the pioneering photographic technique. From 1844 onwards, he points to the arrival of foreign photographers who opened studios in Lisbon and Porto, introducing the commercial practice of photography.
In the second half of the nineteenth century, he describes a phase of expansion in which photographic activity spread to other regions, with studios and photographic houses established in Aveiro and Madeira. Among the most notable photographers of this period are Wenceslau Cifka, Alfredo Fillon, Augusto Bobone, Vicente Gomes da Silva, João Francisco Camacho, Carlos Relvas, and Emílio Biel. Between 1888 and 1914, Portugal had more than 250 photographic studios, demonstrating the consolidation of the profession.
VICENTE, António Pedro‐As primeiras décadas da Fotografia em Portugal. In Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira, Vila Franca de Xira, VI, 1999. – Bienal de Fotografia de Vila Franca de Xira. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal, D.L. 1999. ISBN 978-972-8241-90-2.
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