*Por Alan Dubner, consultor, palestrante e autor de dezenas de artigos. É cofundador do blog ParisCOP21 e autor do site homônimo alandubner.com
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Infográfico COP21 – Fonte: CEBDS (clique na imagem para ampliá-la)
]]>Eles partem da capital do Reino Unido na quarta-feira, dia 9, com planos de chegar à capital francesa no dia 11. A ideia inicial era engrossar o caldo da marcha climática que ocorreria no dia 12, mas que também está na lista de eventos públicos cancelados. Não importa. Como diz Mostyn Powers, organizador da viagem, o que interessa é o caminho, não o destino.
“Tal como aconteceu com as campanhas lideradas por Martin Luther King, a ação só ocorre quando as pessoas expressam seu apoio à mudança. E esse passeio é para os atletas que querem demonstrar seu apoio a ações contra as mudanças climáticas”, afirma Powers.
A reportagem do COP21.com.br conversou com o ativista e o resultado é a entrevista que você encontra a seguir. Ele fala sobre suas expectativas para o encontro, medo de ataques terroristas e idealismo. Confira!
COP21 – No dia 9 de dezembro você e um grupo de aproximadamente 200 ciclistas iniciam uma viagem de bicicleta de Londres a Paris como um ato para COP21. Quando e por que você teve essa idéia?
Mostyn Powers – Esta ideia surgiu em março, depois de uma viagem bem-sucedida de Oxford a Londres. Em última análise, essa é uma oportunidade para mostrar aos outros como nós nos sentimos sobre esse assunto.
COP21 – Como é que vai funcionar?
Mostyn Powers – Estamos cansados desses eventos esportivos caríssimos em que os participantes não fazem parte da aventura. Este é um passeio do tipo “faça você mesmo”. Cabe aos participantes seguirem a rota no Strava (aplicativo que mapeia rotas esportivas). Mas também teremos alguns luxos. Vamos passar as noites juntos em uma fazenda e hotéis, nos reuniremos em cafés ou bares para refeições, e também teremos uma van para carregar nossas bagagens.
COP21 – Você não ficou um pouco preocupado depois dos ataques terroristas em Paris? O grupo está tomando precauções em matéria de saúde e segurança?
Mostyn Powers – Sim, essa é uma preocupação. Embora os eventos tenham sido trágicos, essa é uma oportunidade de mostrar como questões de longo prazo podem superar questões de curto prazo. Mas certamente estaremos monitorando a situação para nos certificar de que teremos uma viagem agradável e segura.
COP21 – Após os ataques, foram proibidas todas as manifestações climáticas durante a COP21. Portanto, o grande passeio ciclístico em Paris, no dia 12 de dezembro, não vai acontecer mais. Como você pretende ter suas demandas atendidas chegando à reunião das Nações Unidas? Na verdade, que bandeira vocês estão levantando?
Mostyn Powers – Este passeio é sobre a viagem, não o destino. Não temos demandas. Não temos nenhuma fórmula diferente para resolver as mudanças climáticas que os políticos já não tenham conhecimento. Tal como acontece com as campanhas lideradas por Martin Luther King e outros, a ação só ocorre quando as pessoas passam a expressar o seu apoio para a mudança. E esse passeio é para os atletas que querem demonstrar seu apoio a ações contra as mudanças climáticas.
COP21 – Até agora, temos visto muita retórica vazia em todas as conferências climáticas. O que você espera da reunião de Paris?
Mostyn Powers – O resultado mais útil seria um acordo para eliminar gradualmente os subsídios para a extração de combustíveis fósseis e consumo, embora eu suspeite que isso nem mesmo esteja em discussão. O problema com qualquer acordo desse tipo é que não há nenhuma aplicabilidade. Então, eu acredito que o melhor que podemos esperar é uma maior alocação de recursos para pesquisa e desenvolvimento com o objetivo de reduzir os custos de tecnologias de baixo carbono.
]]>Filho do cacique da tribo Yawanawa, Taskha nasceu no Acre. Aprendeu a falar a língua yawanawa, mas nunca soube escrevê-la. Sua cultura é passada de geração a geração somente por meio da palavra. Em Rio Branco, a capital acreana, aprendeu português na escola. Ali, conheceu o presidente da multinacional de cosméticos Aveda – interessado na principal fonte de atividade da tribo, a semente de urucum, cuja cor, o vermelho, os Yawanawas usam para pintar o corpo.
A parceria da empresa de cosméticos com os Yawanawas, hoje sob a liderança de Taskha, rende a exportação de quatro toneladas de urucum por ano para a multinacional, que também apoia outros projetos da tribo. A parceria com a Aveda rendeu igualmente uma bolsa de estudos para aprender inglês em Santa Bárbara, na Califórnia. Com isso, ele conseguiu se comunicar com os executivos da multinacional. Taskha ganhou ainda uma bolsa para estudar computação gráfica em San Francisco (EUA), onde conheceu a diretora da Centro de Documentação e Política dos Povos Indígenas da América (Saiic), a índia mexicana, Laura Soriano. Os dois namoraram e tiveram têm dois filhos. O casal se mudou para Taos, no Novo México, onde viveram por três anos até os Yawanawas pedirem pela volta de Taskha. A tribo enfrentava dificuldades.
Depois de retornar ao Brasil, o líder indígena escreveu e dirigiu um documentário sobre os Yawanawas. O filme de 56 minutos, distribuído em 9 línguas, concorreu ao prêmio de melhor documentário do Festival de Sundance, nos Estados Unidos, em 2004.
Na sequência, lançou uma grife homônima à etnia, sob a supervisão da designer Adriana Aquino. A coleção de roupas e acessórios femininos, masculinos e infantis foi confeccionada pelas costureiras da Rocinha a partir das estampas dos desenhos milenares da tribo feitos pelas índias.
Além de desfiles no Fashion Mall, no Rio, a arte e a cultura do povo Yawanawa, da Aldeia Mutum, em Tarauacá, no Acre, também aportou em 2015 nas passarelas do São Paulo Fashion Week, a convite da marca Cavalera, que fechou contrato para uso dos desenhos da pajé Hushahu Yawanawa na nova coleção da grife.
O mostruário é composto por 40 peças, entre pulseiras, colares, tiaras e outros adornos que trazem a força da floresta e são inspiradas nos traços da borboleta e da jiboia. O uso dos desenhos pela grife Cavalera foi autorizado pela Associação Sociocultural Yawanawa.
]]>Confira nossa conversa com Kaegi nos corredores da COP:
Confira o manifesto distribuído pelos mundurukus durante a Conferência do Clima.
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