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]]>Para que serve? Serve para sair da guerra de preço e entrar no território do valor. Quando o relacionamento funciona, o cliente deixa de comparar só o que custa e passa a considerar o que a marca representa na vida dele.
Estudos mostram que empresas que investem de verdade em retenção e experiência conseguem lifetime value mais alto, custo de aquisição menor e uma base de clientes que defende a marca espontaneamente.

O que as empresas costumam ofertar para gerar essa experiência? Personalização que não seja só o nome no e-mail, consistência entre canais, suporte que resolve de verdade, reconhecimento do histórico do cliente, comunicação no momento certo e a sensação de que alguém está prestando atenção.
O professor Fernando Coelho, referência em experiência do cliente e autor de livros como Customer Experience Descomplicado tem insistido nisso: experiência não é atendimento isolado. É jornada completa. É cultura da empresa, liderança que pensa no cliente, integração entre áreas e capacidade de medir o que realmente importa. Quem domina a jornada vende mais e fideliza melhor. Ponto.
É aí que entra o olhar da netnografia.
No ambiente digital, o relacionamento não acontece só dentro dos canais oficiais da marca. Ele acontece nos grupos de WhatsApp, nos comentários, nos fóruns, nas reclamações públicas, nas conversas que o cliente tem com outros clientes.

A netnografia observa essas conversas reais, sem filtro de pesquisa formal. Ela mostra o que as pessoas realmente sentem, o que as irrita, o que as encanta e o que elas esperam sem nunca terem sido perguntadas. É uma escuta que revela códigos, tensões e desejos que pesquisas tradicionais quase sempre perdem.
Como consultora de netnografia, vejo de perto o impacto disso nas empresas. Quando uma organização decide olhar de verdade para as conversas que já estão acontecendo sobre ela e sobre o setor, ela para de adivinhar e começa a trabalhar com evidência viva. Isso muda a forma de desenhar a jornada, de priorizar o que oferecer, de treinar equipes e de criar experiências que fazem sentido de fato.

Em vez de programas genéricos de fidelidade, a empresa passa a construir vínculo a partir do que o cliente já está dizendo e do que ele deixa de dizer. O resultado costuma ser menos atrito, mais retenção e uma marca que parece menos corporativa e mais presente.
Marketing de relacionamento e netnografia se encontram exatamente nesse ponto: os dois tratam o cliente como alguém com quem se conversa, e não como alguém a quem se vende. Um sem o outro fica incompleto. Juntos, eles permitem que a empresa saia do discurso e entre na prática de relacionamentos que realmente importam.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
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O cenário de endividamento no Brasil reforça esse alerta. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), em maio de 2026 o percentual de famílias endividadas chegou a 81,6%, o maior patamar da série histórica. Parte desse aperto tem relação direta com o avanço das apostas online. Estimativas da própria CNC indicam que as bets drenaram cerca de R$ 143 bilhões do varejo entre 2023 e 2026 e empurraram centenas de milhares de famílias para a inadimplência severa.

Há ainda um dado oficial que não pode ser minimizado. Em agosto de 2024, o Banco Central revelou que cerca de 5 milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões via Pix para casas de apostas em um único mês. Setenta por cento desses apostadores eram chefes de família. O número mostra com clareza que o vício alcança até quem vive em situação de maior vulnerabilidade.
Enquanto os números se acumulam, o setor se organiza. Associações de empresas de apostas e articulações políticas atuam de forma intensa para influenciar a regulamentação, contestar dados oficiais e resistir a medidas mais restritivas. O interesse econômico é claro: quanto mais gente aposta, maior o faturamento. Por isso o lobby pressiona contra regras que possam limitar a publicidade, restringir o acesso de vulneráveis ou endurecer o controle sobre a prática. O resultado é um descompasso entre o lucro de poucos e o prejuízo coletivo de muitos. Bets também mata

O problema, portanto, não é apenas financeiro. É de saúde mental, de estrutura familiar e de dignidade. Estudos internacionais mostram que pessoas com comportamento problemático de jogo apresentam risco de suicídio significativamente mais elevado. Em alguns países, esse risco chega a ser 15 vezes maior do que na população geral. Bets também mata
No Brasil, relatos de tentativas e de mortes ligadas ao vício em bets se multiplicam, e a procura por atendimento no SUS por transtorno do jogo cresceu de forma expressiva nos últimos anos. A pessoa entra no jogo buscando alívio ou esperança de recuperação rápida e termina presa a um ciclo que destrói.
É exatamente nesse ponto que o Setembro Amarelo precisa ser mais do que uma data no calendário. Precisa ser um chamado firme para pedir ajuda.

Se você está nessa situação, ou conhece alguém que está, não fique sozinho. Ligue para o CVV no 188 (gratuito e 24 horas), procure um profissional de saúde mental ou um serviço de atenção psicossocial. O primeiro passo é o mais difícil, mas é também o que abre caminho para a recuperação.
Assim o vício em bets não escolhe classe social nem história de vida. Ele se aproveita da facilidade de apostar a qualquer hora e da falsa promessa de ganho rápido. Por isso a conversa precisa ser aberta, sem julgamento e com responsabilidade. Quanto mais se fala, mais gente consegue enxergar a saída antes que seja tarde. #Bets também mata
Enfim…cuidar da vida é um ato coletivo. E, neste Setembro Amarelo, isso inclui enfrentar com seriedade o que as bets estão fazendo com a saúde mental e financeira de tanta gente.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
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Quando a IA assume o protagonismo sem supervisão humana clara, os riscos se multiplicam. A série Zero Day, na Netflix, ilustra de forma dramática o que acontece quando sistemas tecnológicos poderosos operam com autonomia excessiva ou sob agendas ocultas: um ataque cibernético de um minuto paralisa redes de energia, transporte e comunicação, gerando milhares de mortes e caos nacional. O paralelo é direto. Sistemas inteligentes sem controle humano adequado podem gerar falhas em cascata, vieses não detectados e perda de responsabilidade. IA Copiloto Inteligente
Pesquisas recentes confirmam isso. Um experimento de campo conduzido com 776 profissionais da Procter & Gamble, publicado em 2026 na Organization Science sob o título “The Cybernetic Teammate”, mostrou que indivíduos apoiados por IA generativa alcançaram desempenho equivalente ao de equipes humanas sem a ferramenta.

Além disso, a IA ajudou a quebrar silos funcionais: profissionais de P&D e de áreas comerciais passaram a gerar soluções mais equilibradas. As equipes que combinavam humanos e IA produziram ideias de maior qualidade e reduziram o tempo de execução entre 12% e 16%. O estudo reforça que a tecnologia atua como “companheiro cibernético”, potencializando performance e integração de expertise, desde que o julgamento humano continue no centro.
No Brasil, dados da pesquisa “Impacto nos Negócios pela Adoção de IA no Brasil”, da IDC apontam ganhos médios de 24,5% associados às iniciativas de inteligência artificial. A eficiência de processos aparece com impacto de 27,7%. Levantamento da Serasa Experian com PMEs indica que 58,7% das empresas que usam ou pretendem usar IA apontam o aumento de produtividade como principal benefício. Esses números mostram resultados reais, porém dependem de desenho cuidadoso da colaboração.
Para extrair valor sem ceder o comando, algumas práticas concretas fazem diferença. Em primeiro lugar, defina claramente o que a IA deve sugerir e o que o humano deve decidir.
Use a ferramenta para gerar rascunhos de relatórios, análises de dados ou opções de processos, mas reserve a validação final e a responsabilidade ética para a equipe. Em seguida, mantenha o “humano no loop” de forma ativa: peça explicações, questione premissas e compare alternativas geradas pela IA com o contexto específico do negócio. Ferramentas com capacidade de explicabilidade aumentam o desempenho da colaboração, conforme evidências de estudos em tarefas reais de inspeção e diagnóstico. #IA Copiloto Inteligente

Outra dica prática consiste em começar por processos de alto volume e baixo risco revisão de documentos, classificação de demandas, triagem de indicadores e só depois expandir. Enquanto isso, documente as decisões tomadas com apoio da IA para criar rastreabilidade.
Treine as equipes não apenas no uso da ferramenta, mas na capacidade de avaliar criticamente as respostas. Por fim, estabeleça limites claros de autonomia: a IA pode recomendar, priorizar e simular cenários, porém não deve executar ações irreversíveis sem aprovação humana explícita.

O perigo de inverter essa lógica aparece com clareza em Zero Day. Na trama, um malware sofisticado se espalha por atualizações de aplicativos e afeta sistemas críticos em segundos. A tecnologia deixa de ser instrumento e passa a ditar o ritmo da crise. Quando a IA assume o protagonismo, a responsabilidade se dilui, o julgamento humano atrofia e erros se propagam em velocidade impossível de corrigir manualmente. #IA Copiloto Inteligente
Portanto, o caminho mais seguro e produtivo é tratar a inteligência artificial como copiloto experiente. Ela amplifica capacidade, reduz carga operacional e revela padrões que o olho humano demoraria a perceber. No entanto, a direção da rota, a definição de prioridades e a responsabilidade final precisam permanecer humanas. Empresas que mantêm essa hierarquia clara colhem ganhos de eficiência e qualidade sem abrir mão do controle estratégico. Use a IA para voar mais alto. Só não entregue o volante.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br
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Foi inventada por Robert Kozinets no meio dos anos 90. Nesse sentido, em 1995, ele estudava fãs de Star Trek e percebeu que as conversas espontâneas nos grupos da época diziam muito mais sobre consumo e cultura do que qualquer questionário. Dessa forma, formalizou o método e, desde então, virou a principal forma de fazer pesquisa cultural séria no digital.
O grande diferencial? De fato, a netnografia captura a espontaneidade, aquele lado da pesquisa científica que quase ninguém usa de verdade. As pessoas nas redes não estão performando para o pesquisador. Elas falam do jeito que falam mesmo. E é exatamente aí que aparece tudo o que a pesquisa tradicional costuma perder: fraquezas, vulnerabilidades, dores reais, oportunidades de negócio e caminhos claros de melhoria contínua.

Por que isso muda o jogo?
Nesse contexto, quando você só ouve o que o consumidor diz quando sabe que está sendo pesquisado, recebe a versão polida. Por outro lado, na netnografia, você pega a versão crua. E, consequentemente, é essa versão que alimenta colaboração de verdade, escuta genuína do cliente e prototipagem de produtos que resolvem problemas reais.
O caso clássico é o da Nivea. Nesse sentido, a Baiersdorf, junto com a HYVE, mergulhou em fóruns e comunidades onde as pessoas reclamavam de desodorante. Com isso, descobriram que a dor das manchas brancas em roupa preta e amarelas em roupa branca era muito maior do que as pesquisas tradicionais mostravam. Como resultado, o *Nivea Invisible for Black & White*, lançado em 2011, virou o desodorante de maior sucesso em 130 anos da empresa. Ou seja, o insight veio da conversa solta. E, assim, o produto veio da co-criação.

Além disso, outras marcas grandes já usam isso de forma estratégica: Adidas (comunidades de customização de tênis), Campbell’s (como as pessoas realmente planejam refeições online), LEGO (Adult Fans of LEGO), Coca-Cola, Johnson & Johnson e, no Brasil, Fleischmann. Dessa maneira, todas colheram insights que pesquisas tradicionais simplesmente não entregavam com a mesma profundidade.
Em resumo, o que a netnografia entrega de verdade, Ela permite:
Ouvir a perspectiva real do cliente, sem filtro
Criar colaborações e co-criação com as comunidades
Prototipar produtos e serviços a partir de dores e desejos genuínos
Por outro lado, enquanto muita pesquisa ainda fica na superfície do “o que o consumidor diz que quer”, a netnografia vai atrás do que ele realmente sente e comenta quando ninguém está olhando. E, assim, é exatamente aí que estão as melhores oportunidades de negócio e de melhoria contínua.

Dessa forma, três décadas depois de Kozinets ter começado a observar fãs de Star Trek, a netnografia continua sendo uma das formas mais honestas de entender o que as pessoas realmente pensam. Porque, no fim, a espontaneidade ainda é um dos recursos mais subutilizados da pesquisa.
Nesse sentido, sou consultora em netnografia e o que mais aprecio no método é justamente isso: ouvir de verdade a perspectiva de quem consome, e não de quem produz. De fato, muitas vezes uma campanha de marketing é bem executada, mas mira a geração errada. Ou, ainda, a comunicação não é assertiva porque a empresa fica obcecada com o produto e esquece das experiências reais do cliente. Assim, a netnografia corrige exatamente esse desvio de olhar. E ai já pensou em contratar uma pesquisa assim?
Por Maria Augusta Ribeiro especialista em netnografia e comportamento digital
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O viés de negatividade é um dos mecanismos cognitivos mais usados para se vender noticia. Mas porque? Nosso cérebro evoluiu priorizando ameaças. Em ambientes de escassez e perigo real, quem prestava mais atenção no que podia matar tinha mais chance de sobreviver.

O problema é que esse mesmo sistema ainda está ligado só que agora a ameaça chega 24 horas por dia, de qualquer canto do planeta, e com um design pensado para maximizar engajamento.
Um estudo publicado na Nature Human Behaviour em 2023 analisou mais de 105 mil variações de manchetes da plataforma Upworthy e cerca de 370 milhões de impressões. Cada palavra negativa extra no título aumentava a taxa de cliques em 2,3%. Palavras positivas, pelo contrário, reduziam o interesse. Não é opinião. É dado. O corpo realmente reage com mais força ao ruim.

É aqui que entra o detalhe que quase ninguém discute com a devida clareza: as plataformas nos ouvem o tempo todo. Não no sentido de “espionagem”, mas no sentido de aprendizado contínuo. Cada segundo a mais que você fica em uma matéria sobre crise, cada comentário de indignação, cada compartilhamento de denúncia é um sinal.
Ademais o algoritmo interpreta esse sinal como “interesse alto” e entrega mais do mesmo. O resultado é um feed que começa a se parecer cada vez mais com um espelho distorcido do mundo, onde o perigo, a polarização e a desconfiança se tornam a paisagem dominante.
Com o tempo, isso afeta não só o humor. Afeta a percepção de realidade. A exposição repetida a conteúdos extremos e conflitantes dilui a capacidade de distinguir o que é fato, o que é interpretação e o que é pura performance de engajamento. A polarização deixa de ser só política e vira sensorial: o outro lado passa a parecer não apenas diferente, mas ameaçador. E o ciclo se alimenta sozinho.

Assim, Isso tem nome: doomscrolling. E não é só um vício de tela. É um loop de reforço entre um cérebro antigo e um sistema de recomendação que aprendeu, com precisão cirúrgica, o que nos mantém rolando. notícias ruins
Mas existe um jeito de renegociar o ambiente. Aos leitores definam janelas de notícia: escolha dois ou três momentos do dia para ver as noticias e limite o tempo. Também ajuda diversificar a fonte e o formato alternar entre texto, áudio e conversas reais reduz a hipervigilância que o scroll infinito provoca.
Contudo é importante observar o próprio corpo: se a matéria deixa o peito apertado, é sinal de que o sistema de alerta está em excesso e precisa parar. Vale treinar a saída consciente. Em vez de “só mais uma”, diga mentalmente “já entendi o quadro, agora o que eu posso fazer de concreto?”. Muitas vezes a resposta é “nada imediato” e isso já é informação suficiente.

Por fim, proteja a primeira e a última hora do dia. O cérebro ainda está calibrando o tom emocional nesses momentos. Alimentá-lo com crise logo ao acordar ou antes de dormir tem preço alto.
Assim a informação ruim não vai sumir. Vamos continuar a receber notícias ruins muitas vezes. O que pode mudar é o quanto ela ocupa de espaço dentro da gente. Entender o mecanismo é o primeiro passo para não ser apenas mais um usuário que o algoritmo conhece melhor do que a si mesmo.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
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]]>O que os pais buscam sobre telas? Quando a gente digita “tempo de tela crianças”, “como limitar celular do filho” ou “efeitos das telas no desenvolvimento”, o Google devolve milhões de resultados. Não é coincidência. Os pais estão buscando, inquietos, respostas práticas e confiáveis sobre o que as telas estão fazendo com os filhos.
Uma pesquisa Datafolha de 2025, encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostrou que 4 em cada 10 responsáveis por crianças de até 6 anos consideram que elas passam mais tempo do que deveriam diante de TV, celular ou tablet.

Em média, essas crianças ficam entre 2 e 3 horas por dia expostas. Entre as de 0 a 3 anos, 78% têm contato diário com telas. Entre as de 4 a 6, o índice sobe para 94%. Os números contrastam com as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): zero exposição até os 2 anos; no máximo 1 hora por dia entre 2 e 5 anos, sempre com supervisão adulta; 1 a 2 horas dos 6 aos 10; e 2 a 3 horas para adolescentes de 11 a 18 anos. # pais buscam sobre telas
O estudo “Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais”, do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), reforça o tamanho do problema. O acesso à internet na primeira infância mais que dobrou em menos de uma década no Brasil: de 11% em 2015 para 23% em 2024. Quase metade dos bebês de até 2 anos (44%) e 71% das crianças de 3 a 5 anos já estão conectadas. Entre as famílias de baixa renda, 69% das crianças são expostas a tempo excessivo de tela. Quanto menor a renda, maior a chance de a tela substituir o brincar, o convívio e a interação presencial elementos essenciais para o desenvolvimento.
Assim o que os pais encontram nas buscas, na maioria das vezes, é a confirmação de preocupações legítimas. Revisões e estudos longitudinais associam o uso excessivo e precoce a atrasos de linguagem, prejuízos nas funções executivas, alterações na substância branca cerebral, dificuldade de atenção, regulação emocional prejudicada, distúrbios do sono, maior risco de ansiedade e depressão, sedentarismo e até aumento de miopia.

Como pesquisadora de netnografia e comportamento digital, o que mais me chama atenção não é só o volume de tempo de tela, mas a qualidade da relação que se estabelece. Pais buscam desesperadamente “controle parental”, “como bloquear TikTok”, “como fazer o filho dormir sem celular”. Essas buscas revelam uma tentativa de recuperar algum domínio sobre uma ambiência digital que foi desenhada para capturar atenção.
Ao mesmo tempo, muitos adultos usam as próprias telas na frente dos filhos durante refeições ou brincadeiras o fenômeno chamado tecnoferência , o que estudos associam a vínculos mais frágeis e maior tempo de tela das crianças.

A resposta da ciência não é “demonizar a tecnologia”. É mediação ativa, exemplo e limites claros. Conteúdo de qualidade, conversado e interpretado junto, tem impacto diferente de rolagem passiva e solitária.
Brincar ao ar livre, conversar sem interrupções, ler juntos e manter os quartos livres de dispositivos são intervenções simples e poderosas. E desconectar uma a duas horas antes de dormir, não usar telas durante as refeições e priorizar interações presenciais e essencial. #pais buscam sobre telas
No Mato Grosso, onde a vida ainda carrega forte relação com o território, o Pantanal a questão ganha contornos particulares. Muitos pais que buscam orientações na internet estão tentando equilibrar a necessidade de proteção com a realidade de uma geração que já nasceu digital usando a natureza como mediador. Observar os pássaros, conversar sobre o pantanal, cantar canções antigas e muito contato com o bioma parece estar resgatando o equilíbrio entre o físico e o digital com o pertencimento.

A busca por respostas é legítima. O que a ciência mostra, de forma cada vez mais constante, é que o excesso precoce e sem mediação cobra um preço no desenvolvimento. E que a solução não está em mais um aplicativo de controle, mas em presença, diálogo e limites construídos em família.
A tela não precisa ser inimiga. Mas ela também não pode ser babá, companhia principal ou substituta do olhar. Os pais que digitam essas perguntas no Google estão, na verdade, buscando o caminho de volta para o encontro e ele precisa acontecer primeiro no físico. pais buscam sobre telas
Por Maria Augusta Ribeiro especialista em netnografia e comportamento digital
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]]>O post Gôndolas da Ansiedade apareceu primeiro em Belicosa.
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Li o artigo, da nutricionista Desire Coelho que utilizou a expressão “Gôndolas da Ansiedade” e aquilo me marcou profundamente. Seu relato sobre a experiência em um supermercado e a crítica aos produtos que prometem saúde enquanto os alimentos de verdade ficam de lado inspirou esta reflexão.

A lógica por trás delas é simples e cruel. A indústria primeiro coloca no mercado alimentos que adoecem. Produtos ultraprocessados, cheios de aditivos, açúcares escondidos, gorduras e sais em excesso, criam o terreno fértil para o desconforto.
Depois, no mesmo corredor, oferece a solução com versões “saudáveis” do mesmo problema. O consumidor passa a sentir culpa. Come o que adoece, sente o corpo pesado e corre atrás de produtos que prometem consertar o que o próprio sistema criou.

Logo dados recentes mostram o tamanho dessa máquina. Entre novembro de 2020 e novembro de 2024, 62% dos novos alimentos embalados lançados no Brasil eram ultraprocessados, segundo relatório do Ministério da Saúde em parceria com a Anvisa e o Nupens da USP. Apenas 18,4% eram in natura ou minimamente processados. Os alimentos que adoecem não são acaso. São o motor do negócio.
Ai o mercado “fit” completa o círculo. Um outro estudo publicado em 2025 na revista Ciência & Saúde Coletiva analisou 146 produtos comercializados com o termo fit ou fitness no Brasil. 79% eram ultraprocessados. 75% apresentavam pelo menos um nutriente crítico em nível elevado segundo critérios da Organização Pan-Americana da Saúde.

Ademais os rótulos exaltam proteínas, fibras e zero açúcar, mas a lista de ingredientes revelava o mesmo padrão industrial de sempre. O consumidor olha a frente da embalagem e sente que está fazendo a escolha certa. Na verdade, está alimentando a mesma lógica que o deixou ansioso.
E também tem a questão do comportamento, como se comporta no supermercado? Quais motivos realmente te levam a colocar aquele produto no carrinho? Você escolhe pelo sabor, pelo preço, pela memória de infância ou pela promessa escrita em letras grandes na frente da embalagem?
Do mesmo modo que eu mesma já me peguei várias vezes andando pelos corredores e parando diante de uma embalagem com a palavra “proteína” em destaque. O design funciona. Cores, tipografia, fotos de pessoas sorrindo e frases que acalmam a culpa fazem o cérebro baixar a guarda. A embalagem tem poder. Ela não informa. Ela seduz.

Bem como transforma um ultraprocessado comum em solução urgente para uma ansiedade que o próprio produto ajudou a criar. Estudos de marketing alimentar, como a revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 no British Journal of Nutrition, mostram que a exposição a estratégias de promoção e embalagens de produtos menos saudáveis aumenta de forma significativa a intenção de compra, a escolha e o consumo desses itens tanto em crianças quanto em adultos.
Agora quando esse jogo migra para o digital, a compulsão escala. Algoritmos, influenciadores e anúncios personalizados empurram as mesmas gôndolas para dentro da tela do celular. A compra deixa de ser deliberada e vira reflexo. Um clique, e o carrinho enche de produtos que prometem saúde e entregam mais ansiedade.

Alem do mais a internet amplifica o ciclo. O que antes era uma decisão no corredor do supermercado agora acontece em qualquer horário, com a sensação de urgência fabricada pela internet e ficamos presos a um ciclo ruim que ganha cada vez mais velocidade e gente ansiosa. # Gondolas da Ansiedade
Assim a próxima vez que você passar por aquelas prateleiras coloridas, lembre-se quem esta no comando do seu carrinho de compras. A escolha de interromper esse jogo começa no momento em que a gente deixa de acreditar nas promessas e volta a confiar no que a natureza sempre ofereceu sem necessidade de propaganda.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
O post Gôndolas da Ansiedade apareceu primeiro em Belicosa.
]]>O post Gôndolas da Ansiedade apareceu primeiro em Belicosa.
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Li o artigo, da nutricionista Desire Coelho que utilizou a expressão “gôndolas da ansiedade” e aquilo me marcou profundamente. Seu relato sobre a experiência em um supermercado e a crítica aos produtos que prometem saúde enquanto os alimentos de verdade ficam de lado inspirou esta reflexão.

A lógica por trás delas é simples e cruel. A indústria primeiro coloca no mercado alimentos que adoecem. Produtos ultraprocessados, cheios de aditivos, açúcares escondidos, gorduras e sais em excesso, criam o terreno fértil para o desconforto.
Depois, no mesmo corredor, oferece a solução com versões “saudáveis” do mesmo problema. O consumidor passa a sentir culpa. Come o que adoece, sente o corpo pesado e corre atrás de produtos que prometem consertar o que o próprio sistema criou.

Dados recentes mostram o tamanho dessa máquina. Entre novembro de 2020 e novembro de 2024, 62% dos novos alimentos embalados lançados no Brasil eram ultraprocessados, segundo relatório do Ministério da Saúde em parceria com a Anvisa e o Nupens da USP. Apenas 18,4% eram in natura ou minimamente processados. Os alimentos que adoecem não são acaso. São o motor do negócio.
Ai o mercado “fit” completa o círculo. Um outro estudo publicado em 2025 na revista Ciência & Saúde Coletiva analisou 146 produtos comercializados com o termo fit ou fitness no Brasil. 79% eram ultraprocessados. 75% apresentavam pelo menos um nutriente crítico em nível elevado segundo critérios da Organização Pan-Americana da Saúde.
Os rótulos exaltam proteínas, fibras e zero açúcar, mas a lista de ingredientes revelava o mesmo padrão industrial de sempre. O consumidor olha a frente da embalagem e sente que está fazendo a escolha certa. Na verdade, está alimentando a mesma lógica que o deixou ansioso.

E você, como se comporta no supermercado? Quais motivos realmente te levam a colocar aquele produto no carrinho? Você escolhe pelo sabor, pelo preço, pela memória de infância ou pela promessa escrita em letras grandes na frente da embalagem?
Eu mesma já me peguei várias vezes andando pelos corredores e parando diante de uma embalagem com a palavra “proteína” em destaque. O design funciona. Cores, tipografia, fotos de pessoas sorrindo e frases que acalmam a culpa fazem o cérebro baixar a guarda. A embalagem tem poder. Ela não informa. Ela seduz.
E transforma um ultraprocessado comum em solução urgente para uma ansiedade que o próprio produto ajudou a criar. Estudos de marketing alimentar, como a revisão sistemática e metanálise publicada em 2025 no British Journal of Nutrition, mostram que a exposição a estratégias de promoção e embalagens de produtos menos saudáveis aumenta de forma significativa a intenção de compra, a escolha e o consumo desses itens tanto em crianças quanto em adultos.
Quando esse jogo migra para o digital, a compulsão escala. Algoritmos, influenciadores e anúncios personalizados empurram as mesmas gôndolas para dentro da tela do celular. A compra deixa de ser deliberada e vira reflexo. Um clique, e o carrinho enche de produtos que prometem saúde e entregam mais ansiedade.

A internet amplifica o ciclo. O que antes era uma decisão no corredor do supermercado agora acontece em qualquer horário, com a sensação de urgência fabricada pela internet e ficamos presos a um ciclo ruim que ganha cada vez mais velocidade e gente ansiosa.
A próxima vez que você passar por aquelas prateleiras coloridas, lembre-se quem esta no comando do seu carrinho de compras. A escolha de interromper esse jogo começa no momento em que a gente deixa de acreditar nas promessas e volta a confiar no que a natureza sempre ofereceu sem necessidade de propaganda.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br
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]]>O post Hiperconexão Crônica apareceu primeiro em Belicosa.
]]>Jovens e adultos enfrentam uma pressão quase contínua para estar online, responder mensagens, acompanhar atualizações profissionais e consumir conteúdos em ritmo acelerado.
Essa realidade traz impactos profundos na saúde mental, gerando um estado de alerta permanente que afeta concentração, sono, emoções e qualidade de vida.
O que começa como uma ferramenta útil para comunicação e aprendizado pode, quando excessivo, desgastar o equilíbrio emocional de forma silenciosa e persistente.

Para os jovens, especialmente da Geração Z, o estímulo permanente vem das redes sociais e aplicativos que mantêm o cérebro em alerta contínuo.
Muitos relatam sensação de exaustão mesmo após horas de descanso, pois o dia virtual se estende além do físico. Adultos, por sua vez, enfrentam o desafio adicional das atualizações profissionais.
Plataformas como LinkedIn, cursos online e e-mails fora do horário de trabalho exigem que se esteja sempre atualizado, o que aumenta a sensação de sobrecarga.
Assim diversos elementos contribuem para esse quadro de hiperconexão crônica. O scroll contínuo mantém o cérebro em um estado de hiperestimulação, reduzindo a capacidade de concentração profunda. A comparação constante com a vida alheia abala a autoestima e gera sentimentos de insuficiência.
Além disso, a necessidade de acompanhar mudanças no mercado de trabalho, com novas habilidades surgindo a cada semana, transforma o tempo livre em mais uma tarefa. Dessa maneira, tanto jovens quanto adultos perdem a capacidade natural de recuperação mental, o que afeta o sono, o humor e as relações interpessoais.

Um artigo científico publicado em 2025 na Revista DCS, de Patrícia de Morais Rosa e Patrícia Rutsatz, investiga os impactos da hiperconectividade na saúde mental de crianças e adolescentes, com ênfase na Geração Alfa.
O estudo aponta que, embora a conectividade amplie o acesso à informação, ela também gera efeitos deletérios como ansiedade, depressão, irritabilidade, desatenção, distúrbios do sono e empobrecimento das relações interpessoais.
Esses achados servem de alerta para os padrões observados também entre jovens mais velhos e adultos que carregam hábitos semelhantes.
No Brasil, relatórios recentes do Instituto Cactus e do Datafolha indicam que cerca de 45 por cento das pessoas percebem impacto negativo das redes sociais no bem-estar psicológico, com os jovens entre 16 e 24 anos apresentando os índices mais baixos de saúde mental semana.
Na Austrália, o sistema de saúde pública enfrenta saturação nos serviços de saúde mental, com muitos pacientes e profissionais atribuindo parte significativa dessa demanda aos efeitos da hiperconexão crônica e do uso excessivo de telas.
Bem como estudos conduzidos pelo Black Dog Institute revelam que o excesso de tempo online contribui diretamente para o declínio da saúde mental entre jovens e adultos, pressionando recursos públicos como o Medicare e aumentando as filas de atendimento.
Esse exemplo internacional ilustra como a hiperconexão, quando não gerenciada, sobrecarrega não só o indivíduo, mas também os sistemas coletivos de cuidado.

As telas trouxeram facilidades inegáveis, como acesso rápido a conhecimento e oportunidades de conexão profissional.
Ao mesmo tempo, o uso prolongado e a constante necessidade de atualização geram relatos crescentes de ansiedade, dificuldade de concentração e sensação de sobrecarga emocional.
O equilíbrio surge, portanto, como o grande desafio da atualidade. Pequenas mudanças, como estabelecer horários sem tela antes de dormir ou priorizar interações presenciais, já representam passos importantes para recuperar o controle.
No final das contas, o futuro dependerá de como conseguimos conviver com a tecnologia sem permitir que ela ocupe todo o espaço da nossa vida.
Depois de mais de vinte anos acompanhando o comportamento digital, acredito que estar conectado é inevitável nesta era, mas estar presente na própria vida deve ser uma escolha consciente.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
O post Hiperconexão Crônica apareceu primeiro em Belicosa.
]]>O post Power Skills: O Futuro do Trabalho é Pensamento Crítico apareceu primeiro em Belicosa.
]]>Mas o que são power skills?
São as competências humanas que a inteligência artificial ainda não consegue substituir completamente. Elas incluem pensamento crítico, criatividade, resiliência emocional, liderança, autoconhecimento e capacidade de colaboração. São chamadas de “poderosas” justamente porque entregam resultados reais em ambientes complexos e incertos.

É ai que entra o pensamento crítico e porque ele se destaca?
Ele permite questionar informações, identificar problemas reais, avaliar diferentes perspectivas e tomar decisões equilibradas. Em um mundo inundado por informações de urgência, quem domina essa habilidade não se perde em respostas automáticas. Ele sabe fazer as perguntas certas e separar o útil do superficial.
Daniela Augusta Velez, que conduz profissionais com o uso da IA no RH, explica o papel dessa combinação: “conduzo profissionais com o uso da IA a serem agentes estratégicos”. Para ela, a IA serve como ferramenta poderosa, mas o pensamento crítico é o que transforma dados brutos em estratégias inteligentes e decisões de alto impacto.

O Relatório Future of Jobs 2025, do World Economic Forum, confirma esse movimento com números claros. O pensamento analítico (analytical thinking) continua sendo a competência central mais exigida pelas empresas. Sete em cada dez companhias consideram essa habilidade essencial hoje e para os próximos anos.
O mesmo relatório, baseado em respostas de mais de mil grandes empregadores que representam 14 milhões de trabalhadores em 55 economias, aponta que até 2030 cerca de 39% das competências principais vão mudar. Mas Habilidades cognitivas como pensamento crítico e analítico aparecem no topo da lista de prioridades.
Além disso, o estudo projeta que 170 milhões de novos empregos serão criados até 2030, mas 92 milhões serão eliminados, resultando em um ganho líquido de 78 milhões de vagas. A diferença entre quem se adapta e quem fica para trás estará exatamente nas power skills.
Outros dados reforçam o quadro. Resiliência, flexibilidade e agilidade aparecem em segundo lugar (67% das empresas), seguidas de liderança e influência social (61%) e pensamento criativo (57%). Isso mostra que o futuro não será apenas tecnológico. Será humano e cognitivo ao mesmo tempo.
Profissionais com pensamento crítico resolvem problemas complexos com mais rapidez e evitam erros caros. Eles não seguem tendências ou recomendações de IA sem questionar. Em vez disso, avaliam contexto, riscos e impactos éticos.

Exemplos são comuns no mercado. Um gestor que usa IA para gerar relatórios, mas aplica pensamento crítico para interpretar os resultados e ajustar a estratégia da empresa faz gol.
Empresas que investem no desenvolvimento dessas habilidades colhem frutos claros: maior retenção de talentos, decisões mais assertivas, inovação constante e melhor adaptação a mudanças rápidas do mercado. O pensamento crítico não é um luxo. É a vantagem competitiva real no mundo do trabalho atual.
Mas como desenvolver o pensamento crítico hoje? Desenvolver essa habilidade exige prática constante.
– Questionar sempre: “Por que isso é assim? Quais são as evidências?”
– Analisar fontes diversas: separar fatos de opiniões e identificar vieses.
– Praticar com cenários reais: simular decisões difíceis em equipe.
– Usar a IA como aliada: pedir dados e análises, mas sempre decidir com critério humano.

Assim o renascimento dos power skills revela uma verdade profunda: a tecnologia avança em velocidade impressionante, mas o valor humano ganha ainda mais importância. A IA pode processar informações em segundos, mas não substitui a capacidade de julgar, inovar e liderar com ética e visão.
Quem domina o pensamento crítico não compete contra a IA. Ele a utiliza para ir mais longe, criando soluções mais inteligentes e estratégias mais eficazes.
No final, o futuro do trabalho não será definido por quem sabe mais códigos ou domina mais ferramentas tecnológicas. Será definido por quem pensa melhor, questiona com profundidade e age com sabedoria.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
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]]>O que antes era visto como falta de oportunidade hoje se tornou símbolo de status. Ter a liberdade de não responder mensagens imediatamente, não postar o dia inteiro e não estar disponível para o mundo digital é algo que só quem tem estrutura emocional, financeira e profissional consegue fazer. Desligar deixou de ser exclusão. Virou escolha consciente de quem pode.

Pesquisas confirmam esse movimento. Um estudo publicado no Indian Express (2025) mostra que, com o aumento do tempo de tela, a capacidade de desconectar está se tornando um luxo reservado para quem tem recursos, tempo e posição social para isso.
No mesmo sentido, o relatório Hilton Trends 2025 revelou que 25% dos viajantes desligam as redes sociais durante as férias mais do que antes, e muitos buscam hotéis com políticas de “phone-free zones” apontando que práticas voluntárias de desconexão estão ligadas a maior educação, habilidades digitais e privilégio socioeconômico.
Os melhores atletas do mundo sabem disso há décadas. Não é só o treino intenso que faz a diferença. É o descanso de qualidade e o tempo de reflexão longe do barulho.

Estudos científicos reforçam isso com clareza. Uma revisão publicada no PMC (Charest & Grandner, 2020) mostra que o sono e a recuperação são essenciais para o desempenho físico, cognitivo e mental de atletas. Sem períodos adequados de descanso, o risco de lesões aumenta e o desempenho cai. Mas porque estamos falando dos atlestas?
Os grandes nomes do esporte passam mais tempo recuperando do que treinando. Eles dormem bem, desconectam a mente e permitem que o corpo e o cérebro se regenerem. O mesmo princípio vale para a vida fora das quadras: quem quer produzir com qualidade, pensar com clareza e viver com presença precisa de períodos intencionais de desconexão.
Em suma o privilegio Digital de ficar OFF não e o que a tecnologia quer, quanto mais a tecnologia promete liberdade, mais ela cobra atenção constante. Notificações, likes e respostas imediatas criam uma sensação de urgência que poucos conseguem ignorar. Quem resiste e escolhe o silêncio digital demonstra autocontrole e maturidade que vão além do comum.

Assim estudos sobre desconexão digital, como os de Vanden Abeele (2024) e Beattie (2024), mostram que a capacidade de se desconectar voluntariamente está ligada a privilégios de classe, gênero e educação. Mulheres e jovens muitas vezes enfrentam mais pressão para permanecer conectados por causa de expectativas sociais e familiares. Desligar, portanto, não é só uma pausa. É um ato que revela quem tem margem para escolher.
Em breve, o verdadeiro luxo não será ter o celular mais caro ou o maior número de seguidores. Será conseguir passar um fim de semana inteiro sem olhar para o dispositivo. Será ler um livro sem interrupções ou simplesmente olhar o horizonte sem sentir que está perdendo algo. #Privilegio Digital
Embora no mundo hiperconectado, quem consegue se desconectar de verdade não está ficando para trás. Está, na verdade, liderando com mais clareza e presença. Porque, assim como nos atletas de elite, o que faz a diferença não é o quanto você se expõe, mas o quanto você sabe se recuperar e refletir.
No fim das contas, o ativo mais valioso hoje é exatamente este: a liberdade de não estar sempre ON.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia
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]]>Mas o volume de vendas que ainda impressiona no curto prazo, aos poucos e substituído pelo que realmente constrói marcas fortes: A integração inteligente dos três pilares fundamentais: dados, ciência e pessoas.
Assim empresas que vendem melhor não são necessariamente as que vendem mais. E sim aquelas que geram valor real para o cliente, para o negócio e para a sociedade.
Embora muitas marcas ainda tentam agradar todo mundo, copiando estratégias dos concorrentes e diluindo sua própria identidade. Acabam tendo um resultado falho, uma comunicação genérica, margens apertadas e clientes pouco fiéis. As que se destacam compreendem que sua marca não é para todo mundo e está tudo bem.
Em vez de perseguir volume a qualquer custo, concentram-se no que fazem de melhor e analisam profundamente o que têm em comum os clientes que amam suas experiências, produtos e a aparência da marca.

Bem como os dados formam a base sólida dessa estratégia. Eles revelam a jornada completa do cliente em todos os canais, identificam padrões de comportamento, preferências e pontos de dor com precisão cirúrgica. A ciência entra em seguida, transformando esses dados brutos em decisões estratégicas inteligentes: análises preditivas, testes controlados, otimização de jornada e modelos que mostram o que realmente funciona. Juntos, dados e ciência permitem construir distintividade e exclusividade autênticas, sem medo de ser diferente. O discurso de marca ganha clareza, coerência e alinhamento com valores reais.
As pessoas, por sua vez, são o elemento que dá vida e emoção a essa combinação. São elas que interpretam os insights, criam conexões humanas genuínas, entregam experiências autênticas e tomam decisões éticas. Eficiência não surge de copiar o concorrente, mas de otimizar cada etapa da jornada com inteligência estratégica e um olhar profundamente humano.
Exemplos brasileiros mostram como essa integração funciona na prática. O Nubank combinou dados para entender seu público, ciência para projetar experiências simples e transparentes, e pessoas para construir confiança real tornando-se uma das empresas mais valiosas da América Latina. O Mercado Livre fez o mesmo ao criar infraestrutura e oportunidades onde quase não existia, focando em quem valoriza conveniência e escala.

Em 2025, o investimento publicitário via agências no Brasil atingiu R$ 28,9 bilhões, registrando crescimento de 10% quatro vezes superior ao avanço do PIB. No entanto, segundo o Panorama de Marketing e Vendas 2025 da RD Station, 71% das empresas brasileiras não atingiram suas metas de marketing em 2024, o que demonstra que mais ferramentas e orçamento não bastam sem a integração equilibrada dos três pilares.
A pesquisa Global Hopes and Fears 2025 da PwC reforça o poder dessa combinação: 71% dos profissionais brasileiros já utilizaram IA no trabalho (acima da média global de 54%), com 83% relatando melhora na qualidade do trabalho e 79% ganho de produtividade exatamente quando dados, ciência e pessoas atuam em harmonia.
Além disso, o consumidor consciente reforça a importância do pilar humano: 87% dos brasileiros querem fazer escolhas mais sustentáveis, e práticas de responsabilidade social influenciam fortemente as decisões de compra.

Assim as empresas que dominam essa fórmula: dados para entender, ciência para decidir e pessoas para conectar não precisam brigar por volume a todo custo. Elas vendem melhor porque vendem com propósito, criam relacionamentos duradouros e constroem legados que resistem ao tempo.
No marketing atual, o mercado premia quem não tenta ser tudo para todos. Premia quem sabe exatamente para quem existe, entrega valor verdadeiro e equilibra dados, ciência e humanidade de forma inteligente.
Maria Augusta Ribeiro Especialista em comportamento digital e Netnografia
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