
Artistas fundamentais cuja práxis centraliza a Escultura Relacional, utilizando encontros, dinâmicas de espaço-tempo e a participação ativa como matéria-prima tridimensional:
A Escultura Relacional é a expansão da prática tridimensional clássica para o campo das interações humanas, da coabitação e dos sistemas sociais. Em vez de moldar matérias tradicionais (como bronze, pedra ou madeira) sobre um pedestal, o artista esculpe situações, encontros, diálogos, rituais comunitários e dinâmicas de espaço-tempo. A obra deixa de ser um objeto passivo de contemplação e passa a existir no tecido relacional e na participação ativa do público.
Teoria Principal e Conceituação (Estética Relacional)
Crítica e Antagonismo Social
O Campo Ampliado e a Matriz da Escultura
Precursores e Práticas Sociais
Matriz Brasileira e Neoconcretismo (Ancestralidade Relacional no Brasil)

Ana Negro.Zia : Ponto Zero, Escultura Relacional no Arraial de Nossa Senhora dAjuda esculpindo interações humanas com Arte, Natureza, Ancestralidade e Espiritualidade, através de uma Cartógrafia do Olhar e da Escuta.
O projeto tem a Mentoria Artística e Processo Criativo de A.B.Regis
Cartógrafia da Escuta e do Olhar : Projeto de Arte Expandida
Título PONTO ZERO
Subtítulo: Das Barreiras da Costa Pataxó e Pitinga aos 7 Lugares Energéticos da Terra
Eixos Temáticos: Escultura Relacional • Arte , Natureza Ancestralidade e Espiritualidade
Autoria: Artista e Pesquisadora Ana Flávio
Mentoria artística Processos Criativos A.B.Regis
]]>
RECEITAS:
Bôlo-de-Ouriço – (para cinco pessoas) 1 litro de ouriço. “Coloca-se água na panela, até ferver. Com ela lava-se as ovas do ouriço, até enxugar. Faz-se um môlho, como o da muqueca. Depois de bem cosido, coloca-se a farinha de mandióca, até endurecer um pouco. Arruma-se folha de bananeira, donde se lhe envolve, aos bocados. Pronto, põe-se no forno pra assar, e é so servir!” – Receita de Tia Neusa, que diz ainda o acompanhamento: “o bôlo de ouriço ele é servido com arroz!”.
Muqueca-de-Ouriço – (segundo receita de Lucília da Conceição). “Um litro de ouriço, dois tomates, uma cebola, uma cabeça de alho, os tempêros, todos juntos. Frita-se a seguir, com óleo. A muqueca do ouriço é sempre seca, não leva côco e é servido com ovos de galinha de capoeira”.
Há outras receitas que eles aqui preparavam com as ovas do ouriço-gordo. Uma outra, era , o cuscús-de-ouriço. Assim como o famoso ouriço com farinha, ou pirão.
A TEMPERADA
É tradição secular que até hoje se repete, significando a homenagem que a família à comunidade quando alguém de sua prole “ganha nene”, oferecendo a todos os visitantes que vão ver o recemnascido, a temperada, a “temperada da Mulher Parida”. A receita é simples mistura de cachaça com algumas ervas e tempeiros caseiros. Arruda, Cebola, Cebolinha, Alho, Poeijo, Alevante, Cominho, Losna, etc. Um litro, dois ou mais, de acordo com as condições financeira de cada um. Basta alguem bater à porta em visitação ao novo rebento, logo lhe é oferecido esta saborosa bebida. É como chamam no Nordeste, o tradicional “cachimbo”. Pinheiro Pucu,1993
]]>
A CULINÁRIA DO OURIÇO
“Na maré que Deus secá
e as pedras ficá de fora,
é bom pra pegá ouriço!…”
(Lucília da Conceição)
Por toda essa imensa costa do litoral brasileiro, pouco soube do hábito tradicional de se comer ouriços-do-mar, como aqui no Extremo Sul baiano, particularmente, na Ajua. Wied já registrava há 177 anos passados, quando por aqui viu que “havia gente procurando ouriços”.
Esse precioso alimento que os nossos índios chamavam de pindaúna ou pinaúna, (termo esse conhecido de muitos caboclos remanescentes) de pindá (espinho, garra) e de una (escuro, preto) até hoje tradicionalmente se repete na culinária dos moradores mais antigos. Só não nos tempos de inverno, por ocasião do “vento leste”, que não os buscam, que é um período de ouriço magro e sem ovas. No mais, é impressionante e bonito de se ver, por sôbre as pedras descobertas pelo mar, a mãe, a avó, a tia, os filhos, os netinhos , todos, agachados, ajudando na pesca do ouriço. Quebrando os ovados ouriços com um facão, lavando alí mesmo, temperando com o sal do mar e que até alí mesmo comem, acompanhado da farinha de mandioca. Outros levam em litros na lata, para vender.
Essa alimentação é tão significante pra o ajudense, que não perdeu até hoje o hábito. Lembro uma ocasião de aqui se organizar um time de futebol (nos anos de 84/85), isto é, a escolha de um nome que retratasse fielmente as coisas do lugar, do seu passado etc. de pronto os atletas do Arraial escolheram: “Água Azul Ouriço Clube”. Chamar o ajudense de “comedor-de-ouriço”, não é um apelido espinhoso, é uma alegre verdade e das graças de Deus…
]]>
DOS PÁSSAROS
A flora e a fauna do Extremo Sul da Bahia, envoltas com o incessante desbravamento durante tantos e tantos anos, sofreu e vem sofrendo consequências desastrosas. Das variadas espécies de pássaros que existiam e encantavam a beleza do lugar, já se pode, hoje, anotar menos de vinte. Aqui morou uma artesã que incentivava as crianças do lugar, pagando a eles, certa quantia em dinheiro, por ave capturada viva ou morta. Quem ia até a sua casa, nas cordas dos arames, dependurados, lá estavam – secando ao sol -, os sabiá, os tiê-pinanga (sangue de boi), os sanhaços e outros, que chegavam à suas mãos levados pela garotada, com seus tiros certeiros de bodoque e atiradeira. essas penas com que adornava seus trabalhos, tinham um endereço certo, pela raridade que elas representavam.
Mas não só o artesanato foi a causa do desapareciemto gradativo dos passarinhos. As consequências cabiam, em parte, também, às construções das casas e pousadas, cujos proprietários, sem noção do Ecossistema, muito corroboraram com esse extermínio, devido as construções transparentes, dos enormes vidros nas varandas e janelas, que “iludiram” os passarinhos, que se abarroavam de encontro ao vidro e tinham morte instantânea.
Dos pássaros que relacionei, todos daqui conhecidos, estão rareando:
Anum – o preto e o branco mariscado. Aracuã – dizem que há cinco espécies no Brasil; Quando é novinho, cria-se tão facilmente solto, como se fosse de casa; Come na mão, anda por todos os comodos, sem que o dono necessariamente o torne cativo. Bastião – Os portugueses o chamavam de “Sebastião”; em Minas é conhecido como sabiá-do-mato-virgem. Beija-flôr – três variedades por aqui: o marrom pequenininho, o azul e esverdiado, e o negro. Brejal. Bem-te-vi – Contou-me Cancela, um Pataxó remanescente dos indios de Barra Velha, que seus avós falavam que toda essa briga existente entre indios e brancos, foi por causa desse pássaro. da encrenca do filho do branco com o filho do caboclo, aquele jogou sujo levando o pássaro que pertencia a este. Caboré, Chorão, Chororão, Curica, Curió, Fino, Guriatã, Jacupena, Japu, Juriti, Rolinha, Paó, Pêga, Papacapi, Sabiá (da mata, da praia, pimenta, cantadeira), Sanhaço e outros poucos.
Pinheiro Pucu 1993. Historinha do Arraial de Nossa Senhora dAjuda
]]>
IRMANDADE DE SÃO BENEDITO
“Tu que pela claridade
foste no mundo o luzeiro
compadece-te Senhor
deste povo brasileiro”.
(Excerto, do hino em louvor a São Benedito).
O culto a São Benedito, propagou-se a partir do final do século 16. Natural da Sicília, o preto humilde, analfabeto e santo, tornou-se, de repente, popular entre os negros e mulatos do Brasil.
A Irmandade de São Benedito ( d’Ajuda), porque existia a outra Irmandade de São Benedito do Colégio de Porto Seguro), diferençava da Irm. de N. S. d’Ajuda, em dois aspectos. Dela participavam homens e mulheres. Não havia discriminação, e seus integrantes eram todos moradores do Arraial. Surgiu aqui há mais de um século e dizem, alguns remanescentes, que o “espírito” de sua formação veio procedente de Caraíva. Seus fundadores, eram todos daqui: João Henrique (comerciante), Fabriciano (pescador), João Prefeito (pescador), Graciliano (pescador/roceiro), Argemiro e Dorico, que foi o último procurador oficial da Irmandade.
Representava, de um modo geral, o espírito associativo da comunidade, da povoação que se agregava e se formava sob às ordens da Igreja, que sempre foi aquilo que disse Gilberto Freire: “desinfetório ao serviço da saúde moral da colônia”. ( 23 ).
Embora uma associação de formação religiosa, envolvida pelas ordenações da Igreja, deu a oportunidade aos ajudences, no sentido de uma visão cooperativista entre eles. Voltaram-se para os problemas que encareciam à necessidade do lugar, como a construção do “Cemitério de São Benedito”, a preservação das “casas de Nossa Senhora” e até mesmo da ajuda mútua, a real de toda a ajuda.
Quando morria um irmão, os demais membros da Irmandade saíam todos vestidos de ÓPA (camisa-manta de cor avermelhada, uma herança legada pelos “irmãos de confrarias religiosas” das províncias de Portugal), conduzindo-o da Igreja até o cemitério, num ritual em que o caixão era levado de mão-à-mão, até o local do enterro. Dois irmãos iam à frente, com tochas acesas e a cruz. Quando faleceu dona Mariá – saudosa criatura que com suas mãos iluminadas tantas crianças salvou e benzeu com sua reza, representantes-remanescentes da Irmandade, prestaram-lhe significativa homenagem, vestidos com a ÓPA.
A Igreja, que sempre usufruiu desse sincretismo, foi até onde lhe pôde convir, pois tinha o controle de todo o apurado e dos óbulos doados pelos fiéis, pagadores de promessas. O que o arcebispo de Salvador fêz com a tradicional Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, em Cachoeira, proibindo uma procissão que se repete há duzentos anos, aqui na Ajuda a “Irmandade de São Benedito” sofreu a mesma proibição há mais ou menos cinquenta anos. Sargento Bacelar-já falecido foi quem decidiu resolver o primeiro impacto entre a Igreja e os devotos da Irmandade, quando declarou: “Solta o santo! Faz outro! e tira esmola!”.
Mas, de fato e de direito, a Irmandade acabou quando Zé Fernandes entregou a chave ao padre Emiliano, um mineiro de Itinga. Quem o substituiu foi o Frei Bernardo, que, segundo dizem, tinha por hábito fumar ponta-de-cigarro apanhado à mão pelos caminhos e de que êle jogava o “pinico” defronte à casa do Zé Alves.
A Esmola de São Benedito ou o Tira-Esmola, ou ainda a Folia-de-São Benedito, é como chamam quando a Irmandade sái à rua, logo após a celebração da missa. Saindo da Igreja, a festa se ajeita mais ao populesco, quando ganham à rua tocando, acompanhados de curiosos e adeptos, num furor intenso, onde rola muita cachaça e se assume como que uma excitação coletiva, no aspecto e nas vozes dos brincante. E vão de casa em casa, fazendo a “visitação” do santo, que é carregado por alguém devoto ou membro da Irmandade:
“Onde está o dono da casa
Por êle perguntou eu
Ou ele não está em casa
Ou me viu e se escondeu…”
Assim como há o dia da procissão, o dia da Esmola de São Benedito é consagrado à folia e à arrecadação de dinheiro, durante os dias da festa. Notório a figura do Tesoureiro da Irmandade, que saiam sempre vestidos de ÓPA.
A Folia de São Benedito ao que parece é a manifestação mais autêntica, o furor exaltado da cantoria de maior expressividade de todas as tradições que vagamente aqui ocorrem. Por ocasião da “visitação” que fazem de casa em casa, uma verdadeira procissão sacro-pânica, onde chegam com festa, fé e sêde de cachaça pra “acalmar” a euforia. Só que os versos e os refrões são escassos e muito repetitivos. Além disso, misturam cantorias de outros folguedos, até mesmo, do boi-duro:
“êh! êh!
v’ambora, v’ambora! (bis)
Carregadeira v’ambora”
“Cadê o dono da casa!?
-Ah, meu boi morená!
-ele não está em casa
-Ah, meu boi morená!
-ele correu e se escondeu!
ah meu boi morená!…”
“aié! aiá!
-tá te chamando, cumpade (bis)
pra vadiá!”
“papai, mamãe
nunca peguei no alheio
quando a polícia chegar (bis)
tira o meu nome do meio!…”
É como dizem os mais velhos: “Hoje não tem mais Irmandade, só os festeiros!” Pena que essa associação mais importante do povoado tenha sido desfavorecida, essa cooperação mútua, esse cooperativismo cabôco, de crença, de irmandade, mesmo!
Pinheiro Pucu, 1993
]]>




Reencontro do Zebra Esporte Clube 25 anos depois.
Pedro Regis, Co hoster da Casa de Adobe, Administrador da Wikipedia, pesquisador e Estudioso dos Jogos de Tabuleiros Milenares, Ciência e Antropologia da Religião. Estudou no CEAD, Formação pelo IFBA , trancou matrícula no curso de antropologia da UFSB e atualmente desenvolve Pesquisas em tecnologia presenciais e os estudos de religiões comparada. Ateu por. Convicção e acredite que existe vida fora das instituições.
]]>