– Qual a História de Oito Bilhões de Gênios? –
Imagine que, de repente, todas as pessoas no planeta Terra ganham um gênio mágico para si.
Todos temos um desejo, qualquer desejo.
O que vocês desejaria?
Difícil pensar, né?
Ah, você já tinha um na ponta da língua?
Tomou cuidado com a forma que você pediu?
Isso sempre faz o desejo se voltar contra nós.
Agora, pense na diversidade de pessoas no mundo.
Cada uma com esse poder incrível de dar asas aos seus maiores delírios.
Sim, dos mais autruistas aos mais nefastos.
Rapidamente teríamos uma situação caótica, e é isso que vemos em Oito Bilhões de Gênios.
Mas não se preocupe, o Charles Soule tem um firme controle sobre a trama e a história não se perde nesse caos.
Para começar, ele foca a trama num grupo de pessoas que estava, em um bar nos EUA.
Estes são os nossos protagonistas.
Um dos nortes da trama é o tema, ou temas que a história trabalha.
Cada um desses protagonistas tem vários desejos.
Porém, o que acaba decidindo quais desejos serão realizados são suas emoções, impetos e urgências.
É interessante ver como podemos tanto e tão pouco ao mesmo tempo.
Essa limitação é trabalhada por toda a trama.
Pessoas conseguindo realizar grandes sonhos para, em seguida, vê-los desfeitos por outro desejo de algum desconhecido.
Muitos conseguem esperar e conservar seu desejo para o momento certo.
Contudo, alguns simplesmente não conseguem abrir mão desse eterno potencial de felicidade.
Assim a trama caminha, acompanhando todas essas limitações tão humanas.
Sejam elas impostas por razões externas ou internas de cada um de nós.
Nada diferente do que vivemos mesmo sem desejos.
Além de Oito Bilhões de Gênios, Charles Soule criou outras obras autorais bem interessantes.
Eu o conheci em “Curse Words” e “Letter 44”, ambas HQs com premissas bem interessantes também.
Atualmente acompanho a série “Undiscovered Country” que também parte de uma premissa inusitada.
Mas essa ele escreve em parceria com o Scott Snyder.
Só que lendo Undiscovered Country, e conhecendo o trabalho autoral de ambos, vemos que o Snyder teve pouca participação na obra.
Leiam esta e outras HQs do autor e depois digam o que acharam aqui nos comentários!
Para mais resenhas, clique aqui.
Quando ouvi falar pela primeira vez nessa série, imaginei que teria um tom mais soturno. Boatos diziam que a história seria sobre piratas fugindo de alguma prisão.
Logo pensei algo mais na linha do Mandaloriano e isso me alegrou.
Porém, pouco depois soube que seria uma história infantil, então associei com Bobba fett, Obi Wan e Acolyte. Todas com uma pegada mais bobinha numa tentiva de agradar a crianças e com histórias péssimas.
Acho que não fui o único, dados os péssimos números de estréia da série.
Mas, assim como Andor, Skeleton Crew surpreendeu o público com uma história realmente boa, mesmo que num tom completamente distinto.
Tal como em Andor, acompanhamos personagens que vivem à margem dos grandes conflitos daquela galáxia distante. Por si só, isso já concede grande liberdade para roteiristas habilidosos trabalharem estes personagens e tramas envolventes, sem se preocuparem muito com possíveis cruzamentos com o que já foi narrado nos filmes e outras séries.
O meu ver a Disney tem descoberto que contratar bons roteiristas e dar a eles uns dois ou três meses para terem uma boa história que valha a pena ser filmada é um excelente investimento.
Menos custos com refilmagem e mais certeza de retorno dos investimentos. Quem diria?
Algo que o James Gunn já disse que está praticando no DCU.
E algo que ele sempre fez.
Sim a série busca várias inspirações, não é algo incrivelmente original e inusitado, é apenas uma boa aventura com crianças protagonistas e piratas espaciais.
Que, por acaso, se passa no universo de Star Wars.
Contudo, não se enganem, assim como em Andor, toda a ambientação e a trama principal ancoram bem a história de Skeleton Crew no cenário de Star Wars.
Também vemos diversas referências sutis a cenas e momentos, mas tudo isso provavelmente passará despercebido pela maioria da pessoas.
Não é isso que faz a diferença nessa série, mas a forma como os personagens são trabalhados, cada um tendo sua devida importância e razão de ser.
A trama é muito bem resolvida e desenrolada a cada episódio com novas revelações e surpresas.
Crianças não são idiotas e podem acompanhar tramas complexas se os elementos dentro dela forem familiares.
Em Skeleton Crew eles até usam crianças como protagonistas para reforçar essa identificação.
Mas nem isso é necessário, já que os filmes originais de Star Wars não precisarm disso para encantar o mesmo público.
Então assista à série.
Sei que tem um monte de gente metendo o malho em Skeleton Crew.
Aposto que metade não assistiu e não gostou e a outra metade só quer ver os personagens famosos re-requentados.
Assisti com o meu filho achando que seria bobinha e me encatei junto com ele.
Ficávamos elocubrando sobre os mistérios ao final de cada episódio.
Star Wars é um universo cheio de possibilidades, mas precisa de gente que saiba escrever para explorá-lo.
Por isso que, após diversos fracassos, Skeleton Crew é uma nova esperança para nós fãs.
Seja para crianças, adolescentes ou adultos.
***
Confira minhas outras resenhas e HQs aqui no site e siga minhas redes sociais para não perder as novidades!
]]>Estava vendo no meu Goodreads que faz um ano desde que li Kroma.
Nesta HQ acompanhamos uma cidade sem cores cujos altos muros brancos guardam o último bastião da humanidade em um mundo tomado por densas florestas e criaturas terríveis.
O contraste entre as belas cores do lado de fora e a palidez da cidade é o que mais chama a atenção.
Mas na cidadela a ausência de cores é cultuada e preservada com muito rigor pelo grupo religioso que rege a cidadela.
O mesmo grupo mantém aprisionada a jovem Kroma, cujos olhos coloridos são tidos como uma afronta e mau agouro.
O que levou a humanidade a essa situação?
Será Kroma a salvação, ou o início do fim?
Essas e outras perguntas você se fará lendo a HQ e ao final talvez tenha as respostas.
O mais interessante é a mensagem de que devemos sempre questionar as narrativas que nos são apresentadas.
Principalmente por aqueles que mais admiramos e nos quais depositamos mais confiança.
São esses que geralmente sabem tudo que queremos e precisamos escutar para nos sentirmos confortáveis e complacentes.
A HQ Kroma traz o contraste de narrativas não apenas no texto e enredo, mas visualmenete na colorização.
A bela, mas perigosa natureza de cores vivas do lado de fora, e a entediante, mas segura cidadela.
Só que nem todo mundo lá dentro pensa assim.
A maioria das pessoas nunca sequer olhou além dos muros e não pensa em cores.
A maioria sempre aceita a narrativa vigente porque é tudo que conhecem.
Por meio de narrativas fabricadas líderes não apenas criam inimigos, crises e utopias ficcionais, mas também desumanizam e escravizam populações inteiras na prática.
Cabe aos sonhadores pensar em novas possibilidades, aos entrépidos olhar e buscar além dos nossos muros e aos inquisidores questionar o status quo.
Kroma é uma fábula.
Na realidade a mudanças custam muito mais e mudanças reais não ocorrem de uma hora para a outra.
Precisamos de muitas gerações para que uma sociedade mude culturalmente, por isso que revoluções nunca dão certo.
Mas isso é tema para outro texto.
Por hora, leiam Kroma, reflitam e se inspirem.
Para mais resenhas de HQs, séries e livros cliquem aqui.
Cabe aos sonhadores pensar em novas possibilidades, aos entrépidos olhar e buscar além dos nossos muros e aos inquisidores questionar o status quo.
Kroma é uma fábula.
Na realidade a mudanças custam muito mais e mudanças reais não ocorrem de uma hora para a outra.
Precisamos de muitas gerações para que uma sociedade mude culturalmente, por isso que revoluções nunca dão certo.
Mas isso é tema para outro texto.
Por hora, leiam Kroma, reflitam e se inspirem.
Para mais resenhas de HQs, séries e livros cliquem aqui.
Nos últimos 15 anos temos visto um crescimento contínuo de publicações de HQs independentes no Brasil.
Isso se deve a fatores como: financiamento coletivo, divulgação e publicação online.
Quem produz quadrinho independente sabe que o local onde 80 ou 90% das vendas ocorrem é em eventos.
Mesmo o autor possuindo loja online, o leitor de quadrinhos, em geral, não busca títulos independentes dessa forma.
Campanhas de financiamento são o segundo maior escoamento de vendas.
Porém, um autor independente não consegue promover mais do duas por ano.
Sim, existem autores mais famosos que, mesmo produzindo sozinhos, têm os eventos apenas como uma complementação nas vendas.
Mas aí estamos falando de casos bem fora da curva.
Publicar online infelizmente não dá retorno algum além de divulgação.
Muita gente consegue alcançar um grande público online, após anos produzindo sem retorno, e então começar a lucrar com a venda de publicações impressas, acessórios, etc.
Contudo, os eventos demoraram a acompanhar o ritmo da oferta de quadrinhos independentes.
Eventos grandes como a CCXP, Anime Friends, FIQ e a BIENAL têm ajudado a aproximar autores e público.
Porém, eventos como esses são caros e difíceis de produzir, grandes capitais mal conseguem ter um desses por ano.
Isso quando têm um. Aqui no Rio de Janeiro temos apenas a BIENAL do Livro de dois em dois anos.
Eventos pequenos de quadrinhos são baratos e fáceis de produzir.
O mesmo evento pode ocorrer 2 ou 3 vezes por ano.
Para os autores o custo de participação também são menores, muitas vezes apenas o deslocamento.
Assim, é mais fácil lucrar mesmo com o pequeno público e poucos títulos disponíveis.
Isso é ótimo, principalmente para iniciantes que não teriam como recuperar os custos de grandes eventos.
E para autores com mais títulos, é uma forma fácil de rodar o estoque.
Falo do Rio por morar aqui e conhecer melhor.
Aqui seria muito fácil termos 12 eventos pequenos de quadrinhos ao longo do ano em diferentes bairros atraindo públicos variados.
Eventos constantes e regulares acabam se tornando pontos de encontro do público nos bairros.
Público este que convida amigos e atrai leitores de quadrinhos que ignoravam a produção independente.
Diferente dos grandes eventos, evento pequenos de quadrinhos são muitas vezes gratuitos para o público.
Pessoas vão por mera curiosidade e acabam descobrindo esse universo pouco divulgado dos independentes.
O Rio de Janeiro nunca foi bom para grandes eventos, até porque o nosso principal local de eventos é o Riocentro.
Todos os cariocas sabem a dificuldade que é chegar no Riocentro.
Isso além de outras razões.
Mas vinhamos ganhando eventos de pequeno e médio porte pouco antes da pandemia.
Desde então tudo parou e só agora vemos um ressurgimento da cena.
Este ano de 2024 já tivemos 6 eventos pequenos de quadrinhos (alguns apenas anunciados), e um de médio porte.
Ano passado tivemos 8 pequenos e médios apenas na capital.
Mais 3 na baixada e Niterói e ainda a BIENAL. Ao todo, 12 eventos.
Só isso já movimentou bem a cena dos independentes do Rio e grande Rio.
Mas tem espaço para mais 4 na capital, principalmente na zona oeste.
Esse texto não é apenas a constatação dos fatos, mas uma forma de expressar o valor que há nesses eventos.
Dessa forma, espero inspirar seus organizadores a promoverem mais eventos.
Também, quem sabe, inspirar mais pessoas a promoverem eventos novos, quiçá de grande porte.
Portanto, listo abaixo os eventos que têm ocorrido no Rio de Janeiro para que todos possam acompanhar.
Participem, frequentem e divulguem todos eles.
Eventos pequenos:
Center Comics
Rock zine fest
Agaquês
Hell de Janeiro
Eventos de médio porte:
Jedi Rio
Geek Town
Eventos de grande porte:
Bienal do Livro
LER
Nem todos são focados em quadrinhos, mas em todos os quadrinhos independentes têm espaço.
Não falo muito sobre os eventos dos quais participo aqui no blog, deixo para as redes sociais.
Mas comentei sobre o FIQ 2022 do qual participei.
Infelizmente este ano, por alguma razão que desconheço, fiquei de fora do FIQ.
Os curadores certamente devem ter encontrado 250 quadrinistas com mais HQs e que publicam mais de um título por ano. Quem sou eu pra julgar?
Esse risco sempre existe com relação a eventos grandes, o que ressalta ainda mais a importância dos pequenos.
Muitos já o conhecem pelas HQs O Cabra e Aú o Capoeirista.
Duas HQs muito boas e premiadas.
O Cabra é uma história de ação e drama na linha das melhores HQs americanas do gênero. Porém, impressa num formato pôster, do tamanho de um caderno de jornal.
Linda, valoriza muito a arte, mas digamos que fica um pouco difícil de levar para ler no ônibus.
Já em Aú, o Flávio explora sua verve franco-belga e nos brinda com duas HQs de mistério e aventura infanto-juvenil.
As aventuras do Aú poderiam ter sido protagonizadas pelo Tin Tin, mas no seu lugar Flávio colocou um exímio capoeirista baiano.
Agradou até mesmo os quadrinistas da terra do Tin Tin.
Aliás, a Bahía e seus tipos são muito bem retratados em ambas as HQs, uma homenagem do Flávio à sua terra natal.
Contudo, após ter o prazer de ser vizinho de mesa dele na CCXP23, pude perceber que onde o Flávio brilha de fato e dá vazão à sua principal verve é em seus outros títulos.
Os também premiados Jayne Mastodonte e Agente Sommos.
Ambas as HQs são de humor escrachado, mas bem perspicaz e, por vezes, sutil.
Em Jayne Mastodonte acompanhamos a musculosa heroína que com ajuda de sua auxiliar, Sushi, soluciona mistérios e crimes.
A principal referência para as aventuras da Jayne, principalmente a segunda, é Indiana Jones.
Já seu nome e aparência derivam da atriz Jayne Mansfield (exceto nos músculos).
Em Agente Sommos a piada já começa no trocadilho do título.
Esta série de HQs faz alusão a todas as histórias de detetives e agentes secretos do cinema e da TV.
O visual do protagonista remete ao do ator e galã Tarcísio Meira e as referências ao cinema nacional não ficam só aí.
Flávio Luiz sabe explorar muito bem esse humor de trocadilhos, referências e subtextos.
Isso não apenas nas HQs, ele adora contar casos e piadas nesse estilo.
Esse é o humor que o Flávio exibe naturalmente.
Eu e muitos acham excelente.
Que o Flávio siga produzindo muito mais HQs desse nível.
P.S.: Nem falei aqui do trabalho dele com charges e caricaturas.
Confiram nos links dele.
Quer saber mais sobre HQs e autores nacionais?
Então siga lendo meu blog.
Eu já havia ouvido falar no Chris Ware, mas somente no ano passado peguei uma HQ dele para ler, foi Rusty Brown pouco depois li o Building Stories.
Quem me empolgou para a leitura foi a Michele Nunes que está desenhando a Tupiniquins, minha próxima HQ.
Chris Ware é muito conhecido por seu traço cartunesco e minimalista com linhas precisas que compõem imagens claras inseridas em layouts bem peculiares e muitas vezes complexos.
Aliás, ele gosta de explorar ideias inusitadas em termos de layout de páginas de HQs.
Ele busca compensar os layouts complexos com as imagens claras dentro dos quadros, mas ainda assim eu não vejo suas HQs como portas de entrada para novos leitores.
Contudo, as histórias que ele narra são dramas cotidianos de fácil identificação.
A forma como ele escreve sobre eventos mundanos e muitas vezes banais é o que me encantou.
O Chris Ware consegue imprimir muita dramaticidade mesmo com seu traço simplificado.
Eu atribuo isso à sua grande habilidade em controlar o ritmo narrativo e tomadas de câmera.
Somos impelidos a contemplar os quadros e páginas chave de suas histórias e refletir sobre o que acabou de acontecer ali.
Assim, entendemos e criamos empatia pelos arrependimentos e desilusões dos personagens.
Não são poucas as passagens que me levaram de volta a momentos bem específicos da minha vida.
As memórias trazidas não são boas porque as histórias do Chris Ware não tratam de sentimentos bons.
As HQs do Chris Ware podem nos deprimir se as lemos num mau dia.
Deixo esse alerta.
Muitas vezes eu pude entender bem como o personagem estava se sentindo.
Lendo Rusty Brown e Building Stories foi interessante ver como o Chris Ware consegue costurar suas histórias umas nas outras.
Ambas as HQs possuem múltiplas histórias se desenrolando em simultâneo.
O protagonista de uma HQ se torna coadjuvante na seguinte e assim vamos conhecendo todos, por diferentes lentes.
Pela narrativa segura, os temas trabalhados e a forma como ele consegue puxar o leitor para dentro da trama, eu posso dizer que as HQs do Chris Ware estão entre as mais maduras que já li.
Dificilmente uma pessoa com menos de 30 anos conseguiria se identificar com a maioria dos sentimentos que ele retrata em suas obras.
São sentimentos que só quem já viveu certas frustrações, arrependimentos e desilusões consegue identificar.
Aos 46 anos eu ainda torço para não vir a me identificar com alguns dos personagens e eventos.
Tudo que falei pode parecer desencorajador para quem nunca leu essas HQs.
Contudo eu digo que valem a pena serem lidas pois nos levam a refletir sobre a vida.
Os mais jovens podem identificar ali boas lições.
Os mais velhos saberão que não estão sozinhos com suas cicatrizes.
Fico imaginando de onde o Chris Ware tira as inspirações para as suas histórias.
Se ele viveu metade do que narra ali, definitivamente soube aproveitar os limões que a vida deu a ele.
Building Stories não foi publicado na forma de um livro, mas na forma de uma caixa com algumas das histórias em forma de revistas, outras em tiras ou pôsteres.
É uma forma bem inusitada que demonstra a versatilidade que os quadrinhos possuem.
Foi inspirado nisso que o ilustrador/quadrinista Marcio de Castro criou sua versão de O Cortiço.
Aqui tenho outras dicas de HQs e autores.
O Hans Grotz é uma espécie de homenagem do Lucas a esta era dos cartuns.
Lendo as tirinhas pegamos a vibe de vários personagens clássicos que eu cresci lendo nos jornais e assistindo na TV.
O Hans não é um personagem atual e nem tenta se colocar dessa forma.
Ele possui uma mente antiquada e anacrônica, sempre criando graça quando diante das novas tendências.
Hans Grotz tem muito do Lucas.
Não é difícil para qualquer pessoa da nossa idade ou mais velho se identificar com várias de suas facetas.
Certamente não nos expressamos ou parecemos com o Hans Grotz.
Porém, volta e meia nos pegamos pensando como ele.
O Hans Grotz é o nosso inconsciente ranzinza manifestado em nanquim e papel.
O Lucas tem a mesma idade que eu, mas está há mais tempo na correria de produzir HQs.
Sua especialidade e paixão são os cartuns, de preferência tudo que remeta à primeira metade do século 20.
Ele consegue desenhar todos aqueles personagens com grande habilidade e deixá-los com a sua cara. Digamos que o Lucas seria capaz de produzir HQs dos personagens da Disney tal como tantos outros desenhistas ainda fazem, trabalhando aquele universo à sua maneira.
Poucas pessoas mais jovens se identificam com o trabalho do Lucas, mas se você, como eu, cresceu assistindo Hanna Barbera, Looney Toons, Disney e lendo tantas tirinhas que sequer figuram mais nos jornais, sugiro buscarem mais sobre o trabalho do Lucas Libanio.
E se você curte tirinhas, dá uma olhada nas que eu fiz aqui.
Flea é tido por muitos o melhor baixista da atualidade há umas duas décadas pelo menos.
Eu não saberia julgar isso, mas gosto muito da banda e do que o baixo dele acrescenta ao som dos Red Hots.
Até onde me lembro, a primeira música que escutei deles foi a versão que fizeram de Higher Ground do Stevie Wonder.
Mas eu achava que a música era do Red Hot porque isso foi provavelmente em 1990.
Nesse ano a MTV já chegara no Brasil e vídeo clips começaram a fazer parte da minha rotina.
Eu tinha só 12 anos e não sabia de quase nada.
Eu nunca tive grande interesse por música em si, mas a união de música e imagem me cativava.
A imagem traz o contexto, a história, que é o que eu curto de fato, e a música soma.
O Clipe de Higher Ground dos Red Hots era bem simples.
Mas a música é muito boa e a versão deles têm a energia que é a marca da banda.
Desde então busquei acompanhar os Red Hots mas só pelos clipes mesmo.
Nunca fui de ficar lendo sobre músicos ou qualquer celebridade.
O Flea também é uma figurinha fácil em Hollywood, já tendo aparecido em vários filmes.
Geralmente ele faz só uma ponta.
Talvez a primeira vez que o vi, mas sem reconhecê-lo, tenha sido no De Volta pro Futuro 2.
Nesse filme ele faz o papel do filho do Biff.
Para não dizer que eu nunca havia lido outra biografia, eu já tinha lido a do Tim Maia escrita pelo Nelson Motta.
É excelente. Talvez outro dia faça uma resenha dela aqui.
Então há dois anos quando minha esposa pediu o livro Acid for the Children eu não dava a menor bola para ele.
Mas pesquisando por um exemplar acabei me deparando com o audiolivro lido pelo Flea.
Isso me interessou porque eu vinha tendo dificuldade de parar para ler livros.
Era a chance de experimentar essa modalidade e se não desse certo eu poderia largar no meio sem problemas.
Agradeço ao Flea por essa bela introdução.
O Flea narra muito bem e seus altos e baixos emocionais ao longo da leitura me convenceram do quão tocantes foram aqueles momentos narrados.
No livro ele narra sua história desde a infância até o primeiro show da banda que viria a se tornar o Red Hot Chili Peppers.
Não é surpresa afirmar que a história é repleta de momentos e períodos bem loucos, bizarros e até dramáticos.
Várias vezes ao longo do livro o Flea reconhece o milagre de ter sobrevivido a tudo aquilo.
O mais interessante de Acid for the Children, foi conhecer seu lado sensível e inseguro.
Publicamente o Flea pode parecer intimidador e insano, como muitos músicos famosos.
Porém no íntimo lamenta muitas das vezes em que magoou pessoas por agir sem pensar.
Ele também deixa claro que essa pose, como sempre, é uma casca.
Uma proteção para a pessoa sensível que de outra forma seria um alvo fácil para zoações.
Recomendo a leitura, mas recomendo ainda mais que escutem ele lendo.
Hoje eu não me vejo mais comprando livros físicos, salvo alguma edição muito especial.
Também não me vejo mais sem o conforto de um audiolivro.
Nada como colocar a leitura em dia enquanto realizo as tarefas domésticas.
Se gostam de ler dramas, eu recomendo a minha HQ Ovelha Negra que foi adaptada de um curta escrito por mim e que também escrevi em forma de conto. Confira os três aqui.
]]>A HQ é toda roteirizada pelo Daniel. Ela conta com os belos traços em preto e branco de: Samuel Bono, Kris Zullo, Pedro Okuyama e Ricardo Sousa.
Billy é um simpático cachorrinho que é mascote de um time de várzea.
Porém Billy tem o hábito de sempre interferir nas partidas.
Em outra história vemos um desconhecido ex-jogador que hoje é um mero pipoqueiro.
Sua carreira teve um ponto alto, o dia em que seu time marcou contra o Santos de Pelé
E por fim, acompanhamos a trágica história do Josué.
Ele é um dos muitos talentos que se perdem pelas intransigências e azares do futebol.
Quando li a HQ logo me veio à mente o filme Boleiros de 1998.
Este filme também reúne várias histórias curtas sobre o futebol.
Todas essas histórias de Pelota são bem familiares a quem acompanha minimamente o esporte, mesmo as mais absurdas.
Atualmente estou assistindo o seriado Ted Lasso. Fui “laçado” pela simpatia do protagonista.
O legal é que a série não é sobre o absurdo de um treinador de futebol americano treinar um time de futebol inglês.
Ted Lasso é sobre liderança, conquistar corações em mentes e relações humanas em geral.
Acho que é isso que todas as boas histórias de futebol e esportes coletivos em geral nos trazem. Histórias sobre pessoas que precisam cultivar relações para que seus talentos possam aflorar.
Pelota traz um pouco disso variando do cômico ao drama, passando pelo mundano.
Sempre falando de pessoas e seus sentimentos mútuos em meio à paixão pelo universo do futebol.
Você já leu a HQ Pelota – Quadrinhos e Futebol?
Curte histórias de futebol?
Comenta aqui embaixo.
E se tiver alguma história sua para contar, mas ainda não sabe como, dá uma olhada no meu curso de escrita e roteiro.
Sim, ambas estão aí há um tempão, mas eu não sou aficionado por música. Não fico antenado nas novidades desse mercado e, pra ser sincero, escuto pouca música.
Isso porque eu trabalho com escrita e não consigo escutar música enquanto escrevo ou leio.
No máximo música instrumental, e até essa me distrai se a relaciono com algum filme onde ela aparece.
Minha cabeça é logo transportada para aquele universo.
Música com letra então, já viu.
Então me perdoem o atraso e aos ainda mais atrasados, eis duas boas dicas.
Metric e Supercombo foram direto pra minha lista de bandas preferidas e tenho escutado muito sempre que estou fazendo algo mais manual no computador, tipo editando imagens.
Eu adorei a trilha sonora do filme Nimona e a música que eu mais curti foi Gold Guns Girls do Metric.
Acabei buscando a banda e pronto.
Descobri que já participaram da trilha sonora do Crepúsculo, com uma música bem legal e é deles a música Black Sheep do filme Scott Pilgrim, que eu já conhecia mas não sabia de quem era.
Metric já vem desde 98 e o primeiro disco lembra muito som do Garbage, até a formação segue o padrão com três caras tocando e uma mulher cantando.
Mas o som deles foi se tornando mais new wave e synth pop.
Pesquisando HQs nacionais acabei me deparando com uma HQ chamada Adeus Aurora ilustrada pelo Jean Diaz.
O que se seguiu foi:
– Vi que a HQ era inspirada no álbum Adeus Aurora dessa banda Supercombo.
– Vi que a banda vinha do Espírito Santo.
– Vi que o Jean Diaz tinha sido um dos fundadores!
Logo, fui escutar o álbum e adorei, assim como tudo mais da banda.
Ah, ainda preciso ler a HQ.
O som da banda é ótimo, as letras então, muito bacanas.
A Rosele já virou fã também.
Não vou me estender.
Busquem no YouTube e divirtam-se.
Depois me digam aqui se a dica foi boa.
Quem já conhece as bandas também comenta aqui quais as músicas prediletas delas.