Advertise with Googlier.com Discografia https://blogs.opovo.com.br/discografia Imersão na música e cultura com o blog Discografia. Conheça artistas, shows e eventos musicais. Tue, 26 May 2026 14:22:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 Giuliano Eriston lança novo disco autoral onde aborda medos e amores com mais liberdade https://blogs.opovo.com.br/discografia/2026/05/26/giuliano-eriston-lanca-novo-disco-autoral-onde-aborda-medos-e-amores-com-mais-liberdade/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2026/05/26/giuliano-eriston-lanca-novo-disco-autoral-onde-aborda-medos-e-amores-com-mais-liberdade/?noamp=mobile#respond Tue, 26 May 2026 14:21:56 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21342

Giuliano Eriston lança disco produzido por Pedro Baby (Crédito da foto: Nando Chagas/ Divulgação)

Realities de música são melhores em fazer celebridades do que artistas. De modo geral, é difícil lembrar quem ganhou qualquer edição de um “Popstar”, “Fama”, ou “Canta Comigo”. Mas é fato que eles impulsionam imagens, dão visibilidade e, quem tem talento de fato, tem a chance de capitalizar isso. É o caso do cearense de Bela Cruz (205,59 km de Fortaleza) Giuliano Eriston que estrou aos 13 anos cantando e tocando no Festival Choro Jazz de Jericoacoara. Onze anos depois, venceu a 10ª “The Voice”, reality show da rede Globo, cantando “Luz do sol”, de Caetano Veloso.

Essa oportunidade abriu portas, apresentou pessoas e lhe deu como prêmio a chance de gravar o primeiro disco, “Universo em Si”, em 2022. Quatro anos e muitos shows depois, chega às plataformas digitais seu segundo disco, “Politonia”, produzido por Pedro Baby. Giuliano conheceu o filho de Baby do Brasil e Pepeu Gomes ainda na adolescência, na gravação de um programa de TV que aconteceu em Jericoacoara, onde ele foi morar com família uma época. Radicado no Rio de Janeiro há 4 anos, eles se reencontraram, Pedro produziu em 2024 um EP com cinco composições de Sérgio Sampaio e, agora, enfim, um novo disco completo.

“A grande diferença do ‘Universo em si’ para esse álbum é a diversidade da paleta de cores, porque a instrumentação no ‘Politonia’ é muito mais diversa, tem muito mais texturas, muito mais nuances musicais. Como eu me considero um artista de MPB, ele (o disco anterior) tem essa característica de uma diversidade de formas musicais e referências também. Mas de alguma forma ele soa com uma paleta restrita. E aí a ruptura que eu considero que estou fazendo, uma delas, é essa de agregar mais instrumentos, fazer um trabalho maior de fato”, compara Giuliano o projeto que foi uma consequência da participação no “The Voice” e o mais recente.

Ele conta que ó trabalho com Pedro Baby começou com seis faixas, depois foram compostas mais três. Antecipado com exclusividade à coluna, “Politonia” começa com reflexões íntimas, passa para as histórias de amor e termina com uma abordagem político-social. Mas isso não torna o álbum algo conceitual ou sisudo, tudo vai surgindo naturalmente e com os temas se interligando. “Lucidez”, a faixa de abertura, por exemplo, fala sobre seu momento de se abrir para o mundo, para o novo. Logo em seguida vem “Gosto do Gesto”, claramente uma música feliz, de amor, de expectativa, de paquera. Para encerrar, “Waiting” fala sobre os conflitos envolvendo EUA, Israel, Palestina, imigrantes, polícias migratórias e um cenário internacional confuso.

E, além dos temas, os sons também se misturam e se complementam em “Politonia”. Esta última, por exemplo, tem ares de um elegante standard americano, meio Cole Porter, e nasceu com a ideia de ser mais uma canção de amor. Já a faixa de abertura lembra algo de Tim Bernardes e se abre num belo e solar arranjo de cordas. De certa forma, acontece o inverso em “Festa do Infinito”, que parece vir de um espaço sideral até pousar num ambiente terreno. Composta num momento de paixão, a faixa se aproxima mais de um som radiofônico – sem forçar barra.

No entanto, a que foi escolhida como faixa de trabalho é “Corpo de Candiá”, que conta com a participação de Moreno Veloso. “A letra veio de uma experimentação com a sonoridade de certas palavras que me dão a impressão de ser ou iorubá ou alguma coisa tupi. Por exemplo fuá, aluá. Essas sonoridades que eu sempre acho muito gostosas e que vem, obviamente, de palavras desses povos que são matrizes da nossa mistura. Passou um tempo como rascunho, depois eu agreguei outras partes e transformei essa música numa espécie de cântico à noite. Tem uma relação quase que religiosa, pagã de alguma forma, porque exalta a lua e a noite, assim, meio como entidades”, detalha.

E Giuliano vai seguindo com a salsa “Borogodó” (única parceria do disco, com Pedro Baby e Gustavo Pereira), “Não pro sim” (uma elegante balada r&b sobre a iminência da separação, com forte ar de Djavan) e “Vem me relembrar”, um “xote metido a besta”, nas palavras do autor, cantando em francês. Ao final, “Politonia” é um disco curto, claro nas referências e transparente nas intenções. Pois é, Giuliano Eriston não buscou fórmulas fáceis para o sucesso, preferindo investir do que sabe fazer bem. “Acho que ser artista de MPB é apostar numa conexão forte com o ouvinte. Acho que tem a ver com uma relação mais duradoura, uma construção de carreira menos fugaz. Por mais que não seja numeroso como os artistas do top 5, 50, que seja, do Spotify, mas que sejam impactos significativos na vida das pessoas em termos de abrir a percepção para olhar uma situação de maneira diferente e de alguma forma fazer se sentir melhor. Esse é o objetivo, mais artístico, mais profundo, mais poético”, encerra.

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Beto Guedes estreia show comemorativo em Guaramiranga https://blogs.opovo.com.br/discografia/2026/02/17/beto-guedes-estreia-show-comemorativo-em-guaramiranga/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2026/02/17/beto-guedes-estreia-show-comemorativo-em-guaramiranga/?noamp=mobile#respond Tue, 17 Feb 2026 22:01:44 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21329

No show em Guaramiranga, Beto Guedes cantou ‘Canção da América’ para homenagear Milton Nascimento e Lô Borges (Crédito das fotos: Eunilo Rocha/ Divulgação)

Quem viveu os primeiros anos do Festival Jazz&Blues em Guaramiranga guarda na memória os shows que aconteciam na escadaria da Igreja Matriz. Não bastassem os degraus darem aquele ar de anfiteatro, o casario, o cristo e a própria igreja faziam dali um cenário perfeito para as apresentações. Em seguida, a pedida era descer para a praça principal e ver a programação do Teatro Raquel de Queiroz.

Infelizmente, foram 16 anos em que o festival aconteceu sem esses dois palcos. Com o fechamento do teatro e o pouco caso do poder público local para a reabertura, foi construída uma tenda que abrigou o Jazz&Blues até o ano passado. Mas ambos os espaços foram retomados em 2026, quando o evento que acontece no período do Carnaval chegou à sua 27ª edição.

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A programação em Guaramiranga teve início na segunda, 9, com uma masterclass ministrada pelo baixista Miquéias dos Santos com o baterista Adriano Azevedo. Ambos ainda apresentaram um show na noite da segunda, 16, no teatro. De sábado, 14, até terça, 17, o festival se dividiu em lançamentos de livros, oficinas, teatro infantil, apresentações de músicos locais na praça principal, cortejo de maracatu, jam sessions e muitos shows, de Fauzi Beydoun (Tribo de Jah) a Rosa Passos.

Beto Guedes estreia “Página 43”

E foi em meio a essa programação que Beto Guedes estreou a turnê “Página 43”, que celebra seus 75 anos – completados em 13 de agosto próximo. O nome do show faz alusão à canção “Page 43”, do lendário compositor norte-americano David Crosby, uma das influências do Clube da Esquina, movimento musical que tem em Beto um dos pilares. Outras duas referências dessa geração de músicos mineiros, Lô Borges e Milton Nascimento foram homenageados no show com a releitura de “Canção da América”. A homenagem foi discreta, apenas com ele citando uma de suas parcerias com Lô, que faleceu em novembro de 2025 aos 73 anos. Milton, 83 anos, que foi diagnosticado com Parkinson e demência, não foi citado, mas é impossível não ligar os versos “amigo é coisa pra se guardar debaixo de sets chaves” à sua voz e carreira.

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De perfil discreto, meio tímido, pouco falante, Beto Guedes iniciou o show com canções menos populares do seu repertório, até chegar “Espelhos d’água”, uma de suas célebres baladas. De guitarra em punho e dando pequenos goles numa cerveja, ele virou o jogo na segunda metade da apresentação puxando os muitos hits da carreira com a energia dos roqueiros que ele admira. A banda contou com Will Motta (teclados), Adriano Campagnani (contrabaixo), Cyrano Almeida (bateria) e Ian Guedes, filho de Beto, compartilhando vocais e guitarra.

“Lumiar”, “Amor de índio”, “Sol de Primavera”, “Feira Moderna” (parceria com Lô, bem lembrada na ocasião), “A página do relâmpago elétrico”, entre outras, desfilavam no repertório enquanto o público – em sua grande maioria adulta – cantava junto, aplaudia e balançava capas de LP. Após cerca de uma hora de apresentação, Beto Guedes se despediu e foi intimado a fazer um bis. Logo voltou para cantar “Cantar”, uma das belas canções de seu pai, Godofredo Guedes.

Jazzera canta Clube da Esquina e Moacir Bedê comemora 40 anos de carreira

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Antes de Beto Guedes, o Clube da Esquina já havia sido homenageado pelo grupo Jazzera, que abriu o palco da Igreja Matriz na segunda, 16. O quarteto, natural de Guaramiranga, relembrou “Manuel o audaz”, do também mineiro Toninho Horta, e “Trem Azul”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos. O Jazzera é formado por Wagner Ferreira (baixo), Marcelino Ferreira (guitarra), Rafael Teixeira (bateria) e Denny Almeida (violão).

Em seguida, foi a vez de Moacir Bedê subir ao palco para comemorar seus 40 anos de carreira. Multi-instrumentista, ele fez uma seleção de composições registradas em seus discos autorais, como ele mesmo afirmou, quase 100% instrumentais. Acompanhado por Fábio Amaral (contrabaixo elétrico), Bruno Vasconcelos (bateria) e Thais Costa (percussão), ele apresentou uma variação de ritmos e melodias de muita beleza e sensibilidade. Reforçando o time, ele convidou Ellis Mário, um dos músicos mais celebrados do Ceará, para tocar flauta e saxofone, e Loren Gualda, para cantar algumas de suas canções que ganharam letra.

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Zeca Veloso aposta na segurança familiar e lança primeiro disco solo https://blogs.opovo.com.br/discografia/2025/12/04/zeca-veloso-aposta-na-seguranca-familiar-e-lanca-primeiro-disco-solo/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2025/12/04/zeca-veloso-aposta-na-seguranca-familiar-e-lanca-primeiro-disco-solo/?noamp=mobile#respond Thu, 04 Dec 2025 15:54:53 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21318

Capa do disco “Boas novas”, estreia solo de Zeca Veloso (Siny Music/ Divulgação)

Quando Caetano Veloso reuniu os filhos numa turnê em 2017, a faixa “Um homem” logo tornou-se uma surpresa. A composição de Zeca Veloso remete à força do feminino e causou impacto tanto pela melodia absurdamente íntima quanto pela voz em falsete do filho mais velho de Paula Lavigne. Embora ele já tivesse um trabalho de composição com a banda Dônica, foi ali que, de fato, chamou a atenção do público.

Mas foram preciso sete anos para que Zeca se mostrasse por inteiro. Há uma semana chegou às plataformas digitais seu disco de estreia solo, “Boas novas”. São 10 canções inéditas e autorais, algumas compartilhadas com parceiros, como seu irmão Tom Veloso, que também esteve na turnê familiar. Para puxar esse fio da meada, Tom, Moreno e Caetano retornam para a faixa de abertura do disco, o afo(pop)xé “Salvador”, que tem a maior cara de hit, assim como “Máquina do Rio”, um cruzamento dançante dos sons oitentistas de Gilberto Gil e Lincoln Olivetti. O álbum conta ainda com parcerias e participações de Dora Morelenbaum e Xande de Pilares. A primeira na balada demasiado sensível “A carta” e o segundo no samba clichê “O sal desse chão”.

Pelas pistas ditas até aqui, já fica claro que Zeca não quis arriscar muito longe do terreiro familiar. E é essa margem de segurança que impede “Boas novas” de ser mais do que apenas um bom disco. O canto em falsete foi um recurso que emocionou em 2018, agora soa repetitivo. A faixa-título é uma peça de voz e cordas que tenta arrancar lágrimas, mas pesa a mão nesse desejo. “Desenho de animação” se sai melhor na busca de uma boa canção. Ouvindo ainda “Carolina” e “Tua voz”, fica claro o quanto Zeca é um compositor pretensioso, com boas ideias. Mas falta a experiência com o erro, aquele tempero que só o risco garante. Um ponto positivo é que ele não tentou soar como mais um artista em busca de um lugar ao sol. Filho de quem é, teve à disposição sopros, cordas, todos os recursos necessários para fazer o disco que quis. Embora force a mão na sensibilidade do ouvinte, é certo que ele quis um disco para ser consumido aos poucos e com atenção. E para os tempos atuais, isso já é um grande acerto.

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Por que Kátia Freitas? https://blogs.opovo.com.br/discografia/2025/12/04/por-que-katia-freitas/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2025/12/04/por-que-katia-freitas/?noamp=mobile#respond Thu, 04 Dec 2025 15:43:19 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21311

Kátia Freitas em show comemorativo pelos seus 30 anos de Carreira (Foto: Larissa Freias/ Divulgação)

Shows e exposição sobre a cantora e compositora cearense Kátia Freitas resgata um pedaço da história da música cearense autoral e promove uma saborosa viagem pelo tempo

Por que escrever sobre Kátia Freitas? Porque ela vem celebrando seus 30 anos de carreira. Foi em 1995 que chegou às lojas o disco “K”, uma mistura poderosa e original de rock, pop, MPB, Nordeste, Brasil, mundo. A efeméride veio com exposição de fotos e memórias – de curtíssima temporada- no CCBNB e três shows temáticos que reuniram um bom número de fãs saudosos.

E por que relembrar Kátia Freitas? Porque sua música foi curta, apenas dois discos. Após “K”, veio “Próximo” (2002) com muita expectativa após o estouro do primeiro. Numa época em que TV e rádios eram mais abertas à música cearense, “Coca-Colas e iguarias” virou um hit, até hoje celebrado pelos fãs. A música de Valdo Aderaldo ainda ganhou clipe dirigido por Joe Pimentel, o mesmo que agora grava os shows de 30 anos de “K” para futuros projetos audiovisuais.

Mas por que relembrar Kátia Freitas mesmo? Porque ela faz parte de uma geração que conseguiu registrar sua obra e apresentar em espaços como CCBNB (quando ao lado da Praça Murilo Borges), Feira da Música, Dragão do Mar, Cais Bar e tantos outros que se abriam para a música cearense. Relembrar sua trajetória é, portanto, relembrar uma época em que o Ceará se comemorava mais, se ouvia e assistia em programas como o de Maísa Vasconcelos, que, a propósito dirigiu um dos primeiros shows de Kátia e estava na plateia deste sábado, 29, no CCBNB.

Kátia Freitas em cena no CCBNB, em show que comemora os anos do disco “K” (Foto: Ricardo Damito/ Divulgação)

Mas por que celebrar Kátia Freitas? Em primeiro plano, porque é uma cantora incrível, impactante, com domínio de palco, voz e mensagem. Seus movimentos felinos seduzem, alegram e contagiam, tudo sem se perder na canção. No show do sábado, ela fez um passeio por canções do disco de estreia e algumas surpresas, tudo com o público na mão. Em segundo plano, porque Kátia é um ser humano incrível, amoroso, delicado, que dedicou o show à mãe, Maria Teresa, recém falecida. E, claro, relembrou Cristiano Pinho, parceiro de som e de vida, que a acompanha nesses 30 anos, mesmo tendo falecido em 2024.

Por que ouvir Kátia Freitas? Porque sua música atravessou esses 30 anos como uma cápsula do tempo. “Babe baby” segue sendo uma das mais lindas baladas produzidas nessa terra – e ainda é da lavra luminosa de um companheiro de geração, Davi Duarte. Porque “Trip” remete este escrevente a uma época saudosa de despedida de colégio e tentativa de entrar na universidade. Por que “Próximo” é som pop refinado, criativo, inteligente e potente. Por que “Vias” é aquele lado B que ainda merece ter seu valor reconhecido. Por que ela teve a audácia de pegar músicas de Cazuza e Legião Urbana, remontar em outro andamento e soar autêntica. Por que ela canta em português, inglês e espanhol, sempre deixando claro que é uma cantora cearense.

Kátia Freitas e a banda que a acompanhou no show de 30 anos de carreira: Kevin Cavalcante (bateria), Gabriel Geszti (teclado), Gabriel Yang (guitarra e gaita), Edmundo Júnior (contrabaixo) e Eduardo Lopes (guitarra e violão) (Foto: Vanessa Cordeiro/ Divulgação)

Por que falar de Kátia Freitas? Porque a Cidade estava com saudades dela. Depois de uma longa temporada dedicada à família, não teve uma apresentação temporã dela que não fosse rodeada de expectativas e garantindo bom público. Passados 30 anos, ela comemorou estar de volta ao palco do CCBNB e cantar para uma plateia entusiasmada e saudosa.

Algo mais sobre Kátia Freitas? Sim! Um apelo. Que ela não demore muito a fazer mais shows, gravar discos, dar entrevistas. É um voz que nasceu e cresceu nesta terra, e por isso nos faz ter orgulho dela. Kátia Freitas é o retrato de uma Fortaleza feliz, pulsando no ritmo da arte. Kátia Freitas é pura arte, do mais alta quilate. Obrigado por cantar, Kátia Freitas.

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Duda Beat segue a linha eletrônica com mais força e originalidade em “Tara e Tal” https://blogs.opovo.com.br/discografia/2024/05/02/21289/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2024/05/02/21289/?noamp=mobile#respond Thu, 02 May 2024 17:17:31 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21289

Capa do disco ‘Tara e Tal, de Duda Beat (Divulgação)

Por Mario Henrique Lima

No seu terceiro álbum de estúdio, Duda Beat continua na pegada eletrônica que seu disco anterior Te Amo Lá Fora, de 2021, já tinha apresentado. Porém, em Tara e Tal o eletrônico vem ainda mais forte, meio industrial, mas sem perder a originalidade.

A produção de Lux e Tróia traz um ar fresco ao cenário pop nacional, enquanto outros artistas tentam apenas replicar o que é tocado lá fora. A dupla de produtores aposta na fusão do funk nas faixas Saudade de Você e Desapaixonar, traços de reggaeton em Baby e até um drum and bass maravilhoso na faixa Teu Beijo, que termina com um solo louco de guitarra. O batidão em Doidinha, como diz o nome, dá vontade de sair doidinha pelo meio da rua.

Outro acerto são os visuais muito bem feitos que estão presentes nessa era, numa vibe que mistura o surrealista com o punk britânico dos anos 1980. É um disco que combina tanto sonora quanto visualmente, nunca deixando seus diversos elementos soarem conflitantes.

A cantora entrega outro trabalho incrível do início ao fim, trazendo um storytelling romântico que já virou sua marca registrada. Os vocais, apesar de aparecerem com efeitos em muitas faixas, mostram amadurecimento. E, já vendo um show de Duda, sabe-se que ao vivo ela consegue fazer tão bem quanto, senão melhor.

Duda Beat é uma das poucas no cenário nacional que consegue entregar obras completas e com uma fusão tão grande de gêneros musicais. Até o momento, Tara e Tal pode ser considerado um dos melhores lançamentos do ano.

Confira o repertório de Tara e Tal, de Duda Beat, com a nota (0 a 10) faixa a faixa:

  1. Drama – 8.0
  2. Q prazer – 9.0
  3. Saudade de você – 8.0
  4. Doidinha – 9.0
  5. Preparada – 7.5
  6. Teu beijo – 10.0
  7. Desapaixonar -9.5
  8. Por aí mozão – 7.0
  9. Night maré – 8.0
  10. Baby – 8.0
  11. Quem me dera (com Liniker) – 8.0
  12. Na tua cabeça – 8.5

Média geral do disco: 8.3

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Amaro Freitas venceu o Brasil https://blogs.opovo.com.br/discografia/2024/04/06/amaro-freitas-venceu-o-brasil/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2024/04/06/amaro-freitas-venceu-o-brasil/?noamp=mobile#respond Sat, 06 Apr 2024 19:20:55 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21283

Amaro Freitas, pianista pernambucano, se apresenta em Paris (Foto: Hamilton Filho)

Um melódico “larararálarará” cantado em uníssono pela plateia encerrou, antes do tradicional bis, a participação do pianista pernambucano Amaro Freitas na quadragésima primeira edição do Festival Banlieues Bleues em Paris no início desse abril. Banlieues Bleues em tradução direta significa “subúrbios azuis”.

Uma noite fria, um lugar interessante, um caboverdiano simpático e sorridente vertendo vinho “rouge”, um vendedor de pérolas musicais em formas de LP que não pude comprar porque não caberia na mala, muitas propagandas de shows fabulosos, uma aura de expectativa, com pouco atraso na programação diversa e rica.

A música, explicou de forma afetuosa o pianista pernambucano que está sendo justamente exaltado pelo mundo, fora feito para sua mãe Rosilda. Estou me referindo ã música do “larararálarará”. E o “larararálarará”, que começou timidamente, foi tomando corpo à medida que o público foi perdendo o medo. Foram muitas repetições conduzidas por Amaro e obedecidas com prazer por todos nós. Com gestos simples com o dedo, com o rosto, com a voz, mandando repetir, repetir, para o encaixe em uma parte mais melódica que se apresentava como um refrão.

Uma sala inusitada, toda de madeira quando vista por fora, e de caráter super intimista para quem ocupa uma das suas poucas dezenas de cadeiras formando um “U” em cuja parte aberta estava o piano e a área de saída e chegada do músico. Ok, parece igual a todas, mas não é. É diferente nas paredes pretas, no clima “noir”, no teto baixo, nas madeiras soltas do piso da entrada que faziam barulho mas náo atrapalhava, em um simplismo elegante.

A fileira da frente fica a um metro do músico, que ao se mover até poderia ser tocado por quem a ocupa. Apenas três fileiras de cadeiras. A mais distante do instrumento fica a três ou quatro metros, configurando assim uma super intimidade entre música, músico e os felizes asseclas. É pequeno, mas o que ocorre lá dentro é gigante.

Amaro já lançou “Sangue Negro” (2016), “Rasif” (2018), “Sankofa” (2021) e agora lança “Y’Y” (Lê-se eey-eh, eey-eh). Foi o “Y’Y”, de profundidade amazônica que predominou em sua apresentação. Piano e outros instrumentos simulando sons da floresta, das águas, do ar, da colossal região brasileira que aqui na França desperta fervor. Aliás, um artista suingado, rítmico, alegre, tocando a Amazônia era tudo que os franceses queriam ouvir.

Conheci Amaro Freitas por meio do disco “Sangue Negro”. Não sei se foi o algoritmo ou alguém que me o apresentou, mas o impacto foi imediato. O fraseado é novo, o jazz é música do mundo, mas sobretudo tem sua assinatura. Lembro de buscar na internet algo escrito a respeito daquele jovem e a leitura média era “se é assim o disco de estreia, imagine o que ele será capaz de fazer”.

Amaro venceu o Brasil, o que não é fácil. Jovem negro da periferia de um país assassino de adolescentes pobres, quis fazer jazz quando ganhou um disco do Chick Corea. Mas para isso é preciso ser bem íntimo das teclas de um piano. E aí mora um dos muitos problemas. Como ser íntimo de um instumento, se sequer lápis e papel, que seria mais natural, é facilitado para brasileiros que não têm pais ricos e pele branca? Como ter piano para praticar? Como fazer os pais acreditarem e conseguirem proporcionar aulas de piano? Como encontrar um projeto social que oferte piano, ao invés de curso básico de eletricista ou cópias de chaves? Por óbvio, nada contra eletricistas, nem chaveiros, mas em um país que mais apresenta muros que estradas, a prioridade é a sobrevivência. Arte fica para depois, se der…

Outra maneira de entender onde esse jovem chegou é ouvindo “Cais” onde faz a cama para Criolo e Milton Nascimento. Três gênios negros que venceram o Brasil e que hoje fazem música que não é para rápido consumo. Essa tríade deixou nas redes esse bálsamo. Sugiro conferir.

Voz potente, sorriso convincente, empatia, carisma, uma doce saudação num tom ameno, quase indolente, agradece, mexe nas cordas do piano colocando ali, elementos estranhos que vão trazer novos sons. “É o novo, é o novo, é o novo, é o novo” como disse Belchior. Assim surge mais um artista fabuloso em um incrível, cenário de música instrumental verde e amarelo com Thiago França, Orquestra Voadora, Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Banda da Quebrada, Nômade Orquestra, Hurtmold, Thiago Almeida, Cainã Cavalcante e muitos outros.

Pois bem, a impressão que dá é que Amaro não foi para São Paulo ou Rio de Janeiro ser percebido, para daí “fazer sucesso” e voltar por cima. Dando entrevista pelas ruas de Nova York tem o mesmo sorriso de quem “pulou” etapas antes obrigatórias. Quem caminha com ele nas ruas dos EUA é a própria periferia. Periferia é entorno. É o entorno que Amaro carrega consigo. Na volta, com o sucesso na bagagem, não pedirá bençãos aos grandes centros urbano-musicais. Porque ele venceu o Brasil. Venceu o Brasil com sorriso no rosto, o suor da ancestralidade e o sangue, negro.

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MPB é destaque em Festival de Jazz de Barcelona https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/11/04/mpb-e-destaque-em-festival-de-jazz-de-barcelona/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/11/04/mpb-e-destaque-em-festival-de-jazz-de-barcelona/?noamp=mobile#respond Sat, 04 Nov 2023 21:18:40 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21254 Por Célio Albuquerque

Sérgio Mendes é uma das principais atrações do Barcelona Jazz Festival

O Barcelona Jazz Festival, que acontece entre o final de outubro e o mês de novembro na Espanha,  é uma referência mundial no gênero. O festival, pelo que se pode ver na lista de participações, não se prende a standards. Abrange, dentro do possível, um leque bem rico, que navega do pianista Michel Camilo e o baixista Ron Carter até os duos Quiet Colors e Los Fumeros e a Sant Andreu Banda de Jazz.

E não se resume apenas aos shows. Há master classes e uma série de eventos paralelos. Um programão mesmo.

Um dos artistas mais aguardados para a edição 2023 do festival é o brasileiro Sérgio Mendes, lenda internacional que é um dos maiores divulgadores da música popular brasileira pelo mundo. O espetáculo dele está agendado para o dia 17 de novembro. Muito da música brasileira após ele desembarcar com o grupo Brasil 66 deve, de alguma forma, a ele parte de sua ampliação, além da bossa nova e do samba tradicional.

No texto de divulgação do Barcelona Jazz Festival está o resumo dessa expectativa: “É verdade? Bem, sim, sim, sim e sim! Sergio Mendes, história e lenda viva da música brasileira, estreia em nosso festival”.

Por falar em bossa nova, a herdeira direta de João Gilberto, sua filha Bebel vai estar por lá. E dessa vez cantando o repertório do pai, o mesmo que está em seu recente álbum João. Se conseguir levar ao palco a magia do álbum, vai ser espetacular. “Sim, é verdade. Agora é hora de apresentar ao público as músicas de João Gilberto que me influenciaram desde que nasci – e até antes”, comenta Bebel em texto que está no site do festival. O show de Bebel acontece dia 26 de outubro.

Bebel Gilberto apresenta seu show em homenagem ao pai João Gilberto

A presença do Brasil ainda é maior no festival. A cantora portuguesa Sofia Ribeiro, que já gravou Lilás (Djavan), À primeira vista (Chico César), entre outras pérolas nacionais, provavelmente vai lançar mão de pelo menos uma delas. Lilás, por sinal, ganhou uma leitura bem interessante.

Entretanto, a música do Brasil terá um aconchego especial no dia 11 de novembro com a Sant Andreu Jazz Band, dirigida por Joan Chamorro, no espetáculo Abraça Brasil.

A Sant Andreu se destaca por ser uma orquestra jovem com meninas e meninos multi-instrumentistas e que quase sempre cantam. O repertório é vasto mas, a música popular brasileira, não apenas a bossa nova, se destaca. Para a apresentação, a orquestra contará com a participação de duas ex componentes: Andrea Motis e Rita Payés. Ampliando o time de participações especiais Chamorro também terá como convidada Carme Canela, uma das referências vocais da cena espanhola. Na discografia das três artistas há muita música brasileira. De Guinga e Moacyr Luz até Tom Jobim, claro.

“A música brasileira está muito presente em nosso repertório há vários anos, através das vozes de Rita Payés, Andrea Motis, Èlia Bastida, Alba Armengou, e agora com Koldo Munné, Perot Rigau e Claudia Rostey”, comenta Chamorro em entrevista exclusiva para o DISCOGRAFIA.

Andrea Motis e Èlia Bastida também farão apresentações exclusivas no festival. “No concerto da Andrea, também no Palau, eu não toco. No show da Èlia Bastida sim. E, sim, com certeza faremos algumas músicas do repertório brasileiro”, complementou Joan.

Sant Andreu Jazz Band mantém em seu repertório diversas composições de autores brasileiros

A primeira artista a se destacar na Sant Andreu, a ter uma carreia solo solidificada, Andrea Motis é uma fã de carteirinha de música brasileira. Desde seu primeiro álbum, a música brasileira está presente. Em 2019 lançou um álbum só com músicas brasileiras ou de sua autoria, inspiradas na MPB. “Definitivamente o que me atrai na música brasileira é o ritmo e a melodia”, diz Andreia que já gravou clássicos como Chega de Saudade, Corcovado e Meditação. Mas, nessa aproximação com a música brasileira, aconteceu uma descoberta além dos artistas brasileiros conhecidos internacionalmente. “Gostei muito de descobrir Adoniran Barbosa. Gosto muito de Iracema, de Saudosa Maloca”, diz ela que em seu álbum Colors & Shadows, com a WDR Big Band, incluiu Iracema, do mestre paulista.

Bastida, que toca sax, violino e canta, diz que sua relação com a música brasileira começou quando entrou para a Sant Andreu. “Comecei a ouvir música brasileira quando entrei na big band. Comecei a tocar e cantar algumas músicas brasileiras e também me interessei por essa música. Lembro que quando comecei a cantar, as quais mais me identificava eram a bossa nova e foi aí que começou meu amor por essa música”, recorda Bastida ao DISCOGRAFIA.

E o que mais atrairia Èlia Bastida na música brasileira? “Quando toco, mas principalmente cantando, eu realmente me sinto ‘eu mesma’. Também acontece comigo quando ouço músicos brasileiros tocarem suas músicas, o que adoro e sinto que quero fazer o mesmo” complementa ela, cuja primeira música brasileira gravada foi O Barquinho, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Inclusive, Menescal viu, ouviu e gostou. Sobre o repertório que a orquestra e ela mesma irão apresentar no festival, Bastida é categórica: “O repertório que faremos é realmente muito bom!”.

“Estou muito feliz por participar mais uma vez do Festival de Jazz da minha cidade, Barcelona, e muito feliz por fazê-lo com o projeto da banda Sant Andreu Jazz, com Joan Chamorro, e claro, com Andrea, Rita e Èlia, todas pessoas maravilhosas”, comenta Carme Canela.

“Em casa tínhamos dois discos conhecidos de uma das minhas irmãs. O Getz/Gilberto, de João Gilberto com Stan Getz, e o do Vinicius de Moraes com Maria Creuza e Toquinho na Fusa (Vinicius de Moraes en La Fusa con Maria Creuza y Toquinho, de 1970). Sem nem saber, essa música que eu ouvia em casa já estava me influenciando. Mais tarde, quando comecei a cantar e ouvir música de forma mais consciente, ouvia Weather Report, funk, Frank Zappa, jazz, salsa. Teve um álbum que me marcou. Foi o Native Dancer, de Milton Nascimento e Wayne Shorter. A partir daí tudo se encaixou. Do grande Milton passei para Flora Purim, Gilberto Gil, Gal Costa, Elis Regina (Que ídolo!!), Zizi Possi, Joyce, Guinga. Com Guinga, inclusive, cantei no ano passado, em Barcelona. Minha curiosidade e amor pela música brasileira começaram desde muito jovem e isso tem grande influência no meu jeito de cantar”, comenta uma apaixonada Carme.

Perguntada sobre seus artistas e autores favoritos, Carmem fala: “Sim, alguns, quase todos! Mas para citar alguns: Noel Rosa, Jobim, Milton Nascimento, Edu Lobo, Guinga, Chico Buarque, Ivan Lins, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Toninho Horta, Dori Caymmi… E mais alguns que tenho certeza que deixarei para trás”.

Se depender do entusiasmo da Sant Andreu e seus convidados, o Festival de Barcelona este ano, pegando emprestado a palavra “criada” por Caetano Veloso, irá ganhar um “abraçaço”.

Das pérolas que estarão no repertório, serão apresentadas:

– Maçã do rosto (Djavan), por Kodlo Munné
– Samba da minha terra (Dorival Caymmi), com Èlia Bastida
– Fato Consumado (Djavan), com  Perot Rigau
– É com esse que eu vou  (Pedro Caetano), com Carme Canela
– Vestido de bolero (Dorival Caymmi), com Rita Payé
– Açaí (Djavan), com Andrea Motis

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Rodger Rogério e Vitoriano criam ópera de sensações em parceria inédita https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/09/20/rodger-rogerio-e-vitoriano-criam-opera-de-sensacoes-em-parceria-inedita/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/09/20/rodger-rogerio-e-vitoriano-criam-opera-de-sensacoes-em-parceria-inedita/?noamp=mobile#respond Wed, 20 Sep 2023 23:53:51 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21188

Vitoriano e Rodger Rogério registram parceria inédita no disco “Instante Zero ou O Primeiro Sinal Luminoso” Foto: Jacques Antunes/ Divulgação

São muitas as razões que podem levar alguém a gravar um disco, nem sempre sendo o desejo de seguir uma carreira regular de composição, gravação e apresentações. Às vezes é só uma data especial ou o incentivo de amigos. Quando uma gravação, feita sem grandes expectativas, torna-se um marco, algo importante para um grupo ou uma época, tem-se uma questão: o que fazer com a expectativa do público?

É mais ou menos que aconteceu com Rodger Rogério desde que, na sequência do Pessoal do Ceará, lançou o impactante Chão Sagrado (1974). Teve álbum ao vivo, EP, muitas participações em projetos alheios, um retorno frequente aos palcos, mas algo ficou pelo caminho. Para onde seguir com um novo disco? A resposta quem deu foi Vitoriano, com quem o autor de Retrato Marron acaba de lançar Instante Zero ou o Primeiro Sinal Luminoso. O disco, lançado na sexta, 15, nas plataformas de streaming, foi apresentado domingo, 17, no Theatro José de Alencar, para um público de volume mediano e atenção roubada por cerca de 90 minutos.

Rodger, do alto de seus 79 anos, trazia um sorriso que não cabia no rosto. Ele foi o último a entrar no palco, recebido com palmas dignas do seu valor. Ao seu lado, Vitoriano dava um apoio carinhoso, sabendo que aquele trabalho tinha valor histórico em uma cidade que trata tão mal artistas que não seguem as regras do mercado.

Nos teclados e voz, Vitoriano estava atento a cada necessidade de Rodger, numa interação mesclada com admiração, troca de aprendizados, influências e afinidades. Primeiro Sinal Luminoso é um apanhado de sons que cruzaram décadas, se reinventaram e chegaram aos dias de hoje revigorados. É “rock psicodélico nordestinizado vintage feliz e pop”.

Em alguns momentos era claro saber onde estava a mão de Rodger e a de Vitoriano em cada composição. Mas na maior parte do repertório, quase todo inédito, era amálgama pura. A banda que acompanhou a dupla trazia como destaque a bateria precisa e econômica de Rami Freitas. As guitarras de Plínio Câmara e Vitor Cozilos estavam límpidas, cristalinas, cortando o ar do teatro como esse fosse feito de pudim. No baixo, Glauber Alves completou o time e segurou a base onde se sustentava o show. Colocar duas das principais cantoras da cena local para fazer vocais em poucas faixas soou pequeno. Luiza Nobel e Lorena Nunes têm muito mais voz e presença do que lhes foi pedido, mas não comprometeu o todo. Que, depois da estreia elas ganhem mais espaço no espetáculo que não pode parar.

Passando pelo repertório, como já disse, quase todo inédito, seguem alguns destaques. Vigorar e Febre noite quente têm cara de single, com refrãos fortes e ganchudos. Entre elas, a segunda se adéqua melhor ao todo. A viajante Instante Zero, escolhida para abrir os trabalhos, parece ter sido feita para a voz de Rodger, que desliza seu timbre particular sobre uma letra recitativa em dueto com Vitoriano. Flutua terra é um baião lisérgico, pontuado por teclados vintage.

Talvez a mais surpreendente seja Saudade sangue medo, de Rodger e Clodo. A melodia cheia de avanços e retrações, chega a sugerir uma dança e recua, enquanto as vozes correm atrás da métrica. Da tensão ao alívio, o resultado é uma composição cheia de personalidade. E tem ainda Preguiça, dessa vez de Rodger com Ricardo Bezerra, um hino à procrastinação em forma de blues arrastado e bem humorado. Pedra fundamental, de Rodger e Vitoriano, também é um blues, que no disco ganhou a gaita de Danilo Carvalho. Cantada só por Vitoriano, O mago é uma balada de ares medievais, levada nos teclados e violão, este tocado por Cristiano Pinho.

Instante Zero ou o Primeiro Sinal Luminoso reserva experiências diferentes no disco e no show. Mas as intensões estão mantidas. Um álbum obrigatório que merece sentar ao lado ao lado da discografia clássica do Ceará e ganhar terreno além dos limites do Estado. Cada música parece um susto, com melodias tortuosas, letras cheias de imagens, colagens e ideias transcendentes. Nada parece estar ali por acaso. E a cada nova audição, surgem novos sons, novos arrepios e novos sustos.

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Noel lança novo disco e fica a pergunta: Precisamos de Oasis em 2023? https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/07/04/noel-lanca-novo-disco-e-fica-a-pergunta-precisamos-de-oasis-em-2023/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/07/04/noel-lanca-novo-disco-e-fica-a-pergunta-precisamos-de-oasis-em-2023/?noamp=mobile#respond Tue, 04 Jul 2023 16:14:23 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21173

Noel Gallagher e sua banda High Flying Birds lança novo disco, “Council Skies”

Por Thiago Chaves

A cada novo disco dos irmãos Gallagher uma pergunta é comum: Quando será o retorno? Bem… a depender de Noel Gallagher vai demorar… Ou talvez nem ocorra.

Recentemente Noel Gallagher nos brindou com aquele que talvez seja seu trabalho mais sólido e mais aparentado com o Oasis. Em Who Built the Moon? ele percorreu um caminho estranho até para seus ouvintes mais fiéis e parece cair de volta no rock clássico dos anos 1960, território que sempre dominou.

Mostrando-se ao grande público cada vez mais como artista sólido e maduro, principalmente em canções como Open the Door, See What You Find, quando reflete sobre um momento de calmaria após tormentas (o disco quase que inteiro foi pensado durante a pandemia), irá cativar novos e antigos ouvintes que certamente prestarão atenção em seu canto. Council Skies utiliza as cordas orquestradas de forma decisiva e cuidadosa. A faixa-título do álbum não é sobrecarregada com um arranjo emocionante, mas foi sutilmente pensada para enriquecer o que já estava presente; a bela Dead To The World é tão ambiciosa quanto Champagne Supernova.

O álbum foi gravado em dois estúdios diferentes: o Lone Star Sound Recording Studios, de Noel, em Londres, e no lendário Abbey Road Studios, onde as sessões foram registradas. A produção do álbum ficou a cargo de Noel, juntamente com seu colaborador de longa data, Paul Stacey. Paul merece reconhecimento por sua contribuição significativa na criação e aprimoramento dessas músicas, trazendo um espetáculo sem excessos ou exageros desnecessários que frequentemente ocorrem na indústria musical.

Um destaque especial do álbum é a participação de Johnny Marr, que contribuiu em três faixas. Mais um motivo para os saudosistas do brith rock se dedicarem a audição nas canções com a guitarra de Marr (Dead to the World, Open the Door, See What You Find e Council Skies).

As melodias memoráveis, arrebatadoras e evocativas pelas quais o talentoso Gallagher mais velho é conhecido continuam presentes. Os arranjos são complexos e bem elaborados, mas são as cordas, que elevam essas músicas de muito boas para um patamar superior. É evidente que o mesmo compositor de Don’t Look Back in Anger também deu vida a Easy Now neste álbum, com uma construção semelhante, enquanto a bateria vigorosa e marcante de Love is a Rich Man nos remete às faixas mais pesadas do Oasis.

Quem acompanhou Noel no divórcio do Oasis passou por alguns momentos em que questionou se estava no time correto… Sim, amigos… Sempre existiu essa divisão entre os admiradores dos irmãos daquela que foi a maior banda do rock inglês contemporâneo.

Aparentemente distanciando-se cada vez mais do som característico do Oasis, Noel revela em suas canções uma infinidade de novas possibilidades sonoras que não apenas abrangem, mas transcendem o gênero do rock. Isso é bom… A cada novo disco Noel parece provocar o irmão a fazer algo melhor e, se não temos mais o duelo Oasis vs Blur, a briga interna entre os Gallagher alimenta as especulações por um retorno em 2024… 2025… 2026…

Os que se mantiveram do lado compositor torcedor do City parecem agora confortáveis e nem tão ansiosos pelo retorno do Oasis Futebol Clube.

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Daniela Soledade renova a bossa nova no Beco das Garrafas https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/06/27/daniela-soledade-renova-a-bossa-nova-no-beco-das-garrafas/ https://blogs.opovo.com.br/discografia/2023/06/27/daniela-soledade-renova-a-bossa-nova-no-beco-das-garrafas/?noamp=mobile#comments Tue, 27 Jun 2023 22:48:37 +0000 https://blogs.opovo.com.br/discografia/?p=21167 Por Célio Albuquerque

Nate Najar e Daniela Soledade no beco das Garrafas (Foto: Célio Albuquerque)

A cantora brasileira Daniela Soledade (saiba mais aqui) vem aos poucos solidificando seu nome no mercado americano. Seu avô paterno Paulo Soledade, foi empresário, produtor e compositor, inclusive parceiro de Antônio Carlos Jobim. Seu pai, Paulinho Soledade, é músico e também compositor.

Até o dia 13 de junho de 2023, mesmo já tendo lançado dois álbuns lançados nos Estados Unidos, com críticas positivas da revista de jazz Down Beat, ela nunca havia se apresentado em terras brasileiras.

O local escolhido foi o Bottles Bar, bem no coração do Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro,  um dos nascedouros da Bossa Nova, que seu avô conhecia muito bem. Apesar do toda a magia, justa, que cerca as casas do Beco, elas não prezam pelo espaço. São pequenas. Pequenas e aconchegantes.

Ao lado do marido, produtor e guitarrista talentoso, Nate Najar, ela iluminou o pequeno palco com sua voz suave e firme.

Havia  magia e cumplicidade no Bottles. Tudo fluindo naturalmente, sem sobressaltos. Uma terça-feira Bossa Nova, no que tem de melhor essa adjetivação.

Historinha

Até recentemente, confesso, não tinha ideia da existência da artista. Tudo aconteceu na pandemia. Navegando no Youtube me deparei com um clip bem produzido, com uma cantora loura, magrinha, desfiando Você, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Impactado, mandei o link para Menescal, que também gostou muito. E o comandante do barquinho me fez o desafio (que já havia feito outras vezes), pedindo que eu entrasse em contato com ela. Nem eu nem ele havíamos, até ali, associado Daniela ao sobrenome. Para nós era mais uma talentosa americana cantando Bossa Nova.

Mensagem enviada, em inglês, recebo a resposta quase que imediata. Daniela disse que não precisava escrever em inglês e contou sobre sua origem musical. Seu avô foi amigo de Menescal.

Os dois se alinharam. E mesmo em meio à pandemia (já com vacinas), ela e Nate vieram ao Brasil para gravar com Menescal. Se tornaram parceiros. E recentemente, nos Estados Unidos, ela lançou seu segundo álbum, com a faixa título “Pretty Word”, versão de Sá Marina, de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar. Chique ponto 5, Daniela teve em uma das apresentações os dois músicos, ao vivo.

Nate Najar, Daniela Soledade e Roberto Menescal (Foto: Célio Albuquerque)

Voltando para o Bottles

Foram duas sessões. A segunda com participações de seu pai Paulo Soledade e de Claudio Infante. Só assisti a primeira sessão. Uma sessão cheia de participações especiais.

A primeira convidada foi Sofia Gilberto, 7 anos, neta de João Gilberto, em sua estreia mundial nos palcos. No mesmo Beco que ajudou a solidificar o talento do avô. Abusada e doce, Sofia Gilberto cantou com Daniela “Garota Bossa Nova”, que ela mesma compôs.

Na sequência foi Adolfo, que além de Sá Marina, tocou com ela e Nate uma nova parceria de Adolfo com Renato Teixeira, Te amo Bossa Nova. Canção “fresquinha” mesmo. Para completar, Renato estava na plateia “lambendo a cria”. Dani também cantou com Antonio Eu sei que vou te amar, de Tom e Vinícius.

Nate Najar, Antônio Adolfo (ao fundo), Sofia Gilberto, Daniela Soledade, Marcell Powell e Roberto Menescal (Foto: Célio Albuquerque)

Menescal tocou Telefone, dele e de Boscoli, e mais algumas. E no final a participação potente de Marcel Powell, filho violonista de Baden Powell, tocando Berimbau com todos no palco, inclusive Sofia.

Vale o registro

Daniela teve, pela segunda vez, algo que apenas Elis Regina conseguiu até aqui: reunir Menescal e Antonio Adolfo no mesmo palco tocando juntos. Foi só uma música. Mas, foi o grand-finale, com eles, Nate e a pequena Sofia.

Antônio Adolfo e Daniela Soledade (Foto: Célio Albuquerque)

O Brasil é maior que o Brasil e a Bossa se renova. Daniela e sua energia e parceria azeitada com Nate provam isso.

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