O post 10 filmes de terror medieval apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>Mas mesmo diante da repetição de temáticas existe uma variedade de abordagens. Seja pela nacionalidade ou época da sua produção, diferentes filmes falam sobre os mesmos temas de maneiras distintas.
E foi pensando nisso que preparei um episódio do Podcast 7 Marte sobre filmes de terror medieval.
Para isso, eu contei com a participação do Thiago Natário (do podcast República do Medo). Além de crítico de cinema e podcaster, o Thiago também é professor de História e mestre em História Medieval. Ou seja, é um especialista no assunto.
Ao longo deste episódio, nós indicamos dez filmes de terror que se passam no período medieval. Ou quase. É preciso confessar que nós trapaceamos um pouco, indicando filmes que se passam também em períodos posteriores.
Mas, conforme é explicado no episódio (que também serve como aula de história), essa demarcação do período medieval é arbitrária e geográfica. Foi por causa disso que nós nos sentimos no direito de apresentar filmes que fugiam um pouquinho dessa denominação.
E se você ficou curioso para escutar a nossa conversa (o que eu aconselho, porque ficou muito boa), é só clicar no player abaixo.
Escute o nosso podcast sobre filmes de terror medieval:
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Confira também as outras edições do podcast clicando aqui.
Agora, se você quer saber mais sobre os filmes que nós indicamos ao longo do episódio, segue abaixo a nossa lista com 10 filmes de terror medieval, começando por:

Escrito e dirigido por Ingmar Bergman, O Sétimo Selo acompanha um guerreiro (interpretado por Max von Sydow) que está voltando das cruzadas. No caminho, ele se envolve em uma partida de xadrez com a própria morte.
A imagem icônica do homem jogando xadrez com a morte já foi bastante explorada ao longo da história do cinema, Mas o filme não se limita a isso. Bergman usa desse artifício para expor seus próprios questionamentos a respeito da vida, da morte e da existência de Deus.
E é isso que faz de O Sétimo Selo um dos grandes clássicos da história do cinema. Além disso, o filme também é uma boa porta de entrada para o cinema de Bergman. E, caso você tenha gostado do filme, também assista ao ótimo A Fonte da Donzela (cuja crítica pode ser lida aqui). As duas obras dialogam bem;
Assista ao trailer de O Sétimo Selo:

O Chicote e o Corpo se passa em um castelo (cenário comum em histórias medievais), embora sua trama aconteça depois do final do chamada Idade Média. Ainda assim, muitas das estruturas sociais daquela época se mantém presentes nessa obra.
O filme mostra um nobre sádico (interpretado por Christopher Lee) que retorna para o castelo da sua família. Em pouco tempo, ele é morto e seu fantasma passa a assombrar a jovem Nevenka (Daliah Lavi), trazendo à tona desejos e medos escondidos.
Co-produção italiana e francesa, O Chicote e o Corpo tem direção de Mario Bava (sob o pseudônimo de John N. Old). Trata-se de uma obra que aborda temas polêmicos, explorando a ambiguidade da situação sem oferecer respostas fáceis.
Assista ao trailer de O Chicote e o Corpo:

Baseado no conto clássico de Edgar Allan Poe, O Poço e o Pêndulo se passa no século XVI e acompanha um homem que viaja à Espanha para esclarecer as estranhas circunstâncias da morte de sua irmã, depois que ela se casou com o filho de um cruel inquisidor espanhol.
Esta adaptação, escrita por Richard Matheson e dirigida por Roger Corman, expande e se afasta do material que lhe deu origem, apresentando-nos uma história sobre dor e perda, com alguns elementos sobrenaturais.
Apesar das diferenças em relação ao conto (o poço e o pêndulo só aparecem no final do filme), a obra se sustenta principalmente na atuação certeira de Vincent Price, que vive aqui um homem atormentado pela perda e traumatizado pelo seu legado.
Assista ao trailer de O Poço e o Pêndulo:

Produção austríaca e alemã, A Maldição da Bruxa é um filme que tenta ressignificar a representação da bruxa no cinema. A trama se passa no século XV, na Europa, e acompanha uma mulher (desde a sua infância até a vida adulta) acusada de ser uma bruxa.
A bruxa aqui é vista como uma pessoa mais próxima da natureza. Tal relação de proximidade é explorada de maneiras metafóricas ao longo do filme.
O diretor Lukas Feigelfeld aposta em um desenvolvimento lento, mostrando uma situação que vai se agravando aos poucos até entrar em ebulição. E isso aumenta ainda mas o impacto das imagens aqui apresentadas.
Assista ao trailer de A Maldição da Bruxa:

Outra adaptação livre de um conto de Edgar Allan Poe dirigida por Roger Corman e estrelada por Vincent Price, A Orgia da Morte conta a história do tirano Próspero, um príncipe medieval dedicado à busca do mal e ao culto ao diabo.
Achando que a sua crença macabra é suficiente para protegê-lo de qualquer aflição terrena, Próspero resolve fazer um grande baile no seu castelo para celebrar a sua boa fortuna e seu objeto de adoração. Mas a Peste parece ter outros planos para ele.
Ao contrário da narrativa sombria e séria que vimos em O Poço e o Pêndulo, A Orgia da Morte é um filme de cores pulsantes e muito mais bem humorado, E é o que faz deste um dos melhores trabalhos de Roger Corman.
Assista ao trailer de A Orgia da Morte:

O terceiro filme da franquia Evil Dead transforma Ash (interpretado por Bruce Campbell) em um relutante herói da Idade Média. Em meio a um bizarro cenário medieval, o protagonista precisa enfrentar um exército de mortos-vivos para recuperar o livro Necronomicon e voltar para casa.
Aqui, o diretor/roteirista Sam Raimi aposta ainda mais pesado no humor, criando uma narrativa insana e extremamente divertida. São inúmeras referências apresentadas ao longo do filme, desde conhecidas histórias medievais até homenagens a filmes clássicos.
Vale destacar que Uma Noite Alucinante 3 tem dois finais diferentes, um que foi lançado nos cinemas e outro que pode ser visto na “versão do diretor”. Durante o episódio do podcast, nós discutimos esses dois finais e as diferentes interpretações geradas por eles.
Assista ao trailer de Uma Noite Alucinante 3:

Nosferatu – O vampiro da noite mistura elementos tanto do clássico do expressionismo alemão Nosferatu (1922) quanto do livro Drácula, de Bram Stoker, que lhe deu origem. Mais do que isso, porém, é um filme que apresenta muitas das características narrativas do seu diretor: Werner Herzog
Na trama, Jonathan Harker (Bruno Ganz) é enviado ao castelo do conde Drácula (Klaus Kinski) para lhe vender uma casa na cidade de Virna, na Alemanha. Mas não demora muito até que Harker descubra que o tal Drácula é, na verdade, um vampiro com sede de sangue.
Herzog aposta num ritmo lento e mais contemplativo, valorizando a beleza das imagens captadas. E isso gera um resultado único. A história de Nosferatu – O vampiro da noite pode ser bastante conhecida, mas ela nunca foi contada dessa maneira.
Assista ao trailer Nosferatu – O vampiro da noite:

A Maldição do Demônio acompanha uma bruxa vingativa e seu servo diabólico que, dois séculos depois da sua morte, voltam do túmulo e tentam possuir o corpo de uma descentente da bruxa.
Este é o primeiro filme do diretor italiano Mario Bava. E logo de início ele já mostra à que veio. A cena inicial de A Maldição do Demônio é extremamente impactante e assustadora. Além disso, a obra já apresenta o apuro visual que seria marcante ao longo de toda a carreira de Bava.
Mas, ao contrário de outros filmes desta lista, o filme apresenta uma visão bastante maniqueísta da figura da bruxa. Trata-se de uma visão muito marcada pela época em que o filme foi feito, algo que foi discutido nesse episódio do podcast.
Assista ao trailer de A Maldição do Demônio:

Passado na auge da epidemia da peste bubônica, Morte Negra acompanha um jovem monge recrutado para liderar um grupo de soldados. Os soldados estão em busca de uma vila misteriosa onde há rumores de que vítimas da epidemia estão sendo ressuscitadas.
A obra conta com um elenco bastante conhecido, que inclui nomes como Eddie Redmayne,
Sean Bean e Carice van Houten (que, assim como seu papel em Game of Thrones, também é vista aqui como uma feiticeira de vermelho).
O diretor Christopher Smith (o mesmo do ótimo Triângulo do Medo) imprime um estilo muito mais ágil e contemporâneo a essa obra que questiona muitas das crenças que ajudaram a mergulhar a Idade Média nas trevas. Um filmaço!
Assista ao trailer de Morte Negra:

The Head Hunter acompanha um guerreiro medieval em busca de vingança. Uma criatura mitológica matou a sua filha pequena e, desde então, ele passou a caçar e matar todas as criaturas que encontra pela frente.
Muito mais focado no personagem do que na ação, o filme esconde as batalhas do protagonista, mostrando-nos, em vez disso, a sua rotina. Acompanhamos todo o processo de preparação e as consequências do combate, mas não a batalha em si.
Tal abordagem é tanto narrativa quanto orçamentária. O diretor Jordan Downey não tinha muito dinheiro para realizar o seu filme, o que o fez ser muito econômico e criativo nas suas decisões. Entretanto, suas escolhas narrativas são inteligentes e mantêm a atenção do público.
Assista ao trailer de The Head Hunter:
O post 10 filmes de terror medieval apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O post Os filmes que eu vi no Fantaspoa 2020 apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>Também foi a minha primeira oportunidade de participar do evento (algo que eu sempre quis fazer). E embora eu não tenha conseguido assistir a tantos filmes quanto eu gostaria, o saldo foi bastante positivo.
Eu vi um total de sete filmes, o que é pouco, eu sei. Mas na sua maioria, foram filmes muito bons. Com exceção de um, que foi realmente muito ruim.
Infelizmente, eu perdi os longas-metragens brasileiros.
Tentei ver o elogiado Cabrito, mas tive problema na internet nesse dia, e o filme não carregou. No caso de Skull, o longa saiu de cartaz depois do sucesso do seu primeiro dia de exibição. Também não tive tempo de ver a antologia rodada durante a quarentena.
E como eu estava priorizando os longas-metragens, acabei não vendo quase nenhum curta. Sendo assim, vou me focar apenas nos longas-metragens e tentar compartilhar a minha experiência com vocês.
Ao longo deste post, eu vou:
Mas isso não é tudo! Eu também gravei um episódio especial do nosso podcast dedicado ao Fanstapoa. Mais informações sobre o podcast estão disponíveis abaixo:
Caso você prefira me ouvir falar sobre os filmes de maneira mais espontânea sobre os filmes, escute o episódio especial do Podcast 7 Marte dedicado ao Fantaspoa.
Você pode escutar o programa clicando no player abaixo. Também estamos disponíveis no Spotify, Deezer, Breaker, Google Podcasts, RadioPublic, Pocket Casts, Overcast, Apple Podcast e Player FM.
Mas chega de enrolação. Vamos para a lista com:
Conforme mencionado antes, eu não consegui ver muita coisa. Mas a maioria dos que eu vi foram ótimos filmes. Alguns deles devem chegar ao Brasil em breve. Outros têm menos chances de aparecer por aqui.
Mas se você ficar interessado por algum dos títulos listados a seguir, sugiro que tente acompanhar os diretores ou as páginas do filmes nas redes sociais. Você não vai se arrepender.
O primeiro filme que eu assisti também foi o filme de abertura do festival. E foi um acerto tremendo.
Pornô é um filme muito divertido, que mistura comédia, terror, religião, violência e sexo. Parece apelativo, mas o diretor Keola Racela consegue equilibrar bem o tom.
A trama se passa na década de 1990 e acompanha cinco funcionários de um cinema de rua, localizado em uma pequena comunidade cristã. Toda sexta-feira à noite, eles escolhem um filme e fazem uma exibição particular.
Nessa noite, porém, um mendigo invade o cinema e acaba revelando uma parede falsa, que esconde uma porta para uma sala oculta. Nessa sala, eles encontram uma lata antiga de filme e resolvem exibi-la na sua sessão semanal.
Porém, o filme – uma obra experimental repleta de cenas de sexo e violência – acaba libertando um demônio sexual, cuja presença aflora os desejos que eles tentavam manter escondidos.

Além de divertir por meio da abordagem caricata do seus personagens (o projecionista que tenta manter todos na linha é hilário), Pornô acerta ao trabalhar com o tema do fanatismo religioso por meio do humor.
Sim, existe uma crítica à religião. Isso fica claro na maneira como a obra se posiciona diante daqueles que se consideram mentores da moralidade alheia. Porém, ao final, é a religiosidade que salva os personagens.
É claro que esta afirmativa acerca da religião se perde em um filme cujo título afasta o próprio público que poderia se sentir representado aqui. Mas se você der uma chance para Pornô, garanto que vai se divertir.
Além do mais, é uma chance de matar a saudade do interior de uma sala de cinema! Confira o trailer:
Mantendo a linha de obras que misturam terror e comédia, o segundo filme que eu vi foi o falso documentário O Guia VICE Para o Pé-Grande, dirigido por Zach Lamplugh. E mais uma vez, eu me diverti muito.
O filme acompanha um repórter do site Vice que é uma espécie de especialista em matérias clickbait. Ele cobre os conteúdos mais absurdos com o intuito de tornar as suas matérias virais.
Porém, ele não está satisfeito com a sua “fama” e deseja ser respeitado na profissão. Mas após descobrir que perdeu a promoção que tanto ansiava, ele aceita – mesmo a contragosto – fazer uma matéria sobre a lenda do Pé Grande.
Para isso, ele precisa passar alguns dias na companhia de um bizarro criptozoologista, alguém que dedicou boa parte da sua vida à cultura do Pé-Grande, por mais que essa busca tenha lhe custado o relacionamento com a namorada.

A interação do repórter ranzinza com os “caçadores” de Pé-Grande são hilárias. Além do criptozoologista, que é uma atração à parte, há também um “especialista em camuflagem”, que disfarça o seu odor consumindo urina!
Mesmo trabalhando com um tema absurdo, o filme consegue desenvolver bem os seus personagens: a busca pelo Pé-Grande se transforma na busca do protagonista pela sua auto-valorização, e pela valorização da sua profissão.
Vale lembrar que a lenda do Pé-Grande já rendeu diversos filmes de terror. Inclusive, eu falo sobre o excelente Willow Creek em um episódio do nosso podcast dedicado a filmes de terror found footage pouco conhecidos (confira-o aqui).
Mas ao contrário de muitos outros títulos, O Guia VICE Para o Pé-Grande aborda o tema com humor. E isso faz toda a diferença. Trata-se de um filme muito divertido! Confira o trailer abaixo:
Ainda falando de falsos documentários, eu vi o excelente Feral, terror mexicano dirigido por Andrés Kaiser. Trata-se de um filme que se utiliza da câmera diegética como forma de criar tensão. E consegue fazer isso muito bem!
Por meio de “imagens de arquivo” e entrevistas, o longa-metragem conta a história de um padre psicanalista que se isolou numa cabana com o intuito de civilizar uma criança que ele encontrou na floresta.
O filme já começa mostrando que o experimento do padre não deu certo e culminou em um incêndio que queimou a sua casa. Mas embora saibamos que o experimento está fadado ao fracasso e à tragédia, o filme ainda consegue nos surpreender.
Isso acontece por causa do roteiro muito bem escrito – cujas reviravoltas não são antecipadas pelo público – e pela direção certeira de Kaiser, que explora muito bem os “limites” do formato aqui adotado.

O cineasta usa o falso documentário como forma de ampliar a tensão das suas cenas. Por causa da ausência de cortes e da câmera diegética, somos obrigados a acompanhar aquela história de perto, partilhando dos segredos do protagonista.
Aliás, os segredos servem como combustível para movimentar toda a narrativa. Não apenas os segredos do padre, cujos métodos de civilização são bastante questionáveis, mas também os segredos da comunidade que o cerca.
Todos os entrevistados parecem ter segredos que desejam manter escondidos e o filme acerta ao não explicitá-lo. Em vez disso, a obra aponta numa direção e estimula o público formar as suas próprias teorias.
Feral é um estudo sobre a natureza humana. Porém, a ferocidade sugerida pelo título não é exclusivamente associada à criança que vivia na floresta. É também uma crítica àqueles que se dizem civilizados. Confira o trailer abaixo:
Mas nem tudo são flores. E se Feral foi o melhor filme que eu vi no festival, o longa-metragem seguinte, A Cor Rosa, com certeza foi o pior. Nada se salva nesse terror canadense dirigido por Courtney Paige. Nada mesmo.
A trama acompanha um grupo de garotas de uma escola de elite que inicia um culto secreto no qual cada uma representa um dos sete pecados capitais.
A princípio, o culto serve como crítica à religiosidade patente daquela comunidade. Mas não demora até o grupo adotar medidas violentas para preservar o seu status.
As ações delas têm consequências trágicas e logo, uma a uma, elas passam a ser ameaçadas por um assassino misterioso.
A história até pode parecer interessante mas, acredite, não é. A Cor Rosa é uma coleção de clichês, atuações ruins e uma direção sem foco. Mas todos esses problemas empalidecem diante da péssima construção do roteiro.

A precariedade no desenvolvimento dos personagens é tamanha que a solução do roteiro para ilustrar os “pecados” é mostrar uma personagem comendo o tempo todo (gula) e a outra sempre com sono (preguiça).
Não só isso, mas a estrutura do roteiro é completamente falha.
O desejo do xerife da cidade de ter filhos, por exemplo, serve apenas como desculpa para mostrar a sua esposa seminua. Em outro momento, dois policiais federais chegam para ajudar na investigação, mas não fazem nada.
Ainda assim, o pior é quando xerife, que já sabia a localização do assassino, ficou de conversa com outro oficial, enquanto as meninas corriam perigo. É tudo muito, muito ruim.
E se mesmo assim você ficou curioso em relação uma obra na qual pessoas são assassinadas de acordo com os sete pecados capitais, eu sugiro que você reveja Seven. Confira o trailer de A Cor Rosa abaixo:
Esse foi, sem dúvida, o filme mais bizarro que eu vi no festival. Barry Fritado é uma produção da África do Sul que mistura terror, comédia e ficção científica, numa trama envolvendo abduções alienígenas, sexo e violência.
Dirigido por Ryan Kruger, o filme acompanha Barry, um sujeito viciado em drogas que, certo dia, é abduzido por alienígenas. Não só isso, mas ele é “possuído” por essa criatura de outro planeta e enviado de volta para a Terra.
Agora, o alienígena no corpo de Barry circula pelas ruas da Cidade do Cabo, explorando esse mundo estranho. E ele se depara com uma situação bizarra atrás da outra.
Kruger adota um ritmo frenético à sua narrativa ao acompanhar o seu protagonista enquanto ele é levado de um lado para outro: alguém o convida para fazer sexo no banheiro, e ele vai, outra pessoa o oferece drogas, e ele aceita.

Mas o melhor momento é quando ele faz sexo com uma prostituta e, em questão de segundos, acontece a concepção, a gravidez e o nascimento da criança.
A atuação de Gary Green é um atrativo a parte. Ao aproximar a câmera do rosto do seu protagonista, o diretor explora as suas feições, seu olhar ávido e suas caretas exageradas.
Mas se o filme consegue encontrar o humor na interação do alienígena com a humidade, seu maior acerto é mostrar que Barry não é a figura mais estranha dentro daquela realidade.
Em sua jornada, ele se depara com prostitutas e cafetões, ladrões, sequestradores (possivelmente pedófilos) e pacientes de um hospício. A estranheza é tamanha que fica fácil para um alienígena passar despercebido.
Enfim, Barry Fritado é uma jornada bizarra e muito divertida. Confira o trailer abaixo e fique de olho nesse filme. Vale muito a pena.
Vindo da Grécia, o terror Entrelaçado acompanha Panos, um médico da cidade grande que se muda para uma vila remota para atender a comunidade. Ao chegar, ele encontra um pouco de resistência dos moradores que não o querem por lá.
Como seu consultório está quase sempre vazio, o médico tem tempo de passear pela cidade. Em um desses passeios, ele conhece Danae, uma jovem que vive isolada na floresta.
Danae sofre de uma estranha doença na pele e Panos, encantado pela mulher, parece determinado a curá-la. Mas há algo de muito estranho naquela situação. Os moradores da cidade têm medo daquela que habita a floresta.
E, explicitando o conflito entre razão e emoção, o médico ignora a crença da comunidade e procura a jovem.
Não demora muito para o protagonista descobrir que aquela não é a garota indefesa que ele imaginava ser. E antes que possa fazer alguma coisa, ele acaba preso naquela casa da floresta.

Sua prisão é tanto literal quanto metafórica. Panos até faz menção de ir embora, mas não consegue encontrar o caminho de volta. Depois de um tempo, porém, ele não parece mais ter vontade de sair.
O diretor Minos Nikolakakis é hábil ao explorar as metáforas da sua narrativa, principalmente uma envolvendo o fogo. Danae justifica que não pode sair de casa porque precisa manter o fogo aceso o tempo todo.
Assim, dentro da lógica metafórica apresentada pela narrativa, o fogo se mantém vivo exaurindo a madeira. E enquanto a madeira é reduzida a carvão e cinzas, o fogo se continua belo – desde que seja alimentado com frequência.
Adotando um ritmo mais lento, Entrelaçado desenvolve a sua situação aos poucos, cozinhando a tensão em fogo baixo. Mas quando finalmente entra em ebulição, o resultado é sensacional. Confira o trailer:
O último filme que eu vi no Fantaspoa foi o thriller espanhol O Bando. Trata-se de uma obra bastante contida, passada quase inteiramente em um único ambiente: o interior de um carro.
A trama acompanha quatro homens que acordam amarrados a um carro parado no meio da floresta. Eles não se conhecem e, aparentemente, não há nenhuma relação entre eles. Mas alguém está tentando matá-los.
Logo que acordam, eles percebem que alguém conectou uma mangueira ao escapamento do carro. Por pouco eles não morreram asfixiados. Mesmo assim, o perigo ainda os ronda.
Antes que possam salvar as suas vidas, o grupo precisa descobrir os motivos que os levaram a acordar naquele local.
O filme começa muito bem, mas o suspense e a tensão criados pela situação inicial esfriam um pouco depois de um tempo. Ainda assim, o obra nunca se torna enfadonha.

Isso se deve, em parte, à sua curta duração. Mas o maior mérito ainda é do diretor C. Martín Ferrera.
Colocando a câmera dentro do carro, o cineasta nos obriga a partilhar da experiência e da claustrofobia dos personagens. Estamos lá, junto deles, olhando de dentro para fora.
E isso é muito criativo. O problema é que, uma vez revelada a verdadeira motivação por trás daquele ato, o filme se assemelha muito a outro longa-metragem lançado alguns anos atrás.
Não vou falar qual filme porque isso poderia ser entendido como um spoiler. Mas é um pouco decepcionante quando você percebe que já viu essa história ser contada antes. Ainda mais quando, naquele caso, o resultado foi muito melhor.
Ainda assim, O Bando foi um bom filme de encerramento da minha participação no Fantaspoa 2020.
Conforme eu disse no começo: eu sempre quis participar do Fantaspoa. E, infelizmente, até esse momento eu nunca havia conseguido.
Então, eu fico feliz em ter participado dessa edição online. Embora eu também me sinta um pouco culpado por não tê-la aproveitado melhor.
Eu sei que tinha muita coisa boa que eu não vi. Mesmo assim, fico feliz de ter visto tantos filmes bons de países diferentes.
No geral, acredito que esta tenha sido uma experiência positiva. E espero que, no ano que vem, eu consiga participar presencialmente.
Já estou me programando para isso.
O post Os filmes que eu vi no Fantaspoa 2020 apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O post O Portal do Paraíso: do fracasso ao reconhecimento apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>Mais do que isso, foram filmes que deram prejuízo para os seus estúdios, demorando anos, às vezes até décadas, para ganharem o seu devido reconhecimento.
Porém, poucos casos de fracasso são tão contundentes como foi o do épico de faroeste O Portal do Paraíso, dirigido por Michael Cimino. E poucos são os filmes que merecem tanto este reconhecimento tardio.
Foi pensando nisso que preparei este post especial sobre a obra. Ao longo deste texto falarei sobre:
Antes de partirmos para o filme em si, porém, precisamos entender melhor o que estava acontecendo na época da sua produção.
O contexto histórico é essencial para que possamos compreender o fracasso de O Portal do Paraíso. Portanto, é necessário voltar alguns anos.
O final da década de 1960 e, principalmente, a década de 1970 foram palco de uma verdadeira revolução na indústria cinematográfica.
Impulsionados pelo lançamento de Bonnie e Clyde, os estúdios revolucionaram a maneira como a produção é regida e deram aos diretores um poder que eles nunca tiveram antes.
Foi o fim da Hollywood clássica e o nascimento de um período curto porém essencial para a história do cinema: a chamada Nova Hollywood.
De início, os diretores tiveram controle de filmes de pequenos orçamentos, como é o caso de Sem Destino (1969), de Dennis Hopper.
Mas o sucesso financeiro de produções como esta acabou incentivou os estúdios a investirem cada vez mais em produções ambiciosas.
Liberdade criativa e talento andavam juntos nessa época. E Hollywood estava sempre de olho em novos projetos de cineastas em ascensão.
Um nome que vinha ganhando muita notoriedade ao longo da década de 1970 era o de Michael Cimino.
Michael Cimino foi um cineasta nova-iorquino nascido em 1939. Ele ingressou no cinema como roteirista em 1972, escrevendo o filme Corrida Silenciosa.
No ano seguinte, ele escreveu o roteiro de Magnum 44, filme da franquia Dirty Harry estrelada por Clint Eastwood.
Cimino repetiu a parceria com o ator em 1974, em sua estreia na direção. O filme em questão, O Último Golpe, é uma comédia de ação co-estrelada por Jeff Bridges.
Em 1978, Michael Cimino lançou aquele que seria o seu maior sucesso: O Franco Atirador.
O filme, um retrato frio e violento da Guerra do Vietnã, foi indicado a nove Oscars e venceu cinco categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.
O sucesso de O Franco Atirador colocou o diretor no radar dos grandes estúdios e abriu caminho para projetos ainda mais ambiciosos. Foi então que nasceu O Portal do Paraíso

O Portal do Paraíso é um filme estadunidense do gênero western lançado em 1980. A obra é a dramatização de um conflito histórico conhecido como Johnson County War.
Ocorrido entre os anos de 1889 e 1893, este conflito foi organizado por criadores de gado que viam os imigrantes da região como uma ameaça ao seu monopólio.
No filme, os criadores de gado tem em mãos uma lista com 125 nomes de pessoas que precisam ser eliminadas e recrutam mercenários dispostos a matá-las.
O conflito, porém, é empurrado para o final do filme (que tem quase quatro horas de duração). O resto do tempo é dedicado à rotina dos personagens.
Conhecemos melhor o funcionamento daquela cidade e os seus principais moradores, como é o caso de James Averill (interpretado por Kris Kristofferson), xerife da cidade.
Averill tenta impedir a ameaça que se aproxima, ao mesmo tempo que mantém um relacionamento com a prostituta Ella Watson (Isabelle Huppert), um dos nomes da lista.
Ella, por sua vez, divide o seu coração com Nathan D. Champion (Christopher Walken), um antigo amigo de Averill que trabalha para os criadores de gado.
Construindo a narrativa de maneira lenta, Cimino mostra os conflitos entre os personagens crescendo até entrarem em ebulição.
A grandiosidade do projeto, somada ao nome de Michael Cimino, aumentaram as expectativas acerca do filme.
Todos os estúdios entraram na disputa pelo projeto, mas quem acabou ganhando foi a United Artists, um dos estúdios mais dispostos a se arriscar em projetos ambiciosos.
Afinal, a ambição estava no cerne do estúdio.
Um dos criadores da United Artists foi ninguém menos do que Charles Chaplin, vendo no seu estúdio uma possibilidade de fugir do controle predatório hollywoodiano.
A United Artists tinha grandes planos para O Portal do Paraíso.
O executivo Stephen Bach conta, em seu livro Final Cut, que a expectativa era que O Portal do Paraíso se tornasse o Doutor Jivago ou o Lawrence da Arábia do estúdio.
Em teoria, a comparação seria positiva para a United Artists, pois, diferente desses filmes citados, O Portal do Paraíso se passava todo nos Estados Unidos.

O patriotismo pesou bastante.
Ansiosos para realizar o filme, os executivos do estúdio aceitaram o grandioso orçamento de U$ 11,6 milhões.
E, pensando na temporada de premiação, eles queriam um lançamento até o natal de 1979, algo que seria bem difícil de conseguir, devido ao escopo da produção.
Para dar conta desse objetivo, Cimino fez o estúdio concordar em pagar quaisquer gastos a mais que ele tivesse para garantir que o filme ficasse pronto a tempo.
O estúdio aceitou o acordo, liberando o diretor de qualquer responsabilidade acerca do orçamento. Mesmo se não conseguisse cumpri o prazo, o diretor não seria responsabilizado.
Isso foi apenas o começo dos problemas do filme, que teve uma produção extremamente complicada.
O Portal do Paraíso teve uma produção bastante conturbada. Os excessos e o perfeccionismo do diretor atrasaram as filmagens, aumentando consideravelmente o custo do filme.
O jornalista Ryan Lambie escreveu uma matéria bastante completa a respeito dos problemas de produção ocorridos durante as filmagens. Entre os problemas listados, estão:
Além disso, Cimino também teve problemas com os produtores, que discordavam com a escolha da atriz francesa Isabelle Huppert como a base de um triângulo amoroso com Kris Kristofferson e Christopher Walken.
O diretor comprou a briga e manteve a atriz. E isso talvez tenha dado a Cimino a confiança que ele poderia fazer o que quisesse e os produtores iam acabar se dobrando para ele.

Ao final, o filme acabou custando cerca de US$ 35 milhões, valor que seria somado aos quase US$ 10 milhões gastos com publicidade.
E o pior é que Cimino tinha cerca de 300 quilômetros de filme rodado e precisava reduzi-lo para um filme de um pouco mais de duas horas.
O filme (com quase quatro horas de duração) só estreou em 18 de novembro de 1980. E a recepção da crítica não foi nada calorosa.
Conforme apontado por Christopher Karr em sua matéria sobre os 40 anos do filme, as controvérsias envolvendo O Portal do Paraiso são mais conhecidas do que o filme em si.
Isso foi muito influenciado pela reação da crítica na época do lançamento. O crítico do The New York Times, Vincent Canby, referiu-se à obra como “um desastre não qualificado”.
Seu texto dá algumas dicas sobre os motivos que o incomodaram tanto: “é provavelmente o primeiro western a celebrar o papel desempenhado pelos europeus da Europa Central e Oriental no assentamento do oeste americano”, escreve ele em certo momento.
Ou seja, a apropriação feita por Cimino de um gênero tipicamente americano e a subversão deste gênero – ao mostrar os cowboys como vilões – não caiu tão bem.
Canby também menciona as diferentes línguas faladas pelos imigrantes, todas traduzidas por legendas (como se isso fosse um demérito do filme) e reclama que os figurantes “agem da maneira irracional”.
O crítico Roger Ebert também partilhou dessa visão. Em seu texto, ele afirma que Cimino filmou os imigrantes como se fossem uma multidão.
O que nenhum dos dois não menciona, porém, é a tentativa de Cimino de humanizar os personagens.
Um exemplo disso é a cena em que é lido os nomes que constam na lista de mortes e, em seguida, é mostrado um rostos daquelas pessoas. Eles não são uma simples menção numa lista. São pessoas, com nomes e rostos.
Perto do final do texto, os críticos chegam ao ponto principal.
“Nada no filme funciona corretamente. Por todo o tempo e dinheiro investido, parece algo construído às pressas, um navio que desliza direto para o fundo durante seu batizado.” disse Canby.

Já Roger Ebert menciona o orçamento do filme duas vezes ao longo do seu texto, após chamar O Portal do Paraíso de “um dos filmes mais feios que eu já vi”.
Ou seja, em vez de os esperados elogios, o filme foi classificado como um “fiasco pretensioso, obscuro, sinuoso, extravagante”.
Por mais que tenha recebido elogios na Europa, foi a reação da crítica americana – e, consequentemente, do público – que gerou péssimas repercussões.
Devido à péssima recepção, o estúdio retirou o filme de cartaz – a pedido de Cimino – para o diretor se dedicar a uma nova montagem, diminuindo a duração do longa.
A nova versão foi lançada em abril de 1981, mas também não agradou.
As consequências do desastre foram maiores do que o filme em si. A companhia Transamérica, dona da United Artists, vendeu o estúdio e abandonou a indústria do cinema por completo.
Já O Portal do Paraíso foi considerado o início do fim da Nova Hollywood.
Ou seja, a época de grandes liberdades criativas estava chegando ao fim. Os estúdios e os executivos estavam retomando o controle das produções.
O fracasso também teve consequências nas carreiras dos envolvidos.
Kris Kristofferson afirma que o filme prejudicou a sua carreira, tirando-o da lista dos principais atores de Hollywood.
Porém, tanto ele quanto a atriz Isabelle Huppert afirmam que o diretor Michael Cimino foi quem mais sofreu com isso.
Em uma entrevista, Huppert reforçou sua admiração pelo cineasta, afirmando que ele era um dos grandes cineastas americanos. Ela também disse que ele nunca se recuperou daquele fracasso.
Kristofferson concorda com a afirmação. “Aquilo o destruiu completamente”, explicou o ator.

Cimino só conseguiu fazer outro filme cinco anos depois. E embora sua carreira se estenda por quatro décadas, ele só dirigiu um total de sete longas-metragens.
E nenhum dos filmes subsequentes à O Portal do Paraíso tiveram o escopo de sua grande produção.
Os orçamentos diminuíram ao ponto de suas produções se tornarem “seguras” para o estúdio.
E foi só no final da sua vida (ele morreu em 2016) que Cimino começou a ver O Portal do Paraíso receber o seu merecido reconhecimento.
Nos últimos anos O Portal do Paraíso ganhou exibições especiais nos festivais de Berlim, Toronto e Veneza.
Ao contrário do fracasso anterior, a exibição no Festival de Veneza terminou com aplausos de pé. Cimino contou que foi a primeira que ele viu o filme desde a estreia na década de 1980.
Além da restauração na duração original, o filme também ganhou um lançamento em Blu-Ray pela distribuidora Criterion.
Hoje em dia, o filme já é reconhecido como um clássico. São vários os elogios que o filme recebeu, muitos deles estampados na capa do DVD e do Blu-Ray.
Além disso, O Portal do Paraíso também aparece na lista 100 Grandes Filmes Americanos, feita pela BBC Culture.
Conforme afirma Karr em sua matéria: “Indiscutivelmente, nenhum outro filme, antes ou depois, tirou tanto o nosso fôlego, e nenhum cineasta tentou realizar sua visão com tanta firmeza, alguns podem dizer teimosia, e compromisso com a autenticidade”.
O Portal do Paraíso já havia garantido o seu lugar na história do cinema desde o seu lançamento. Mas foi só recentemente que o filme chegou lá pelos motivos certos.

Se você gostou deste especial, então também vai gostar das matérias que fizemos sobre o Cinema Noir (acesse-a aqui) e sobre o subgênero do slasher (aqui).
O post O Portal do Paraíso: do fracasso ao reconhecimento apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O post Como começar a estudar cinema sozinho apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>Ao longo deste post, eu vou apontar diferentes maneiras para você começar o seu estudo sobre cinema. E o melhor, no conforto da sua própria casa!
É isso mesmo, eu vou te mostrar como você pode começar a estudar cinema sozinho.
Para isso, separei o texto em diferentes tópicos que vão te ajudar a organizar a sua rotina de estudos. São eles:
Então, você está pronto para começar?
Antes de mais nada, acho importante repassarmos algumas dicas básicas que vão lhe ajudar ao longo da sua jornada cinematográfica.
Segue abaixo algumas dicas que vão te ajudar nesse processo de aprendizado.
Existem vantagens e desvantagens em se estudar sozinho. Uma das principais vantagens é que você pode fazer o seu próprio horário e determinar o seu ritmo de estudo.
Esta também é a maior desvantagem.
Afinal, muita liberdade acaba causando a procrastinação. E quanto a isso, não há nada que eu possa fazer.
Espero, portanto, que você consiga criar alguma rotina de estudos. Para atingir esse objetivo, a melhor maneira (ao menos para mim) é fazer um pouco por dia.
Se proponha a aprender algo novo a cada dia. Pode ser qualquer coisa, como:
Pequenas ações como estas contribuem para o grande resultado. Portanto, faça um pouco por dia.
A outra dica que eu tenho é:
E quando eu digo muitos, são muitos mesmo. E, mais importante, veja filmes diferentes daqueles que você está acostumado a ver.
Afinal, se você só assiste a filmes de super-heróis, o seu conhecimento vai ficar condicionado apenas a estas produções.
Mas, acredite, elas representam apenas uma fração de tudo que o cinema tem a oferecer.
Procure, portanto, filmes de diferentes gêneros e de diferentes nacionalidades.

Veja dramas, comédias e musicais. Veja filmes de ação, policial, western. Veja terror, romances e filmes noir.
Não tenha preconceitos se um filme é antigo ou se é preto e branco.
E seja curioso.
Vá atrás de informações sobre filmes que lhe chamaram a atenção.
Gostou do Parasita? Então procure os outros filmes do mesmo diretor. Veja também outros filmes da Coreia do Sul.
Eu lembro que quando era adolescente, eu tinha um guia de filmes (daqueles que eram vendidos em bancas).
E toda vez que eu via um filme que eu gostava, procurava pesquisar os outros filmes do mesmo diretor. Foi assim que descobri excelentes filmes.
Você só tem a ganhar sendo curioso desse jeito.
Além disso, leia muito.
Ler é essencial para aprender cinema. Portanto, vamos conhecer os melhores livros para você começar os seus estudos.
O estudo de cinema é abrangente, porém vou me ater aqui a duas vertentes distintas: a teoria e a prática do cinema.
Separei, portanto, duas listas de livros, uma para cada vertente. É importante destacar que tentei fugir um pouco do lugar comum.
Não é minha intenção simplesmente repetir títulos de livros que você já encontra em qualquer lista. Embora, é preciso admitir, em alguns casos é impossível escapar da obviedade.
Outro fator determinante nas minhas listas foi a facilidade da leitura. Afinal, se você está começando agora, é bom escolher livros com uma linguagem mais acessível.
Comecemos, portanto, pelos
Uma lista sobre livros para começar a estudar o cinema pode ser praticamente infinita. Portanto, é importante destacar que não pretendo fazer uma lista definitiva.
Meu intuito é apenas fornecer algumas indicações. Quero que você saiba por onde começar o seu estudo. E este “começar” é essencial.
Afinal, o estudo sobre o cinema – ou sobre qualquer tipo de arte – não tem fim. É um trabalho em constante evolução.
Mas, é preciso começar de algum lugar, não é mesmo?
E, dependendo de onde você começar (se pegar algum livro pesado de teoria, por exemplo), você pode acabar desistindo.
Por isso a minha lista é um ponto de partida. Confira, então, os livros que separei para você:
Com uma linguagem fácil e acessível, este livro usa exemplos recentes (como os dirigidos por Christopher Nolan) para contextualizar o leitor em meio à teoria aqui apresentada. É uma ótima porta de entrada para a teoria do cinema.
Neste livro, o autor Luiz Carlos Merten (crítico do Estadão) faz um apanhado geral da história do cinema, utilizando-se sempre de uma linguagem sucinta e acessível. É uma leitura rápida, porém bastante proveitosa.
Feito como uma espécie de almanaque, este pequeno livro conta, resumidamente, os diferentes movimentos cinematográficos da história do cinema. Cobre alguns pontos que o livro de Merten não cobre, mas com menos profundidade.
Este livro faz justamente aquilo que o seu título sugere: serve para introdução para diferentes vertentes da teoria do cinema. Trata-se de uma obra um pouco mais “acadêmica”, mas Stam tenta simplificar ao máximo a sua linguagem.
Este é o título mais completo desta lista. Bordwell e Thompson se debruçam sobre diferentes aspectos da teoria e prática cinematográfica, apresentando-nos um conteúdo detalhado. Pessoalmente, eu já preparei aulas inteiras com conteúdos retirados deste livro.

Existem muitos outros livros essenciais, como Uma Viagem Pessoal pelo Cinema Americano, além de coletâneas de filmes importantes, como 1001 Filmes para ver antes de morrer e Tudo sobre cinema.
Porém, resolvi parar esta lista por aqui. Falaremos agora sobre outros tipos de livros. São os:
Caso o seu interesse seja na parte prática do cinema, a sua lista de leituras será um pouco diferente.
Os livros que eu separei a seguir são voltados para aspecto técnicos e narrativos da realização de um filme.
Ou seja, são livros que vão lhe ensinar sobre o funcionamento da direção, do roteiro, da montagem, da direção de fotografia, etc. São eles:
Livro básico para quem tem interesse em começar a escrever roteiros – ou só quer saber como eles funcionam. Field é bastante didático na sua escrita, mas ensina muito bem a estrutura básica do modelo clássico hollywoodiano.
É importante destacar, porém, que ele se refere aqui a um estilo de roteiro bastante específico: aqueles produzidos na Hollywood daquela época. Ainda assim, seu livro é uma boa porta de entrada.
Livro indicado para quem tem interesse em conhecer melhor os aspectos da produção de um filme. Rodrigues destaca as diferentes áreas envolvidas na realização de um filme, abordando-as por meio de um olhar técnico.
Trata-se de um guia bastante completo de diferentes áreas do cinema, que pode ajudar quem ainda está em dúvida sobre qual área seguir. Além disso, sua linguagem é bastante simplificada e de fácil compreensão.
Esta obra é indicada para quem tem interesse na área de direção de fotografia. Em seu livro, Edgar Moura destaca a importância desta área e dá dicas técnicas acerca da manipulação de luz e sombras.
O autor também explica os efeitos que tais técnicas podem causar no espectador. Uma luz que vem de baixo, por exemplo, causa uma sensação diferente daquela que vem de cima. Já uma luz de frente revela um personagem, enquanto uma luz de trás o esconde.
Num Piscar de Olhos é um livro indicado para quem se interessa pela área de montagem. Nesta obra, o autor Walter Murch explicada, de maneira bastante detalhada, as escolhas feitas por um montador durante a edição de um filme.
Murch fala com conhecimento de causa. Ele é o montador de filmes como Apocalypse Now e O Paciente Inglês. E em vários momentos ele explica as suas próprias decisões. Ler sobre suas escolhas acerca da montagem de Apocalypse Now já valem o livro.
Existem diversos livros especializados em direção cinematográfica, mas eu escolhi este porque é uma obra bastante completa. Trata-se de uma longa entrevista que o cineasta francês François Truffaut fez com seu ídolo: Alfred Hitchcock.
Ao longo da entrevista, Hitchcock fala sobre cada um dos seus filmes, explicando suas decisões narrativas ao longo da sua carreira. Ler esse livro e ver os filmes do diretor (para entender a aplicabilidade das suas decisões) é a melhor aula de direção que você poderia ter.
E isso nos leva a outro ponto importante no seu estudo sobre cinema: ver filmes. Vejamos, portanto, quais filmes podem nos ajudar a entender melhor o cinema.
É impossível criar uma lista de filmes “essenciais” para quem quer estudar cinema. Mesmo livros como o já mencionado 1001 Filmes deixam muita coisa de fora.
Afinal, como eu disse antes, você precisa ver de tudo.
Precisa se informar a respeito dos diferentes movimentos cinematográficos, como o Primeiro Cinema, o Expressionismo Alemão e o Surrealismo.
Também precisa conhecer o cinema soviético, japonês, francês, italiano, americano e, é claro, o cinema brasileiro.
Além disso, precisa acompanhar as carreiras de importantes cineastas, como Alfred Hitchcock, Abbas Kiarostami, Akira Kurosawa, entre muitos outros.

Diante da impossibilidade de listar filmes essenciais (e com isso fazer deste um post interminável), resolvi fazer algo diferente.
A lista que vou disponibilizar a seguir serve para quem quer aprender mais sobre o cinema. Ou seja, vou falar de filmes que falam sobre a arte cinematográfica.
Estes filmes abordar aspectos da produção, da escrita, da direção e da estrutura de um filme, possibilitando ao público um olhar para dentro da indústria cinematográfica.
Embora seja centrado na história de um menino órfão que vive em uma estação de trem em Paris, o filme tem como personagem coadjuvante ninguém menos que Georges Méliès (interpretado por Ben Kingsley).
Méliès foi um dos pioneiros do cinema, sendo talvez o primeiro a enxergar a magia daquela nova forma de arte. O filme de Martin Scorsese aborda o final da carreira do cineasta francês, mas oferece vislumbres dos seus filmes e da maneira como foram produzidos.
Este clássico de Billy Wilder conta a história de um roteirista contratado por uma antiga estrela do cinema mudo para escrever um novo filme que a fará reaver a fama e o estrelato que um dia foram seus.
O filme aborda o fim do cinema mudo e ascensão do cinema sonoro, mudança que custou o emprego de muitos artistas. A atuação de Gloria Swanson no papel de Norma Desmond carrega consigo todo o exagero de um cinema de outra época. Um filmaço!
Abordando um tema semelhante a Crepúsculo dos Deuses, Cantando na Chuva também fala sobre a mudança do cinema mudo para o sonoro, mas explora as novas possibilidades criadas pela tecnologia: o musical.
A obra de Gene Kelly e Stanley Donen mostra os bastidores da produção de um filme do gênero musical. É possível aprender sobre aspectos narrativos e de produção, à medida que vemos um musical clássico sendo feito.
Por falar em cinema clássico, Quando Paris Alucina é um ótimo exemplo para quem quer aprender mais sobre a escrita do roteiro de um filme clássico. Na trama, um roteirista cria enredos absurdos para seu novo filme e os altera à medida que tem novas ideias.
William Holden e Audrey Hepburn interpretam o roteirista e sua secretária. Além disso, eles também interpretam o roteiro à medida que o mesmo está sendo escrito. Romance se mistura com espionagem no melhor estilo do cinema clássico hollywoodiano.
Cinebiografia daquele considerado o pior diretor de todos os tempos, Ed Wood é uma verdadeira carta de amor à 7ª arte, mostrando os bastidores da realização de filmes de baixo orçamento movidos apenas pela paixão pelo cinema.
O filme acompanha a carreira de Wood (interpretado por Johnny Depp) do momento em que ele começa a fazer filmes até a conclusão da sua “obra-prima”: Plano 9 do Espaço Sideral. O melhor momento é o seu encontro e troca de experiências com o cineasta Orson Welles.
Outro filme que aborda os bastidores de Hollywood, O Jogador, de Robert Altman, mostra a produção do ponto de vista de um produtor em ascensão, interpretado por Tim Robbins.
O longa-metragem explora todo o jogo de poderes que acontece por trás da realização de um filme, mostrando, principalmente, como a integridade artística é uma moeda de menor valor dentro desta indústria.
Produção feita para a televisão, Assassinato Duvidoso acompanha um crítico de cinema (interpretado por William H. Macy) que mata acidentalmente uma mulher. Ele tenta esconder o crime, mas logo se torna um suspeito.
Este telefilme expõe muitos dos conceitos relacionados a um subgênero do cinema conhecido como noir. Todas as “regras” do subgênero são exploradas aqui de maneira muito divertida.
Quer saber mais sobre o noir? Leia o nosso especial aqui.
Partindo de uma estrutura similar à de Cidadão Kane, na qual a vida do protagonista é descrita através do olhar de outras pessoas, Assim Estava Escrito narra a trajetória de um poderoso e premiado produtor de cinema (Kirk Douglas).
Por meio de três pontos de vista, o filme nos proporciona visões distintas a respeito de diferentes áreas da indústria cinematográfica, como a direção, a concepção do roteiro, o processo de atuação e, é claro, a produção de um filme.
8½ acompanha a história de Guido Anselmi (Marcello Mastroianni), um famoso diretor de cinema prestes a rodar seu próximo filme. Anselmi é pressionado de todos os lados, ao ponto de não conseguir mais distinguir a realidade da fantasia.
Um dos grandes filmes da história do cinema mundial, 8½ explora, de maneira sensível, o trabalho do cineasta: aquela pessoa responsável dar vida aos sonhos. Trata-se de um questionamento do diretor Federico Fellini à sua própria carreira.
O trabalho do diretor também é o ponto de partida de A Noite Americana de François Truffaut. O filme acompanha um cineasta, interpretado pelo próprio Truffaut, tentando terminar o seu novo filme a todo custo.
A Noite Americana, cujo título é uma referência a um método de filmagem no qual se filma durante o dia para simular uma cena noturna, explicita todos os possíveis problemas que podem acontecer durante uma produção e mostra diferentes maneiras contorná-los.
Nesta divertida comédia dirigida por Barry Sonnenfeld, acompanhamos um mafioso, interpretado por John Travolta, que resolve abandonaram a sua antiga carreira e virar produtor de cinema.
O filme mostra muitos detalhes do trabalho de um produtor, desde a concepção de um roteiro, passando pela contratação de um diretor e dos atores, além de possíveis problemas de produção que acontecem ao longo do caminho.
O Nome do Jogo chegou a ganhar uma continuação em 2005, focada na indústria fonográfica.

O drama do roteirista é ilustrado à perfeição em Adaptação, de Spike Jonze. Diante da impossibilidade de adaptar um livro para o qual foi contratado, o roteirista Charlie Kaufman se transforma em um personagem, interpretado Nicolas Cage, fazendo do filme um retrato do seu próprio bloqueio criativo.
Adaptação exibe muito do estilo inicial da carreira de Kaufman, transbordando estranhamento metalinguístico. Mais do que isso, porém, é um filme que retrata, como poucos, o trabalho excruciante e pouco reconhecido do roteirista.
Um dos melhores filmes de terror da década de 1990, Pânico expõe as “regras” do cinema de terror de maneira bastante didática, reapresentando o subgênero slasher para toda uma nova geração de cinéfilos.
Leia o especial que fizemos sobre o subgênero slasher.
Acompanhando um grupo de adolescentes aterrorizado por um assassino mascarado, Pânico é uma verdadeira aula sobre o cinema de terror que todo fã precisa conhecer. Suas continuações também são ótimas, mas sem o frescor do original.
Divertida produção japonesa que mistura terror e comédia, Plano-Sequência dos Mortos acompanha um diretor tentando rodar um filme de zumbis de baixo orçamento, até o momento em que sua equipe é atacada por zumbis.
Assim como Ed Wood, o filme ilustra as dificuldades de se rodar uma pequena produção, mostrando como a equipe precisa se virar com os recursos que tem para conseguir filmar cenas complexas – ainda mais em plano-sequência.
O YouTube se tornou uma excelente ferramenta de aprendizado. A possibilidade de misturar texto e vídeo amplia consideravelmente a capacidade de comunicar uma mensagem e de que esta mensagem seja absorvida pelo público.
Infelizmente, muitos canais voltados para o cinema se resumem a falar – de maneira breve e rasa – sobre o mais recente filme de super-herói. Ainda assim, alguns canais se destacam por trazerem conteúdos de qualidade.
Separei, portanto, alguns dos canais que eu acompanho e que, acredito, poderão contribuir para o seu aprendizado. A lista é curta, porém estou aberto a sugestões de outros canais. Por enquanto, os canais que eu acompanho são:
Canal brasileiro, criado por Max Valarezo, o Entre Planos apresenta análises aprofundadas sobre diferentes temáticas do cinema, não se limitando apenas ao cinema contemporânea e nem só ao cinema norte-americano.
Canal americano dedicado ao estudo sobre o roteiro, o Lessons from the Screenplay se dedica muito mais a qualidade do que a quantidade. São poucos vídeos, as vezes com grandes intervalos de publicação, mas as análises são sempre bem-feitas e aprofundadas.
Antes de ficar famoso dirigindo filmes como Quando as Luzes se Apagam, Annabelle 2 e Shazam, David F. Sanberg fazia pequenos curtas de terror (como o assustador Lights Out) e os postava em seu canal. Agora, ele também usa o espaço para falar sobre o processo de criação e direção de um filme.
O Film Courage é um canal dedicado a entrevistas com diferentes profissionais da indústria cinematográfica. Seu foco maior é em conversas com roteiristas, mas alguns dos seus vídeos são dedicados à direção, produção e outras áreas.
A proposta inicial desse artigo foi listar diferentes maneiras para você começar a estudar cinema no conforto da sua casa.
Começar é a palavra-chave.
Afinal, o estudo em qualquer área – especialmente numa área artística – é uma tarefa constante e sem fim.
Porém, para qualquer jornada é preciso dar o primeiro passo.
Caso você deseje se aprofundar ainda mais, existem faculdades especializadas em cinema.

Além disso, o site Masterclass oferece excelentes cursos com grandes nomes da indústria, como Martin Scorsese e Spike Lee.
Isso, porém, requer um investimento. E se, por enquanto, você não pode fazer tais investimentos, procure outras formas de aprendizado.
Por isso, repito aqui o que falei no início do texto: veja muitos filmes!
Se você tiver que tirar apenas uma dica deste artigo inteiro, que seja esta.
Grandes cineastas aprenderam sobre cinema apenas vendo o que outros cineastas faziam. Portanto, faça o mesmo.
Pesquise por conta própria, ao menos no início. E, se achar que esta é uma área com a qual você se identifica, então invista um pouco mais.
Espero que você tenha gostado. Se gostou, deixe um comentário abaixo. E nos vemos na próxima!
O post Como começar a estudar cinema sozinho apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O post Ready or Not | Crítica, curiosidades, referências e muito mais apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>Isso pode acontecer por vários motivos, como atraso na distribuição, data equivocada de lançamento, uma publicidade fraca/mal direcionada, entre outros fatores.
Ready or Not é um destes casos. Agendado para ser lançado nos cinemas brasileiros no ano passado, o filme acabou saindo da grade de programação sem explicação.
Depois de um tempo, apareceu em serviços de video on demand, sob diferentes títulos, como O Ritual e Casamento Sangrento.

Isso é uma pena, pois trata-se de um ótimo filme, que merece ser descoberto pelo público. E foi pensando nisso que eu preparei este especial.
Ao longo deste post, vou apresentar:
Meu propósito é fazer com que você crie interesse em ver esse filme. Ou, se já o assistiu, quem sabe queira revisitá-lo após ler esse texto.
Comecemos, então, pela crítica do filme.
Não é novidade que o cinema goste de retratar as discrepâncias sociais entre as classes menos e as mais favorecidas. No ano passado, uma grande leva de filmes abordou essa questão, de maneira direta ou indireta, como Parasita, Coringa e Nós.
A ressurgência dessa temática, é claro, tem uma razão política.
Desde a eleição de Donald Trump, muito se tem falado a respeito do 1% mais rico, ou seja, sobre empresários bilionários que enxergam o restante da população como meras engrenagens na máquina que produz a riqueza deles.
Assim como é comum no gênero de terror, Ready or Not utiliza-se de metáforas para falar sobre questões sociais pertinentes. E o faz não apenas de maneira eficaz, como extremamente divertida.

Escrito por Guy Busick (série Watch Over Me) e Ryan Murphy (Minutes Past Midnight), o roteiro acompanha Grace (Samara Weaving), uma jovem de família humilde prestes a se casar com o milionário Alex (Mark O’Brien).
Grace nunca se sentiu parte de uma família, e anseia que isso mude uma vez que ela adentre o clã da família Le Domas, donos de um império de jogos de tabuleiro. Seu desejo de ser abraçada pelo calor familiar a faz ignorar as estranhezas dos Le Domas.
Mas tudo muda na noite do casamento – realizado na mansão deles.
Em vez de aproveitar a sua lua de mel, Grace é convidada a participar de um jogo envolvendo toda a família. Trata-se, segundo eles explicam, de uma tradição, uma maneira de acolher novos membros.
A ideia é que ela retire uma carta de baralho e isso vai determinar o jogo daquela noite.
Porém, quando ela retira uma carta escrita “esconde-esconde”, é iniciado um jogo mortal, no qual os Le Domas precisam caçar e matar a noiva, antes do amanhecer do dia, numa cerimônia de sacrífico que garantirá a manutenção da fortuna deles.
A crítica social proposta pelo roteiro é explicitada ao longo de toda a narrativa. A figura demoníaca com a qual a família fez um pacto em troca de riqueza pode ser entendida como o próprio capitalismo.

Busick e Murphy insistem nessa sua crítica, optando por não desenvolver nenhum dos personagens, tornando-os, em vez disso, opacos e caricatos.
A família Le Domas é composta por pessoas desprovidas de emoção e incapazes de assumir responsabilidades pelas suas ações – como é o caso da cunhada de Grace que “acidentalmente” mata alguns dos empregados da casa.
O único a ganhar um pouco mais de atenção é Daniel (Adam Brody), visto como alguém preso às tradições da família, mesmo discordando delas.
Por mais que também não ganhe um grande desenvolvimento narrativo, a protagonista Grace compensa pelo carisma de Samara Weaving. A atriz, que já havia chamado atenção na comédia de terror A Babá, encarna a sua personagem com graça e determinação.
Vinda de lares adotivos, Grace acreditava que sua vida só estaria completa se ela participasse de uma família. Por isso, ela se “disfarça” como um futuro membro dos Le Domas, vestindo-se e portando-se do jeito que ela julgava ser digno da alta sociedade.
À medida que o filme avança, porém, seu comportamento muda. Tal mudança é acompanhada pelas alterações no figurino. Ao mesmo tempo, ela conhece os segredos sujos daquelas pessoas e estes segredos ficam impregnados na sua roupa.

Embora tenham começado a carreira na comédia (leia mais sobre isso abaixo), nos últimos tempos os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett vinham se dedicando a narrativas mais densas, como o terror O Herdeiro do Diabo.
Aqui, porém, eles pisam no freio para investir em uma trama um pouco mais leve e divertida. Mas isso não os impede de criarem sequências impactantes, como a cena envolvendo um prego faz qualquer um se revirar na poltrona.
A mistura de terror e comédia é eficaz. Ambos são gêneros que dependem de um timing muito específico para funcionarem, ambos provocam reações físicas no espectador (o riso e o susto) e ambos servem de metáforas para situações contemporâneas.
E Ready or Not é um ótimo exemplo disso.
Matt Bettinelli-Olpin começou a sua carreira em 1998, quando escreveu e dirigiu o documentário It Came from Hollywood.
Depois disso, ele fez alguns trabalhos como ator em curtas-metragens e projetos para a TV.
Bettinelli-Olpin voltou à cadeira de diretor apenas 9 anos depois da sua estreia, quando passou a comandar uma série de curtas-metragens de ficção.
Os curtas que ele dirigiu são Happy Halloween (2007), Prison Break (2008), The Danger Zone (2008), The Alibuys (2008), em que ele também atuou.
Tyler Gillett iniciou a carreira como operador de câmera e diretor de fotografia em curtas-metragens.
Seu primeiro trabalho como diretor foi na série The Midnight Show (2008).
Mesmo depois de começar a dirigir, Gillett manteve-se atuante nas funções de diretor de fotografia e operador de câmera.
Por volta de 2010, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett se uniram ao cineasta Chad Villella para formar a trupe conhecida como Radio Silence.
Eles trabalharam juntos em uma série de curtas chamada Chad, Matt & Rob. Seus curtas normalmente misturavam terror e comédia.
A Radio Silence também assina a direção de dois segmentos de duas antologias de terror: V/H/S (2012) e Southbound (2015), esta última também produzida por eles.
Chad Villella acabou deixando a função de diretor para se dedicar à produção.
Em 2014, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett dirigiram o seu primeiro longa-metragem: O Herdeiro do Diabo (2014).
Ready or Not (2019) é o segundo longa-metragem da dupla. Recentemente foi anunciado que eles vão comandar o próximo filme da franquia Pânico.
A proposta inicial de Ready or Not, de centrar a sua narrativa em torno de uma uma família dona de um império de jogos de tabuleiro tem o seu pé na realidade.
A grande inspiração para os realizadores foram a Milton Bradley Company e a Parker Brothers, duas empresas pioneiras no ramo de jogos de tabuleiro, que fizeram fortuna.
A primeira criação de Milton Bradley nessa área foi o jogo The Checkered Game of Life, que em 1861 vendeu mais 45 mil cópias.
A fabricante continuou produzindo jogos mesmo depois da morte do seu criador, quando o comando da empresa foi passado para o seu filho (assim como é visto no filme).

Já a Parker Brothers foi criada em 1883 por George Parker. A empresa ficou conhecida por ter criado o jogo Monopoly, tornando-se uma referência nessa área.
A Parker Brothers havia sido extinta em 2009, mas foi revivida em 2017, quando foi adquirida pela Hasbro.
A relação dos jogos de tabuleiro com o filme é ainda mais próxima.
Seis dos métodos de assassinato disponíveis no jogo Detetive são utilizados ao longo do filme. São eles:
Fonte das curiosidades: IMDB.
Nos últimos anos, diversas produções abordaram o tema das disparidades sociais. Isso se deve, em parte, à ascensão de Trump ao poder. Porém, a temática é muito mais antiga do que isso.
Recentemente, o podcast Nightmare University fez um especial sobre esse tema. Segue abaixo alguns dos filmes que eles citaram e outros que eu acredito que também merecem seu lugar na lista.
Clássico do cinema mudo, Metrópolis mostra uma sociedade geograficamente dividida entre aqueles que vivem na superfície e aqueles que vivem no subterrâneo.
Dirigido por Fritz Lang, esta ficção científica se passa em uma cidade futurista que se divide entre a classe trabalhadora e os planejadores da cidade.
É então que o filho do mestre da cidade se apaixona por uma profeta da classe trabalhadora, que prevê a vinda de um salvador para acabar com as disparidades entre as classes.
Mistura de ficção científica com terror, Eles Vivem conta a história de um homem desempregado quem encontra um óculos de sol capaz de fazê-lo enxergar a verdadeira realidade do mundo onde vive.
Dirigido por John Carpenter, o filme é uma crítica ácida à sociedade consumista. A invasão alienígena vista aqui serve como metáfora para o controle estabelecido pelo capitalismo.
E a divisão social não se dá apenas entre aqueles que vivem à margem e ao centro da sociedade, mas também entre os que querem e não querem enxergar a verdade.
Ficção científica dirigida por Terry Gilliam, Brazil – O filme se passa em um futuro indefinido e mostra uma sociedade ameaçada por uma espécie de distopia burocrática.
Na trama, um funcionário público sonhador investiga os erros por trás de uma cobrança indevida e se depara com uma realidade completamente diferente da sua.
Nesta realidade, alguns vivem no alto e outros no nível do chão. O distanciamento é tamanho que a alta sociedade parece sequer saber da existência das outras pessoas.
É fácil falar da questão social presente em Parasita, filme sul-coreado que fez história ao vencer o Oscar de Melhor Filme. Mas poucos se lembram que o diretor Bong Joon Ho já havia abordado temas similares antes.
É o caso, por exemplo, deste Expresso do Amanhã. Na trama, o mundo todo congelou e os únicos sobreviventes do apocalipse são os passageiros de um grandioso trem.

A divisão é clara: existe aqueles que vivem na parte de trás do trem (amontoados e passando necessidades) e aqueles que vivem na frente (com todo o conforto possível).
O cinema nacional também aborda os temas de disparidades sociais e conflitos de classes. Um dos mais exemplos mais significativos, e que chamou atenção internacional, é Que Horas Ela Volta?
O filme de Anna Muylaert conta a história de uma empregada doméstica que recebe sua filha para ficar algum dias na casa dos patrões. A obra expõe as divisões sociais que operam naquela microcosmo.
A filha da protagonista representa uma ameaça às “normas não ditas” daquela sociedade, justamente por questioná-las. A metáfora da piscina é um bom exemplo disso.
Ficção científica escrita e dirigida por Andrew Niccol, Gattaca – A Experiência Genética se passa em um futuro no qual é possível manipular geneticamente os bebês antes deles nascerem.
Isso permite aos pais escolherem as características físicas dos seus filhos (como a cor dos olhos e dos cabelos), além de corrigir qualquer propensão genética a alguma doença.
O protagonista é um sujeito que não foi manipulado durante a gestação e, portanto, é considerado geneticamente inferior. Ele precisa burlar o sistema para poder realizar seu sonho de ser um astronauta.
Praticamente todos os filmes do cineasta Neil Bloomkamp falam de problemas sociais e sobre divisão de classes, mas a ficção científica Elysium talvez seja o exemplo mais explícito.
Aqui, a sociedade é dividida entre aqueles que vivem na Terra (ou seja, na parte de baixo) e aqueles que vivem em órbita no espaço (em cima).
A trama acompanha um sujeito que tenta reverter essa realidade. Mas, para isso, ele precisa invadir a fortaleza espacial.
Segundo filme do cineasta Jordan Peele, Nós é uma obra que aborda de maneira metafórica as divisões sociais.
Na trama, uma família de classe média é aterrorizada pelas suas “sombras”, ou seja, por versões sombrias delas mesmas.
Estas sombras são manifestações dos privilégios de uma determinada classe social, em detrimento das outras.
Leia o especial que eu fiz sobre Nós para saber mais sobre o filme.
Entre Facas e Segredos coloca a questão social no centro da sua narrativa. Pois se nos livros de Agatha Christie (uma clara referência aqui) era comum que o mordomo fosse o culpado, aqui o trabalhador é vítima da ganância aristocrática.
A trama acompanha uma jovem enfermeira que se torna a principal suspeita no assassinato do seu patrão, um rico escrito de livros de mistério. O crime serve para revelar os segredos daquela família, cuja riqueza os torna totalmente deslocados da realidade.
Curiosamente, o diretor/roteirista Rian Johnson já havia abordado questões sociais em Star Wars – Os Últimos Jedi (leia a minha crítica aqui), mas as suas mudanças não agradaram muito aos fãs.
O post Ready or Not | Crítica, curiosidades, referências e muito mais apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O post O que é um filme noir? – Um guia completo apareceu primeiro em 7 Marte.
]]>O gênero noir surgiu na década de 1940, como forma de categorizar filmes que traziam algumas características em comum: personagens dúbios, histórias investigativas e intrincadas, femme fatales e uma visão pessimista da sociedade.
Existe muita história por trás do gênero noir. Ele pode ser visto como uma resposta à crise nos grandes estúdios hollywoodianos, que estavam perdendo a guerra travada contra a recém-criada televisão.
Ou como uma resposta da própria Hollywood à guerra real que havia acontecido alguns anos antes. Uma guerra que mostrou para o mundo o que há de pior na humanidade – e os filmes refletiram, alegoricamente, estes temas.
Mas o noir não se limita a isso. E ele também não acabou no período clássico. Na verdade, o gênero – embora tenha passado por algumas transformações – está ativo até hoje, sendo conhecido na atualidade como neo-noir.
Ao longo deste artigo, eu vou falar um pouco sobre:
Ao final, eu espero ter compartilhado um pouco da minha paixão por esse gênero. E, quem sabe, possa até mesmo ter criado o interesse em outras pessoas para conhecê-lo melhor.
Vamos começar então?
Embora seja difícil definir qualquer gênero cinematográfico, o noir se mostra ainda mais complicado, pois suas características se misturam com a de outros gêneros mais consagrados, como o policial e o thriller.
Não por acaso, há teóricos do cinema que afirmam que o noir não é um gênero em si, mas um estilo, ou uma característica em comum entre diferentes filmes – assim como hoje em dia temos diversos filmes de super-heróis, mas “super-herói” não é um gênero (ainda não, pelo menos).
De maneira geral e um tanto genérica, é (im)possível definir gênero noir é um estilo de filmes que ficou bastante comum na década de 1940 e 50. Reflexo do fim da 2ª Guerra Mundial, que deixou o mundo devastado, o noir foi espécie de resposta não intencional ao clima desesperançoso da época.
Eram filmes que faziam oposição ao estilo clássico hollywoodiano. Produções de baixo orçamento, centradas mais nos personagens do que na ação.

Em sua maioria, são filmes investigativos, caracterizados por uma fotografia carregada (bastante contraste entre branco e preto), estrelados por protagonistas dúbios e co-estrelados por figuras femininas misteriosas.
Trata-se de filmes que borram as barreiras entre bem e mal, entre bandidos e mocinhos. Em muitos casos, a complexidade da trama só é revelada no final do filme. Em outros casos, ela continua complexa mesmo depois de o filme terminar.
Como eu disse, é difícil explicar o que é o gênero noir, ou ainda se ele é mesmo um gênero ou apenas uma classificação. Mas talvez isso fique mais claro quando você entender como essa denominação surgiu.
Curiosamente, o noir não nasceu como um gênero. Foi uma classificação cunhada posteriormente, através da análise de uma determinada quantidade de filmes produzida numa mesma época.
A classificação noir cunhada no cinema pelo crítico francês Nino Frank na década de 1940. Mas Frank não criou essa terminologia. Ela já existia na literatura. Aliás, existia toda uma coleção literária lançada na época intitulada Série noire.
Observando que muitas das características dos romances eram reproduzidas no cinema, Nino fez essa ligação em um artigo intitulado “Un nouveau genre ‘policier’: L’aventure criminelle“ (“Um Novo Gênero Policial: A Aventura Criminal”).
Referindo-se à produção francesa da época, Frank caracterizou aqueles filmes como produções que rejeitavam o sentimentalismo, a fantasia social e o dinamismo da morte violenta.

Já a produção norte americana era caracterizada, na opinião do crítico, por uma tendência à psicologia criminal e à misoginia. Segundo o crítico:
“esses filmes ‘sombrios’, esses filmes noirs, não têm mais nada em comum com a exibição comum dos filmes de detetive. Por serem histórias puramente psicológicas, a ação, violenta ou excitante, importa menos que rostos, comportamento, palavras – daí a verossimilhança dos personagens.”
Vale destacar que os realizadores não estavam cientes dessa terminologia enquanto faziam os seus filmes. Eles estavam apenas reproduzindo muitas das temáticas vigentes da época.
Até onde se sabia, eles estavam trabalhando dentro do gênero policial, conforme apontava o próprio título do artigo de Frank.
Porém, um olhar em retrospecto para esses filmes acabou classificando-os como um gênero à parte – ou ao menos como um subgênero – e o artigo de Nino teve papel determinante nessa terminologia. Especialmente por causa das características apontadas por ele.
Anteriormente mencionei que o noir surgiu como um reflexo da guerra. Mas sua relação com época conflituosas é ainda mais intrínseca. Uma das principais características destes filmes é a fotografia (normalmente em preto e branco) bastante saturada.
Os ambientes dos filmes noir são ambientes escuros, tomados por sombras. O contraste entre claro e escuro reflete a ambivalência dos seus personagens, que não são bons o suficiente para serem heróis, mas também não se caracterizam como vilões.
Parte desta ambientação escura e opressiva é uma influência de outro gênero bastante estilizado: o expressionismo alemão. No expressionismo, luz e sombras eram utilizadas como forma de explicitar o estado de espírito de uma época devastada pela guerra.
Enquanto o expressionismo foi uma resposta metafórica da Alemanha ao período pós-Primeira Guerra Mundial, o noir foi uma resposta dos Estados Unidos à Segunda Guerra. Embora tenham saído vitoriosos do conflito, a guerra abalou a economia mundial.

Desta forma, o noir é também uma resposta financeira. Ao contrário dos grandes épicos e musicais produzidos naquela época, os filmes noir eram baratos. O seu enfoque era os personagens.
Outras características dos filmes noir são tramas intrincadas e complexas. O uso de flashbacks e narração em off também é bastante comum, como forma de explicar um pouco melhor a trama e dar ao público um pouco mais de clareza em relação ao que está sendo mostrado.
Mas talvez a principal característica do gênero seja a presença da femme fatalle. Ela é aquela mulher misteriosa por quem o protagonista – homem – é seduzido e muitas vezes levado a tomar atitudes que ele normalmente não tomaria.
O noir e suas características são frutos de uma época, mas sua referência é visível até hoje, principalmente num subgênero conhecido como neo noir.
Conforme foi dito anteriormente, o noir é um gênero que nasceu e se proliferou em um período bastante específico. E, de certa maneira, é um gênero que foi contido àquela época.
Isso não significa que suas características narrativas e visuais se perderam com o tempo. Pelo contrário, elas são visíveis até hoje, especialmente em filmes que ficaram conhecidos como: neo noir.
Neo noir é um termo utilizado para definir filmes modernos que homenageiam/referenciam os temas ou sensibilidades comuns aos cinema noir clássico.
A homenagem pode ser feita de maneira direta, na qual a produção parece um filme saído da década de 1940 (como em Corpos Ardentes ou Chinatown) ou pode ser mais estilizada.
O ritmo destes filmes tende a ser mais lento do que as produções contemporâneas, e os personagens mantém-se dúbios.

Conforme foi dito antes, a fotografia desempenha um papel essencial nos filmes noir, e no neo noir isso também acontece, embora de maneira diferente, especialmente pelo uso das cores.
Filmes como Blade Runner – O Caçador de Andróides, por exemplo, substitui a saturação do preto e branco por outro tipo de saturação: a fotografia em neon.
Já Sin City – A Cidade do Pecado usa a tecnologia digital para trazer um preto e branco diferente para as telas.
Embora nem sempre sejam reconhecidos como filmes neo noir, essas obras comprovam a importância que o gênero tem para a história do cinema e a influência dele na cinematografia atual.
Muitos filmes noir se tornaram clássicos da história do cinema. Muitos neo noir estão indo pelo mesmo caminho. Vamos, então, conhecer alguns deles, começando pelos:
Se você chegou até aqui, talvez seja porque se interessou pelo assunto. Pensando nisso, fiz uma lista de filmes que considero essenciais para quem gosta ou quer conhecer o gênero noir.
A lista foi baseada misturando a importância histórica de cada filme com o meu gosto pessoal. Confira então:
Esta é uma excelente maneira de começar a conhecer o gênero noir. Relíquia Macabra (ou O Falcão Maltês, como também é conhecido) é filme que carrega todas as características de um grande exemplar do gênero.
Na trama, um detetive (interpretado com o sarcasmo típico de Humphrey Bogart) se vê envolvido na busca por uma valiosa estatueta do século 16. A direção é do mestre John Huston.
Dirigido por outro mestre do cinema, Billy Wilder, Pacto de Sangue acompanha Walter Neff (Fred MacMurray), um vendedor de seguros que é convencido pela femme fatale Phyllis Dietrickson (Barbara Stanwyck) a matar seu marido para conseguir o dinheiro do seguro.
Adaptado de um livro de James M. Cain, o roteiro foi escrito pelo próprio Wilder em parceria com o romancista Raymond Chandler (que aparecerá de novo nessa lista). É um dos grandes clássicos do gênero.
Pequena pérola de baixo orçamento, Curva do Destino acompanha um pianista que planeja viajar através do país para visitar a namorada. Mas sua jornada sofre um desvio inesperado quando a pessoa para quem ele deu carona morre misteriosamente.
Sem esconder o baixo orçamento, o diretor Edgar G. Ulmer usa de toda a sua criatividade para conduzir a sua narrativa: em certo momento, por exemplo, ele tira a imagem de foco, para simbolizar o desnorteamento do protagonista. Um ótimo filme.
Humphrey Bogart (de novo) interpreta o detetive Philip Marlowe, contratado por um milionário para quitar as dívidas da sua filha mais nova. Mas não demora para que o detetive se veja envolvido em uma intrincada trama envolvendo os segredos daquela família.
Dirigido por Howard Hawks com base num livro de Raymond Chandler (sim, ele de novo), À Beira do Abismo é um filme instigante e complexo.
Talentoso e eclético, o cineasta Jacques Tourneur passeou por diferentes gêneros ao longo da sua extensa carreira. Fuga do Passado foi a sua principal experiência no gênero noir. E o resultado é incrível.
A trama acompanha Jeff Bailey, dono do posto de gasolina de uma cidadezinha, cuja rotina tranquila é interrompida quando um conhecido do seu passado o reconhece. O filme é estrelado pelos igualmente talentosos Robert Mitchum e Kirk Douglas.
O Beco das Almas Perdidas acompanha um ambicioso vigarista que se envolve com uma psiquiatra mais corrupta do que ele. De início, a dupla é bem-sucedida ao extorquir pessoas usando um truque mentalista. Mas logo um se volta contra o outro.

O filme é dirigido por Edmund Goulding e estrelado por Tyrone Power e Joan Blondell. Atualmente, o cineasta mexicano Guillermo del Toro está trabalhando num remake deste filme, que pode ser estrelado por Bradley Cooper.
Dirigido por Carol Reed a partir de um roteiro de Graham Greene, O Terceiro Homem acompanha um escritor americano que chega em Viena após a Segunda Guerra Mundial e descobre que um amigo seu foi morto misteriosamente.
O escritor resolve, então, investigar essa morte. Contando com uma belíssima fotografia, com fortes influências do expressionismo alemão, o longa-metragem ainda se beneficia de uma pequena, mas importante participação de Orson Welles. Um filmaço!
Dirigido pelo mestre Fritz Lang, Os Corruptos acompanha o detetive Dave Bannion, que resolve investigar o suposto suicídio de um policial. Ele conversa com a viúva dele e escuta uma história. Mas depois de conversar com a amante do homem, escuta uma história diferente.
Não demora para que Bannion se veja em meio a uma trama de corrupção envolvendo tanto a polícia quanto a máfia local. O filme é estrelado por Glenn Ford, Alexander Scourby e Dorothy Green.
Esta é uma obra que mistura o cinema noir com uma trama de mistério e um pouco da paranoia da guerra fria. A trama acompanha o detetive particular Mike Hammer (Ralph Meeker), que dá carona para Christina (Cloris Leachman), uma jovem misteriosa.
Os dois acabam perseguidos, agredidos e jogados de um penhasco. Ao sobreviver, Mike decide investigar o crime e se depara com uma grandiosa conspiração. A direção é de Robert Aldrich.
Após um carro bomba explodir na fronteira entre o México e os Estados Unidos, Miguel Vargas, um agente mexicano, inexplicavelmente interpretado por Charlton Heston, precisa investigar o ocorrido ao lado de um capitão americano Hank Quinlan (Orson Welles, que também dirige o filme).
O problema é que Vargas suspeita que Quinlan está tentando incriminar um homem inocente. Um dos grandes filmes de um dos maiores cineastas que o cinema já viu, A Marca da Maldade não podia ficar de fora dessa lista.
Antes de finalizar, quero apenas listar alguns filmes do subgênero neo noir. Como estes são filmes mais conhecidos, não vou me ater a detalhes da trama.
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