
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou o foco das críticas na crise entre Brasil e Estados Unidos e afirmou que os principais problemas na relação bilateral estariam sendo provocados por integrantes do “segundo escalão” do governo americano. Em entrevista à Record exibida no domingo (23), Lula disse manter uma relação “civilizada e respeitosa” com Donald Trump e chegou a afirmar que “Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria dele”.
A declaração veio apenas dois dias depois de Lula telefonar para Trump. A conversa da sexta-feira (21) durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o governo brasileiro, ocorreu em tom cordial. Os dois presidentes trataram das tarifas impostas a produtos brasileiros, cooperação contra o crime organizado e conflitos internacionais. Trump concordou com a retomada do diálogo comercial e indicou que representantes dos dois governos deveriam acelerar as negociações.
A nova postura chama atenção porque acontece em meio ao confronto aberto entre Lula e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O Financial Times apontou que o governo brasileiro passou a enxergar Trump como um interlocutor capaz de moderar a ala mais dura da administração americana. Segundo o jornal britânico, Lula tenta construir uma relação direta com o presidente dos Estados Unidos enquanto aumentam os atritos com Rubio e setores do Departamento de Estado.
A aproximação, porém, ainda não representa o fim da crise. As divergências comerciais continuam e as equipes dos dois países precisam transformar o diálogo presidencial em decisões concretas. O movimento mostra uma mudança relevante na estratégia de Brasília: em vez de tratar toda a administração americana como um único bloco, Lula passou a diferenciar Trump de integrantes de seu governo e aposta no contato direto com o presidente para tentar destravar a relação entre os dois países.

O governo dos Estados Unidos voltou a colocar a Doutrina Monroe no centro de sua política externa e lançou nesta terça-feira (11) um recado de forte impacto para todo o continente. Em vídeo divulgado pelo Departamento de Estado, apresentado pelo embaixador americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, Washington revisita mais de 200 anos de atuação dos EUA no Hemisfério Ocidental.
A publicação veio acompanhada de uma afirmação que resume a nova postura americana: a predominância dos Estados Unidos na região “nunca mais será questionada”.
A frase já havia sido usada por Donald Trump após a operação militar que capturou Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro deste ano.
Criada em 1823 pelo presidente James Monroe, a doutrina nasceu como uma advertência às potências europeias contra novas colonizações e interferências políticas nas Américas. Com o crescimento econômico e militar dos Estados Unidos, porém, o princípio ganhou novas interpretações e passou a acompanhar diferentes momentos da expansão da influência de Washington sobre a América Latina.
No vídeo de mais de cinco minutos, Cabrera relembra episódios históricos, da presença europeia no México às disputas da Guerra Fria, e chega à atual política de Trump, que voltou a reivindicar abertamente a primazia americana no Hemisfério Ocidental.
O símbolo mais contundente dessa nova fase aconteceu em 3 de janeiro de 2026. Uma operação militar ordenada por Trump entrou em território venezuelano, capturou Maduro e sua mulher, Cilia Flores, e levou os dois para os Estados Unidos. Maduro responde em Nova York a acusações que incluem conspiração para narcoterrorismo e importação de cocaína, declara-se inocente e deverá ser julgado em junho de 2027. Depois da operação, Trump afirmou que os Estados Unidos conduziriam a Venezuela até uma transição considerada segura por Washington e associou a ação à retomada da Doutrina Monroe, chegando a brincar com a expressão “Doutrina Donroe”.
A versão histórica apresentada pelo Departamento de Estado, entretanto, simplifica episódios controversos da atuação americana na região. No caso da retirada francesa do México no século 19, por exemplo, documentos do próprio Departamento de Estado registram que a resistência mexicana comandada por Benito Juárez foi determinante para enfraquecer o regime de Maximiliano de Habsburgo. Os Estados Unidos, limitados inicialmente pela Guerra Civil, ampliaram o apoio aos mexicanos e a pressão sobre a França apenas depois do conflito interno americano.
A nova divulgação de Washington deixa claro, portanto, algo que ultrapassa a discussão histórica: mais de dois séculos depois de James Monroe, o governo Trump quer transformar novamente o Hemisfério Ocidental em prioridade estratégica absoluta dos Estados Unidos.

Um terremoto de magnitude 7,4 transformou parte do oeste da Colômbia em um cenário de destruição e já deixou ao menos 164 mortos. Nesta terça-feira (11), bombeiros, militares, policiais e voluntários entraram no segundo dia de buscas por sobreviventes em prédios e casas destruídos pelo tremor registrado na manhã de segunda-feira (10). Cali, Pereira, Manizales e municípios do departamento de Chocó estão entre as áreas mais atingidas, enquanto equipes trabalham contra o tempo para alcançar pessoas que ainda podem estar presas sob os escombros.
A dimensão da tragédia aparece com mais força em Cali, onde ao menos 85 pessoas morreram, segundo o balanço mais recente da Reuters. Pereira registra 66 mortes e outras 13 foram contabilizadas em Chocó, região próxima ao epicentro.
Em Cali, parte dos andares superiores de um hospital desabou, deixando pacientes presos e obrigando cerca de 600 pessoas a receber atendimento na rua. Imagens das áreas atingidas mostram edifícios reduzidos a concreto e ferro retorcido, enquanto moradores e socorristas removem destroços até com as próprias mãos.
O Serviço Geológico Colombiano classificou o episódio como o terremoto mais forte registrado no país no século XXI. O USGS apontou profundidade de aproximadamente 107 quilômetros, e pelo menos 21 réplicas já haviam sido identificadas até a noite de segunda-feira. Aeroportos de cidades como Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura tiveram operações suspensas para inspeções, enquanto Cali e outras localidades adotaram toque de recolher diante de relatos e temor de saques.
O governo colombiano também mobilizou forças de segurança e declarou situação nacional de emergência.
A tragédia reacende ainda a memória dos grandes terremotos que marcaram a história colombiana. Em dezembro de 1979, um sismo de magnitude 8,1, seguido por um tsunami no Pacífico, deixou mais de 250 mortos, cerca de 15 mil feridos e aproximadamente 200 mil pessoas sem moradia; ondas chegaram a atingir cinco metros em algumas áreas costeiras. Já o terremoto de 1999 na região cafeeira matou mais de mil pessoas. O desastre de 2026 ainda está em evolução, e autoridades e equipes de emergência trabalham com a expectativa de que o número de vítimas possa aumentar à medida que áreas destruídas sejam acessadas.

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a elevar a tensão política com Luiz Inácio Lula da Silva ao compartilhar, no domingo (9), uma publicação do deputado republicano dos Estados Unidos Carlos A. Giménez que chama o presidente brasileiro de “porco”.
A republicação ocorreu em meio à “piora” da relação entre Brasília e Buenos Aires e poucos dias depois de o governo brasileiro reduzir o nível de sua representação diplomática na Argentina após uma sequência de ataques públicos feitos por Milei contra Lula.
Na mensagem amplificada pelo argentino, Giménez atacou Lula por suas críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O congressista, republicano pela Flórida, acusou o presidente brasileiro de agir sob influência do regime cubano e encerrou a publicação dizendo que os brasileiros “merecem muito mais do que esse porco”.
Milei não escreveu a ofensa, mas republicou o conteúdo em sua própria conta no X. No mesmo domingo, o presidente argentino também compartilhou outras mensagens duramente críticas ao governo brasileiro e a Lula.
A nova provocação ocorreu justamente quando o chanceler Mauro Vieira defendia uma redução das hostilidades. Em entrevista divulgada no fim de semana, o ministro das Relações Exteriores afirmou que as agressões precisavam cessar para que Brasil e Argentina retomassem o caminho de normalização das relações. O governo brasileiro já havia decidido manter seu embaixador Julio Bitelli fora de Buenos Aires e passar a relação diplomática ao nível de encarregado de negócios após novos ataques de Milei.
O confronto entre os dois presidentes se agravou desde a passagem de Milei pelo Brasil em julho. Durante um evento político em São Paulo, o argentino chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”, além de atacar o ministro Alexandre de Moraes.
Em 5 de agosto, fontes do governo argentino ouvidas pelo La Nación afirmaram que Milei não pretendia pedir desculpas ao presidente brasileiro.
Quatro dias depois, a série de republicações contra Lula mostrou que, pelo menos nas redes sociais, a temperatura da disputa continua longe de baixar.
A Meta pediu desculpas ao governo da Índia depois de restringir por engano uma publicação do primeiro-ministro Narendra Modi no Facebook. O chefe de Assuntos Globais da empresa, Joel Kaplan, reconheceu que houve um erro operacional e afirmou ter se desculpado diretamente com o ministro indiano da Tecnologia da Informação. A publicação havia sido bloqueada temporariamente em julho, levando o governo a convocar executivos da companhia para prestar explicações.
O caso aumentou a tensão entre a administração Modi e a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, que também passou a ser cobrada por vídeos considerados ofensivos ao primeiro-ministro em meio a uma onda de protestos liderados por jovens no país.
A retratação ocorreu enquanto a Meta enfrenta uma crise ainda mais grave na Índia. Autoridades investigam denúncias de que sistemas de publicidade e recomendação da companhia permitiram a circulação de anúncios associados a material de abuso sexual infantil, aplicativos capazes de produzir imagens íntimas falsas e outros conteúdos gerados por inteligência artificial.
Segundo a imprensa indiana, Mark Zuckerberg também se desculpou com representantes do governo por falhas operacionais, deepfakes e conteúdos envolvendo exploração de crianças.

Bastou um celular ligado dentro do ônibus da seleção argentina para que um velho julgamento voltasse a percorrer o mundo. Depois da conquista da Copa América de 2024, um vídeo publicado pelo jogador Enzo Fernández mostrou integrantes da equipe cantando uma música ofensiva sobre atletas franceses de origem africana. A Federação Francesa denunciou o conteúdo como racista e discriminatório, a Fifa abriu uma investigação e o próprio Fernández pediu desculpas. Em poucas horas, porém, a discussão deixou de ser apenas sobre os responsáveis pela gravação: nas redes sociais, a Argentina inteira voltou ao banco dos réus.
A cena produziu uma pergunta difícil, mas necessária: a Argentina é realmente um país racista ou episódios verdadeiros estão sendo utilizados para carimbar uma população inteira?
A resposta não cabe nem na negação patriótica, segundo a qual todo questionamento seria uma perseguição, nem na condenação coletiva que transforma quase 50 milhões de pessoas em cúmplices de cada cântico, insulto ou crime cometido por um argentino.
Para compreender como esse rótulo ganhou tamanha força, é preciso sair momentaneamente do estádio e voltar à formação do país.
A Argentina moderna foi construída por grandes ondas migratórias e por um projeto de nação que associava a Europa ao progresso. Italianos e espanhóis chegaram aos milhões, acompanhados por judeus, árabes, alemães, eslavos e inúmeras outras comunidades. Essa diversidade ajudou a transformar Buenos Aires e outras cidades em centros culturais cosmopolitas. Ao mesmo tempo, antigas elites difundiram uma imagem predominantemente branca e europeia do país, reduzindo a visibilidade histórica de indígenas, afro-argentinos e mestiços.
A Argentina real sempre foi mais complexa do que o retrato que escolheu projetar.
Essa construção nacional deixou feridas que não podem ser escondidas. Povos indígenas sofreram campanhas militares, expulsões e perda de territórios; a presença afro-argentina, importante desde o período colonial, foi frequentemente empurrada para fora da memória pública. Reconhecer essas exclusões não equivale a declarar que o argentino nasce racista. Significa admitir que a identidade nacional foi construída, como em outros países das Américas, por uma mistura de imigração, orgulho cultural, conflitos territoriais e silêncios históricos.
No século XX, o cenário ficou ainda mais carregado. A Argentina assistiu ao surgimento de organizações nacionalistas, católicas, militares e antiliberais que receberam influências do fascismo italiano, do falangismo espanhol e, em alguns núcleos, do nacional-socialismo alemão. Nem todo nacionalista argentino era nazista, assim como nem todo conservador defendia uma ditadura. Havia desde católicos corporativistas e anticomunistas até grupos abertamente antissemitas.
O erro está tanto em apagar essas correntes quanto em transformar todo nacionalismo argentino numa cópia de Hitler.
É nesse ambiente que aparece Juan Domingo Perón, personagem sem o qual a Argentina contemporânea não pode ser compreendida. Perón observou a experiência política italiana, valorizou a organização corporativa, a intervenção estatal nas relações trabalhistas, a liderança carismática e a chamada terceira posição entre o capitalismo liberal e o comunismo. Mas o movimento que construiu adquiriu características próprias: mobilizou trabalhadores, fortaleceu sindicatos, ampliou direitos sociais e atravessou gerações reunindo correntes de direita, esquerda e centro. Por isso, embora existam influências autoritárias e fascistas debatidas por historiadores, reduzir o peronismo a uma simples filial de Mussolini empobrece a história argentina.
O capítulo mais comprometedor, entretanto, viria depois da Segunda Guerra Mundial. Criminosos e integrantes do regime nazista conseguiram chegar à Argentina utilizando redes de fuga, documentos falsos e identidades clandestinas.
Adolf Eichmann, figura central na organização das deportações de judeus para guetos e centros de extermínio, viveu no país com o nome de Ricardo Klement até ser capturado por agentes israelenses em 1960.
Josef Mengele, médico da SS responsável por seleções e experimentos em Auschwitz, desembarcou na Argentina em 1949 e chegou a obter cidadania antes de seguir para o Paraguai.
Isso não é lenda, exagero cinematográfico nem invenção de adversários externos. O próprio Arquivo Geral da Nação Argentina disponibiliza documentação sobre a chegada e as atividades de integrantes do nazismo no território nacional. Em abril de 2025, o governo anunciou a abertura digital de documentos desclassificados relacionados a essas atividades e a decretos presidenciais secretos. O acervo confirma que existiram redes, cumplicidades e decisões oficiais que precisam ser estudadas. O que ele não comprova é que toda a sociedade argentina tenha aderido ao nazismo ou aprovado a proteção concedida a fugitivos.
A presença de Eichmann e Mengele tornou-se uma espécie de atalho narrativo: sempre que surge uma controvérsia racial, o passado nazista é retirado da estante e apresentado como prova de uma suposta continuidade moral entre governos, torcedores e cidadãos separados por várias gerações. O raciocínio é sedutor, mas defeituoso. Responsabilidade histórica pertence a instituições, autoridades e indivíduos identificáveis. Quando essa responsabilidade é transmitida automaticamente aos descendentes ou a toda uma nacionalidade, o combate ao preconceito começa a reproduzir a mesma lógica de culpa coletiva que deveria rejeitar.

O futebol amplifica tudo porque é o principal palco mundial da identidade argentina. A seleção representa mais do que uma equipe: carrega Maradona, Messi, as Malvinas, as crises econômicas, as ruas de Buenos Aires e o orgulho de um povo que transformou a bola em linguagem nacional. Por isso, quando jogadores ou torcedores praticam atos discriminatórios, o impacto ultrapassa o campo. As denúncias devem ser investigadas e os responsáveis, punidos. Paixão, rivalidade e comemoração não são licença para racismo. A própria Fifa mantém políticas e procedimentos contra manifestações discriminatórias no futebol.
Mas existe uma fronteira que não deveria ser atravessada. Um cântico ofensivo não representa todos os jogadores; um grupo de torcedores não representa todos os clubes; e nenhum estádio pode falar em nome de um país inteiro. Nas redes sociais, entretanto, essa fronteira desaparece. Um vídeo de segundos é reproduzido milhões de vezes, recebe uma legenda indignada e passa a confirmar aquilo em que cada grupo já desejava acreditar.
A denúncia de um ato concreto transforma-se rapidamente numa campanha de desqualificação nacional.
Também é legítimo investigar se governos, organizações, movimentos ideológicos, empresas de comunicação ou interesses estrangeiros exploram essas controvérsias para disputar influência cultural. Mas uma ação coordenada ou financiada só pode ser apresentada como fato quando houver documentos, contratos, valores, responsáveis e mecanismos comprováveis.
A crítica jornalística mais poderosa não depende de imaginar uma conspiração universal: basta demonstrar quando casos são retirados do contexto, quando a responsabilidade individual vira culpa coletiva e quando comportamentos semelhantes recebem tratamentos diferentes conforme o país ou o grupo político envolvido.
A Argentina possui racismo, xenofobia, páginas autoritárias e episódios que envergonham sua própria história. Também possui uma sociedade construída por sucessivas migrações, marcada por grande diversidade cultural e capaz de produzir movimentos de resistência ao autoritarismo. Essas duas realidades podem coexistir. Defender a Argentina não exige esconder Eichmann, Mengele, os nacionalistas radicais ou os cânticos do futebol. Exige apenas recusar que esses fatos sejam usados para determinar o caráter moral de cada argentino.

No próximo jogo, as arquibancadas voltarão a se encher de bandeiras celestes e brancas. Messi ou seus sucessores voltarão a ser observados por milhões de pessoas, e qualquer provocação poderá reabrir a mesma discussão.
Talvez o maior desafio argentino não seja provar que o preconceito nunca existiu, mas impedir que sua história inteira seja reduzida a ele. Porque um crime tem autor, um cântico tem responsáveis e um regime tem cúmplices.

A OpenAI revelou que modelos avançados de inteligência artificial conseguiram romper as barreiras de um ambiente isolado de testes, alcançar a internet e invadir a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada mundialmente para hospedar modelos e bases de dados de IA. O incidente aconteceu durante uma avaliação de segurança cibernética realizada com proteções reduzidas para medir a capacidade máxima dos sistemas. Entre os modelos envolvidos estavam o GPT-5.6 Sol e uma versão ainda mais poderosa em fase de testes. Eles encontraram uma vulnerabilidade inédita, conhecida como falha “zero-day”, avançaram por diferentes sistemas e acessaram o banco de dados da Hugging Face para obter respostas sigilosas do ExploitGym, o desafio que tentavam resolver.
A própria OpenAI classificou o episódio como um incidente cibernético sem precedentes.
A Hugging Face informou que houve acesso não autorizado a uma quantidade limitada de bases internas e a credenciais utilizadas por seus serviços, mas não encontrou indícios de adulteração dos modelos, conjuntos de dados e aplicações públicas oferecidos aos usuários. A empresa bloqueou a invasão, eliminou os acessos, substituiu credenciais e corrigiu as falhas exploradas.
A OpenAI também reforçou os controles de seus ambientes de pesquisa.
O caso não significa que o ChatGPT usado normalmente pelo público tenha agido por conta própria: os modelos estavam executando uma tarefa ofensiva específica e com parte das barreiras de segurança desativada. Ainda assim, o episódio prova que agentes autônomos já conseguem combinar falhas desconhecidas, contornar restrições e atacar sistemas externos sem que uma pessoa determine cada etapa da invasão.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou que o país não deverá realizar novas eleições e afirmou que pretende criar leis para impedir que partidos de oposição cheguem ao governo. A declaração foi feita durante um evento pelos 47 anos da Revolução Sandinista, em Manágua.
No poder continuamente desde 2007, Ortega acusou adversários de agir com apoio dos Estados Unidos e deixou claro que pretende bloquear qualquer possibilidade de alternância política. Na prática, o anúncio elimina a disputa eleitoral como caminho para a troca de governo e consolida o comando dividido entre Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, elevada à condição de copresidente após reformas que ampliaram os poderes do Executivo.
Ortega foi durante décadas uma referência da esquerda latino-americana e manteve proximidade política com Luiz Inácio Lula da Silva, mas a relação entre Brasil e Nicarágua entrou em crise em 2024, quando os dois países expulsaram reciprocamente seus embaixadores. O histórico do regime, porém, vai muito além de um conflito diplomático: investigadores da ONU afirmam ter encontrado fundamentos para considerar que violações cometidas desde 2018 podem constituir crimes contra a humanidade, incluindo perseguição política, desaparecimentos forçados e atuação de estruturas estatais e paraestatais contra opositores.
Ao anunciar o fim das eleições, Ortega deixa de apenas manipular o sistema e passa a defender abertamente que nenhum adversário volte a disputar o poder.

O que o Pix, o etanol e decisões tomadas por tribunais brasileiros têm a ver com o emprego de quem trabalha em uma fábrica de calçados, roupas ou máquinas? Mais do que parece. O governo dos Estados Unidos confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A medida nasceu de uma investigação comercial aberta em julho de 2025 e envolve acusações de favorecimento ao Pix, barreiras ao etanol americano, problemas na proteção de patentes, combate à corrupção, desmatamento ilegal e ordens judiciais contra empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Café, carne, suco de laranja, peças de aviões e outros itens estratégicos foram incluídos entre cerca de 2.100 produtos poupados.
A decisão chega no pior momento possível para uma relação já contaminada pela disputa política entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Na véspera do anúncio, Lula chegou a ironizar o presidente americano ao comparar próteses oferecidas pelo SUS com a “dentadura de Trump”. A provocação não aparece oficialmente como causa da tarifa, que decorre de uma investigação técnica de um ano, mas reforça a imagem de uma diplomacia conduzida mais para alimentar o confronto político interno do que para abrir portas ao setor produtivo.
Enquanto os presidentes trocam críticas, empresas brasileiras de máquinas, calçados, vestuário, papel, açúcar e equipamentos elétricos enfrentam o risco de perder espaço no maior mercado consumidor do mundo.
O perigo agora é transformar uma crise comercial em uma guerra de retaliações. O governo Lula anunciou que pretende acionar a Lei da Reciprocidade, mas uma resposta baseada apenas em novas tarifas pode encarecer insumos importados, reduzir a competitividade da indústria e transferir a conta para consumidores e trabalhadores. O próprio setor produtivo já alerta para queda na produção e possibilidade de cortes de vagas nas áreas mais dependentes dos Estados Unidos.
No fim, o discurso de soberania pode render palanque, mas soberania de verdade também significa proteger empresas, exportações e empregos… porque presidente algum perde o salário quando a diplomacia fracassa; quem perde é o brasileiro que produz.

Lionel Messi escreveu mais um capítulo de sua carreira justamente no adversário que sempre esteve ligado ao maior mito do futebol argentino. Pela primeira vez enfrentando a Inglaterra em uma Copa do Mundo, o camisa 10 comandou a reação da Argentina na vitória por 2 a 1, deu duas assistências decisivas e, logo após o apito final, dedicou o triunfo a Diego Maradona.
Para milhões de argentinos, o momento representou uma ponte entre duas gerações que marcaram a história da seleção.
A homenagem teve um peso ainda maior porque Maradona eternizou seu nome justamente diante dos ingleses, em 1986, com a “Mão de Deus” e o “Gol do Século”. Quarenta anos depois, Messi viveu seu primeiro duelo contra a Inglaterra em Mundiais e ajudou a colocar a Argentina novamente na decisão, reacendendo uma rivalidade que ultrapassa o futebol e faz parte da memória coletiva do país.
Além da carga emocional, o craque entrou para a história ao alcançar um recorde exclusivo em Copas do Mundo, reforçando ainda mais seu legado.
A atuação diante da Inglaterra foi tratada pela imprensa argentina como uma das mais simbólicas de sua carreira, não apenas pela classificação à final, mas por representar a continuidade de uma história iniciada por Maradona quatro décadas antes.
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