A Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”, já se traduz em iniciativas concretas em diferentes regiões do país. Proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a realidade de pessoas e famílias que não têm acesso a uma moradia adequada e a transformar essa reflexão em ações de solidariedade, conscientização e promoção de direitos.
A proposta parte da compreensão de que a moradia digna está diretamente relacionada à vida e à dignidade humana. Por isso, a Campanha busca mobilizar comunidades, pastorais, organismos, instituições e o poder público para enfrentar diferentes situações de vulnerabilidade relacionadas à habitação.
Um dos principais instrumentos para transformar o gesto concreto da Campanha em ações é o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS). Formado a partir dos recursos arrecadados com a Coleta Nacional da Solidariedade, o Fundo apoia projetos sociais que buscam responder às necessidades de comunidades e populações em situação de vulnerabilidade.
Em 2026, os projetos relacionados à Campanha da Fraternidade sobre a Moradia estão organizados em três eixos. O primeiro contempla projetos de apoio emergencial às populações em situação de vulnerabilidade e extrema vulnerabilidade social decorrente da falta de moradia.
O segundo eixo é destinado a projetos de construção, reforma e demais iniciativas coletivas que promovam o acesso à moradia digna. Já o terceiro reúne projetos de conscientização, formação e articulação para a promoção do direito à moradia digna e aos bens essenciais, à luz da Doutrina Social da Igreja.
Na primeira reunião do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) de 2026, foram aprovados 26 projetos. Já na segunda reunião do ano, outros 50 projetos receberam aprovação, com a destinação de mais de R$ 2 milhões em recursos.
Dos 50 projetos contemplados nesta segunda etapa, 25 estão inseridos no segundo eixo de atuação do FNS, destinado a iniciativas de construção, reforma e outras ações coletivas que contribuam para garantir o acesso à moradia digna.
Entre os projetos aprovados está uma iniciativa que receberá R$ 50 mil para a realização de obras no Setor Santa Luzia, na Estrutural (DF). A ação deverá beneficiar diretamente 30 pessoas e alcançar, de forma indireta, cerca de 50 moradores da comunidade. Saiba mais sobre a iniciativa (aqui).
A diversidade dos projetos apoiados reflete a própria proposta da Campanha: atuar tanto diante de situações emergenciais quanto na construção de soluções coletivas e no fortalecimento da consciência sobre o direito à moradia.
A mobilização proposta pela CF 2026 também tem gerado iniciativas nas Igrejas particulares e em diferentes espaços da sociedade civil.
Uma dessas ações, a mais recente, foi a assinatura de um Protocolo de Cooperação entre a CNBB e a Secretaria-Geral da Presidência da República em defesa do direito à moradia. A parceria busca fortalecer o diálogo e a articulação entre a Igreja e o poder público para a promoção da moradia digna. A iniciativa integra o conjunto de ações que procuram dar concretude ao tema da Campanha da Fraternidade 2026 e ampliar o debate sobre o direito à habitação adequada.
Segundo a assessora da Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB, Alessandra Miranda, o acordo abre novas possibilidades de articulação com dioceses e paróquias, especialmente para aproximar a população em situação de vulnerabilidade dos programas habitacionais existentes.
“Nós, enquanto CNBB, temos a oportunidade de avançar no diálogo com as dioceses e paróquias, apresentando os programas habitacionais oferecidos pelo Governo, sobretudo para a população de baixa renda, como auxílio para reformas, construção de banheiros e o Minha Casa, Minha Vida. A paróquia pode funcionar como um radar para identificar situações de ausência de moradia ou de moradia inadequada e, a partir dessa realidade, promover oficinas, formações e seminários”, explica.
A Comissão para terá papel no apoio às iniciativas decorrentes do acordo e na construção de uma agenda de encontros entre agentes pastorais, lideranças comunitárias e representantes do Governo Federal.
O acordo também prevê atenção aos conflitos fundiários urbanos e rurais. De acordo com Alessandra, a presença da Igreja nos territórios pode contribuir para identificar comunidades que enfrentam problemas relacionados à regularização fundiária e facilitar o diálogo com os órgãos públicos responsáveis.
“A Igreja conhece os territórios e sabe onde existem problemas fundiários, áreas regularizadas ou ocupações, tanto na cidade quanto no campo. Nosso papel também é acessar os assessores e consultores da Presidência da República para identificar esses territórios que ainda vivem sem documentação legal e compreender o que está acontecendo: a quem pertence o território? A quem pertence o lote? A Doutrina Social da Igreja nos ensina que a terra deve cumprir uma função social”, afirma.
A partir desse diálogo, explica a assessora, a Secretaria-Geral da Presidência da República poderá articular outros ministérios e órgãos públicos envolvidos na busca de soluções para os conflitos identificados.
Para Alessandra, a assinatura do protocolo representa o início de um processo que deverá resultar na elaboração de um plano de ação conjunto.
“Esse é apenas o início do caminho. Agora temos um grupo técnico e continuaremos dialogando para construir um plano de ação que organize, de maneira estratégica, tudo aquilo que foi acordado. Teremos reuniões com a equipe técnica do Governo Federal, agentes de pastoral e lideranças comunitárias para que o plano saia do papel”, explica.
A assessora também destaca a importância da cooperação entre sociedade civil e poder público:
“Para que uma democracia seja realmente efetiva, sociedade civil e governo precisam trabalhar juntos. Cada um deve se sentir responsável pelo outro, porque somos uma única família humana. É nesse sentido que precisamos compreender que as questões sociais interferem diretamente no modo de vida das pessoas”, completa.
Além da articulação institucional, diferentes iniciativas relacionadas à Campanha da Fraternidade 2026 têm buscado transformar a reflexão sobre moradia em ações concretas.
Em Goiás, uma iniciativa vinculada à Campanha contribuiu para fortalecer o debate sobre o direito à moradia no âmbito das políticas públicas, com a aprovação de uma lei estadual de apoio à Campanha da Fraternidade (saiba mais aqui).
Na Arquidiocese de Belo Horizonte, a iniciativa “Um real, um recomeço” mobiliza os fiéis em favor da moradia digna. A proposta transforma a solidariedade das comunidades em apoio concreto a pessoas e famílias que enfrentam dificuldades de acesso à habitação (saiba mais aqui).
Outro chamado dirigido às comunidades é o “Em cada paróquia, um mutirão por moradia”, apresentado como gesto concreto da CF 2026. A proposta incentiva as paróquias a conhecerem de perto a realidade das famílias que vivem em condições habitacionais precárias e a promoverem ações comunitárias de solidariedade e mobilização (saiba mais aqui).
A atuação também passa pela Pastoral da Moradia e Favela, que realizou um encontro nacional com o objetivo de fortalecer sua missão em todo o país. A programação favoreceu a troca de experiências e o aprofundamento da presença da Igreja junto às populações que vivem em territórios marcados pela precariedade habitacional e pela desigualdade social (saiba mais aqui).
A questão da moradia também esteve presente na 41ª Semana do Migrante, realizada em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2026. A iniciativa ampliou a reflexão para a realidade das pessoas migrantes, que muitas vezes enfrentam desafios específicos no acesso à moradia digna e a outros direitos fundamentais (saiba mais aqui).
As diferentes iniciativas mostram que a Campanha da Fraternidade busca ultrapassar o período da Quaresma e estimular uma mobilização que permaneça nas comunidades ao longo do ano. A proposta é que a reflexão sobre a moradia resulte em ações capazes de alcançar pessoas e famílias que vivem situações de vulnerabilidade.
Nesse caminho, a atuação da Igreja se desenvolve em diferentes frentes: no apoio emergencial, na construção e reforma de moradias, na formação das comunidades, na mobilização social, na atuação das pastorais e na articulação com instituições e o poder público.
Ao colocar a moradia no centro da reflexão da Campanha da Fraternidade, a CNBB chama a atenção para uma realidade que ultrapassa a questão da habitação e envolve saúde, segurança, educação, trabalho, convivência comunitária e dignidade.
A CF 2026 propõe, assim, que a fraternidade se transforme em gesto concreto: olhar para quem não tem onde morar, reconhecer a moradia como direito e unir esforços para construir caminhos que permitam a cada pessoa e família viver com dignidade.
Por Larissa Carvalho]]>
Em visita ao local, a equipe da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) constatou que a comunidade vive em condição de extrema pobreza, sem acesso adequado a saneamento básico, pavimentação de ruas e moradias dignas. Diante desse cenário, o projeto vai construir cinco residências para mulheres em situação de vulnerabilidade. Elas e suas famílias serão beneficiadas com mais segurança, conforto, saúde e dignidade, enquanto a comunidade ganhará melhorias de infraestrutura e redução da presença de insetos e roedores em torno dos barracos.
A execução das obras conta com a participação ativa da comunidade, por meio de doação de mão de obra, materiais complementares e apoio voluntário. A iniciativa é patrocinada, também, por empresas e associações locais, que já fazem trabalhos sociais na região. Ao todo, o projeto beneficiará diretamente 30 pessoas, sendo: 5 homens, 5 mulheres, 13 crianças, 2 adolescentes e 5 jovens. Indiretamente a expectativa é de atingir cerca de 50 pessoas da comunidade.
A realização do projeto está organizada em quatro etapas:
1. Levantamento das condições do terreno;
2. Seleção das mulheres a serem contempladas;
3. Execução da obra;
4. Entrega e acompanhamento.
Com as duas primeiras etapas já concluídas, a equipe da CNBB passa a acompanhar o andamento das obras junto às entidades parceiras, com o objetivo de garantir a entrega das cinco casas de alvenaria às mulheres e suas famílias. Assegurando moradia segura, confortável e digna, além de contribuir para a melhoria da saúde das famílias e da infraestrutura da comunidade.
Anualmente, a CNBB elege três eixos para apoiar projetos de transformação social com os recursos da Coleta Nacional da Solidariedade. Neste ano, a partir do tema da moradia, foram definidos os seguintes eixos:
Eixo 1: apoio emergencial a populações em situação de vulnerabilidade e extrema vulnerabilidade social decorrente da falta de moradia;
Eixo 2: projetos de construção, reforma e demais iniciativas coletivas que promovam o acesso à moradia digna;
Eixo 3: projetos de conscientização, formação e articulação para a promoção do direito à moradia digna e aos bens essenciais, à luz da Doutrina Social da Igreja.
Ainda há duas janelas de inscrição de projetos previstas para este ano: de 1º a 30 de agosto e de 1º a 30 de outubro de 2026. Os projetos inscritos serão avaliados em reuniões ordinárias do Conselho Gestor do Fundo, marcadas para os dias 21 de setembro e 23 de novembro.
O assessor de Campanhas, padre Jean Poul, pede atenção redobrada das organizações no momento de inscrever os projetos, tanto em relação aos eixos quanto à necessidade de apresentar iniciativas que estejam de fato alinhadas ao tema da moradia e da construção, de modo a garantir que a próxima reunião seja produtiva.
Cada projeto pode receber até R$ 50 mil. O edital prevê que cerca de 30% dos recursos disponíveis sejam destinados a cada um dos três eixos. Os 10% restantes ficam reservados a ações de animação, promoção e divulgação da Campanha da Fraternidade em âmbito nacional e regional. Os 19 regionais da CNBB poderão apresentar projetos específicos de até R$ 25 mil para essa finalidade.
O edital reforça, ainda, que as entidades interessadas devem conhecer previamente o Guia de Cadastramento de Entidades e Projetos, disponível na plataforma do Fundo Nacional da Solidariedade. Destaca-se também que a inscrição implica aceitação integral das normas do edital e do estatuto do Conselho Gestor do FNS.
Acesse (aqui) o edital na íntegra. Acesse o site do FNS (aqui).
Confira o site de Campanhas da CNBB (aqui).
Com informações e fotos de Bruno Peres | Setor de Campanhas da CNBB]]>
O Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) reuniu-se na tarde da quinta-feira, 30 de julho, para a sua segunda rodada de avaliação e aprovação de projetos relacionados à Campanha da Fraternidade 2026, que tem como tema “Fraternidade e Moradia”. No encontro, foram analisados 62 projetos, que se inscreveram de 1º e 30 de junho. Ao final, 50 foram aprovados e vão receber, juntos, um montante de 2.049.257,73.
De acordo com o secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Jean Poul Hansen, as reuniões do FNS são momentos gratificantes uma vez que permitem perceber que a Campanha da Fraternidade está acontecendo em todos os territórios do Brasil.
O padre reforça que os recursos liberados na segunda reunião do Conselho Gestor do FNS irão beneficiar diretamente 9.350 pessoas e, indiretamente, 32.979, num total de 42.329 beneficiados.
A CNBB elege anualmente três eixos para apoiar projetos de transformação social com os recursos da Coleta Nacional da Solidariedade. Neste ano, a partir do tema da moradia, foram estabelecidos os seguintes eixos:
Foram aprovados 21 projetos do Eixo 1, 25 de Eixo 2 e 5 do Eixo 3 e ainda um projeto de animação.
Para este ano, existem ainda outras duas possibilidades de inscrição de projetos: 1º a 30 de agosto e de 1º a 30 de outubro de 2026. Os projetos inscritos serão avaliados em reuniões ordinárias do Conselho Gestor do Fundo, previstas para as próximas reuniões do FNS programadas para os dias 21 de setembro e 23 de novembro.
O assessor de Campanhas, padre Jean Poul, pede muita atenção para as organizações, na hora de inscrever os projetos, aos eixos e para iniciativas que, de fato, se situem no tema da moradia e construção, para que a próxima reunião são produtiva.
Cada projeto poderá receber até R$ 50 mil. O edital prevê que cerca de 30% dos recursos disponíveis sejam destinados a cada um dos três eixos. Os 10% restantes serão reservados para ações de animação, promoção e divulgação da Campanha da Fraternidade em âmbito nacional e regional. Os 19 regionais da CNBB poderão apresentar projetos específicos de até R$ 25 mil para este fim.
O edital reforça ainda que as entidades interessadas devem conhecer previamente o Guia de Cadastramento de Entidades e Projetos disponível na plataforma do Fundo. Também destaca que a inscrição implica aceitação integral das normas do edital e do estatuto do Conselho Gestor do FNS.
Saiba mais:
Acesse (aqui) o edital na íntegra.
Acesse o site do FNS (aqui).
Confira o site de Campanhas da CNBB (aqui).
Por Willian Bonfim com informações do Departamento Social da CNBB
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta a identidade visual, a letra do hino e a oração da Campanha da Fraternidade 2027, que terá como tema “Fraternidade e o Cuidado das Crianças” e como lema “Quem recebe uma criança em meu nome, a mim recebe” (Mt 18,5).
A Campanha tem como objetivo geral promover um caminho de conversão cristã para a corresponsabilidade no cuidado das crianças, reconhecendo, à luz do Reino de Deus, a infância como tempo sagrado de desenvolvimento integral, em um ambiente de relações seguras, marcadas pelo amor e pelo respeito.
Segundo o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, a principal intenção da CF 2027 é fazer com que a reflexão sobre o cuidado e a proteção das crianças alcance as diferentes realidades e comunidades da Igreja no Brasil:
“A principal intuição, o principal desejo da Campanha da Fraternidade de 2027 é fazer chegar às nossas comunidades mais distantes e aos grupos de coroinhas, de catequese, de Infância e Adolescência Missionária e às diversas pastorais e movimentos das nossas comunidades a consciência de que precisamos promover uma cultura do cuidado e da proteção das crianças e, com elas, também dos adolescentes e adultos vulneráveis”, afirma.
A proposta da CF 2027 busca colocar no centro da reflexão o cuidado, a proteção, os direitos, a inclusão, a família e o desenvolvimento integral das crianças. Ao mesmo tempo, chama a atenção para realidades que ameaçam a infância, como situações de exploração, tráfico, abusos, violações, omissões e marginalização.
Para o secretário-executivo, a temática ultrapassa as fronteiras do Brasil e dialoga com desafios enfrentados em diferentes partes do mundo:
“Essa é uma pauta relevante não apenas para o nosso Brasil, mas para o mundo. Era uma preocupação do Papa Francisco a situação das crianças no mundo. As guerras, os refugiados e tantas outras situações de abandono, descuido e abuso das nossas crianças tornam esse tema muito relevante e necessário para a nossa conversão pessoal, comunitária e social”, destaca padre Jean Poul.
A identidade visual da Campanha da Fraternidade 2027 foi concebida como um sistema adaptável, escalável e dinâmico, capaz de assumir diferentes configurações e aplicações em cartazes, materiais impressos, livros, vídeos, redes sociais, sites, camisetas, outdoors, telões e outros formatos de comunicação.
Segundo o autor da identidade visual, Francenilton Klava, da Assessoria de Comunicação da CNBB, a proposta foi pensada desde o início como um sistema visual, e não apenas como um cartaz:
“A Campanha da Fraternidade alcança diferentes contextos e mídias, por isso era importante que a linguagem fosse flexível e se adaptasse a diversos formatos. Além disso, os elementos visuais foram criados para estimular a interação, permitindo que crianças, escolas e comunidades também possam se apropriar dessa identidade de forma criativa”, explica.
A composição visual utiliza recortes e colagens de papel que remetem às experiências criativas próprias da infância. Fotografias de crianças se unem a símbolos relacionados à família, à fé, à educação e aos valores cristãos. A proposta é comunicar o cuidado com as crianças a partir de uma perspectiva positiva e inspiradora, apresentando-as acolhidas, felizes e saudáveis.
De acordo com o designer, essa escolha buscou evitar uma abordagem centrada apenas nas situações de vulnerabilidade:
“Desde a concepção do cartaz, procuramos evitar uma abordagem apelativa ou centrada apenas nas situações de vulnerabilidade. A ideia foi destacar aquilo que é próprio da infância: o brincar, a imaginação, a experimentação e a criatividade. O cuidado com as crianças aparece justamente na defesa do direito de viver plenamente essa fase da vida, com alegria, dignidade e esperança”, afirma Francenilton.
Cores vibrantes, uma tipografia de caráter lúdico e elementos gráficos inspirados no universo infantil ajudam a expressar conceitos como alegria, esperança e desenvolvimento integral.
Também são utilizadas ilustrações com traços orgânicos, irregulares e texturizados, inspirados nos desenhos feitos pelas próprias crianças e na linguagem do giz de cera e do desenho manual. Entre os símbolos estão elementos como a casa, a cruz, o coração, o livro, peças de quebra-cabeça, a pomba, a flor, a bola, a borboleta, a pipa e o arco-íris. Mais do que recursos decorativos, eles buscam reforçar valores como cuidado, acolhimento, proteção, fé e esperança.
De acordo com padre Jean Poul, secretário-executivo de Campanhas da CNBB, a identidade visual também tem a missão de despertar as comunidades para a construção de uma cultura do cuidado, na qual as crianças possam crescer e viver plenamente. Para ele, um dos destaques da proposta visual é justamente a presença das crianças e a perspectiva de alegria e esperança que atravessa as diferentes aplicações:
“O que me encanta no cartaz deste ano é a presença das crianças e o seu tom pascal. Embora a Campanha da Fraternidade comece no tempo da Quaresma, a Quaresma existe em função da Páscoa, é um tempo de preparação para a celebração solene dos mistérios pascais. Por isso, o cartaz deste ano já traz esse tom da alegria, do cuidado, da vida e do bem viver das crianças no meio de nós e nas nossas comunidades cristãs”, explica.
Para o autor da identidade visual, Francenilton Klava, participar da criação da identidade da Campanha da Fraternidade 2027 também representa a realização de um sonho de infância:
“Na infância, sonhava em ser desenhista. Passei grande parte da minha infância desenhando e criando histórias na imaginação. Hoje, poder desenvolver a identidade visual de uma campanha que celebra justamente esse universo lúdico e criativo da infância é algo muito significativo para mim, tanto profissionalmente quanto pessoalmente”, relata Francenilton.
Um dos elementos presentes na identidade visual é o sol, representado com traços que remetem aos desenhos infantis. O símbolo expressa a simplicidade, a alegria e a esperança próprias da infância e aponta para a necessidade de garantir às crianças cuidado, proteção e oportunidades para seu pleno desenvolvimento.
Na perspectiva da fé cristã apresentada pela identidade da Campanha, o sol também remete a Jesus Cristo, apresentado como o Sol da Justiça. Assim como o sol ilumina, aquece e sustenta a vida, a imagem recorda Cristo que, por meio de sua Palavra e de seu amor, acompanha cada criança em seu caminho de crescimento.
A escolha das cores também estabelece um diálogo com a trajetória histórica da Campanha da Fraternidade. A paleta foi inspirada em cartazes de edições anteriores que abordaram questões relacionadas à fraternidade, à defesa da vida, à superação da violência e ao cuidado com a dignidade humana.
Entre as referências estão as Campanhas da Fraternidade de 1967, sobre corresponsabilidade; de 1983, sobre fraternidade e violência; e de 1984, sobre fraternidade e vida. A proposta busca, assim, estabelecer uma ponte entre diferentes momentos da caminhada da Igreja no Brasil e reafirmar o cuidado com as crianças como parte de uma missão permanente de acolhimento, proteção e promoção da vida.
A identidade visual pode ser baixada (aqui).
Além da identidade visual da CF 2027, este ano marca a renovação da logo da Campanha da Fraternidade. Criada em 1995, o símbolo da CF ganha agora um traço mais leve e desenhado, atualização que preserva os elementos reconhecidos pelo público ao longo de três décadas, resultando em uma marca mais atual e ao mesmo tempo fiel à sua origem.
Confira, abaixo, a oração da CF 2027:
Deus Pai, fonte da vida,
cada criança é um milagre!
O pecado, contudo, gera exclusão, violência e morte.
O abuso, que é um crime, gera feridas que precisam ser curadas
e que clamam por justiça.
Suscitai em nós, em nossas famílias, comunidades
e na sociedade inteira,
atitudes concretas de conversão
à ternura, à escuta, à proteção e à cultura do cuidado.
Senhor Jesus,
vós que acolhestes e abençoastes as crianças,
ensinai-nos a ser semelhantes a elas,
para entrarmos no Reino dos Céus,
que buscamos e para o qual caminhamos.
Espírito Santo,
vós que inspirastes a mãe Maria
a bem cuidar do menino Deus,
ajudai-nos a acolher, proteger, respeitar e
amar as crianças,
reconhecendo-as e valorizando-as
como expressão do vosso amor.
Confira, abaixo, a letra do hino da CF 2027:
Hino da Campanha da Fraternidade 2027
Letra: Ismael Oliveira do Nascimento
Melodia: João Vitor de Oliveira TeixeiraO cuidado e a atenção aos pequeninos,
missão de todos, compromisso de amor.
“Quem recebe uma criança em meu nome
A mim recebe”, ensinou nosso Senhor.
- Em Nazaré manifestou-se a alegria
do céu trazida na imagem da criança,
que foi cuidada com o amor da Mãe Maria,
e entre nós se fez grandeza e aliança.- São nossos filhos dom de Deus, diz a Escritura,
e do Senhor já se confirma sua herança.
Do Pai a imagem em bondade e em ternura,
em Jesus Cristo nos foi dada em esperança.- Ao garantir o crescimento integral,
toda criança tem direito à plena vida
É a família sua base essencial
refúgio próprio de aconchego e acolhida.- Em nosso meio, nos pequenos acolhidos,
a plena face de Jesus se reconhece.
Todo serviço que protege a infância,
por nossa voz, em nosso canto, se faz prece.
Por Larissa Carvalho]]>
“Eu vos anuncio uma grande alegria”. O versículo 10 do segundo capítulo do Evangelho de São Lucas foi escolhido para iluminar as reflexões da Campanha para a Evangelização 2026. A definição foi aprovada na manhã de quarta-feira, 27, durante a reunião do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Os bispos também aprovaram o cartaz da Campanha.
Realizada no Tempo do Advento, a Campanha para a Evangelização prepara os corações para a celebração do Natal e anima as comunidades de todo o Brasil em vista da consciência de que todos devem contribuir para a manutenção da ação evangelizadora da Igreja.
Assim, a Campanha tem uma ligação com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, uma vez que os recursos obtidos nessa campanha sustentam a ação evangelizadora das Igrejas locais, dos regionais e da própria CNBB em âmbito nacional.
Foi essa relação que norteou a escolha do tema, segundo o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen:
“Tendo em vista que neste ano recebemos novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032), recentemente aprovadas na 62ª AG, os bispos aprovaram como tema da Campanha para a Evangelização Lucas 2, 10: ‘Eu vos anuncio uma grande alegria’. É a palavra do anjo dirigida aos pastores de Belém. Nós escolhemos esse versículo bíblico justamente para expressar com essa campanha a alegria do nascimento do Salvador, da realização do mistério da encarnação, a alegria do Evangelho, da Ação Evangelizadora da Igreja que espalha pelo mundo a alegria do verbo encarnado, e a alegria de termos novas diretrizes”, explicou.
Segundo padre Jean Poul, a Campanha para a Evangelização relaciona três alegrias:
“A Campanha para a Evangelização 2026 quer fazer chegar a alegria das novas Diretrizes junto com a alegria do Evangelho, que nasce da alegria do mistério da encarnação, a todas as comunidades cristãs do Brasil”.
Neste ano, a Campanha para a Evangelização vai produzir três subsídios para serem usados no tempo do Advento e do Natal. São dois roteiros para serem rezados em família ou nas comunidades, um para a montagem da Coroa do Advento e outro para a montagem do Presépio, e um roteiro de celebração para a Ceia ou Almoço de Natal em família.
O cartaz apresentado pelo padre Jean Poul Hansen aos bispos e aprovado no Consep tem em seu centro a Sagrada Família com o Menino Jesus recém-nascido abrigada numa barraca de lona, na periferia de uma grande cidade. Ao fundo, é possível ver prédios e uma comunidade da periferia. Em volta da Sagrada Família, há um grupo de pessoas, que representa a pequena comunidade reunida. A estrela que guia os pastores está presente na parte superior do cartaz e ilumina a tenda, recordando o anúncio feito pelo próprio Deus sobre o nascimento de seu filho. Também do menino sai uma luz que ilumina todos os presentes.
“A ideia originária do cartaz parte da tenda, que na versão final virou uma barraca de uma família sem-teto, onde Jesus nasce. Essa ideia faz uma ponte entre a Campanha da Fraternidade desse ano, ‘Fraternidade e Moradia’; o mistério do Natal – Deus que assume a nossa fragilidade, a fragilidade do sem-teto; e a Campanha da Fraternidade do ano que vem, porque é uma criança que nasce no desabrigo da sociedade. Então o cuidado da criança já está nessa tenda que nos leva para o ano que vem”, descreve padre Jean Poul.
Ele destaca também o ambiente urbano presente na criação. “Estamos numa periferia urbana, no fundo nós temos os prédios. Então, é o ambiente da cidade que está no cartaz. É uma reflexão permanente da Conferência e da pastoral no Brasil, da cultura urbana que permeia toda nossa vida, inclusive a vida do campo”, explica.
Ao redor dos personagens principais, está a comunidade reunida.
“Essa comunidade é a prioridade das novas diretrizes, porque nós estamos falando da alegria do Natal, da alegria do Evangelho e da alegria das novas diretrizes, que nos reúnem em pequenas comunidades e nos apontam os cinco caminhos da missão (Animação Bíblica da Pastoral, Iniciação à Vida Cristã, Comunidades de discípulos missionários, Liturgia e Piedade Popular e Serviço à vida plena para todos)”.
Luiz Lopes Jr.]]>
A Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), por meio da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e Farol1817, deu mais um passo significativo na preparação e mobilização para a Campanha da Fraternidade (CF) 2026.
Os encontros sublinharam a força do trabalho provincial em rede e reafirmaram o compromisso marista com as urgências sociais do Brasil, e especialmente, em 2026, com o direito à moradia e à cidade, eixos centrais da campanha.
Na noite de 10 de março, às 19h, o Auditório Henry Newman, na PUCPR, foi palco do painel “CF 2026 – Desafios para a Igreja e para a Sociedade”. O evento reuniu estudantes, educadores, lideranças religiosas e comunitárias, além de uma ampla audiência on-line pelo canal do Farol1817 no YouTube.
A abertura, marcada pela espiritualidade, utilizou a poesia de Carolina Maria de Jesus para evocar a realidade das periferias. Em sua conferência, o Pe. Jean Poul Hansen, Secretário Executivo de Campanhas da CNBB, trouxe reflexões profundas sobre a centralidade da moradia na fé cristã, afirmando que o compromisso social da Igreja não é uma opção ideológica, mas uma exigência do Mistério da Encarnação, pois ao “habitar entre nós”, Deus santificou a realidade humana.
Ele destacou que a moradia é a “porta de entrada” para todos os outros direitos, como saúde e educação, e defendeu que, no contexto atual, é preciso reafirmar que a casa é um direito sagrado e não uma mercadoria submetida apenas à lógica do mercado.
Utilizando a sensível analogia do “voo dos pássaros em V”, o sacerdote convocou os cristãos que possuem condições estáveis a serem os “pássaros da frente”, enfrentando os ventos das injustiças para proteger e abrir caminho para os mais vulnerabilizados. “Nós, que temos casa, que temos para onde voltar ao final desta noite, somos aqueles que têm que enfrentar de peito aberto injustiças diante daqueles que já estão feridos pela sociedade e não têm como lutar sozinhos; somos nós que temos que lutar com eles.”
Por fim, ele reiterou que a missão da Igreja é sensibilizar, conscientizar e comprometer a sociedade para que a cidade seja um espaço de inclusão para todos, e não apenas para alguns.
José Leão da Cunha Filho apresenta reflexão estratégica estruturada sobre a CF 2026
Representando a PMBCS, o Diretor Executivo da Organização Religiosa e responsável pelo Farol1817, José Leão da Cunha Filho, apresentou uma reflexão estratégica estruturada sobre a Campanha da Fraternidade 2026 para contribuir no evento.
Com base na etimologia da palavra “moradia” (lugar para demorar-se), ele enfatizou que ter um lugar para onde voltar é uma necessidade existencial e um direito à vida plena. Leão criticou a precariedade das políticas habitacionais atuais, que muitas vezes oferecem moradias de baixa qualidade aos pobres, e convocou as universidades católicas a utilizarem sua expertise técnica em engenharia e arquitetura para fiscalizar e propor melhorias nessas construções.
Para ele, a família Marista tem um “imenso potencial de mobilização para conscientizar a sociedade e fortalecer movimentos populares na luta pela dignidade humana”.
O mediador do encontro, Prof. Cesar Kuzma, do curso de Teologia da PUCPR, reforçou que nós somos o que somos pelos espaços que temos, pela territorialidade que habitamos e pelo valor que nós damos a isso. “Se eu me torno indiferente a esses gritos, a esses dramas que ocorrem na cidade que eu habito, se eu fecho os olhos e não quero ver, eu não estou sendo Igreja; eu estou recusando a própria vontade de Deus”, explica. Ele destaca, ainda, que a universidade cumpre sua missão de formar “gente boa” ao não se recusar a ver as injustiças sociais.
Pe. Jean Poul no Centro Marista Champagnat
No dia 11 de março, entre 8h30 e 12h, a agenda seguiu no Centro Marista Champagnat (CMC) com um círculo de diálogo voltado a religiosos e agentes pastorais. Na ocasião, o Pe. Jean Poul abordou temas complexos, como a superação da polarização ideológica dentro da Igreja.
“Não podemos deixar que visões pessoais se sobreponham à unidade da Igreja”, afirmou, alertando para o desafio do “cristianismo digital” que muitas vezes ignora a realidade das bases. Ele reiterou que a defesa da Constituição Brasileira (Art. 6º) e dos critérios de moradia digna da ONU são pautas inerentes ao Evangelho e ao gesto concreto da renúncia quaresmal. O diálogo, em clima intimista, trouxe novas perspectivas para os participantes, que saíram do evento com o compromisso da articulação da CF em Curitiba.
Para ampliar o engajamento e aprofundar o conhecimento sobre a temática, os Maristas do Brasil e o Farol1817 disponibilizam ferramentas práticas de formação:
Página Especial: Materiais de apoio, subsídios pastorais e conteúdos exclusivos para escolas e unidades sociais em: marista.org.br/cf2026.
Curso On-line: O Farol1817 oferece um curso gratuito com estudo detalhado do texto-base da campanha. Uma oportunidade para transformar reflexão em gestos concretos de solidariedade.
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A I Jornada Interdisciplinar de Fraternidade da Universidade Franciscana (UFN) promoveu reflexões sobre a questão da moradia no Brasil. O evento, alusivo à Campanha da Fraternidade 2026, foi organizado pelos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Direito, Filosofia, Psicologia e Teologia em parceria com a Pastoral Universitária. As atividades da programação buscaram compreender a complexidade da temática por meio de diferentes perspectivas.
“Esses olhares se encontram justamente naquilo que é o centro dessa reflexão: o ser humano. Essas áreas do conhecimento precisam estar a serviço da vida e da dignidade da pessoa humana e, nesse sentido, os cursos dialogam buscando esse entendimento. O tema da moradia é um pano de fundo para que se possa pensar as condições necessárias para que o ser humano possa viver com dignidade e ter seus direitos assegurados”, destaca o Pe. Thiago De Moliner Eufrásio, professor e coordenador do curso de Teologia.
A abertura da Jornada ocorreu na noite de quarta-feira, 6 de maio, no Salão de Atos, do Conjunto III. “Percebemos a questão da falta de moradia para muitos dos nossos irmãos santa-marienses, de regiões próximas, vindos de outros estados, inclusive, de outros países. A moradia, além da alimentação e transporte, é um direito social que foi incluído posteriormente na Constituição Federal porque se viu a necessidade de atender esse requisito, sem o qual a dignidade da pessoa humana não é completa. O cristianismo também já trazia esse tema no Evangelho, no Novo Testamento e nas primeiras comunidades cristãs. A Igreja Católica Apostólica Romana, no decorrer desses milênios de existência, recorrentemente, traz o tema da moradia e da dignidade humana para uma vida da caridade, da fé e do cuidado da fraternidade humana”, afirma a Reitora da UFN, professora Iraní Rupolo.
O Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Chanceler da UFN, Dom Leomar Antônio Brustolin, também participou da abertura do evento. “Há uma pergunta muito antiga que continua atual. Quando depois de cometer o fratricídio contra Abel, Deus questiona Caim: ‘Onde está o teu irmão?’ E talvez toda a reflexão sobre fraternidade comece exatamente aí, na responsabilidade que temos uns pelos outros. A fraternidade não pode ser reduzida a um sentimento genérico ou a uma simples cordialidade social. Ela nasce quando reconhecemos que nenhuma realidade verdadeiramente humana nos pode ser indiferente. A Universidade tem aqui uma missão nobre, ser espaço onde o conhecimento não se separa da ética, a técnica não perde a humanidade e a inteligência se torna serviço. Nesse ambiente, somos convidados a compreender que os grandes desafios humanos não podem ser enfrentados isoladamente. Precisamos unir saberes, sensibilidades e competências para promover uma sociedade justa, solidária e conciliável. Temos que trabalhar pela fraternidade, as ameaças são grandes, mas não maiores que as esperanças”, ressalta Dom Leomar.
O convidado da conferência de abertura da Jornada foi o Pe. Jean Poul Hansen, especialista em doutrina social da Igreja e secretário executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “A questão da moradia continua urgente no nosso país uma vez que temos mais de 6 milhões de famílias que não têm moradia e mais de 26 milhões de famílias em moradias indignas, impróprias, em áreas de risco, ou inadequadas para habitação humana. Tudo isso impacta no desenvolvimento humano integral, que é uma preocupação constante da Igreja”, indica o palestrante. Segundo o Pe. Jean Poul, a sociedade precisa, em primeiro lugar, ter conscientização. “Depois de abrir os olhos para essa realidade, temos um leque enorme de possibilidades, desde um pequeno mutirão na rua para consertar o telhado da casa da dona Maria ou o pessoal do bairro que se mobiliza pra construir um banheiro na casa do seu João que é um dos milhares de domicílios que ainda não tem banheiro no Brasil, até uma ação de incidência política, com o governo, seja ele municipal estadual ou federal, em vista de políticas públicas de moradia. Nós temos um vasto leque de ações. Quem toma consciência faz alguma coisa”, pontua o convidado.
A programação continuou na manhã da quinta-feira, 7 de maio, com dois painéis. No primeiro momento, os professores Francisco Queruz (Arquitetura e Urbanismo) e Thiago De Moliner Eufrásio (Teologia) receberam os convidados Leonel Pacheco, representante comunitário da Nova Santa Marta, e Pablo Elizandro Rosa da Rocha, presidente da Associação de Moradores Próximos à Ferrovia – Santa Maria e região, para um debate sobre as realidades e demandas da moradia em Santa Maria. O segundo painel foi sobre movimentos sociais pela moradia e políticas públicas em Santa Maria. Os painelistas eram o historiador e mestre em Ensino de Humanidades e Linguagens, Erick Augusto Alves Soldati Machado, e o secretário de Habitação e Regularização Fundiária de Santa Maria, Wagner Bitencourt. O momento foi coordenado pelos professores Marcio de Souza Bernardes (Direito) e Marcelo Moreira (Psicologia).
A I Jornada Interdisciplinar de Fraternidade (JIF) ocorre nos dias 6 e 7 de maio na Universidade Franciscana (UFN). O evento, alusivo à Campanha da Fraternidade 2026, propõe uma reflexão interdisciplinar sobre a questão da moradia no Brasil, à luz da fraternidade e da dignidade humana, contribuindo para a formação crítica e socialmente comprometida dos estudantes.
A Jornada é promovida pelos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Direito, Filosofia, Psicologia e Teologia em parceria com a Pastoral Universitária. A proposta permite compreender a complexidade da temática sob diferentes perspectivas: Teologia e Filosofia, ao refletirem sobre dignidade humana, ética e fraternidade; Direito, ao abordar o direito à cidade, à propriedade e às políticas públicas; Psicologia, ao considerar os impactos sociais e subjetivos da vulnerabilidade habitacional; e Arquitetura e Urbanismo, ao pensar soluções espaciais, urbanas e ambientais.
“A Universidade, comprometida com a sociedade, não pode e não quer ficar alheia às questões de interesse social e político. A questão da moradia, implica um diálogo que não se restringe ao tema do direito à moradia, antes diz respeito à própria dignidade humana. Já os primeiros filósofos, na Grécia Antiga, entendiam que ter uma casa, um lar, é condição necessária para que os indivíduos possam ocupar bem seu lugar na sociedade. Na atual conjuntura urge um debate acadêmico, e também um diálogo da academia com outros segmentos da sociedade ocupados com esta questão fundamental que é a moradia”, destaca a professora Solange de Moraes Dejeanne.

A jornada inicia na noite de quarta-feira, 6 de maio, no Salão de Atos, do prédio 13, no Conjunto III (Rua Silva Jardim, 1175), a partir das 19h. A conferência de abertura será com o Pe. Jean Poul Hansen, especialista em doutrina social da Igreja e secretário executivo de campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e Dom Leomar Antônio Brustolin, Arcebispo Metropolitano de Santa Maria e Chanceler da UFN. Na quinta-feira, 7 de maio, a programação continua pela manhã com dois painéis, na Sala de Conferências (709), do prédio 16, no Conjunto III (Rua Silva Jardim, 1175), a partir das 8h. O primeiro será sobre “A moradia em Santa Maria, entre realidades e demandas” e o segundo abordará o tema “Movimentos sociais pela moradia e políticas públicas em Santa Maria” (confira a programação completa aqui).
A Jornada é voltada para acadêmicos, professores e colaboradores da UFN; profissionais que atuam com políticas públicas, assistência social, planejamento urbano e direitos humanos; representantes da comunidade externa, incluindo movimentos sociais, organizações não governamentais; e demais interessados na temática da moradia e da dignidade humana. Os participantes vão receber certificado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na página do evento (acesse aqui).
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A Campanha da Fraternidade, iniciativa de solidariedade e caridade da Igreja Católica, que nasceu no ano de 1964, por iniciativa do então arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, foi reconhecida como patrimônio cultural e imaterial goiano, no último dia 4 de fevereiro de 2026, através da Lei Estadual nº 24.079, que foi sancionada pelo governador do estado de Goiás em exercício, Daniel Vilela. O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Antônio Gomide.
Entrevistado, dom João Justino, arcebispo metropolitano de Goiânia e vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disse que a Lei Estadual aprovada pelo governador Daniel Vilela, é de importância muito significativa para a Igreja e para a sociedade.
“É o reconhecimento do poder público e legislativo de uma iniciativa eclesial que, há mais de 60 anos mobiliza a Igreja do Brasil a cada Quaresma com temáticas que têm tocado realidades sociais e o compromisso dos cristãos católicos de colaborar, de contribuir para a transformação da sociedade, para que essa mesma sociedade possa viver de modo mais concreto a fraternidade”, afirmou dom João.
Segundo o arcebispo, o reconhecimento contribui também para que esta iniciativa possa chegar àquelas pessoas que ainda não conhecem a Campanha da Fraternidade. “Muitos certamente ainda não conhecem a Campanha e esse reconhecimento pode despertar o sentimento das pessoas para que possam conhecer a iniciativa, de outro lado, é o reconhecimento real de que se trata de um verdadeiro bem, patrimônio cultural e imaterial, que pertence ao povo brasileiro. Conhecer isso significa dar crédito a esta experiência que é uma forma de manifestação da Igreja Católica de promover a fraternidade e isso pede o compromisso e o apoio das pessoas que reconhecem aí o patrimônio”.
Saiba mais: cnbbco.com
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A Igreja abre, nos próximos dias, a Semana Santa. E nas celebrações de Domingo de Ramos é realizada a Coleta Nacional da Solidariedade, o gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Nascida com o objetivo de promover a fraternidade e sustentar a ação caritativa da Igreja no Brasil, a Campanha convida a transformar a prática da esmola quaresmal em ação concreta para a mudança da realidade social.
Essa proposta está presente no objetivo de todas as Campanhas da Fraternidade para despertar o senso concreto de fraternidade e caridade na comunidade cristã e em toda a comunidade civil.
O arcebispo de São Paulo (SP), cardeal Odilo Pedro Scherer, escreveu em artigo publicado no jornal O São Paulo que a oferta ou “gesto concreto de fraternidade”, feito em todas as celebrações católicas do final de semana do Domingo de Ramos, “é mais do que uma esmola ocasional: ele deveria ser a expressão da nossa penitência e conversão quaresmal e da nossa generosa partilha com o próximo”.
E ele exemplifica: “ele poderia representar os cigarros que deixei de fumar como penitência quaresmal; ou a cerveja não tomada; ou algo supérfluo que deixei de comprar; ou aquilo que colocamos de lado ao longo da Quaresma para ser partilhado com o próximo como expressão de nossa penitência e conversão quaresmal”.
A Coleta Nacional da Solidariedade, realizada em todas as capelas, paróquias, santuários, catedrais do pais, convida à generosidade como expressão da esmola quaresmal.
“Sejamos generosos! Convertamos nosso jejum numa esmola que pode fazer a diferença. O nosso jejum, se ele não se converter em bem do próximo, ele é só economia e dieta, mas para que ele seja mesmo jejum, ele precisa se converter em bem do próximo”, exorta o padre Jean Poul Hansen, secretário executivo de Campanhas da CNBB.
Mesmo as pequenas doações, a esmola da viúva, fazem a diferença no conjunto da grande coleta da solidariedade.
“Talvez o meu jejum quaresmal não renda mais que 40, 50 reais. Mas os meus 40, 50 reais, somados aos outros 20, 30, 40, 50 oferecidos em todo o Brasil na Coleta Nacional da Solidariedade podem fazer uma grande diferença para quem sofre. E isso tem sido feito desde a origem da Campanha da Fraternidade”, motiva padre Jean Poul.
Os recursos arrecadados na Coleta Nacional da Solidariedade são destinados a dois fundos de solidariedade, conforme definido pela 36ª Assembleia Geral da CNBB, em 1998. O Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) fica com a maior parte dos valores: 60%. Os outros 40% são destinados ao Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela CNBB. O objetivo desses dois fundos é promover a sustentação da ação social da Igreja Católica no Brasil.
Em 2025, a Coleta Nacional da Solidariedade arrecadou cerca de R$20 milhões.
Os recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) são destinados especialmente ao atendimento a projetos sociais em todas as regiões do país. Esses projetos são avaliados e escolhidos a partir do edital publicado nas primeiras semanas da Páscoa com a definição dos eixos, dos aspectos técnicos, administrativos e jurídicos que devem ser obedecidos para a seleção.
Em 2025, o FNS recebeu R$8.268.042,83.
Foram investidos R$7.236.241,90 no apoio a 234 aprovados pelo Conselho Gestor do FNS. Esses projetos beneficiaram diretamente 201.446 pessoas e alcançaram 717.523 de forma indireta.
Saiba mais sobre os projetos apoiados no Portal da Transparência do FNS.
Além do apoio aos projetos sociais, os recursos do FNS são investidos na manutenção do Departamento Social da CNBB, responsável pela seleção dos projetos apresentados; na produção e distribuição de envelopes da CF; na realização do Seminário de Campanhas e na animação da CF nos Regionais; na realização das reuniões do Conselho Gestor do FNS, na promoção da CF e no pagamento de tarifas bancárias.
Luiz Lopes Jr.]]>