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POLÉMICA
Por um Museu dos Descobrimentos
Luís Filipe Thomaz
6/8/2018, 6:241.503

Os Descobrimentos portugueses não inauguraram o Paraíso na Terra, mas deram origem ao mundo moderno tal como o temos, com os defeitos e virtudes inerentes a toda a construção humana.

A intenção de organizar um “Museu das Descobertas” anunciada pelo presidente da Câmara de Lisboa suscitou uma reacção histérica. Se me perguntam se concordo com a ideia, respondo: plenamente. Se me perguntam pelo nome, não. Prefiro “Museu dos Descobrimentos”.

A nossa língua é rica em subtis cambiantes semânticos, pelo que, ao contrário do francês ou do italiano, faz uma diferença entre descoberta e descobrimento. Descoberta usa-se sobretudo para coisas materiais e pode ser meramente fortuita: a descoberta do fogo na Pré-História, a do magnetismo terrestre pelos chineses da época Sung (960-1279), a da radioactividade pelo casal Curie, ou do ouro na Austrália, no século XIX.

O abaixo-assinado contra o projecto do museu que por aí circula enferma de muita ignorância. Em primeiro lugar, da nossa própria língua, em que achamento, descoberta, descobrimento e invenção têm sentidos vizinhos mas não coincidentes.

Ao invés descobrimento denota um processo activo e voluntário de exploração geográfica, como em 1972 mostrou Armando Cortesão no seu artigo “Descobrimento” e Descobrimentos na revista Garcia de Orta. Eu dediquei-lhe um artigo relativamente extenso que enviei para publicação na revista Brotéria, onde, espero, sairá logo que haja paginação disponível. Aqui, não pretendo senão deixar um breve apontamento.

O abaixo-assinado contra o projecto do museu que por aí circula enferma de muita ignorância. Em primeiro lugar, da nossa própria língua, em que achamento, descoberta, descobrimento e invenção têm sentidos vizinhos mas não coincidentes. O que o autarca lisbonense quereria dizer era certamente “Museu dos Descobrimentos”, termo consagrado por largo uso, que é datável de c. 1470, para significar o que até aí era designado por enquerer, saber parte, colher certa enformação, haver manifesta certidão, etc. São tudo expressões que denotam um processo minucioso de colheita de informações, activo e interactivo, que ultrapassa em muito a ideia de achar, encontrar, topar com, que só se aplicaria com inteira justeza a terras desconhecidas e despovoadas.

Argumentam-me que as Américas haviam sido, muitos séculos antes de Colombo, descobertas pelos chamados “índios” que as habitavam. É verdade. Tão verdade que me recorda a elegia que os soldados de Jacques de Chabannes, senhor de La Palisse, morto em combate a 25 de Fevereiro de 1525 na batalha de Pavia, compuseram em sua honra: un quart d’heure avant sa mort, il était encore en vie…

Descobrir é um verbo pessoal, que conota um sujeito pensante, cujo ponto de vista, necessariamente subjectivo, assume. Michel Chandeigne publicou há anos em Paris um livro intitulado L’expédition de Gonneville et la découverte de la Normandie par les Indiens du Brésil: de facto, em 1505, Binot Paulmier, senhor de Gonneville, ao regressar do Brasil onde aterrara por acaso numa viagem cujo destino era a Índia, trouxe para Honfleur o filho de um morubixaba (chefe tribal) chamado Essoméricq, que acabou por adoptar e casar com uma sobrinha sua. Foi assim que ele descobriu a Normandia — que, bem entendido, existia muito antes de ele dela ter tomado conhecimento. É, porém, evidente que não foi Essoméricq, nem nenhum dos índios do Brasil, quem descobriu o caminho marítimo para a Europa, onde chegou graças aos conhecimentos náuticos dos normandos, arrimados por seu turno aos dos pilotos portugueses que haviam contratado a peso de ouro.

É porque descobrir envolve as ideias de “reconhecer, explorar, cartografar” que se pode aplicar a regiões de cuja existência se sabia há muito, mas imperfeitamente. Foi o que se passou, por exemplo, com o Amazonas, percorrido do Peru até a foz em 1541-42 por Francisco de Orellana, e de novo em 1560 por Lope de Aguirre: em 1639 foi, uma vez mais, a mando de Felipe IV, descido pelo jesuíta Cristóbal de Acuña, que inquiriu diligentemente das populações ribeirinhas, seu modo de vida e seus costumes, do que deu pormenorizada conta no seu livro, expressivamente intitulado Nuevo descubrimiento del Gran río de las Amazonas, impresso em Madrid em 1641.

Historicamente mais grave é o erro crasso de afirmar que 60 ou 70 anos antes de Vasco da Gama, no reinado de Yung Lo (1403-25), já o almirante chinês Cheng Ho descobrira, ou estivera prestes a descobrir, o caminho marítimo para a Europa pela via do Cabo: nenhuma das fontes de que dispomos para a história dessas viagens menciona a sua presença a sul de Mogadoxo e Brava, na Somália, a milhares de quilómetros do Cabo da Boa Esperança, sitas no hemisfério norte, onde reinam ainda as monções que a cada seis meses se invertem.

Não é, todavia, crível que alguma vez o tivesse podido alcançar: com efeito utilizava juncos, navios de fundo chato, concebidos para manobrarem nos esteiros, estreitos e canais do Extremo Oriente, mas incapazes de bolinar; e à latitude do Cabo reinam todo o ano os ventos gerais de oeste, que colhem o navio pela proa. Não é por acaso que a maioria dos naufrágios portugueses que a História Trágico-Marítima registra tenham tido lugar na costa do Natal, com naus, que embora providas de quilha arvoravam pano redondo, exceto no mastro da mezena, e mui dificilmente conseguiam bolinar, que os ventos dominantes e as correntes rechaçaram para nordeste, acabando por dar à costa.

Se os portugueses puderam explorar tanto as costas atlânticas como os mares do Oriente até o longínquo Japão, foi porque possuíam técnicas de navegação adequadas, nomeadamente a navegação por latitudes, aplicável em praticamente qualquer ponto do Globo.

Tecnicamente, se alguém estava apetrechado para descobrir o caminho marítimo para a Europa, não eram os chins, mas os árabes do Omão e da Costa Suahíli; mas não o descobriram…

Se os portugueses puderam explorar tanto as costas atlânticas como os mares do Oriente até o longínquo Japão, foi porque possuíam técnicas de navegação adequadas, nomeadamente a navegação por latitudes, aplicável em praticamente qualquer ponto do Globo. Embora o processo de determinar a latitude pela altura meridiana do sol tivesse sido inventado por Hiparco (190-125 A. C.), foi a mando de D. João II que dois técnicos judeus, Mestre José Vizinho e Mestre Rodrigo o simplificaram e adaptaram à náutica. Requeria a utilização de tábuas astronómicas que dessem a declinação do sol para todos os dias do ano, mas os portugueses dispunham das dos Libros del Saber de Astronomia de Afonso X, o Sábio, de Castela, traduzidos de textos árabes que retomavam e aperfeiçoavam as da época helenística.

Nos descobrimentos portugueses convergiu assim o saber acumulado por gregos, árabes, judeus, italianos, normandos e até chineses: a vela latina, que permitia bolinar, fora inventada no Mar Vermelho, varrido todo o ano por ventos do quadrante norte; a técnica de construção de cascos capazes de resistir aos mares mais agitados provinha sobretudo das costas do Mar Norte, frequentemente batido pelos temporais; as propriedades da agulha magnética haviam sido descobertas na China, mas a arte de a fazer girar sobre um eixo articulado dentro de uma bússola vinha de Itália. De Itália e de Maiorca viera a carta-portulano, com suas múltiplas linhas loxodrómicas, rumadas pela agulha magnética, indispensável para a navegação por rumo e estima, de que gradualmente se passou à navegação por diferenças de latitude e, finalmente, por latitudes e longitudes.

É verdade que a longitude (que jamais se pode determinar pelos astros, devido à rotação da Terra) apenas pôde ser medida com exatidão quando c. 1725 John Harrison inventou o cronómetro. Na prática, portanto, fazia-se a estimativa do caminho percorrido, convertendo as léguas em graus de longitude, o que não é fácil: devido à convergência dos meridianos para os polos, o grau de longitude apenas é equivalente ao de latitude sobre o equador; alhures, há que multiplicá-lo pelo cosseno da latitude para obter a sua medida exata. Mesmo assim chegava-se, muitas vezes, a resultados surpreendentemente precisos: no atlas de c. 1537 conservado no Archivio di Statod e Florença e atribuído a Gaspar Viegas, o primeiro a conter uma escala de longitudes, as ilhas de Maluco estão debuxadas a 145° E do Cabo Verde, no Senegal, o que é de uma aproximação espantosa, pois a diferença real de longitude entre os dois pontos é de exactamente 144°; e um relato do naufrágio da nau S. Paulo em Samatra em 1571 afirma que a ilha de Amesterdão, entrevista já por Elcano em 1522 e agora avistada de novo, “jaz norte-sul com o Cabo Comorim”, no que erra por apenas 30′.

É de protótipos portugueses que derivam tanto os planisférios impressos na Europa no século XVI, como os mais antigos que se conhecem na China e no Japão. Devido aos Descobrimentos o Renascimento português apresenta um cunho decididamente experimentalista, em contraste com a tendência arcaizante e livresca da maioria das correntes do humanismo europeu, incapazes de se desmamar dos Antigos.

É importante notar que os Descobrimentos Portugueses não só revelaram paragens mal conhecidas ou desconhecidas, como permitiram uma correta concepção do mundo. Havia quem exagerasse as dimensões do globo, reduzindo a “terra habitada” (o Velho Mundo) a um dos dois ou quatro supercontinentes existentes, demasiado distantes entre si para se poder passar de um a outro. Ligada a essa concepção arcaica e errada aparecia geralmente a noção da inabitabilidade da zona tórrida, entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, devido ao excessivo calor; como o Homem fora criado no hemisfério norte e não podia passar ao oposto sem atravessar aquela inóspita zona, a zona temperada do sul era “habitável mas desabitada”.

Foram os descobrimentos portugueses que arredaram definitivamente essas concepções erróneas. A habitabilidade das regiões intertropicais começou a tornar-se evidente logo em 1444, quando Nuno Tristão, ultrapassando a faixa saariana, chegou à “Terra dos Negros” (Senegal) em plena zona tórrida.

É de protótipos portugueses que derivam tanto os planisférios impressos na Europa no século XVI, como os mais antigos que se conhecem na China e no Japão. Como muito bem vincou Joaquim Barradas de Carvalho, devido aos Descobrimentos o Renascimento português apresenta um cunho decididamente experimentalista, em contraste com a tendência arcaizante e livresca da maioria das correntes do humanismo europeu, incapazes de se desmamar dos Antigos.

Como todas as grandes transformações históricas, os Descobrimentos — de que os portugueses foram em parte obreiros, em parte meros catalisadores, compendiando o saber dos seus predecessores — acarretaram, é certo, sofrimentos para muita gente, através de efeitos laterais que vão da intensificação da escravatura à difusão da sífilis americana no Velho Mundo, passando pela da varíola no Novo.

Não inauguraram, por isso, o Paraíso na Terra; mas deram origem ao mundo moderno tal como o temos, com os defeitos e virtudes inerentes a toda a construção humana. Qualquer pessoa, porém, o pode repudiar e recorrer por exemplo a coups-de-poing de pedra lascada ou polida em vez de facas, para descascar a fruta…

Historiador


          Assinados contratos para transporte de doentes em Cabo Verde      Cache   Translate Page   Web Page Cache   
O Ministério da Saúde de Cabo Verde, as Forças Armadas e o Instituto Nacional de Previdência Social deste país, juntamente com duas seguradoras, assinaram hoje um contrato de prestação de serviços para o transporte de doentes. Segundo informação do Governo de Cabo Verde, a assinatura do contrato surgiu na sequência do memorando de entendimento no […]
          Polícia Federal pede extradição dos ingleses envolvidos no caso dos velejadores em Cabo Verde      Cache   Translate Page   Web Page Cache   
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          Guiné 61/74 - P18908: Estória de Bissau (20) : A cidade onde vivi 25 meses, em 1968/70: um roteiro (Carlos Pinheiro)... [Afinal o "Chez Toi" era a antiga casa de fados "Nazareno"...]      Cache   Translate Page   Web Page Cache   

1. Texto (e fotos) de Carlos Manuel Rodrigues Pinheiro* (ex-1.º Cabo TRMS Op MSG, Centro de Mensagens do STM/QG/CTIG, 1968/70), com data de 17 de Abril de 2011 (, já publicado sob o poste P8138) (*).

O Carlos Pinheiro tem cerca de meia centena de referências no nosso blogue e conheceu Bissau como poucos de nós, já que lá viveu 25 meses... Colocado no QG, nas horas também dava uma ajuda no estabelecimento do o seu parente, Costa Pinheiro, estabelecido em Bissau desde os princípios dos anos 50. A casa Costa Pinheiro era uma das boas casas comerciais de Bissau. Achamos oportuno revisitar a cidade de Bissau dos anos de 1968/70 (**)


A Cidade de Bissau em 68/70

Texto e fotos de Carlos Pinheiro

A esta distância no tempo, recordar a cidade de Bissau onde passei mais de 25 meses da minha vida, obrigatoriamente e sem alternativa de escolha, não é fácil, mesmo assim é bom recordar Bissau, para que a memória não esqueça e para que outros possam também recordar e testemunhar.

Bissau era uma cidade simpática onde havia um pouco de tudo e acima de tudo muita tropa, muitos militares em movimento, a chegar, a partir e a estar. Não era uma grande metrópole mas tinha infra-estruturas que uma cidade de província, na Metrópole de então, não tinha, não podia ter e nem tinha que ter. 

Tinha por exemplo um Aeroporto, na Bissalanca, que é certo se confundia de algum modo com a BA 12, já que as pistas eram as mesmas e, aliás, o Boeing da TAP só lá ia uma ou duas vezes por semana, levar de regresso combatentes que tinham vindo de férias, buscar outros em sentido contrário e acima de tudo levar e trazer correio tão indispensável para o apoio moral das tropas e especialmente dos seus familiares cá na santa terrinha. 

Na maior parte do tempo eram os FIAT G91, os T6 e os DO27, para além de outros meios aéreos, os únicos a utilizar as pistas quando eram lançadas Operações onde o apoio aéreo tinha uma preponderância mais que evidente.

E, claro, também era dali que saíam os helicópteros, os Alouette III, para as Operações, mas acima de tudo para fazer as evacuações dos doentes e dos feridos


Tinha também um porto de mar, que por acaso era no rio Geba onde, por vezes, os barcos maiores, o Uíge ou o Niassa, não atracavam.

Mas barcos como o Rita Maria, o Ana Mafalda, o Alfredo da Silva, o Manuel Alfredo, todos da Sociedade Geral, da CUF, esses porque eram mais pequenos, atracavam. Também o Carvalho Araújo, penso que dos Carregadores Açorianos, nos seus últimos tempos de vida, também ali atracava. Mas era um porto com poucas condições. Este último barco, porque tinha pouca autonomia, tinha que ir, na viagem de ida, a S. Vicente, Cabo Verde, meter água e nafta e no regresso, era no Funchal que atestava.

Tinha ainda outro porto, este mais de pesca, o Pidjiguiti, tristemente célebre pelos massacres que precederam a guerra da independência.

Mas tinha o Palácio do Governador, tinha a Associação Comercial, tinha algumas casas apalaçadas de arquitectura tipicamente colonial, tinha um cinema, a UDIB tinha dois campos de futebol, o campo da UDIB e o Estádio dos Cajueiros,  à Ajuda, tinha um comércio florescente, especialmente dominado pelos libaneses, onde tudo se vendia desde o alfinete ao camião, tudo importado, principalmente do Japão, mas também dos States, da Inglaterra, da Escócia, da Itália, da Holanda, da Checoslováquia, da França, etc., e naturalmente da Metrópole.

E Bissau tinha algumas casas que toda a malta conhecia pois era lá que convivia, que matava saudades e acima de tudo matava a fome e a sede. 

Logo à saída do QG havia o Santos, a que simplesmente, mas com muito carinho, chamávamos o “Enfarta Brutos”, onde se comia, talvez a maior febra de Bissau. Parecia que tinha as orelhas de fora do prato, tal era a sua dimensão. Mas as batatas fritas a acompanhar também mereciam respeito. Quanto à cerveja, ela era igual em todo o lado, desde que estivesse bem fresca e isso às vezes conseguia-se e muita até era da Manutenção Militar.

Mas lá em baixo, na cidade, tínhamos outras casas emblemáticas. Tínhamos a Solmar, que não tinha nada a ver com a outra de Lisboa, mas que já era um bom restaurante que também vendia muita cerveja para acompanhar as ostras e o camarão.

Tínhamos o Solar do 10, casa mais pequena mas mais requintada, onde por vezes à noite se cantava o fado depois de uma jantarada ou ceia.

Tínhamos o Zé da Amura onde se comiam uns chispes que iam para lá enlatados não sei de onde, mas que, à falta de melhor, eram apreciados.

Tínhamos, na Praça Honório Barreto, o Internacional, o Portugal e o Chave de Ouro, tudo cafés/cervejarias mas também onde se comiam umas febras ou uns bifes, quando havia.

Mas na Avenida principal [ , a Av da República], que ía do porto ao Palácio do Governo, também havia o Bento, café e esplanada característica da cidade a que vulgarmente nós, os militares, chamávamos de “5ª Rep.” já que o Quartel-general só tinha 4 Rep, 4 Repartições.

Para a malta, ali era portanto a 5ª repartição onde quem chegava do mato se encontrava com os residentes, onde se trocavam informações e onde, se dizia, que essas informações vadiavam ali dum lado para o outro do conflito. Ao lado do Bento,  mais para o interior, era a Bolola, onde esteve o Serviço de Material, depois transferido para Brá, e onde era o Cemitério que ainda guarda os restos mortais de muitos camaradas nossos.

Nessa avenida estavam talvez as maiores casas comerciais. Por exemplo a Casa Gouveia, da CUF, que vendia ali de tudo e que tudo comprava o que os naturais produziam, principalmente a mancarra (2), o Banco Nacional Ultramarino, o banco emissor da Província, o Cinema UDIB e ao lado uma boa gelataria, mais acima, a Pastelaria, Padaria e Gelataria Império, assim baptizada por estar já na Praça do Império onde se situava o Palácio do Governo e  a Associação Comercial.

Também era nessa Avenida que estava a Sé Catedral, templo de linhas tão simples quanto austeras.

A caminho de Brá e da SACOR, havia um local chamado Benfica onde havia um café com o mesmo nome e onde se apanhavam os transportes para os vários quartéis daquela zona como eram o Hospital Militar 241, o Batalhão de Engenharia 447, os Comandos, os Adidos e mais à frente a BA 12 e o BCP 12 [, em Bissalanca]..

Mas havia outros estabelecimentos dignos de recordação. A casa de fados Nazareno, mais tarde rebaptizada de Chez Toi, a Meta com as suas pistas de automóveis eléctricos, e como novidade também apareceu naquela altura O Pelicano, café-restaurante construído pelo Governo e explorado por privados, com uma belíssima vista sobre o Geba e avenida marginal.

Na Avenida Arnaldo Shulz, que ligava a Estrada de Santa Luzia à tal SACOR, a caminho de Brá, sempre ao lado do Cupelão [ou Pilão], estava o Comando Chefe das Forças Armadas à esquerda de quem subia, um pouco mais abaixo, os Bombeiros Voluntários de Bissau num grande quartel nessa altura muito bem equipado, a Cruz Vermelha, estes do lado direito e até a sede local da PIDE, que nessa altura já se chamava DGS, também do lado direito mas já junto ao Largo do Colégio Militar.

Era uma avenida nova, como se fosse uma circular urbana onde as boas vivendas também começaram a aparecer.

No princípio da Avenida que ia para Santa Luzia, antes de se chegar ao Hospital Civil, estava o Grande Hotel, nome pomposo do melhor estabelecimento hoteleiro da cidade. O resto era pensões, algumas de quinta escolha.

Mas o comércio de Bissau não era constituído só por cafés, restaurantes e tascas. Havia de tudo. E há nomes que não se esquecem. Para além da Casa Gouveia, o maior empório daquele então Província Ultramarina, como então se dizia, a Casa Pintosinho, a Taufik Saad, a Costa Pinheiro, e muitas outras vendiam de tudo, são nomes que ficaram para sempre na memória.

Havia, claro, várias casas de fotografia, como por exemplo a Agfa perto da Amura, que ganhavam muito dinheiro na medida em que era raro o militar que não tivesse comprado a sua Fujica, Pentax, Nicon, etc., a que davam muito uso. Muitas casas vendiam roupa barata, nessa altura já confeccionada em Macau, especialmente aquelas camisas de meia manga, calças de ganga e sapatos leves.

Era assim Bissau naquela época.

Carlos Pinheiro
 [, Torres Novas,]
16.04.11
_______________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 20 de abril de 2011 >  Guiné 63/74 - P8138: Memória dos lugares (152): A cidade de Bissau em 1968/70: um roteiro (Carlos Pinheiro)

(**)  Último poste da série > 9 de agosto de  2018 > Guiné 61/74 - P18907: Estórias de Bissau (19): O Pilão e o Chez Toi que eu conheci... (António Ramalho)... Comentários de Valdemar Queiroz, Virgílio Teixeira, Costa Abreu e Juvenal Amado sobre o primeiro "night club" que abriu na capital guineense...
          La cuota española de atún blanco está a punto de consumirse y Canarias confirma así que su zafra de túnidos será ruinosa       Cache   Translate Page   Web Page Cache   

Los problemas a veces se concentran todos a la vez y así mismo le ha pasado este año a la flota atunera artesanal con puerto base en Canarias, donde a la escasa cuota regional para las capturas de atún rojo (Thunnus thynnus) en 2018 (255 toneladas, consumidas en una semana) se ha unido las pírricas posibilidades de pesca de las especies tuna (Thunnus obesus o bigeye) y barrilote o bonito del norte (Thunnus alalunga), el también conocido como atún blanco.

En este caso, como ocurre con el atún rojo, las capturas máximas permitidas están reguladas por cuota, este año en 15.015 toneladas para toda España y con consumo general, no por regiones o zonas de pesca dentro del país, que así está establecido para el atún rojo.

La combinación de todos esos factores, junto a la casi seguridad de que las islas ya no tendrán opciones de pescar más atún blanco en lo que queda del año, pues esta cuota está a punto de ser consumida en su totalidad durante la costera del bonito (en aguas del Cantábrico), ha hecho sonar todas las alarmas en las islas, una región en la que las embarcaciones atuneras de bajura, todas para la pesca artesanal, lucen amarradas a puerto; quizá no todas, pero sí la práctica totalidad de ellas.

Además, las opciones de pesca en aguas administradas por Marruecos están cerradas, pese a la renovación reciente del convenio pesquero. En cualquier caso, Canarias apenas utiliza seis licencias para faenar en esas aguas, todas de atuneros de la entidad Optuna, con sede en Arrecife, isla de Lanzarote.

Las razones de ese desastre de campaña de túnidos, que hará de 2018 un año ruinoso para la pesca de atunes en Canarias (con un cierre muy por debajo de las 10.000 toneladas en capturas, en torno al 20-40% de ese total habitual en algunas campañas pasadas, esto es, no mucho más de 2.000-4.000 toneladas), tienen que ver con la ya denunciada actividad "insostenible" de buques cerqueros industriales en aguas al sur de Canarias y en zonas de pesca cercanas a Cabo Verde, Senegal y Mauritania.

En esas aguas, dentro de la Zona Económica Exclusiva (ZEE, a 200 millas de la costa) o en caladeros internacionales, se captura la especie tuna o bigeye con elementos de concentración de cardúmenes (esta especie se agrupa en torno a esos instrumentos y luego se captura con el arte de cerco, lo que no permite el bonito del norte o barrilote) y ello, según han advertido los atuneros artesanales canarios, está llevando a la ruina a los armadores locales, a la flota de bajura isleña, que se ha quedado sin opciones de pesca de esa especie, de gran valor en el mercado, por detrás del atún rojo.

A este enorme problema, no resuelto, se añade que las pocas opciones que quedan a los atuneros canarios de salvar la zafra de túnidos en 2018 ahora solo pasan, por lo expuesto en el párrafo anterior, por capturar más bonito del norte o barrilote en lo que queda del año, a su caída hacia el trópico desde el norte de Europa. Pero lo peor de todo es que esta vez eso será poco probable, por no decir imposible.

Y no será por que el barrilote no baje o emigre hacia el trópico desde las aguas más frías del norte de España... No, no es por eso, sino por que el que regrese ya casi seguro no podrá ser capturado debido a que la cuota española para la captura de esa especie, de consumo general en el país, está a punto de ser engullida, en los próximos días, por la costera del bonito: por barcos gallegos, asturianos, cántabros y vascos. El consumo de esta especie ya llega a casi el 80% de las 15.015 toneladas posibles en 2018.

Así las cosas, el grito de los armadores atuneros canarios y de las organizaciones pesqueras que trabajan con este pescado no se ha hecho esperar y además es desesperado, como así se aprecia en el caso de la organización de productores de pesca (OPP) IslaTuna, con sede en la isla de Tenerife y una de las entidades que más acapara capturas de atunes en toda Canarias.

La flota vinculada a IslaTuna está amarrada desde mayo pasado por las escasez de capturas y la falta de pesca rentable, y hoy mismo, este jueves 9 de agosto, ha difundido una nota para decir que ese largo parón en la actividad extractiva está produciendo una pérdida aguda de renta que afecta de lleno a 450 familias.

Por ello, y como última opción para intentar que el descalabro de este año no vaya a más, IslaTuna se ha dirigido a los gobiernos canario y central para que, como solución de urgencia, se cierre la pesquería de atún blanco en la costera del bonito y la poca cuota que ya queda, en torno al 20%, sea reservada a la flota atunera de las islas. Es la única manera de que Canarias pueda tener actividad extractiva en los meses de otoño e invierno, en lo que queda de 2018, justo cuando el barrilote, ahora en aquellas aguas, inicie su viaje de vuelta hacia latitudes tropicales y en ese camino de regreso pase cerca de Canarias.

Si esa solución no se aplica, y es muy probable que así sea, la campaña de túnidos en Canarias en 2018 será recordada como una de las más ruinosas de los últimos años, seguro que con una nivel anual de capturas por debajo de las 4.000 toneladas y con enormes pérdidas para los armadores isleños.

IslaTuna también ha pedido este jueves que, junto a la medida de dejar derechos de pesca para Canarias con cargo a la cuota nacional de atún blanco, se articule una línea de apoyo al sector atunero local para compensar la pérdida de renta por tener amarrada la flota. En esta línea ya se empieza a trabajar con la Comunidad Autónoma de Canarias y el Estado.

Está todo por decidir, y el tiempo apremia, pero ya es seguro que 2018 no se mantendrá en el cajón de los mejores recuerdos relacionados con las capturas de túnidos en aguas de las islas. 2018, y se puede asegurar, pasa a ser, y por adelantado, un año de vacas flacas para la pesca isleña.




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