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15º DOMINGO TEMPO COMUM

15 de Julho – Ano B

Evangelho Mc 6,7-13

·        No domingo passado, nós refletimos sobre a visita de Jesus a sua terra natal, na qual Ele não foi reconhecido como o Filho de Deus, mas apenas como o filho do Carpinteiro. Ali, Jesus foi olhado com OLHOS HUMANOS e por isso, Ele foi visto somente como o filho de José e de Maria.
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A missão do profeta
A liturgia deste domingo priviligia a vocação daquele que é chamado a profetizar. Profeta do original grego “pro-femi”, falar em nome de outro, é aquele que é chamado a falar em nome de Deus. Há profetas do Antigo Testamento, mas também há profetas do Novo Testamento. Estes são os apóstolos e os discípulos que foram chamados por Deus para anunciarem a Boa Nova em Jesus Cristo.
No Antigo Testamento há profetas incômodos. Amós é um deles. De tal maneira contrariava o mau viver do povo que o próprio sacerdote Amasias lhe pediu para se retirar e não interpelar mais ninguém (1ª leitura). Depois, Jesus escolheu apóstolos e discípulos para irem por todo o mundo anunciar a Boa Nova a toda a criatura. São profetas do Novo Testamento que, possuídos por Deus, proclamam que Jesus é o Senhor. É corrente saber que outra coisa não viveram Pedro e Paulo, ao fazerem discípulos de todas as nações e todos batizando em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. No seu profetizar começaram sempre por anunciar a paz que vem de Jesus Cristo (Evangelho). Instaurar todas as coisas em Cristo (Ef. 1,10) é, no dizer de Paulo, a missão fundamental do cristão. Nesta perspectiva todos os cristãos se tornam profetas convidando a todos a abraçarem a fé e a deixarem-se conduzir pelo Espírito Santo. É esta a profecia do Novo Testamento, realizada onde quer que esteja um cristão, iluminando tudo com a luz de Cristo e irradiando em tudo os valores do Evangelho (2ª leitura).
1. Um profeta incômodo
De entre os profetas menores Amós é sem dúvida o mais interpelativo. Deus chamou-o dos campos onde trabalhava como pastor, ele desceu à cidade que encontrou cheia de injustiças e de corrupção. Conduzido por Deus profetiza clamando à justiça, ao perdão, à reconciliação. Reveste a sua profecia de denúncia clara dos mais ricos e poderosos que desprezavam os pobres e os abandonados. O sumo sacerdote do santuário de Betel, Amasias, não gostou e mandou-o partir. Amós invoca a sua vocação e missão de profeta afirmando que “foi o Senhor que me enviou a profetizar junto do povo de Israel”. Profeta incômodo acabou por retirar-se de novo para os campos. Em todos os tempos há profetas que foram silenciados.
2. A missão dos discípulos
Jesus, na sua vida pública, não se limitou a escolher doze apóstolos, escolheu também 72 discípulos  que enviou, dois a dois, a anunciar a Boa Nova (cf. Lc. 10,4). A estes Jesus convidou a uma grande austeridade na forma de viver, dizendo-lhes: não leveis bolsa, nem cajado, tenham apenas um par de sandálias e uma túnica, e não percam tempo a conversar com as pessoas que encontram no caminho. Para estes profetas do Novo Testamento Jesus convida a uma pobreza radical, mas diz-lhes também qual é a sua missão: dar a paz em toda a casa onde entrarem, curarem os doentes e expulsarem os demônios. É uma ação evangelizadora com todos os sinais da Boa Nova que Jesus queria anunciar. A paz interior, a cura dos sofrimentos, a vitória sobre a tentação são paradigmas de um projeto cristão de vida. Desde a missão dos discípulos, esta ação de profetizar está definida. Profetas do Novo Testamento, hoje, são todos os cristãos que, pelo testemunho de vida e pelo anúncio de Jesus Cristo, abrem a todos a salvação esperada.
3. Escolhidos para ser santos
A santidade é, em última análise, a vocação do cristão. Ser discípulo de Cristo implica ser santo de verdade, isto é, “viver em comunhão plena e perfeita com Cristo” (LG 50). Paulo na carta aos Efésios usa para os “santos” alguns verbos extraordinariamente significativos. Os cristãos são escolhidos, predestinados, redimidos, perdoados dos pecados, introduzidos no mistério da salvação, por tudo isso são, em Cristo, herdeiros. Então, instauram todas as coisas em Cristo e ajudam todos a abraçar a fé, a deixar-se conduzir pelo Espírito, a viverem o Evangelho.
monsenhor Vitor Feytor Pinto “Revista de liturgia diária”



Começou a envia-los
A essência da vida cristã não é permanecer na posse de um bem espiritual. Isso fica para a eternidade. Enquanto labutarmos neste mundo, ser discípulo de Jesus sempre será aceitar e realizar o imperativo da missão de levar o Evangelho a toda criatura como realização da vontade do Senhor.
Neste sentido, a liturgia da Palavra deste domingo apresenta-nos o profeta Amós sentindo-se enviado por Deus e firmemente disposto a realizar a sua missão mesmo que incompreendido e perseguido pelos poderes constituídos (1ª leitura). Da mesma forma, os discípulos do Senhor são enviados por Ele com a missão de transmitir o Evangelho a todos os povos (evangelho), despojados de seguranças humanas e apoiados unicamente no poder comunicador do Espírito de Deus. A 2ª leitura, por sua vez, é o início da carta de são Paulo aos Efésios (que nos acompanhará ao longo dos próximos domingos) através da qual, poderemos compreender que Cristo é o fundamento do Plano do Pai para a nossa Salvação assim como a MISSÃO evangelizadora é a forma deste Plano se realizar na história da humanidade.
1ª leitura: Amós 7,12-15
A 1ª leitura faz referência ao conflito entre o sacerdote Amasias e o profeta Amós. Amasias, mais do que sacerdote, era funcionário de um culto vazio a serviço do rei e da ordem estabelecida. Por isso achava inconveniente e subversiva a pregação profética de Amós que criticava a ordem estabelecida. Pouco se importando o sacerdote Amasia em saber se a crítica de Amós vinha da parte de Deus, ou não, mandou o profeta para o desterro a fim de abafar a sua mensagem e evitar que pudesse abalar o sistema estabelecido. Diante disto, Amós reage com determinação e dignidade, respondendo que ele não é um profissional da religião, mas um homem do povo sem compromisso com as autoridades nem com os interesses dos poderosos. Cumpre apenas as ordens de Deus e só a Ele obedece, fazendo uso da liberdade de expressão do verdadeiro profeta, unicamente a serviço da verdade.
2ª leitura: Efésios 1,3-14
Existe neste texto da carta de São Paulo uma clara referência a certo hino litúrgico de forte conteúdo teológico, provavelmente usado nas celebrações das primeiras comunidades cristãs. Nele se fala da nossa vocação à santidade como uma predestinação de Deus a nosso respeito e uma inestimável “bênção espiritual” pela qual Deus deve ser louvado, pois que, em Cristo, se manifestou como Pai e nos tornou “seus filhos adotivos” pelo batismo.
Paulo descreve a Salvação desta mesma forma, mostrando que Deus “nos escolheu em Cristo” e, antes do nosso nascimento, já nos “predestinou”. Foi assim que recuperou em nós, “por meio do sangue de Cristo”, as qualidades da natureza humana que Ele criara para que sejamos “santos e sem defeito diante dele, no amor”.
Paulo garante aos efésios (e a todos nós) que toda esta obra de reconstrução humana se realizou por meio de Jesus Cristo, cuja Palavra, “o Evangelho que os salva”, eles escutaram e aceitaram pela fé (“vocês creram”). Foi assim que receberam o Batismo como sinal e sacramento da sua total adesão a Cristo pelo qual foram “marcados com o selo do Espírito prometido, o Espírito Santo”.
Realmente, é de dar inveja todo este processo de iniciação à vida cristã a que Paulo se refere, o qual, começava pela Palavra escutada, passava pela fé que ela provocava, para completar-se ao receber o Batismo. Um processo, em dúvida, que seria bom resgatar. Com ele, a nossa Igreja poderia recuperar a força e o vigor daquelas comunidades fundadas por São Paulo.
Evangelho: Marcos 6,7-13
Neste evangelho, Marcos detalha as condições que Jesus coloca para que a missão dos discípulos, enviados a continuar e ampliar sua missão, pudesse dar fruto.
Eles devem pedir e favorecer:
a) a mudança de vida, voltando o coração para Deus (conversão);
b) a opção por uma vida livre de todos os medos e dependências que limitam o ser humano (expulsão de demônios);
c) a restauração da vida humana tanto física como espiritualmente (curas).
A conversão é o resultado imediato de toda evangelização: sem dar início a uma nova vida não se pode pensar que o Evangelho tenha sido aceito de verdade.
A expulsão dos demônios significa ajudar o ser humano a livrar-se daquilo que o atormenta e o amedronta, psiquicamente; daquilo que o escraviza e marginaliza, socialmente; daquilo que o limita e lhe tira a liberdade como pessoa.
As curas são o resultado de uma vida renovada. Quem está em Deus experimenta um equilíbrio e uma paz interior que cura a sua mente e o seu corpo de tantas doenças psico-somáticas que são fruto da angústia existencial do ser humano.
Além disso, para que os discípulos estivessem livres da dependência dos bens materiais, recomendou-lhes que “não levassem nada pelo caminho... nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura... que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”). Deveriam confiar, mais que nada, na força da mensagem a ser transmitida.
Esta austeridade de vida estará motivada pelo exemplo de Jesus que “não tem onde repousar a cabeça” (Mateus, 8,20) e pela certeza de serem instrumentos de Deus. Além disso, será um trabalho essencialmente comunitário a ser realizado em equipe (“começou a enviá-los dois a dois”) porque o Reino de Deus não é uma iniciativa pessoal e deve contar sempre com o envio da comunidade.
Mais ainda, será necessário um mínimo de permanência (“quando vocês entrarem numa casa, fiquem aí até partirem”) para garantir a formação de verdadeiras comunidades de fé que tenham condições, por sua vez, de dar continuidade à missão.
Por último, devem estar conscientes de que podem ser “mal recebidos num lugar e o povo não escutar”, pois a mensagem a ser anunciada pode provocar choque e rejeição por parte daqueles que não desejam transformações nem mudança de vida, mas, nem por isso, devem se preocupar (“sacudam a poeira dos pés como protesto contra eles”). A responsabilidade final sempre será daqueles que se fecharem à verdade.
Palavra de Deus na vida
O dom da fé, como todos os dons de Deus, é expansivo pela sua natureza. Isto significa que, se realmente o valorizamos, devemos sentir a necessidade de comunicá-lo a todas as pessoas do nosso entorno. Neste sentido, é de se esperar de nós, discípulos de Jesus, que estejamos dispostos a participar da ação evangelizadora da Igreja por meio das pastorais que se organizam na comunidade eclesial para tal fim.
A vida cristã não pode estar separada da missão evangelizadora. Devemos ser todos missionários, ao menos, com a nossa própria vida. O Evangelho que o povo lê com maior facilidade, e melhor entende, não está nas páginas da Bíblia; ele está escrito na vida dos que somos cristãos. Nosso comportamento é a referência que as pessoas têm para valorizar a autenticidade e a validade de nossa fé.
Por isso devemos pensar que, quando participamos das diversas pastorais da Igreja, estamos oferecendo as nossas mãos para que continuem a ser feitas as obras de amor ao próximo necessitado; estamos o usando os nossos pés para ir ao encontro dos que ainda não descobriram Aquele que é o Caminho; estamos emprestando nossos olhos da alma para que as pessoas possam ver o mundo à luz da fé; estamos colocando nossa boca a serviço da Palavra de Deus e ser transmitida; estamos dispondo nosso próprio espírito para que o Espírito do Senhor ore em nós em favor de todos aqueles que procuram a Deus de coração sincero; estamos entregando o nosso coração para que Cristo ame em nós ao Pai e à humanidade toda.
Participar das pastorais da comunidade é oferecer nossa pessoa para que o Senhor Ressuscitado possa crescer em nós e seja Ele quem age através de nossa colaboração na obra da evangelização.
Pensando bem...
+ Para completar a reflexão sobre a Palavra de Deus, neste domingo, podemos pensar no que certo autor escreveu há algum tempo atrás:
“Nós, cristãos, como discípulos que somos de Jesus, somos enviados pelo Senhor... não propriamente para fazer prosélitos, e sim, para fazer irmãos!
- Fazer discípulos e não mestres…
- Fazer pessoas e não escravos…
- Fazer servidores e não gente acomodada…
- Fazer pessoas dialogantes e não donos da verdade...
- Fazer gente que assume um ideal e não meros expectadores...
- Fazer profetas da esperança e não agoureiros...
- Fazer pessoas livres e não gente reprimida...
- Fazer amigos de caminhada. Fazer pessoas acolhedoras, capazes de amar, de ser presença... de ter paciência...
O Senhor nos diz: Fazei discípulos meus... sede “irmãos”.
padre Ciriaco Madrigal




"Os doze partiram e pregaram que todos se convertessem"
Domingo do envio dos doze apóstolos. Celebrando nossa Páscoa semanal, fazemos memória de Jesus Cristo, que chamou e enviou os Apóstolos em missão e nos confia a continuidade de sua missão. Recebemos do Senhor a missão de pregar a conversão e o dom de expulsar o mal da vida das pessoas.
Celebramos a Páscoa de Jesus Cristo que se manifesta em todas as pessoas e grupos que se dedicam a cuidar da vida e da saúde dos pobres.
Neste encontro celebrativo, o Senhor nos fortalece e nos ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração a serviço do Reino de Deus para que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.
Primeira leitura - Amós 7,12-15
Amasias é sacerdote do templo real de Betel e expulsa com maus modos o profeta Amós (vs. 12-13). O profeta Amós responde que não foi ele quem escolheu essa missão: ele estava satisfeito com a sua profissão de "pastor e cultivador de sicomoros" (v. 14. Foi o Senhor que "o tirou da guarda do rebanho" e foi o Senhor - nota-se a repetição - que lhe disse para ir profetizar em seu Nome ao seu Povo: v. 15). Só o Senhor é que pode  fornecer explicações.
Amós pertence ao começo dos profetas clássicos, um novo tipo de profetas, não mais videntes, mas representantes dos movimentos de renovação religiosa. Eles se sabem enviados por Deus mesmo a regiões fora de sua jurisdição natural, com uma mensagem de conversão.
A missão do profeta é muitas vezes muito difícil. Nós não nos fazemos profeta: Deus é que chama, mesmo a quem aparentemente não está preparado: por exemplo, Amós, pastor e agricultor. Amós apela para esta missão "forçada", quando o sacerdote de Betel (em Israel, no Norte), farto de suas críticas o quer mandar de voltas para sua terra, Judá (no Sul).
Como vimos na liturgia de Domingo passado, a missão do profeta não é fácil. O profeta deve falar em nome de Deus e facilmente vai descontentar alguém. Neste caso, é evidente o embate de Amós com os interesses dos sacerdotes do templo real de Betel.
O termo "vidente" (v. 12), que na boca de Amasias pretende ser depreciativo, exprime ao invés uma característica importante do profeta: ele não é apenas alguém "que fala" em nome de Deus, é também alguém "que vê" as coisas como Deus as vê. Amós defende-se recordando que o ofício de profeta não é um ofício que qualquer pessoa pode escolher para se governar. Pelo contrário, é uma vocação divina e uma missão divina. O profeta é apenas um instrumento escolhido por Deus e enviado ao povo de Israel (vs. 14-15). Mas reside aqui também a sua dignidade: quem desprezar o mensageiro, despreza Aquele que o enviou. Daqui deriva também a sua responsabilidade: Amós deverá cumprir a sua missão apesar da desaprovação de muitos.
Salmo responsorial 84/85,9-14
O Salmo 84/85 é uma súplica coletiva. Do meio do povo surge uma voz, falando em nome de Deus. Esse profeta anônimo afirma que Deus anuncia a paz para quem Lhe é fiel (v. 9). Paz, para o povo da Bíblia, é plenitude de bens e de vida. A salvação está próxima e a glória de Deus vai habitar outra vez na terra (v. 10). O universo inteiro vai participar de uma grande coreografia. É a dança da vida que está para começar. Já se formam os pares: Amor e Fidelidade, Justiça e Paz, Fidelidade e Justiça (vs. 11-12). É uma coreografia universal, pois da terra brota a Fidelidade, e do céu brota a Justiça. A coreografia do universo inicia uma grande procissão que percorre a terra. À frente vai a Justiça, atrás segue o Senhor e, depois Dele, a Salvação (v. 14). Como isso vai se concretizar? Na troca de dons. O Senhor dá chuva à terra, e a terra dá fruto (v. 13), para o povo viver e celebrar sua fé, alegrando-se com Deus.
Tudo leva a crer que o Salmo surgiu em tempo de seca (v. 13a) e fome. Sem a terra produzindo seus frutos, o povo está sem vida e não tem motivo para festejar. É, portanto, um clamor pela vida que brota da terra. Pede-se que Deus responda com a salvação, dê chuva à terra, para que a terra dê frutos e vida para o povo celebrar. Surgirá, então, uma grande celebração, a festa da vida, abraçando todo o universo: uma dança que envolve Deus e o povo, o céu e a terra, dando início à procissão da vida. Deus caminha com seu povo, precedido pela Justiça e seguido pela Salvação.
O Salmo revela o rosto de Deus. Amor e Fidelidade, Justiça, Paz e Salvação são as características do rosto desse Deus que caminha com seu povo. Ele habita o céu, mas da terra faz brotar a Fidelidade (v. 12). Fidelidade e Justiça enlaçam céu e terra em perfeita harmonia.
Além disso, o Salmo mostra que o Deus de Israel está ligado à terra, símbolo da vida. Entre Deus e a terra há um diálogo aberto e uma troca de bens. Deus dá a chuva, e a terra dá alimento ao povo; o povo, por sua vez, festeja com Deus, oferecendo os primeiros frutos.
É fundamental estabelecer algumas relações deste Salmo com Jesus. Ele é o Amor e a Fidelidade de Deus para a humanidade (João 1,17), o verdadeiro Caminho para a Vida (João 14,6). O velho Simeão, ao tomar o Menino Jesus no colo, afirma estar vendo a glória divina habitando no meio do povo (Lucas 2,32). Jesus perdoou pecados e, em lugar de ira, mostrou-se misericordioso, manso e humilde de coração para com os pequenos e pobres, restaurando a vida dos que eram oprimidos. O profeta por excelência será Jesus Cristo, o perfeito e definitivo revelador da Palavra e do rosto do Pai.
Neste Salmo, peçamos que o Senhor nos dê a capacidade de ouvir e responder ao seu chamado.
Segunda leitura - 2Efésios 1,3-14
O prólogo/hino com o qual começa a Carta aos Efésios é de uma solenidade extraordinária. Deus é "bendito"porque "nos abençoou em Cristo" (v. 3), em Cristo nos escolheu (versículo 4) e "predestinou a fim de sermos seus filhos adotivos" (v. 5), "por Ele temos a redenção" (v. 7), "deu-nos a conhecer o mistério da sua vontade" (v. 9), ou seja, o desígnio de "instaurar todas as coisas em Cristo" (v. 10). E escuta do Evangelho nos traz o selo do "Espírito Santo" (v. 13), "penhor da nossa herança" (v. 14).
As cartas de Paulo logo após a saudação têm uma ação de graças ou um hino. A segunda leitura da Missa de hoje é justamente o hino introdutório da Carta aos Efésios, que de modo poético e sucinto resume toda a história da salvação. O texto pertence ao gênero literário das bênçãos (cf. 2Coríntios 1,3; 1Pedro 1,3) muito freqüente na liturgia judaica, bastando lembrar que a principal oração dos judeus são as "18 bênçãos". 
Todas as bênçãos têm sua origem em Deus, por esta razão Paulo se eleva ao plano celeste, e lá se mantém em toda a carta, Efésios 1,20: Cristo; Efésios 2,6; Igreja Efésios 3,10: fiéis; e até os espíritos maus (Efésios 6,12) para demonstrar o caráter radical da vitória de Cristo. É o Deus, não só Criador, mas o Deus Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos abençoa. Paulo nos associa à confissão de fé na Filiação  divina de Jesus, e indica que as bênçãos em nós são fruto da ação do Espírito, por conseguinte, bênçãos espirituais.
O termo "mistério" (v. 9) serve para Paulo pra resumir numa palavra tudo o que - e não era certamente pouco - ele tinha compreendido de Deus, de Cristo, da Igreja, as Salvação, da Redenção, da Revelação, do Evangelho. O mistério tem quatro etapas. A primeira é o mistério de Deus. Não se trata do mistério de Deus em Si mesmo, mas do Seu projeto eterno de criar, redimir e santificar toda a Humanidade. Esse mistério de Deus torna-se "o mistério de Cristo" (segunda etapa) revelando-se e realizando-se plenamente em Cristo, na Sua vida, morte e ressurreição. O "mistério do Evangelho" constitui a terceira etapa: o Evangelho é Cristo anunciado, com toda a força da revelação e da salvação que o próprio Jesus tinha. A quarta etapa é o "mistério da Igreja", que continua e torna visível no tempo e no espaço o mistério de Deus, de Cristo e do Evangelho. O elo de união das quatro etapas é constituído pelo Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida.
Evangelho - Marcos 6,7-13
O texto relata a versão de Marcos do discurso missionário. Jesus chama os doze e envia-os "dois a dois", transmitindo-lhes o Seu "poder sobre os espíritos impuros" (v. 7); quanto menos coisas levarem com eles, melhor: só bastão e sandálias; não devem levar "pão", nem sacola, nem "dinheiro" (cf. vs. 8-9. Podem entrar nas casas (v. 10); e se não forem recebidos por alguém, irão para outro lugar. Eles partem, convidam à "conversão" (v. 12), "expulsam os demônios" e "curam os doentes" (v. 13).
Comparando com Mateus e Lucas, Marcos é o evangelista que mais insiste sobre a missão dos Doze (Mateus prefere chamar-lhes "discípulos, e Lucas "apóstolos), serão eles o elo de ligação entre Jesus e a Igreja.
Marcos distingue e destaca três momentos que lhes dizem respeito: a vocação (capítulo 1); a instituição (capítulo 3); e a missão (capítulo 6). Os Doze são, além disso, apresentados sempre junto de Jesus para "assimilarem a Sua doutrina. Deverão continuar a missão de Jesus e, por isso recebem o Seu "poder sobre os espíritos impuros" e para "curar" os doentes (cf. vs. 7.13). Já que a sua força deriva só do Senhor, devem deixar tudo (vs. 8,9). Deslocarão de terra em terra, com o Mestre, e como Ele serão por vezes recebidos e outras vezes não (vs. 10-11). Mas deverão continuar a anunciar o Evangelho da "conversão" (v. 12). Rejeitando os Apóstolos, eles privam as pessoas que os rejeitam de qualquer esperança. Até o pó que fica na sola do sapato é contaminado e "poluído" por este gesto de rejeição e se torna terra condenada. No dia do juízo este gesto será alegado contra eles como testemunho do descaso e da incredulidade deles.
Os Doze recebem o poder de Jesus sobre os maus espíritos (Marcos 6,7; cf. Marcos 1,27; 3,15 etc.). Jesus não foi bem recebido em Nazaré (Evangelho de Domingo passado, Marcos 6,1-6); o mesmo pode acontecer com os apóstolos (Marcos 6,11). Os apóstolos pregam a conversão (Marcos 6,12) como Jesus (Marcos 1,14-15). Expulsam como Ele (cf. Marcos 3,22) os demônios (Marcos 6,13a) e curam como Ele (cf. 6,5b) os doentes (Marcos 6,13b). Sem negar a historicidade destas missão, pode-se dizer que nos elementos citados transparece mais a teologia-de-missão do evangelista Marcos.
Na missão dos Doze está claramente refletida a missão perene da Igreja fundada por Cristo.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
Como Deus chamou Amós (primeira leitura) e os outros profetas da primeira Aliança e os enviou a falar em seu Nome, assim Jesus chama e envia os Doze em missão (Evangelho), para proclamarem a sua missão evangelizadora. Os Doze são o núcleo primordial da Igreja, que é chamada e enviada a continuar, no tempo e no espaço, a missão de Jesus e dos Doze. É explícita e forte a relação com a missão de Jesus: o mesmo conteúdo evangelizador; as mesmas dificuldades; os mesmos poderes divinos (sobre o mal e sobre as doenças); as mesmas modalidades missionárias (não fundadas sobre meios humanos poderosos e eficientes, mas sim sobre a pobreza que caracterizou o ministério de Jesus). Como Amós, como Jesus, como os Doze, também a Igreja na sua missão encontrará dificuldades, mas não podemos ter medo, tudo está previsto.
A Palavra de Deus deste Domingo nos lembra que o seguimento de Jesus acontece no comum do dia-a-dia: trabalhando em conjunto, comunitariamente, com desprendimento e disponibilidade; anunciando a Boa Nova, não como simples funcionário, mas como profeta, respondendo a uma missão divina que não se escolheu, porém para a qual se foi escolhido antes da criação do mundo e enviado como servidor do povo. Escolha que é graça, e também exigência de sobriedade, recusa de privilégio social e econômico; autentico desprendimento pessoal em um serviço nem "profissional nem funcional.
A nossa vivência religiosa tem conseqüência social, política e econômica. Esta foi a postura de Jesus. É o próprio Evangelho que nos propõe fazer política, isto é, ação transformadora. Contudo, não uma política segundo os interesses do "rei" ou dos poderosos, mas conforme o Evangelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça e da opção pelos pobres.
Como discípulos e discípulas de Jesus, recebemos uma missão frente o capitalismo mundial, imperialista, invasor, explorador e excludente que não respeita o direito internacional da convivência entre os povos. Também junto aos movimentos populares, os quais lutam pelos direitos das minorias, temos a proposta de Jesus a oferecer.
Fomos marcados por Cristo com o Espírito Santo para assumirmos a ação transformadora de Deus. O compromisso do cristão é fazer com que este mundo de injustiça se converta numa sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão, que não é uma questão moral somente, mas a modificação integral de nossa maneira de viver.
Nossa celebração, assumindo a simplicidade como estilo e tendo como eixo a Aliança de Deus com o seu povo, é sinal bem visível e profundo do Reino anunciado por Jesus e nos firma na mesma missão de vencer o mal e anunciar a salvação.
Como seguidores de Jesus, temos o Reino como projeto, causa e missão?
A Palavra se faz celebração
O horizonte da gratuidade
A celebração nos faz rever nossas pretensões institucionais. O espírito expansionist


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