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Comentários em: Proclamar princípios é mais belo ainda do que descobrir mundos! (Victor Hugo) Mon, 29 Jun 2026 10:06:09 +0000 hourly 1


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150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal Proclamar princípios é mais belo ainda do que descobrir mundos! (Victor Hugo) Fri, 10 Oct 2025 14:32:47 +0000 pt-PT hourly 1 /wp-content/uploads/sites/20/2018/12/cropped-logo_1-32x32.png 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal 32 32 CONFERÊNCIA | Sistemas prisionais contemporâneos em Portugal | Modelos penais e reinserção social /2021/09/16/1539/ Thu, 16 Sep 2021 15:50:14 +0000 /?p=1539 Organização Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas / Arquivo Nacional da Torre do Tombo Instituto Universitário de Lisboa. Centro de Investigação e Estudos em Sociologia Coordenação e moderação Maria João Vaz Local e Data Lisboa Arquivo Nacional da … Continuar a ler → The post CONFERÊNCIA | Sistemas prisionais contemporâneos em Portugal | Modelos penais e reinserção social first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Organização Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas / Arquivo Nacional da Torre do Tombo Instituto Universitário de Lisboa. Centro de Investigação e Estudos em Sociologia Coordenação e moderação Maria João Vaz Local e Data Lisboa Arquivo Nacional da Torre do Tombo 19 de outubro 2021 | 14h30 – 18h00 Boletim de inscrição Inscreva-se aqui Descarregar PROGRAMA aqui Download PROGRAM here PROGRAMA 14h30 Sessão de abertura Silvestre Lacerda, Diretor- Geral da DGLAB 14h50 | 15h10 O parque prisional português: o roteiro centenário de materializações penitenciárias Paulo Jorge Antunes dos Santos Adriano 15h10 | 15h30 De presas comuns, meretrizes e vadias: uma curta viagem de Madrid a Lisboa Fernando Hernández Holgado 15h30 | 15h50 The Portuguese and Swiss Sanction practice compared Daniel Fink 15h50 | 16h20: INTERVALO 16h20 | 16h50 Panorama atual da realidade do Sistema Prisional português Manuel Hipólito Almeida dos Santos 16h50 | 17h10 A justiça restaurativa em Portugal Sónia Moreira Reis 17h10 – 17h40 Debate 17h45 – 18h00: EXPOSIÇÃO “Projeto Fotográfico Prisões Portuguesas” Inauguração e visita guiada à Exposição The post CONFERÊNCIA | Sistemas prisionais contemporâneos em Portugal | Modelos penais e reinserção social first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> A última execução em Lisboa 1842 | The last execution in Lisbon 1842 /2017/09/06/a-ultima-execucao-em-lisboa-1842-the-last-execution-in-lisbon-1842/ Wed, 06 Sep 2017 09:56:03 +0000 Relato ilustrado por Ilustrações / Illustrations: Sandra Duarte “Pelas dez horas e meia do dia 16 de [abril] de 1842, dirigiu-se para o Limoeiro, tangendo a campainha, a Irmandade da Misericórdia, levando à frente o painel que tinha num dos lados a imagem … Continuar a ler → The post A última execução em Lisboa 1842 | The last execution in Lisbon 1842 first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Relato ilustrado por Ilustrações / Illustrations: Sandra Duarte “Pelas dez horas e meia do dia 16 de [abril] de 1842, dirigiu-se para o Limoeiro, tangendo a campainha, a Irmandade da Misericórdia, levando à frente o painel que tinha num dos lados a imagem da Virgem, cobrindo com o manto os pecadores e a seus pés as grades de um cárcere, através das quais se divisava o rosto de um preso. Do outro lado do painel via-se a imagem da Nossa Senhora da Piedade. Juntamente com os irmãos iam os condutores da tumba, conduzindo um deles doces e bebidas para oferecer ao condenado, e dois outros, cada um com uma alcofa, destinadas a recolher os donativos no trajeto para a forca, e que seriam empregados em missas por alma do condenado. Seguia-se um padre arvorando um crucifixo, ladeado por quatro acólitos com tochas acesas. Após caminhavam os oficiais de justiça, fechando o préstito uma força militar. Chegado ao Limoeiro, todo este cortejo entra no edifício, desfilando em frente de Matos Lobo, que estava no oratório. Aproximam-se então o carrasco e o seu ajudante e recebem das mãos do irmão da Misericórdia a alva e a corda que viera da Relação, e cuja solidez fora já experimentada. Começa a toilette do condenado. Vestem-lhe a alva, põem-lhe ao pescoço o laço de corda e atam-lhe com o restante as mãos, passando-a em volta da cintura; descalçam-no e fazem-no sentar numa cadeira de espaldar e braços, com dois varais, em que dois condutores pegam, erguendo-o e conduzindo-o para a frente de um altar, previamente armado, onde é rezada uma missa por sua intenção. O prior de Marvão, tão pálido como o condenado, é que lhe assiste, exortando-o. Finda a missa, organiza-se o préstito e põe-se em marcha. São 11 horas. O largo regurgita de espetadores e todas as janelas estão apinhadas. Rompe marcha um piquete de cavalaria e segue-se a campainha tocando compassadamente; depois as alcofas recolhendo esmolas, o painel e a Irmandade da Misericórdia, o sacerdote com o crucifixo, voltando-o para o condenado que vem após, sentado na sua cadeira e conduzido por dois forçados, cujas grilhetas soam nas pedras da calçada, vestindo calças de riscado azul, jaquetas brancas e suspensos nos braços os seus chapéus à caçadora. Atrás do condenado seguem o carrasco e o seu ajudante, hirtos nas suas sobrecasacas negras, debruadas de amarelos. Vêm depois os representantes da justiça, em seges de praça – um juiz e três escrivães – fechando o cortejo uma força de infantaria, a qual destacara várias praças que ladeavam todo o préstito. O cortejo desce, parando um momento em frente do Aljube. [O cortejo faz] nova paragem em frente da Madalena. Matos Lobo parece que vai já morto. No Largo do Pelourinho, abre os olhos e torna-os a cerrar, como se a luz do Sol lhos ferisse. Durante o trajeto da Rua do Arsenal ao Largo do Corpo Santo, a sua cabeça bamboleia como coisa inerte. Ressoam nas torres as últimas badaladas do meio-dia quando o cortejo chega em frente da casa onde se cometeu o crime, junto ao Arco Grande, na Rua de S. Paulo. A multidão ali é mais compacta e comprime-se, curiosa. Em cumprimento da sentença, o cortejo dá três voltas em torno do prédio e para em frente da entrada, ficando o condenado em face da porta. O escrivão entra e assoma à sacada, e, impondo silêncio à multidão, lê a sentença. Em seguida, o padre, tomando o mesmo lugar, faz uma breve alocução sobre o ato e lê a declaração escrita e assinada pelo réu, da confissão do seu crime, em que dizia que o tinha praticado sem cúmplices, movido apenas por uma cega paixão e sem ideia de roubo. Finda a leitura, o padre fez ainda umas pequenas observações e desce a tomar o seu lugar no préstito, que se põe em marcha, passando pelo Arco Pequeno, seguindo para o Conde Barão e entrando, por fim, no Cais do Tojo da Boavista. É uma hora e um quarto. A forca ergue-se sinistra, rodeada por um cordão de soldados. Os irmãos da Misericórdia desligaram o condenado e levaram-no em braços até à escada fatal, onde o executor e o seu ajudante apoderam-se dele e o vão subindo quase em peso, parecendo puxar um cadáver. Enquanto um lhe ampara o corpo, o outro passa no gancho o baraço, subindo uma escada de mão. Neste momento, deu-se um incidente singular. O prior de Marvão procura reconfortar o condenado, mas, subitamente, cai morto. Fulminara-o uma apoplexia. Eleva-se um grande clamor na multidão e o corpo do sacerdote é imediatamente retirado na cadeira onde viera o condenado. No entanto, a execução prossegue. Um padre chamado Sales toma o lugar do prior. O rosto de Matos Lobo é tapado com o capuz da alva e o condenado, com o algoz escarrachado sobre ele, é precipitado no espaço. As pernas do verdugo, porém, resvalam, e ele, para não cair, segura-se à corda. Por momentos, veem-se os dois pendurados, um pelas mãos, outro pelo pescoço, debatendo-se na agonia da sufocação. Por fim, o carrasco, num derradeiro esforço, consegue firmar-se sobre o padecente e completar a execução. Durou o suplício 15 minutos. O corpo de Matos Lobo foi depois metido na tumba da Misericórdia, e, acompanhado por um padre e 20 soldados de cavalaria, conduzido para o cemitério dos Prazeres. O corpo do prior de Marvão foi transportado por quatro galegos, obrigados por soldados, para sua casa, e de lá para a Igreja de Santiago, de onde saiu o funeral para o Alto de S. João. O padre Sales, que também caiu desfalecido, foi conduzido em braços, para uma casa próxima, e de lá seguiu, em sege, para a sua residência.” Relato da imprensa da época, transcrito no Diário de Lisboa de 7 de março de 1922.The post A última execução em Lisboa 1842 | The last execution in Lisbon 1842 first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Portugal, protagonista da luta contra a pena de morte /2017/07/07/portugal-protagonista-da-luta-contra-a-pena-de-morte/ Fri, 07 Jul 2017 15:12:01 +0000 Augusto Santos Silva Ministro dos Negócios Estrangeiros Hoje, recordamos que Portugal foi um país absolutamente pioneiro na abolição da pena da morte. Passam 150 anos sobre esse dia 1 de julho de 1867 em que foi aprovada a Carta de … Continuar a ler → The post Portugal, protagonista da luta contra a pena de morte first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Augusto Santos Silva Ministro dos Negócios Estrangeiros Hoje, recordamos que Portugal foi um país absolutamente pioneiro na abolição da pena da morte. Passam 150 anos sobre esse dia 1 de julho de 1867 em que foi aprovada a Carta de Lei da Abolição da Pena de Morte. No nosso como na generalidade dos outros países abolicionistas, a abolição foi um processo e não um evento único. Já em 1852 havia sido revogada a pena capital para quaisquer delitos políticos; em 1867, estendeu–se a todos os crimes civis; em 1916, foi reposta para crimes de traição em cenário de guerra com país estrangeiro, eventualidade que a Constituição de 1933 manteve no essencial; até que, finalmente, a Constituição de 1976 terminou com qualquer exceção ou ambiguidade, estabelecendo cristalinamente no seu artigo 24.º: “1. A vida humana é inviolável. 2. Em caso algum haverá pena de morte.” A recusa da pena de morte, como a recusa de qualquer forma de tortura, assim como dos tratamentos e penas cruéis, degradantes e desumanos, é um dos valores éticos e um dos princípios políticos e jurídicos mais bem estabelecidos no Estado e na sociedade portuguesa. Nenhuma corrente de opinião o coloca minimamente em causa. Este consenso é um dos mais fortes pilares da afirmação coletiva como um país de genuína tradição humanista e do crédito internacional que, por isso, merece. Mas vamos mais longe, e eis o que gostaria de pôr em relevo, neste dia, no quadro das minhas responsabilidades na condução da nossa política externa. Portugal tem feito do abolicionismo uma das traves mestras da sua diplomacia, intervindo ativamente nesse sentido em todas as instâncias internacionais, e no quadro mais geral da promoção dos direitos humanos. Prosseguimos esta linha em três planos complementares. Em primeiro lugar, através do nosso próprio exemplo. Somos parte de todos os instrumentos internacionais e regionais mais relevantes para a questão, e nomeadamente daqueles que desenvolvem o disposto no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e na Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Submetemo-nos a todas as obrigações de cumprimento e avaliação deles decorrentes. Em segundo lugar, através da ação nas organizações multilaterais. Na União Europeia, contamo-nos entre os Estados membros que mais insistem na defesa dos chamados critérios de Copenhaga, que incluem a abolição da pena de morte como uma das condições indispensáveis para a apresentação de qualquer candidatura de adesão. Somos “chefes de fila” da União no âmbito do Conselho da Europa para a luta contra a pena de morte; e foi durante a nossa presidência europeia de 2007 que se organizou, em Lisboa, a conferência internacional de que resultou a definição do 10 de Outubro como Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte. Também foi nesse ano e nesse âmbito que se aprovou pela primeira vez, na Assembleia Geral das Nações Unidas, a resolução apelando à moratória de aplicação da pena de morte nos países que ainda a mantêm nas respetivas legislações. Desde então, a resolução, bienal, tem sido regularmente aprovada. Portugal participa na ação de campanha pela abolição pura e simples, que se realiza todos os setembros à margem do segmento de alto nível da Assembleia Geral. A luta contra a pena de morte constitui uma das prioridades do nosso corrente mandato no Conselho dos Direitos Humanos. E temos, evidentemente, muito orgulho no facto de a ausência de pena de morte ser um dos requisitos de pertença à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa realizando tudo o que está ao nosso alcance para que ele seja integralmente respeitado, sem qualquer subterfúgio. Em terceiro lugar, a agenda dos direitos humanos é um tópico sempre presente no nosso relacionamento bilateral. De um modo que nos é querido – e é, aliás, uma das razões da credibilidade de que gozamos, também neste domínio, na cena internacional. Não pretendemos ser donos da verdade, ou dispor de qualquer superioridade moral. A firmeza das nossas convicções no respeito pela inviolabilidade e a dignidade da vida humana vai de par com a consciência das circunstâncias e vicissitudes do processo histórico que a ele conduziu, e das incompletudes que ainda verificamos no cumprimento prático das suas consequências. Queremos ser parceiros e não mestres ou juízes dos demais. O que dizemos, a todos, são duas coisas muito simples. Dizemos que a pena de morte é um ato bárbaro, contrário à lógica da justiça (porque impede liminarmente a correção tempestiva de eventuais erros judiciários e a reabilitação dos culpados) e, como instrumento de dissuasão, ineficaz e até contraproducente. E dizemos que a nossa experiência, como povo e como Estado, é que a ausência de tratamentos e penas indignas nos tem tornado mais seguros, mais humanos, mais coesos. E não é este um altíssimo valor, que justifica júbilo, orgulho e celebração? Claro que é. Com a responsabilidade inerente de contribuir para a sua disseminação em todo o mundo. Carta de lei pela qual D. Luís sanciona o decreto das Cortes Gerais de 26 de junho de 1867 que aprova a reforma penal e das prisões, com abolição da pena de morte. 1867-06-26 a 1867-07-01. Portugal, Torre do Tombo, Leis e ordenações, Leis, mç. 31, n.º 64.  DN, 01 DE JULHO DE 2017 The post Portugal, protagonista da luta contra a pena de morte first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE (1867) /2017/07/03/abolicao-da-pena-de-morte-1867/ Mon, 03 Jul 2017 12:34:38 +0000  “Desde hoje, Portugal está à frente da Europa. Vós, os portugueses, não haveis cessado de ser navegadores intrépidos. Ides sempre para a frente, outrora no Oceano, hoje na Verdade. Proclamar princípios é ainda mais belo do que descobrir mundos.”Carta de … Continuar a ler → The post ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE (1867) first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]>  “Desde hoje, Portugal está à frente da Europa. Vós, os portugueses, não haveis cessado de ser navegadores intrépidos. Ides sempre para a frente, outrora no Oceano, hoje na Verdade. Proclamar princípios é ainda mais belo do que descobrir mundos.”Carta de Victor Hugo a Brito Aranha, de 15 de julho de 1867. (1)   A 27 de fevereiro de 1867, Barjona de Freitas, Ministro dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, apresenta, na Sala das Sessões da Câmara dos Deputados, uma proposta de lei sobre a reforma penal das prisões, que contempla a abolição da pena de morte para os crimes comuns. (2)  Retrato de Barjona de Freitas, de Columbano Bordalo Pinheiro, 1909. Assembleia da República. O Ministro enuncia como principal objetivo a reforma das prisões, “acomodando-as aos progressos da penalidade e assegurando-lhes as indispensáveis condições de capacidade, segurança e salubridade”. Entre as disposições da proposta, destaca-se a abolição da pena de morte nos crimes civis, invocando-se a “voz da humanidade e do sentimento”, “os ditames da ciência e as tendências da civilização”, mas também as estatísticas que demonstram a inutilidade daquela pena, abolida de facto desde 1846, sem que se verificasse qualquer aumento da criminalidade. Defende, assim, a adequação da legislação à realidade, pois “se se não executa, se contra a sua execução se insurgiria o sentimento e a consciência pública”, não há razão para manter “essa antinomia entre as leis e os costumes”. Também a pena a trabalhos públicos é suprimida, tendo por base a constatação da “esterilidade do trabalho forçado, que abatendo a dignidade do homem extingue nele a espontaneidade das faculdades individuais e nivela com o do escravo o seu trabalho”. Proposta de lei sobre a reforma penal das prisões, 1867. Na Câmara dos Deputados, o debate sobre a iniciativa tem lugar nos dias18 e 21 de junho de 1867, com a maioria dos Deputados a acolher favoravelmente a proposta para a abolição da pena de morte.  Sala das Sessões dos Pares do Reino, inaugurada em janeiro de 1867. Desenho sobre fotografia de Francisco Rocchini. O Deputado Santana e Vasconcelos exalta o feito, afirmando: “Portugal podia estar hoje abatido e pequeno, mas na minha opinião, pelo simples facto de abolir a pena de morte, coloca-se à rente da civilização europeia, e é neste momento solene uma das primeiras nações do mundo.”Aires de Gouveia, Deputado que, em 1863, apresentara iniciativas para eliminar o ofício de carrasco e para abolir a pena capital, considera a condenação à morte “ilegítima”, “desnecessária”, “inútil” e “absurda” e defende a sua supressão para todos os crimes, incluindo os militares. No seu entendimento, a função da pena é corrigir o culpado e não vingá-lo: “A pena de morte, decerto, que não corrige; o cadáver não se corrige. Todo o facto que não tiver por consequência necessária e imediata a correção moral do sujeito culpado, não pode denominar-se pena. Chamem-lhe castigo, satisfação social, vingança, o que quiserem, mas nunca pena. Corrigir, moralizar, regenerar, reabilitar para a vida social deve ser o fim supremo da penalidade. (…)”. Exalta o pioneirismo de Portugal nesta questão, país que, antes de o primeiro Estado abolir a pena de morte – a Toscana em 1774 – a aboliu, na prática, em relação às mulheres, em 1772, data em que foi, pela última vez, executada uma mulher. Relativamente aos homens, recorda a última execução 21 anos antes, em 1846, na cidade de Lagos, considerando, assim, que a abolição “chegou à maioridade; está emancipada” e que, portanto, deve ser consignada na lei. Durante o debate, apresentam-se algumas vozes dissonantes, nomeadamente dos dois Deputados que votam contra a proposta: Cunha Salgado, que acusa a Câmara de se deixar “arrastar por essa ideia mágica e sedutora da abolição da pena de morte”, e Belchior Garcês, que justifica a sua posição pelo atraso civilizacional de Portugal e pela desnecessidade de abolir na lei uma pena que na prática não se aplica. Curiosamente, este último argumento da “abolição na prática” é utilizado em sentido contrário pelos defensores da “abolição na lei”, como os já citados Barjona de Freitas e Aires de Gouveia, que buscam a coerência entre a legislação e os costumes. Outros parlamentares apresentam críticas à iniciativa, caso de Faria Barbosa que considera que as “leis tendem e muito a favorecer os criminosos”, em detrimento da segurança dos cidadãos, e de Faria Rego, que argumenta contra a abolição nos “crimes de assassínio, incendiário e moedeiro falso”, entendendo que “a pena é legítima quando a sociedade o exige e reclama, e ilegítima quando dela não precisa” e que Portugal não está “em estado de receber a lei”, quando “as nações mais adiantadas e mais moralizadas, a França, a Inglaterra, a Itália, a Bélgica que tantas vezes aqui se apresenta para modelo, ainda a não aboliram”. Intervenções contrárias que não condicionam a aprovação da proposta por larga maioria na Câmara dos Deputados e também na Câmara dos Pares, na sessão de 26 de junho. A carta de lei de 1 de julho de 1867, abolindo a pena de morte para crimes comuns, seria amplamente noticiada e aplaudida pela imprensa nacional e internacional. No entanto, também nos jornais portugueses se registam algumas vozes críticas, caso do Distrito de Évora (3), que acusa o Governo de julgar “coroar um imaginário edifício” com a “inviolabilidade da vida”, quando “os alicerces do edifício são de dor, de miséria, e de fome do povo”, do Jornal de Notícias (4), afirmando que “não há forca no código que é uma aparência, mas há a fome, a falta de trabalho, o roubo e a prostituição como refúgios – o que é uma realidade”, e do Revolução de Setembro (5), que defende a legitimidade da pena de morte, uma vez que o homicida desrespeita em primeiro lugar a vida humana. Entre as múltiplas reações favoráveis à lei aprovada, destaca-se a carta de Victor Hugo ao diretor do Diário de Notícias, Eduardo Coelho, publicada naquele jornal no dia 10 de julho de 1867: “Está, pois, a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma tão grande história! (…) Felicito o vosso Parlamento, os vossos filósofos. Felicito a vossa Nação. Portugal dá o exemplo à Europa. Disfrutai de antemão essa imensa glória. A Europa imitará Portugal. Morte à morte! Guerra à Guerra! Ódio ao ódio! Vida à vida! A liberdade é uma cidade imensa da qual todos nós somos cidadãos. Aperto-vos a mão como um meu compatriota na humanidade, e saúdo o vosso generoso e eminente espírito.” Retrato de Victor Hugo. “O Século”, 1 de junho de 1885, p. 1. (1) ARANHA, Brito – Factos e homens do meu tempo: memórias de um jornalista. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, Livraria Editora, 1908. Tomo 2, p. 200. (2) A pena de morte para os crimes políticos é abolida em Portugal em 1852, para os crimes civis em 1867 e para os crimes militares em 1911. Em 1916, durante a Grande Guerra, é resposta “em caso de guerra com nação estrangeira, em tanto quanto a aplicação dessa pena seja indispensável, e apenas no teatro da guerra”. A abolição da pena de morte para todos os crimes só volta a ser consagrada na Constituição de 1976. (3) Distrito de Évora, 27 de junho de 1867. Biblioteca Nacional de Portugal. (4) Jornal de Notícias, 3 de julho de 1867. Biblioteca Nacional de Portugal. (5) Revolução de Setembro, 22 de junho e 6 de julho de 1867. Biblioteca Nacional de Portugal. Imagem do separador: Pormenor do Palácio das Cortes (extinto Mosteiro de S. Bento), Caggiani, c. 1860. Arquivo Pitoresco, vol. 3, n.º 52, 1860, p. 405. Hemeroteca Municipal de Lisboa.Proposta de lei sobre a reforma penal das prisões, 1867. in, COMUNICAR, Boletim da Assembleia da República, Jul_17The post ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE (1867) first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Pena de Morte: porque não falar dela nas escolas? /2017/06/26/pena-de-morte-porque-nao-falar-dela-nas-escolas/ Mon, 26 Jun 2017 17:04:50 +0000 Entre as pessoas que se interessam por questões ligadas à educação para os Direitos Humanos e Cidadania a resposta que dou sobre a utilidade de estudar na escola o tema Pena de Morte (que SIM, deve ser tema prioritário) é … Continuar a ler → The post Pena de Morte: porque não falar dela nas escolas? first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Entre as pessoas que se interessam por questões ligadas à educação para os Direitos Humanos e Cidadania a resposta que dou sobre a utilidade de estudar na escola o tema Pena de Morte (que SIM, deve ser tema prioritário) é muito minoritária. Quando defendo que, por exemplo, na disciplina de História, de qualquer ciclo, esse tema devia ser mais abordado, já sei qual o tipo de reações que vou ter. A mais comum é “não temos pena de morte em Portugal, para quê falar disso? Importante é falar de questões mais próximas.” Ao que contraponho, precisamente por isso. O risco de ressuscitar o tema é diminuto e, ao não falarmos disso, até parece que temos vergonha como Estado e como povo de lembrar algo de que até nos devíamos coletivamente orgulhar. 150 anos sem pena de morte. Além disso, a reflexão sobre a pena de morte cai no domínio do tipo de raciocínio sobre o absurdo e sobre o limite: quem entenda e perceba, por sua própria reflexão, a inutilidade de matar por sanção um criminoso horrífico, vai ter mais abertura à tolerância noutros domínios, por absorção do tipo de raciocínio. Por exemplo, vai pensar de outra forma sobre a tortura ou sobre o tratamento dos presos. E até sobre o racismo e a injustiça em geral. Refletir sobre a pena de morte e sobre as razões porque Portugal é abolicionista é mesmo altamente formativo. Muita gente me diz: “já há muitos alunos a favor da pena de morte. Falar disso vai agravar o problema.” Penso o contrário: por não se falar disso é que o problema se agrava. E contamina outras reflexões dos alunos sobre direitos humanos. Completam-se em 2017, 150 anos sobre a abolição da pena de morte em Portugal (para os crimes não militares). (…) Nas escolas estamos a falar disso? Ou, embrenhados no imediatismo das discussões mais próximas sobre Direitos Humanos e, aparentemente, mais interessantes na utilidade, da violência do namoro ou do racismo (ou outras) perdemos a noção de que a discussão de um tema cultural vasto (alegadamente distante) mas que até interessa aos alunos pode, por via indireta, mas eficaz, ajudar também aí, abrindo vias de reflexão até para o que é quotidiano e imediato. Vitor Hugo foi um escritor que abordou genialmente e como pioneiro o tema. Da sua obra tira-se talvez uma conclusão forte: não é difícil ser contra a pena de morte para um inocente. Difícil é entender porque se tem de ser contra mesmo para um culpado. E pensar sobre isso faz pensar sobre quase todas a vertentes dos Direitos Humanos. E sobre o modelo de sociedade e valores associados. Além disso, os nossos alunos vivem num mundo global. E no mundo global há pena de morte, e muita…. Se nós não temos pena de morte no nosso território, ela ainda existe na Europa (Bielorrússia) e no resto do mundo as execuções estão a aumentar. E não se conta a China (aquele país com quem temos relações comerciais e empresariais tão estreitas…). Texto de Luís Braga,  publicado em 6 Abril, 2016 no Site Comregras The post Pena de Morte: porque não falar dela nas escolas? first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Pena de morte e Constituição – comemorações em risco de esquecimento nas escolas… /2017/06/26/pena-de-morte-e-constituicao-comemoracoes-em-risco-de-esquecimento-nas-escolas/ Mon, 26 Jun 2017 16:57:07 +0000 Completaram-se no passado dia 2 de Abril de 2016, 40 anos sobre aprovação da Constituição da República Portuguesa, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976. Não sei quantas escolas previram no seu plano de atividades anual … Continuar a ler → The post Pena de morte e Constituição – comemorações em risco de esquecimento nas escolas… first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Completaram-se no passado dia 2 de Abril de 2016, 40 anos sobre aprovação da Constituição da República Portuguesa, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976. Não sei quantas escolas previram no seu plano de atividades anual comemorar esse facto mas se não o fizeram foi pena. No meu caso, nesse dia e nas suas redondezas, irei falar aos meus alunos desse tema (que, ainda para mais, faz parte do programa de História do 6º ano). E, não só a propósito do número redondo de anos, mas principalmente pelo conteúdo. A Constituição, mesmo se alguns a discutem, ainda hoje, politicamente (atuação legítima e justa, que mostra uma Democracia, apesar de tudo, viva), tem, naquilo que é essencial, largo consenso dos Portugueses. A sua tendência forte de garantia e defesa dos Direitos Humanos e a definição, nas suas normas, de um Estado de Direito Democrático fazem com que, aquilo que dela é discutido e até contestado, não seja, de forma nenhuma, aquilo que é mais essencial no consenso constitucional de 1976. PODE SER ABORDADA DE MUITAS FORMAS NAS ESCOLAS E, NA VERDADE, O QUE É MAIS TRISTE É QUE NÃO SEJA. Durante 20 anos, tenho percorrido centenas de escolas de todo o país, em sessões sobre temáticas relacionadas com Direitos Humanos, e, sempre que lembrava aos alunos que a Declaração Universal dos Direitos Humanos é lei em Portugal por causa do artigo 16º, nº2 da CRP, pedia para me encontrarem na Biblioteca uma edição atualizada da dita Constituição: em (muito) mais de 50% das escolas, o que aparecia era uma edição desatualizada ou nenhuma …. Numa das escolas (velha escola secundária), nos meados de 1990, ainda me trouxeram uma edição da de 1933…. Uma boa forma de o Estado comemorar os 40 anos era uma boa edição escolar da Constituição, com comentários pedagógicos, para vários níveis etários, por bons especialistas. E não precisava de gastar muito dinheiro. Bastava colocar num qualquer site público…. Já houve edições do género por editores comerciais e há alguns sites com informação mais focada para crianças mas falta estratégia para isso ser mais eficaz, apesar do calor de alguns debates parlamentares passados e algumas iniciativas a aguardar sequência descentralizada. No Brasil, até há versões para crianças em Banda desenhada. 1976 – ANO DA ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE. MAS NÃO FOI HÁ 150 ANOS? Mas, no dia 2 de Abril, passa também outro aniversário redondo, muito importante, e que vai ter sequência em 2017, noutra efeméride que deve ser indispensável, em qualquer plano de atividades de escola que se preze do país que somos… A Constituição de 1976 recolocou Portugal no grupo dos países plenamente abolicionistas da pena de Morte. Se virem a maioria das listas sobre abolição da pena de morte verão que Portugal, ao contrário do que diz a voz pública, só se tornou totalmente abolicionista em 1976. O tema é complexo de explicar todo ele e também nestes detalhes de datas. Muitas vezes, aponta-se a data de 1867 e gabamo-nos, com algum nacionalismo limitado, de termos sido o 1º país do mundo a abolir a pena capital. Não só a questão não é um campeonato como, se fosse, Portugal, mesmo pioneiro, não seria historicamente o primeiro, sendo precedido pelo Japão (ainda na Idade Média, embora tenha reintroduzido e mantenha execuções ainda hoje), Toscânia (hoje desaparecido como País, já que é parte da Itália), Venezuela ou San Marino, por exemplo. Mas a verdade é que sermos uma sociedade abolicionista é algo que deve suscitar reflexão nas escolas mesmo que não sejamos “os campeões”. Na União Europeia fomos claramente os primeiros e  na Europa, como continente, ainda há um país que pratica execuções (Bielorrússia). Em Portugal, em 1911, tinha havido uma decisão do novo poder republicano de abolição total da pena mas, em 1916, com a entrada na 1ª Guerra Mundial, foi reintroduzida para os crimes militares no teatro de guerra e assim se manteve até 1976. Em 1917, chegou a acontecer uma execução na Flandres, de que foi vítima um soldado do corpo expedicionário português. Antes de 1911, e desde 1867, Portugal manteve a pena de Morte para os crimes militares, embora nunca tenha sido aplicada (e quando foi tentado, isso tenha gerado grande clamor público). Mas, para os crimes não cometidos por militares (a óbvia maioria) a pena foi realmente abolida em 1867 (o documento que resultou nessa decisão é tão significativo que está hoje classificado com a marca do património europeu), o que faz com que, em 2017, passem 150 anos sobre a abolição efetiva da pena de morte em Portugal, facto central da nossa História e que as escolas devem comemorar. Muitos me dirão: comemorar isso é “lembrar coisas que não interessa lembrar; já que não há, para quê falar disso?”. Não posso concordar: realmente há muitos estudantes que, questionados sobre o problema, se dizem favoráveis mas isso não deve servir de pretexto para ignorar o assunto mas, sim, para debater, esclarecer e aproveitar o debate para falar de Direitos Humanos. A atitude de não falar do tema pode ser consoladora para os que acham que, evitá-lo, impede manifestações mais públicas da vontade de alguns de voltar atrás e esquecer essa tradição centenária portuguesa (tão antiga que a última mulher executada o terá sido em 1777, isto é, há 240 anos, em 2017, outra data que mereceria comemoração). E não se negue a utilidade de estudar o tema, já que tem contiguidade a outros muito atuais e até pelo seu valor próprio como reflexão educativa. Por essa ordem de ideias negativa, mas valia nem estudar História (ideia que alguns políticos teriam por tentadora). Sendo um facto histórico em Portugal, a abolição da pena de morte ainda é um problema em muitos países do mundo, alguns deles países com quem temos relações estreitas (China) e até em Democracias (Estados Unidos, Japão ou Índia, por exemplo). E estamos a educar os nossos alunos para viverem neste mundo ou num mundo em que os assuntos desagradáveis são afastados por o serem? Por isso, esperemos que, em 2017, haja no máximo de escolas (e quem sabe também por iniciativa do Ministério da Educação, embora a autonomia das escolas valha mais que ficar à espera disso) comemorações, com atividades preparadas e escolhidas pelos alunos, sobre esse facto histórico em que, mesmo não tendo sido os primeiros, devemos como comunidade ter muita satisfação: há 100 anos que o nosso Estado não executa nenhuma condenação à morte e há 150 anos que, no território administrado por Portugal, não há qualquer condenação ou execução. Por aqui, no ComRegras, prometemos divulgar, apoiar e até ajudar a realizar, dentro das nossas possibilidades, até porque, o objetivo de uma escola com paz e sem violência passa principalmente por ter alunos que reflitam com profundidade sobre a sua humanidade e sobre direitos. Por isso essa comemoração será um excelente pretexto pedagógico. Texto de Luís Braga, publicado em 1 de março de 2016 no Site ComRegrasThe post Pena de morte e Constituição – comemorações em risco de esquecimento nas escolas… first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Correspondência trocada entre Vitor Hugo, Eduardo Coelho e Brito Aranha /2017/02/27/correspondencia-trocada-entre-vitor-hugo-eduardo-coelho-e-brito-aranha/ Mon, 27 Feb 2017 12:38:31 +0000 Entre os meses de junho e julho de 1867, a propósito da abolição da pena de morte, Victor Hugo trocou correspondência com dois jornalistas portugueses, designadamente, Eduardo Coelho e Pedro Brito de Aranha. Correspondência trocada entre Victor Hugo e Edurado … Continuar a ler → The post Correspondência trocada entre Vitor Hugo, Eduardo Coelho e Brito Aranha first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]> Entre os meses de junho e julho de 1867, a propósito da abolição da pena de morte, Victor Hugo trocou correspondência com dois jornalistas portugueses, designadamente, Eduardo Coelho e Pedro Brito de Aranha. Correspondência trocada entre Victor Hugo e Edurado Coelho Carta de Victor Hugo ao jornalista Eduardo Coelho publicada no Diário de Notícias de 10 de Julho de 1867. Está pois a pena de morte abolida n’esse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande historia! Penhora-me a recordação da honra que me cabe n’essa victoria ilustre. Humilde operario do progresso, cada novo passo que elle avança me faz pulsar o coração. Este é sublime. Abolir a morte legal deixando á morte divina todo o seu direito, todo o seu mysterio é um progresso augusto entre todos. Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escriptores e os vossos philosophos! Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo á Europa. Disfructae de antemão essa imensa gloria. Morte á morte! Guerra á guerra! Odio ao odio. Viva a vida! A liberdade é uma cidade imensa, da qual todos somos cidadãos. Aperto-vos a mão como a meu compatriota na humanidade. Victor Hugo.The post Correspondência trocada entre Vitor Hugo, Eduardo Coelho e Brito Aranha first appeared on 150 Anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal.]]>


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Commentaires pour 150 ans de l'Annexion de la Savoie - 2010 Journal de bord d'une Annexion, d'un rattachement, d'une réunion hourly 1


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150 ans de l'Annexion de la Savoie - 2010 Journal de bord d'une Annexion, d'un rattachement, d'une réunion Mon, 19 Aug 2024 08:24:39 +0000 fr-FR hourly 1 Remerciements & adieux /2010/02/01/remerciements-adieux/ /2010/02/01/remerciements-adieux/#comments Mon, 01 Feb 2010 08:42:37 +0000 /?p=267   Clio, muse de l'Histoire, à laquelle je me suis voué durant cette chronique Le moment, chers lecteurs, est venu de nous quitter. C’est ici le dernier article d’une série que je suis content d’avoir réalisée, mais dont le sujet n’éveille plus en moi de nouveaux désirs, si j’ose m’exprimer ainsi : je ne vois pas ce que je pourrais ajouter. J’ai essayé d’évoquer des aspects de l’Annexion qui n’étaient pas très connus, et qui sortaient avant tout des livres d’autrefois que j’avais pu lire. Je n’ai pas voulu porter de jugement global trop net sur l’Annexion, car je pense que quand on saisit les faits de l’intérieur, qu’on les place dans son cœur, pour ainsi dire, et qu’on les laisse s’animer d’eux-mêmes, se joindre – ou au contraire se disjoindre – et se constituer en réseaux cohérents, tendant à l’unité, le jugement naît de ses forces propres : il relève soudain de l’évidence, selon moi. Mon opinion, en effet, est que le jugement n’est pas une idée toute faite, ou créée de l’extérieur, qu’ensuite on plaque sur les choses : je crois que les choses portent en elles-mêmes leur valeur, laquelle se fait jour peu à peu, ou alors grâce à l’intuition des historiens, voire des poètes, ou simplement des philosophes. A partir du jugement qui au bout du compte éclôt spontanément de la végétation des faits, le politique agit : comme le comte de Savoie dans la Genève médiévale, il exécute ce qu’il faut exécuter (car on sait que le comte de Savoie a hérité de la charge du vidomnat, à Genève, qui lui permettait d’exécuter les décisions des juges liés à l’Évêque, auquel bien sûr revenait la souveraineté sur la cité). Je pense que l’historien met en place les faits, qui d’eux-mêmes créent le jugement, sur lequel, au fond – et s’il a bien fait son travail -, tout le monde est d’accord. Le bras du corps social – qui est le politique -, ensuite, n’a plus qu’à prendre les décisions qui s’imposent pour appliquer ce jugement. Qu’il le fasse de lui-même, ainsi que devaient le faire les bons princes d’autrefois, ou contraint par un programme sur lequel il est élu, n’y change finalement rien, l’élection étant surtout un moyen de surveiller les politiques, de veiller à ce qu’ils agissent conformément à ce que tout le monde admet comme juste, et non selon leurs intérêts propres – comme, il faut le reconnaître, les princes ont fini par le faire souvent : de fait, on pourrait déjà dire que Victor-Emmanuel II fut surtout mû par le souci de ses revenus, durant son règne ! Victor-Emmanuel II, dernier roi ayant gouverné la Savoie Je voudrais remercier le créateur de ce blog, l’auguste Dahu – de légendaire mémoire -, de m’avoir proposé de le nourrir, car ce fut une expérience merveilleusement enrichissante, qui m’a aidé moi-même à avoir sur ces événements et sur la Savoie en général une vision à la fois plus profonde et plus globale, plus vaste. Je dois remercier également les commentateurs, qui ont témoigné une affection ardente, en général, pour leur petite patrie – comme on disait autrefois – et m’ont amené à préciser à la fois ma pensée sur les événements et la conception que j’ai du rôle de l’historien, ou de celui qui scrute l’histoire pour en saisir le fond et l’essence, comme j’ai ici essayé de le faire. Peut-être eût-il été souhaitable que des intervenants regardant la réunion de la Savoie à la France d’un œil globalement favorable intervinssent aussi : pourquoi pas ? Je trouve que toutes les opinions devraient pouvoir s’exprimer harmonieusement, car jamais les choses ne sont tout d’une pièce. La vérité embrasse toutes les tendances, les bonnes et les moins bonnes, et l’avenir même ne peut, à mes yeux, être fondé que sur un équilibre de toutes les forces qui peuvent orienter le regard – et le tirent effectivement dans des directions différentes, dans les faits. L’équilibre ne signifie pas la neutralisation de ces forces : il faut bien que certaines tendances soient mieux portées que d’autres par ce qu’on appelle le Sens de l’Histoire. Isaac Asimov : le sens de l'Histoire Quand on va vers un endroit nouveau, de fait, s’il ne faut pas aller trop vite, c’est parce qu’il faut regarder si les voies de droite ou de gauche ne pourraient pas être empruntées de préférence à celle qui continue tout droit ; et à la fin, il faut décider. Quatre directions sont toujours possibles, en principe : car on peut aussi revenir en arrière. Mais l’équilibre, c’est justement d’observer, de peser, et d’avancer en conservant avec soi sa raison et son jugement. Même une idée qui dès le départ a paru lumineuse doit pouvoir s’épurer, se corriger, se compléter par l’expérience : il faut, donc, continuer à la mouvoir au sein de sa pensée. Telle est en tout cas ma façon de voir. Notre éducation nous pousse à avoir des objectifs clairs, mais je crois qu’à cet égard, trop de clarté n’est pas souhaitable, parce qu’elle simplifie à l’excès les choses, et soit bloque le timide qui verra se dresser sur son chemin des obstacles, soit précipite sur ces mêmes obstacles le tempérament passionné. La souplesse doit demeurer maximale, afin de permettre l’adaptation, et le but doit rester lumineux sans arborer des formes trop délimitées. Cela lui ferait du reste perdre de son éclat, car la lumière ne demeure pas dans ce qui se cristallise trop. Le but, en devenant un objectif, perd de sa poésie, et cesse de rayonner dans l’âme… But lumineux sans forme très précise : Rothko C’est sur ces paroles qui se projettent sur l’avenir de façon plutôt vague – je le reconnais -, que j’aimerais achever cette chronique hebdomadaire. Rémi Mogenet ]]> /2010/02/01/remerciements-adieux/feed/ 0 Perceptions de l’Annexion aujourd’hui /2010/01/25/perceptions-de-l%e2%80%99annexion-aujourd%e2%80%99hui/ /2010/01/25/perceptions-de-l%e2%80%99annexion-aujourd%e2%80%99hui/#comments Mon, 25 Jan 2010 08:02:59 +0000 /?p=253 Je voudrais à présent évoquer la manière dont est perçue, de nos jours, l’Annexion. Le problème déjà se pose lorsqu’il s’agit de nommer l’événement. On croit volontiers que les mots doivent être absolument transparents, par rapport à ce qu’ils désignent, et on fait par conséquent la chasse à ceux qui semblent porter une émotion, de la subjectivité. Or, certains refusent qu’on utilise le mot Annexion, et lui préfèrent celui de Rattachement. Malheureusement, le gouvernement français a lui-même, en 1860, dit et écrit Annexion sur les affiches qu’il a éditées. On peut donc dire qu’il a accepté que le mot soit utilisé ; il est difficile de comprendre pourquoi il aurait changé d’avis. Si c’est parce que le mot a acquis depuis une connotation péjorative, c’est sans doute parce que la chose ne s’est pas toujours passée de façon idéale ; mais alors, en quoi la connotation péjorative représenterait-elle mal la chose ? Ou veut-on dire que les annexions contemporaines à celle de la Savoie se passaient d’une façon généralement douteuse, tandis que celle de la Savoie s’est passée d’une façon irréprochable ? Mais comment est-ce possible, si le mot recoupe en réalité la même procédure ? Peut-être qu’il y a l’idée que l’annexion de la Nouvelle-Calédonie, par exemple, était liée au colonialisme, tandis que la Savoie aurait retrouvé sa véritable patrie. Mais n’est-ce pas avoir des frontières une notion subjective, liée à des formes antiques dépassées ? De toute façon, je n’ai pas le sentiment, moi, qu’en soi, une annexion soit forcément une chose mauvaise, même exprimée dans ce terme. Le tout est de ne pas donner le sentiment qu’on prend possession d’un territoire en assimilant les gens qui y vivent aux meubles, en quelque sorte : le tout est de donner le sentiment qu’on accorde à ces personnes les mêmes droits qu’à tous les citoyens libres d’une république libre, et qu’on a une conception universaliste du droit qui s’applique ensuite dans les faits. Il ne s’agit pas tant de prendre possession d’un territoire que de s’unir aux peuples qui lui sont liés. Car les dirigeants d’une République ne sont pas les propriétaires des territoires : ils sont eux-mêmes membres du Peuple, et ne sont au-dessus de personne. On s’unit donc à une population en joignant à l’ancien territoire celui où cette population vit. Comme je l’ai déjà dit, l’effacement de la frontière donnait le droit aux Français de se rendre librement au pied du mont-Blanc, et aux Savoyards de se rendre librement au pied de la tour Eiffel – même si, en 1860, elle n’existait pas encore ! Cependant, le terme d’annexion indique bien un rapport de force : Napoléon III intégrait bien des territoires, et la population qui y vivait tendait à n’avoir plus qu’à suivre. Le pacte d’Annexion disait bien que le roi de Sardaigne cédait à l’empereur des Français Nice et la Savoie – quoique sous réserve de l’accord de la population. Mais il faut noter qu’on n’entendait pas demander à celle-ci ce qu’elle voulait dans l’absolu, mais simplement si elle était d’accord pour intégrer la France. Les choses se sont produites principalement entre dirigeants, et la clause consistant à vérifier que la population était d’accord n’était pas une consultation désintéressée : dans les faits, elle conduisait non à un possible refus des Savoyards, au fond, mais à des négociations : Napoléon III était invité et même incité à offrir des cadeaux, en quelque sorte, aux Savoyards, pour que ceux-ci acceptent le changement de leur statut. Le roi de Sardaigne laissait simplement la possibilité aux Savoyards de négocier des avantages particuliers auprès de Napoléon III – ou un statut spécifique, ou au moins la garantie de leurs droits. Et c’est bien ainsi que Napoléon III s’est engagé à construire des infrastructures, à protéger l’Église catholique et à instaurer et respecter une zone franche à la frontière suisse. Le roi Victor-Emmanuel II Or, l’impression de certains, on le sait, est qu’au moins la IIIe République n’a pas tenu à respecter tous les engagements que Napoléon III avait été contraint de prendre. Ici, le sentiment peut aussi être une forme de solution de continuité de l’État. Et alors, les belles images qu’on peut projeter de l’unité de la nation française et de l’indivisibilité de la République apparaissent aussi comme une manière d’inviter la population à accepter les décisions des dirigeants. Et paradoxalement, l’unité nationale réelle tend alors à perdre, je crois, de son feu propre, de son âme vivante et spontanée. Ce problème vient peut-être de ce qu’on veut trop unir : lorsqu’on force des objets à se mêler trop intimement, des polarités naturellement opposées se font jour et tendent à détériorer ces objets. L’État doit rester souple, et ne pas chercher à imposer l’idéal, un idéal théorique. Si la Savoie a ses teintes spécifiques, il est vain de vouloir les lui retirer : on peut seulement attendre qu’elle intègre aussi en son sein les teintes spécifiques à la France séculaire. En tout cas, c’est mon avis. Je pense du reste que c’est réellement un plus, un vrai apport, que l’accès à la culture française facilité en Savoie : je n’approuve pas le roi de Sardaigne d’avoir tendu à fermer culturellement les frontières – d’avoir interdit l’importation de livres venus de France ! Mais je n’approuve pas non plus la tendance à réprimer l’amour de la culture propre à la Savoie, qui peut ou a pu exister. Je suis favorable à une liberté totale, sur le plan culturel, et j’avoue qu’elle me semble même préférable, en soi, aux questions d’unité, car je crois que la seule vraie unité est celle qui s’accompagne de liberté : l’unité forcée qui conduit à l’uniformité est stérile, sur le plan humain. Elle ne crée qu’une illusion d’unité. C’est bien la force de fraternité, qui peut et doit rapprocher les gens, et non l’autorité de l’État : l’État ne peut rapprocher que les corps ; la véritable unité vient de ce qu’on a pu aussi rapprocher les cœurs. Rémi Mogenet. ]]> /2010/01/25/perceptions-de-l%e2%80%99annexion-aujourd%e2%80%99hui/feed/ 0 Bilan II : le point de vue français sur l’Annexion /2010/01/18/bilan-ii-le-point-de-vue-francais-sur-l%e2%80%99annexion/ /2010/01/18/bilan-ii-le-point-de-vue-francais-sur-l%e2%80%99annexion/#comments Mon, 18 Jan 2010 07:42:43 +0000 /?p=239 Dans ce second bilan, je voudrais revenir sur la manière dont les Français, ainsi que les Genevois, ont ressenti l’annexion de la Savoie.   Mont-Blanc Le pays du mont-Blanc avait acquis un prestige considérable, notamment grâce aux Genevois ou aux Anglais qui, partis de Genève, l’avaient exploré, au XVIIIe siècle, et avaient même conquis le toit de l’Europe, puisque c’est sous l’impulsion en particulier d’Horace-Bénédict de Saussure que les Savoyards Balmat et Paccard l’ont gravi, les premiers dans l’histoire recensée de l’humanité. Or, les récits de H.-B. de Saussure ont ensuite eu un succès considérable, et tous les voyageurs désireux de visiter la Savoie auront par la suite avec eux, si ce n’est les écrits de cet illustre géologue, au moins ceux d’autres Genevois qui auront repris ou complété ses remarques.   Jacques Balmat et Horace-Bénédict de Saussure En 1860, les Français furent donc particulièrement fiers de pouvoir intégrer dans leur territoire cette montagne, et Napoléon III ne risquait pas de la laisser échapper en l’abandonnant aux Suisses, comme il le leur avait promis. Il fit tout pour le conserver. Ce fut, pour les Genevois, une déception profonde. Ils exprimèrent clairement leur amertume. Or, derrière eux, ils avaient les Anglais, qui détestaient Napoléon III, et poussaient Berne à exiger l’exécution de la promesse qu’il avait faite de lui laisser le Faucigny et le Chablais.   Lamartine Même si le mont-Blanc focalisait tous les désirs, le reste de la Savoie, naturellement, fut apprécié aussi. J’ai évoqué le lac d’Annecy ; j’aurais pu évoquer celui du Bourget, chanté jadis par Lamartine ; le Salève, rendu célèbre par sa proximité avec Genève ; et les bords du Léman, que Lamartine également chanta. Quant à Chambéry, Rousseau en avait fait un vibrant éloge. La Savoie apparaissait comme une Suisse du sud. Victor Hugo même ne cessa jamais de la présenter comme un jardin béni des cieux ! Mais si le pays, en tant qu’ensemble physique, charmait, et même enthousiasmait, ses habitants et leur culture propre suscitaient des sentiments plus partagés. Dans la presse officielle, proche de l’Empereur, on se réjouissait, apparemment, de s’attacher un peuple qui avait compté parmi ses enfants François de Sales, Vaugelas et les frères de Maistre ; mais la presse parisienne moins directement liée au pouvoir se gaussait, de son côté, des paysans miséreux de Savoie, des montreurs de marmottes et des ramoneurs. Le souvenir de la princesse Clotilde, fille de Victor-Emmanuel II qui avait épousé le cousin de Napoléon III, Jérôme Bonaparte, pour préparer justement l’alliance entre la France et le Piémont – et, par là-même, l’annexion de la Savoie -, demeurait dans les mémoires, et il n’était pas reluisant : cette princesse n’avait rien d’une élégante, étant très pieuse et peu gracieuse – peu jolie, même. Ne l’avait-on pas surnommée la reine des marmottes ? Cela ressemble à un conte, et cela peut être pris en bonne part ; à mes yeux, l’image même de lutins qu’ont les ramoneurs, avec leurs bonnets et leurs ceintures rouges, a aussi sa poésie, son charme : dans plusieurs romans français, ils furent apparentés aux esprits domestiques de la maison, aux bons génies des familles. N’est-ce pas, aussi, un petit Savoyard dénué de tout qui provoque providentiellement la conversion de Jean Valjean au Bien, dans Les Misérables de Victor Hugo ? Marie-Clotilde de Savoie Pour autant, la culture propre aux Savoyards, faite de piété quasi mystique, et d’un extérieur plutôt humble et modeste, ne trouvait pas vraiment grâce aux yeux d’une aristocratie parisienne éprise de faste et d’urbanité, d’élégance, de mode et de mœurs libres. Les premiers préfets envoyés dans les deux départements de Savoie, eux-mêmes, se plaindront de n’être pas accueillis à bras ouverts par la bonne société locale, de n’être pas invités à dîner par les meilleures familles : les mœurs des Savoyards leur apparaissaient comme austères, ou peu dégrossies. Mais la Savoie est un pays aux limites de la France et de deux pays étrangers, d’une part ; et, d’autre part, en tant que pays de montagnes où la vie n’est guère possible, elle est aux confins du monde humanisé, aux portes de la nature livrée à elle-même. Cette double caractéristique est à prendre en bloc, comme sont à prendre en bloc à la fois le paysage et les gens qui y vivent.   Lune sur mer en Polynésie La Savoie est un peu comme une île lointaine, d’un certain point de vue : elle ouvre sur l’ailleurs ; or, l’on ne doit pas s’ouvrir seulement sur un ailleurs abstrait, qui est celui des pays lointains : l’ailleurs des confins de la France même engage aussi le devoir de s’ouvrir au monde qu’a l’être humain. C’est en tout cas mon avis. Rémi Mogenet. ]]> /2010/01/18/bilan-ii-le-point-de-vue-francais-sur-l%e2%80%99annexion/feed/ 0 Bilan I : le point de vue des Savoyards /2010/01/11/bilan-i-le-point-de-vue-des-savoyards/ /2010/01/11/bilan-i-le-point-de-vue-des-savoyards/#comments Mon, 11 Jan 2010 08:03:45 +0000 /?p=231 Le moment est venu de faire le bilan de cette chronique que je m’étais engagé à produire au travers de trente articles : il s’agit en effet du 27e. Je ferai en réalité deux bilans : cette semaine, je récapitulerai les sentiments des Savoyards, en traçant à cet égard des lignes de force ; la semaine prochaine, je ferai pareil pour les sentiments des Français à l’égard de la Savoie et son annexion à la France. J’évoquerai également les sentiments des Suisses, et en particulier des Genevois, qui fait écho en grande partie à celui des puissances non impliquées directement par l’événement, alors.   Saint-Empire On a compris que, sur le plan économique, les Savoyards, en 1860, se sentaient à l’étroit. La fin des relations privilégiées avec les Allemagnes depuis la Révolution française en 1789 et la dissolution du Saint-Empire romain germanique en 1806, puis la fermeture de la frontière avec la France et avec Genève en 1815, ont grandement frustré les Savoyards sur le plan commercial, et les ont privés de débouchés importants. Ils continuaient à émigrer en masse vers la France, en particulier Paris et Lyon, mais ils étaient reconduits régulièrement à la frontière. Dans le nord de la Savoie, Genève et la Suisse représentaient néanmoins un appel d’air important. Armoiries du Faucigny Sur le plan émotionnel, il n’est pas tout à fait exact que, comme l’a dit le regretté Claude Castor dans son ouvrage sur le Faucigny, les sentiments aient, jusque dans le nord du Duché, été entièrement favorables à la France, la Suisse n’attirant les cœurs que pour l’argent. En fait, la France attirait aussi pour ses débouchés économiques, pour l’argent, et la Suisse attirait aussi pour des raisons sentimentales, ou morales. Depuis toujours, le Faucigny est lié à Genève : les seigneurs de Faucigny sont issus des comtes de Genève ; les évêques de Genève les plus prestigieux étaient souvent de cette maison de Faucigny ; le Faucigny a été imprégné de l’histoire du tourisme mené depuis Genève, et qui a accompagné l’essor de la philosophie des Lumières. Mieux encore, la démocratie genevoise et plus généralement suisse a souvent suscité des désirs, en Savoie du nord, et il en était ainsi depuis l’époque où la Suisse avait pris son indépendance vis-à-vis des princes du Saint-Empire. On peut citer à cet égard la révolte des Robes Rouges, menée, au XVe siècle, par des paysans de Megève qui s’inspiraient des magistrats souverains de Berne et des autres cités de la Confédération helvétique. Armoiries de Chambéry Cela dit, c’est bien une même aspiration vers la démocratie qui a conduit nombre de Savoyards à se rattacher à la Révolution française, puis, par conséquent, à l’empire napoléonien. Or, le souvenir en était resté vif, et plus on s’éloignait de la Suisse, moins le modèle bernois ou genevois était prégnant. Or, le sentiment patriotique interne à l’ensemble du Duché s’était bien développé, au cours des siècles. Il existait un vrai sentiment d’unité, et les Savoyards qui se sentaient liés à la Suisse plus qu’à la France existaient, mais, en nombre, ils demeuraient, je pense, minoritaires. Au-delà du Faucigny, du Chablais et des Usses, le sentiment favorable à la Suisse s’estompait, ou du moins se diluait fortement. Et le centre de la Savoie demeurait Chambéry, davantage liée à Lyon et à Grenoble : car le Duché était assez centralisé, en lui-même. La Savoie était donc plutôt destinée à basculer d’un bloc vers telle ou telle nation. En outre, le sentiment catholique restait fort, et Napoléon III le soutenait davantage que Turin, Berne ou Genève : le fait est évident, et il y a peu à en dire, mais c’est justement parce qu’il a eu un poids considérable. L’Église catholique romaine, en Savoie, avait conservé une autorité énorme. Enfin, l’aspiration des Italiens à l’unité italianisait et unifiait culturellement et linguistiquement l’ensemble du territoire concerné, et la Savoie, qui appartenait fondamentalement à la francophonie, ne se sentait justement pas concernée : elle n’avait pas vraiment sa place dans cet ensemble nouveau. Massif du mont-Blanc Remarquons cependant que la Suisse romande appartient elle aussi à la francophonie. Ce n’est pas sous cet angle qu’il faut penser le rattachement ou la réunion avec la France de façon exclusive, sans aucun legs à la Suisse. Je pense que c’est le sentiment patriotique savoyard qui a joué à plein, à cet égard, et que la France lui doit au premier chef d’avoir pu annexer aussi le nord de la Savoie – qui comprend le pays du mont-Blanc, symbole pourtant si important à Paris en 1860 : c’est un paradoxe. On peut en conclure que le particularisme savoyard fut une condition nécessaire à sa réunion à la France, aussi surprenant cela paraisse-t-il. Mais pour une région située à la périphérie du territoire national, et en bordure de deux pays étrangers, cela n’a rien que de très logique, si on y réfléchit bien ! Rémi Mogenet. ]]> /2010/01/11/bilan-i-le-point-de-vue-des-savoyards/feed/ 0 L’essor d’Annecy autour de 1860 /2010/01/04/l%e2%80%99essor-d%e2%80%99annecy-autour-de-1860/ /2010/01/04/l%e2%80%99essor-d%e2%80%99annecy-autour-de-1860/#comments Mon, 04 Jan 2010 08:20:48 +0000 /?p=215 Il faut avouer qu’Annecy bénéficia d’une façon importante de l’Annexion et plus généralement de la France – et cela, même sans tenir compte de la période des ducs de Genevois-Nemours, que j’ai déjà évoquée à propos de Vaugelas. Custine Dès avant l’Annexion, deux écrivains français ont parlé d’Annecy de manière à la faire connaître en France avantageusement : Astolphe de Custine (1790-1857) et Eugène Sue (1804-1857). Le premier est l’auteur d’un des seuls poèmes qui aient été composés par un étranger, parmi ceux qui établissent un lien entre le lac d’Annecy et l’Être divin, sur le modèle de ce que fit Lamartine pour le lac du Bourget ou même le Léman ; son œuvrette se terminait en effet par ces vers : Loin des froides beautés d’un monde qui grimace, C’est l’image de Dieu qui se peint sur ta glace. Certes, les Savoyards François de Sales et, surtout, Jacques Replat chantèrent en abondance le merveilleux lac annécien, y plaçant des rêveries mystiques et un monde de fées et de créatures magiques inoubliable. Mais Jacques Replat n’eut pas de succès en dehors de sa petite patrie de Savoie et les écrits de François de Sales sur Annecy ou d’autres lieux de la Savoie demeurèrent peu connus à l’étranger, étant issus de sa correspondance privée. Eugène Sue L’autre écrivain fameux à Paris et plus généralement en France qui parla abondamment d’Annecy et chanta ses louanges avant l’Annexion, c’est Eugène Sue. Il y avait pris demeure pour échapper au régime de Napoléon III, mais il fit véritablement œuvre de publicitaire excellent, de 1851 – date de son installation à Annecy-le-Vieux -, à 1857, date de sa mort. La préface à son roman Cornélia d’Alfi (1852) est une présentation élogieuse d’Annecy et de son lac, présenté comme un lac suisse mais sans les touristes et la cherté du pays helvétique. Sue évoque les coutumes agricoles locales, l’industrie, et la culture, ayant rencontré Jacques Replat et les autres membres de l’Académie florimontane. Il produisit même un poème, sur sa maison d’Annecy-le-Vieux et le lac qui s’étend non loin, et dans Cornélia d’Alfi, plusieurs descriptions du lac et des montagnes qui l’environnent en créent une image très charmante. Napoléon III ne fut pas rancunier : tout au contraire, au lendemain de l’Annexion, il voulut lui aussi se présenter comme un bienfaiteur d’Annecy, cherchant peut-être à faire figure de prince magnanime, ou simplement à faire oublier Sue à son profit, comme si une concurrence s’était établie entre les deux pour savoir qui aurait le plus de bienveillance pour la vieille capitale du Genevois ! Impératrice Eugénie Il fit ainsi de la noble cité lacustre le chef-lieu d’un département dont les limites rappelaient directement celles du département du Léman, qu’avait créé son oncle Napoléon Ier, quoique le chef-lieu en fût Genève, et il chercha à lui donner du lustre aussi en encourageant son épouse Eugénie à se dire folle d’Annecy : l’hôtel Impérial fut construit pour elle ; la mode, à Paris, fut lancée. Préfecture d'Annecy Napoléon III fit aussi bâtir une jolie préfecture dans le pur style français : elle ressemble à un château du centre ou du nord de la France. Le préfet y serait précisément une sorte de seigneur provincial à la française ! Quoi qu’il en soit, par la suite, le succès d’Annecy fut constant. Les écrivains français en vue à cette époque ont chanté la ville, le lac, y sont passés, s’y sont baignés : sous la IIIe République – qui inconsciemment suivait un mouvement initié par Napoléon III – Annecy fut très en vue. Il faut savoir qu’après 1815, Annecy, qui n’avait presque rien été sous la Révolution et le Ier Empire, n’était plus qu’une petite cité à demi ruinée. Charles-Albert l’avait développée dès 1845, l’Académie florimontane y était renée de ses cendres, et, sans doute, les Annéciens eux-mêmes avaient commencé à bien redresser la tête, mais il faut avouer qu’après 1860, grâce au tourisme venu de France, une ère nouvelle commença. Comme à Chamonix, Napoléon III tint ses promesses, globalement : il joua le jeu auquel il s’était engagé auprès des Savoyards. Rémi Mogenet. ]]> /2010/01/04/l%e2%80%99essor-d%e2%80%99annecy-autour-de-1860/feed/ 0 Les marquis Costa de Beauregard et la France éternelle /2009/12/28/les-marquis-costa-de-beauregard-et-la-france-eternelle/ /2009/12/28/les-marquis-costa-de-beauregard-et-la-france-eternelle/#comments Mon, 28 Dec 2009 07:29:44 +0000 /?p=210 Charles-Albert Costa de Beauregard Je ne sais plus où j’ai lu que lors de la réception de l’historien et écrivain savoyard Charles-Albert Costa de Beauregard (1835-1909) à l’Académie française, en 1896, des voix se sont aussitôt élevées contre cet accueil favorable fait à un homme qui était l’héritier d’une famille liée autrefois de près au roi de Sardaigne, et qui avait si souvent combattu la France dans l’armée de la Maison de Savoie. On rappela toutes les batailles concernées, et on s’offusqua. A vrai dire, cela ressemble assez à la protestation contre le dernier Prix Goncourt, dont l’heureuse lauréate avait auparavant critiqué d’une façon acerbe le gouvernement actuel : on se souvient qu’un élu de la région parisienne s’est plaint qu’un prix national, symbolisant la tradition française dans toute sa splendeur, pour ainsi dire, a pu être décerné à une dame ayant maltraité aussi vigoureusement le gouvernement français. Cela reste bien sûr marginal, et la plupart des gens ont jugé cette intervention plutôt grotesque, mais cela montre comment certains ont pu avoir du mal à accepter l’intégration des Savoyards dans l’auguste nation de France, même après l’Annexion. Car le fond de l’affaire est aussi que la dame qui a eu le dernier prix Goncourt a un nom d’origine africaine, qu’elle tient de son père. Et à vrai dire, Charles-Albert Costa de Beauregard ne laissa pas de combattre vaillamment contre la Prusse, en 1870, et on ne le repoussa pas : il fut bien élu à l’Académie française. Tout comme Marie N’Diaye, de son côté, a pu garder son prix, cela va de soi ! Louis XI Cela dit, les sources de cette défiance, vis-à-vis des Savoyards, sont lointaines. On trouve chez Brantôme (1540-1614), à la fin du XVIe siècle, que le roi Louis XI se méfiait de son épouse, Charlotte de Savoie, parce qu’elle était de nation bourguignonne : on n’entendait pas par là étrangère, comme les savants qui annotent aujourd’hui Brantôme le prétendent, mais issue de l’ancien royaume de Bourgogne, dont la Savoie était la continuation. De fait, les guerres entre le royaume de France et celui de Bourgogne avaient été profondes et durables, et une chanson de geste en dialecte du Dauphiné (et tout particulièrement du pays viennois) datant du XIIe siècle, Girart de Roussillon, en fait état, en prenant parti pour les Bourguignons qui s’étaient battus contre le roi de France Charles le Chauve. Or, les princes de Savoie y sont évoqués par allusions, et ils sont bien sûr liés, par le sang même, à Girart de Roussillon, le chef de la Bourgogne. La différenciation entre les Français et les Savoyards ou leurs ancêtres bourguignons est donc très ancienne. Le royaume de Bourgogne n’a pas été par hasard intégré dans son entier au Saint-Empire, lors du partage des fils de Louis le Pieux… François Mitterrand Inversement, François Mitterrand, bien au fait de l’histoire de France, et dont la culture s’enracinait dans la tradition de la France dite centrale, n’hésita pas à déclarer que si les deux départements savoyards n’avaient pas voté pour lui, en 1988, c’est parce que la Savoie, ce n’était pas vraiment la France. Ce n’était peut-être qu’une boutade, mais elle en disait long sur une conception de la France liée à un sens social fondamental, et dont l’individualisme alpin – plus typique de la Suisse, ou des pays allemands – se démarque, au fond. Par delà ce qui subsiste de l’ancienne France, de cette ancienne France des rois de France qui s’est constituée autour de la personne même du Roi, il existe bien sûr la République, à vocation universaliste, et établissant l’égalité de tous les citoyens. Mais il n’en demeure pas moins que la Savoie n’a jamais été intégrée au royaume de France de façon durable, et qu’elle n’a connu la France qu’à travers cet universalisme de principe qui fut celui de l’Empire et est encore celui de la République. Que la Savoie ait eu ses propres princes, avant son insertion dans la République ou l’Empire, la met culturellement en marge, et c’est tout ce qu’exprima le rejet dont fit l’objet, au nom de tous ses ancêtres marquis, Charles-Albert Costa de Beauregard. Rémi Mogenet. ]]> /2009/12/28/les-marquis-costa-de-beauregard-et-la-france-eternelle/feed/ 0 La conquête de Chamonix au lendemain de l’Annexion /2009/12/21/la-conquete-de-chamonix-au-lendemain-de-l%e2%80%99annexion/ /2009/12/21/la-conquete-de-chamonix-au-lendemain-de-l%e2%80%99annexion/#comments Mon, 21 Dec 2009 07:03:40 +0000 /?p=201 Théophile Gautier Une des promesses faites aux Savoyards par Napoléon III, à l’Annexion, était de construire des infrastructures modernes, et en particulier des routes, en Savoie. Or, Théophile Gautier (1811-1872), en 1862, vient à Chamonix, et évoque justement la route que Napoléon III est en train de bâtir pour permettre un accès plus facile à cette vallée d’où l’on peut gravir le mont-Blanc. Eugène Labiche D’ailleurs, l’Annexion a provoqué la venue à Chamonix de nombreux Français. Le dramaturge Eugène Labiche (1815-1888) s’en est fait l’écho, dans Le Voyage de M. Perrichon, pièce qui a été créé justement en 1860, comme pour célébrer l’intégration du massif du mont-Blanc dans le territoire national : on se souvient que Perrichon, digne bourgeois originaire des environs de Paris, chante les glaciers de Chamonix en termes pompeux et comiques, se prenant pour un héros de l’alpinisme moderne. Les Savoyards sont, dans cette pièce, des guides et des hôteliers : leur rôle est clair. Il est d’accueillir les touristes parisiens. Ce dont ils s’acquittent avec bonne grâce, dans le texte. Labiche n’avait rien d’un écrivain rebelle au régime. Et quand au lendemain de l’Annexion Gautier vint lui aussi à Chamonix, il raconta son voyage au sein d’un feuilleton destiné à paraître dans la presse parisienne. Or, il ne cesse de s’y extasier des merveilles qu’il distingue dans le paysage, et d’y voir comme le reflet du monde divin, plaçant l’image du Christ sur le Thabor ici, des anges là, des forteresses de géants ailleurs : il crée un monde fabuleux, et ses lecteurs ne pouvaient qu’être attirés par le mont Blanc et ses abords, une fois intégrées ces figures incroyables. Jules Michelet Le grand historien patriotique Jules Michelet (1798-1874) se fendra lui aussi d’un récit de voyage à Chamonix, en 1867 : il veut sans doute, par là, intégrer symboliquement la Savoie à la France – comme pour y marquer son territoire, car il était considéré comme l’historien, par excellence, de la Nation. Or, lui aussi est plein d’extase et d’exaltation, lui aussi évoque des géants, des fées, des figures fabuleuses, des mystères profonds liés à la montagne, aux glaciers, aux gouffres. Tout l’émerveille et l’enthousiasme, tout déclenche en lui des torrents d’hyperboles et d’images grandioses… On ne peut pas dire que la France n’a pas joué le jeu du tourisme, plus ou moins consciemment : en faisant du mont-Blanc un mythe vivant, de Chamonix et de la haute vallée de l’Arve un pays au sein duquel les traces des êtres divins ou mythologiques sont clairement perceptibles, les écrivains ont en quelque sorte placé mille idoles éblouissantes le long des routes que faisait, pendant ce temps, construire Napoléon III ! La dynamique d’un tourisme de masse fut instituée précisément de cette manière. Car si les élites se rendaient au pied du mont-Blanc, le reste du monde, pour ainsi dire, allait dans ses parages: les Alpes devenaient une destination magique, un moyen d’épanouissement intérieur. On ne peut pas dire que Chamonix, en tout cas, n’en profita pas. Car même si le tunnel du mont-Blanc met davantage en danger le tourisme – et, plus directement, la santé des habitants de la vallée de l’Arve, par la pollution des camions -, il ne fut pas construit au lendemain de l’Annexion, mais près de cent ans plus tard… Rémi Mogenet. ]]> /2009/12/21/la-conquete-de-chamonix-au-lendemain-de-l%e2%80%99annexion/feed/ 0 Les hésitations de François de Sales /2009/12/14/les-hesitations-de-francois-de-sales/ /2009/12/14/les-hesitations-de-francois-de-sales/#comments Mon, 14 Dec 2009 07:57:25 +0000 /?p=195 Charles-Emmanuel Ier, le Grand Le duc de Savoie Charles-Emmanuel Ier, en guerre larvée contre le roi de France Henri IV, trouva un jour que François de Sales était trop proche de celui-ci : on sait qu’il s’était rendu à Paris, où il avait eu un certain succès, que le roi de France lui proposa l’évêché de Paris, et qu’il le refusa, disant qu’il voulait demeurer parmi ses chères montagnes. Or, à son maître, l’évêque titulaire de Genève répliqua en renouvelant sa soumission et sa fidélité : Je suis savoisien, s’écria-t-il, et je ne serai jamais autre chose. On pourrait résumer, somme toute, le sentiment des Savoyards vis à vis de la France, tout au long des siècles, par cette position partagée et ambiguë de François de Sales même. Il écrivit ses livres en français, notamment pour qu’ils fussent compris des dames – qui n’étudiaient pas le latin -, et pour répandre la dévotion jusque dans la vie profane, voulant sortir le mysticisme chrétien du cercle restreint des religieux. On l’accusa d’ailleurs d’avoir mis, en langue vulgaire, et donc à la portée de tous, de profonds mystères, d’essence initiatique : allusion probable aux imaginations qu’il conseillait, permettant de se représenter soi-même guidé par un ange sur un chemin situé entre le paradis – en haut – et l’enfer – en bas. Il encourageait les dévots à se créer un monde intérieur, et cette tendance mystique ne fut pas toujours bien vue : Jeanne Guyon, par exemple, avait été marquée par sa lecture des ouvrages de François de Sales, mais elle fut finalement mise à la Bastille : on jugeait ses voies trop peu orthodoxes. François de Sales Si François de Sales rédigea ses ouvrages en français, c’est sans doute en partie parce qu’ils étaient adressés à des dames françaises. L’Introduction à la vie dévote, par exemple, était destinée à une dame normande qui, après son mariage, s’était installée près de Bonneville… Et puis le diocèse de François de Sales était lié au duché de Genevois-Nemours, avec lequel il se recoupait presque ; or, on a vu, à propos de Vaugelas, que ce duché entretenait des liens avec Paris. De toute façons, cela faisait longtemps que le français était la langue de la Cour, en Savoie. Saint Anselme de Cantorbéry D’un autre côté, François de Sales se défiait réellement de la France, dont il jugeait les mœurs relâchées, peu propres à la dévotion : il était à cet égard très attaché à la simplicité de nos montagnes et du peuple qui y vivait, lequel il estimait spontanément tiré vers le bien, même si cette bonne nature de départ devait à ses yeux être sanctifiée par la religion, et l’enseignement de l’Église. Il était tout à fait patriote, aimant à évoquer les saints de nos montagnes. Il évoqua notamment saint Bernard de Menthon, plus souvent encore saint Anselme de Cantorbéry – originaire d’Aoste -, et il chercha constamment à faire au moins béatifier Pierre Favre, qui était des environs de Thônes. Il conseillait de toutes façons même à ses disciples d’Orléans de se rattacher toujours, en pensée, aux saints patrons du diocèse auquel ils appartenaient. Sur le plan culturel, on ne pouvait pas faire plus hostile au centralisme : la religion, pour lui, devait aussi être locale dans son expression. Le lien avec la culture française, mais avec un fort attachement à la Savoie et à sa culture propre – la recherche, dans cet esprit, d’une forme d’autonomie donnant un cadre à sa spécificité -, c’est ce qui caractérise certainement les Savoyards en général, et qui fut très sensible chez François de Sales en particulier. La Savoie est certainement une partie de la francophonie, mais son degré de fusion avec la tradition spécifiquement française n’a rien d’absolu, et fait régulièrement l’objet d’une appréciation critique. L’équilibre, à cet égard, semble lui-même devoir rester mouvant, et donc, la nécessité apparaît de rester toujours souple, sur le plan institutionnel. Si les sentiments et les pensées des Savoyards au cours des siècles devaient dégager une ligne de force, on dirait que le lien avec la France est recherché, certes, mais que la dissolution en elle est rejeté : il s’agit d’intégrer un ensemble vaste sans perdre son âme. Rémi Mogenet. ]]> /2009/12/14/les-hesitations-de-francois-de-sales/feed/ 0 La notion de rattachement et la date de 1792 /2009/12/07/la-notion-de-rattachement-et-la-date-de-1792/ /2009/12/07/la-notion-de-rattachement-et-la-date-de-1792/#comments Mon, 07 Dec 2009 07:01:37 +0000 /?p=187 Joseph de Maistre On sait que la notion de rattachement de la Savoie à la France en 1860 s’appuie sur l’intégration de la Savoie à la France révolutionnaire, en 1792. Sur les circonstances exactes de ce rattachement du peuple savoisien (comme on disait alors), représenté par l’Assemblée des Allobroges, on pourrait faire de nombreux articles, mais deux lignes de force apparaissent. La première est purement conjoncturelle, comme cela apparaît si souvent lors des échanges de territoires entre États: les émigrés français installés en Savoie après 1789 se sont montrés si arrogants, si débauchés – si malhonnêtes, aussi -, qu’une partie du peuple de Chambéry, notamment, fut trop heureux de pouvoir se rattacher à la République française: cela permettrait de chasser ces nobles insupportables. De fait, lorsqu’on lit Rousseau ou Lamartine, il apparaît que la noblesse de Savoie était assez proche de la population, plus que ne l’était la noblesse française, qui était pleine de superbe. A cet égard, la noblesse savoyarde ressemblait parfois à celle de Bretagne. A la différence près qu’elle n’était pas entrée en conflit ouvert avec le Roi. Son influence pouvait donc s’exercer assez librement. Cependant, malgré les réformes que constituaient l’imposition des nobles et la création du cadastre, beaucoup de gens aspiraient à davantage de liberté. Près de Genève, l’influence de la cité de Calvin fut à cet égard importante. Mais les idées libérales se répandaient aussi à Chambéry, par l’intermédiaire par exemple des loges maçonniques. Sénat de Savoie Il y eut également, en profondeur, un sentiment d’humiliation, vis-à-vis de Turin, dès avant la Révolution : les Savoyards étaient blessés par l’influence grandissante des Piémontais, alors que Chambéry conservait une prééminence théorique. Joseph de Maistre par exemple se plaignit que la loge maçonnique mère de Chambéry reçût de plus en plus de directives de Turin, où se trouvaient l’aristocratie financière et la haute administration. Car Joseph de Maistre eut le titre d’orateur, au sein de la loge maçonnique chambérienne à laquelle il appartenait. Au Sénat de Savoie, dont il était membre, il se plaignait, dans ses discours de rentrée, de l’éloignement du pouvoir vis-à-vis du peuple, et en particulier, que ce pouvoir fût exercé sur la Savoie depuis le Piémont. Il fut longtemps jugé extrêmement libéral par le gouvernement central. Même après la Révolution, il demanda au roi Louis XVIII la permission de pouvoir se considérer comme un de ses sujets. Des prémices du rejet de l’Italie qui s’exprima en Savoie en 1859, avec le refus des députés savoyards du parlement de Turin de voter l’emprunt de guerre contre l’Autriche, étaient déjà présents à la fin du XVIIIe siècle.  Rémi Mogenet. ]]> /2009/12/07/la-notion-de-rattachement-et-la-date-de-1792/feed/ 0 Expressions de la patrie de Savoie à l’aube des temps modernes /2009/11/30/expressions-de-la-patrie-de-savoie-a-l%e2%80%99aube-des-temps-modernes/ /2009/11/30/expressions-de-la-patrie-de-savoie-a-l%e2%80%99aube-des-temps-modernes/#comments Mon, 30 Nov 2009 07:20:49 +0000 /?p=180

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